A onça e o macaco, poema infantil de Maria Lúcia Godoy

11 09 2008

A ONÇA E O MACACO

 

 

Maria Lúcia Godoy

 

 

Lá vem a onça pintada!

fico toda arrepiada,

mas vendo a sua beleza

fico a olhá-la encantada,

bem a distância, é claro,

que não sou boba nem nada.

 

Concordo que seja linda

mas tem a garra afiada.

Seu olhar verde, rasgado,

seu andar macio e ágil.

É uma onça menina,

brincando aprende a caçar.

 

Ora, a onça vem com fome.

Há muitos dias não come,

pois a caça está bem rara,

e ela só vê a cara

de um macaquinho engraçado.

 

Entre as folhas se disfarça.

Ligeira prepara o bote:

como uma flecha dispara

sobre o animal assustado.

O macaco dá um pulo,

foge para um galho alto

onde a onça não alcança.

 

De longe ele faz caretas

meu Deus, mas que aflição!

Acalmei meu coração,

disse adeus ao macaco e à onça

   desliguei a televisão.

 

 

Do livro:  O boto cor-de-rosa, Maria Lúcia Godoy, Rio de Janeiro, Editora Lê: 1987


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4 responses

27 11 2009
José Agassiz Vasques Macêdo

Em menino ouvi muitas estórias envolvendo a esperteza do macaco, sempre capaz de ludibriar a onça, seja evitando ser devorado seja urdindo argumentos convincentes para a onça fazer o que ele deseja.
Particularmente, havia uma em que o macaco aposta que conseguirá selar e cavalgar a onça, só não consigo lembrar com que ardis a onça foi convencida… O macaco montado, chicote na mão, esporas nos pés, ganhou a aposta e uma eterna inimiga. A parte mais interessante da fábula, que são os ardis, não lembro. Será que terei de reinventá-los para satisfazer a curiosidade de minha filha?

27 11 2009
peregrinacultural

José, vou dar uma procurada… Quem sabe talvez eu ache a fábula… Assim de pronto não me lembro. Um grande abraço, Ladyce

11 09 2012
José Agassiz Vasques Macêdo

Há quatro anos cavalga
A macaca sobre a onça
Que segue desembestada
A quebrar pau na quebrada
Das serras da mica sonsa

Quando já tora no dente
O cabresto que a comanda
Manumissa da espora
Freando de vez agora
E daí tora de banda

E sobrando na tangente
A macaca avoa fora
Na mão retém o cabresto
Espatifa-se de resto
Ferindo-se na própria espora

(José Agassiz, 11/09/12)

12 09 2012
peregrinacultural

Parabéns! :)

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