Terra Natal — poema para 3a série — D. Aquino Correia

18 08 2008

Menino Índio de Mato Grosso.  Foto de MARC FERREZ, 1896.

 

Menino Índio de Mato Grosso. Foto de MARC FERREZ, 1896.

Terra Natal

 

                                    D. Francisco Aquino Correia

 

 

Nasci à beira

Da água ligeira,

Sou paiaguá!

De Sul a Norte,

Tribo mais forte

Que nós não há.

 

Nas mansas águas,

Vive sem mágoas

O paiaguá;

O seu recreio,

O seu enleio

No rio está.

 

Nele me afundo,

Nado no fundo,

Surjo acolá;

E nem há peixe,

Que atrás me deixe,

Sou paiaguá!

 

Se faz soalheira,

Durmo-lhe à beira,

Ao pé do ingá;

Mas se refresca,

Lá vai à pesca

O paiaguá!

 

E quando guio,

À flor do rio,

A minha ubá,

Nem flecha voa,

Como  a canoa

Do paiaguá!

 

Um  dia os brancos,

Dentre os barrancos,

Surgem de lá;

Mas, em  momentos,

Viram quinhentos

Arcos de cá.

 

Na luta ingente,

Que eternamente

Retumbará,

Fez quatrocentas

Mortes cruentas

O paiaguá.

 

Não!  O emboaba,

Em nossa taba,

Não reinará!

Nós coalharemos

A água de remos,

Sou paiaguá!

 

Nas finas proas

Destas canoas,

Triunfará,

Por todo o rio,

O poderio

Do paiaguá!

 

Nasci à beira

Da água ligeira,

Sou paiaguá!

De Sul a Norte,

Tribo mais forte

Que nós não há!

 

 

D. Francisco Aquino Correia ( Cuiabá, MT 1885 – São Paulo – 1956)  arcebispo de Cuiabá.

 

 

Do livro:

 

Vamos estudar?: 3a série primária, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro,  Agir: 1961. 12a edição.


Ações

Informação

4 respostas

9 02 2009
Dalva A. L. Marinho

É maravilhoso podermos contar com o trabalho de gente que se dedica a pesquisas e nos ajudam a ampliar o conhecimento, além de satisfazer a nossa ânsia pessoal. Meu muito obrigado.

16 02 2009
peregrinacultural

Dalva, muito obrigada pelo apoio e a gentileza de me contatar. Faço o de que gosto. Gostaria de fazer mais, mas o tempo nem sempre colabora. Muito obrigada pela sua leitura.

18 07 2011
Paulo

Estou com 62 anos e me lembro de ter lido parte deste poema em uma das aulas de “linguagem” no Colégio, lá pelos anos 60. As crianças que conheço nunca comentaram terem lido poemas como este. O risco que correm é virarem presidente da República.

4 10 2012
bruna

gosto do trabalho dele e estudo sobre ele e amei conhecer mais vou levar esse poema para escola

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