A flor do Maracujá, poema de Fagundes Varela

14 09 2008

 

Flor de Maracujá, foto de Murilo Romeiro

Flor de Maracujá, foto de Murilo Romeiro

A FLOR DO MARACUJÁ

 

Pelas rosas, pelos lírios,

Pelas abelhas, sinhá,

Pelas notas mais chorosas

Do canto do sabiá,

Pelo cálice de angústias

Da flor do maracujá!

 

Pelo jasmim, pelo goivo,

Pelo agreste manacá,

Pelas gotas de sereno

Nas folhas do gravatá,

Pela coroa de espinhos

Da flor do maracujá!

 

Pelas tranças de mãe-d’água

Que junto da fonte está,

Pelos colibris que brincam

Nas alvas plumas do ubá,

Pelos cravos desenhados

Na flor do maracujá!

 

Pelas azuis borboletas

Que descem do Panamá,

Pelos tesouros ocultos

Nas minas do Sincorá,

Pelas chagas roxeadas

Da flor do maracujá!

 

Pelo mar, pelo deserto,

Pelas montanhas, sinhá!

Pelas florestas imensas,

Que falam de Jeová!

Pela lança ensangüentada

Da flor do maracujá!

 

Por tudo o que o céu revela,

Por tudo o que a terra dá

Eu te juro que minh’alma

De tua alma escrava está!…

Guarda contigo este emblema

Da flor do maracujá!

 

Não se enojem teus ouvidos

De tantas rimas em – á -

Mas ouve meus juramentos,

Meus cantos, ouve, sinhá!

Te peço pelos mistérios

Da flor do maracujá!

 

 

Fagundes Varela

 

 

Luís Nicolau Fagundes Varella, (RJ 1841 – RJ 1871) poeta e um dos patronos na Academia Brasileira de Letras.

 

Obras:

  • Noturnas – 1861
  • Vozes da América – 1864
  • Pendão Auri-verde – poemas patrióticos, acerca da Questão Christie.
  • Cantos e Fantasias – 1865
  • Cantos Meridionais – 1869
  • Cantos do Ermo e da Cidade – 1869
  • Anchieta ou O Evangelho nas Selvas – 1875 (publicação póstuma)
  • Diário de Lázaro – 1880

 

 


Ações

Information

20 responses

27 05 2010
mariana renata galera

gostei do jeito do site mas se o poema tivesse resenha ficaria melhor ainda……kkkkkkkkkk…………..rsrsrsrsrsrssr…..hahahahahahaha!!!!!!!!!!!

27 06 2010
Ft

Engraçado.
Há um poema de Castro Alves…
…falando das tranças… da granadilha.
Aliás… belíssima esta flor de maracujá.

27 06 2010
peregrinacultural

Olá, obrigada pela visita. O poema que conheço que fala de tranças e granadilha vai aqui, é de Castro Alves:

Vou colocar estas palavras em negrito

NO BARCO

— Lucas! — Maria! murmuraram juntos…
E a moça em pranto lhe caiu nos braços.
Jamais a parasita em flóreos laços
Assim ligou-se ao piquiá robusto…
Eram-lhe as tranças a cair no busto
Os esparsos festões da granadilha
Tépido aljofar o seu pranto brilha,
Depois resvala no moreno seio…
Oh! doces horas de suave enleio!
Quando o peito da virgem mais arqueja,
Como o casal da rola sertaneja,
Se a ventania lhe sacode o ninho.
Cantai, ó brisas, mas cantai baixinho!
Passai, ó vagas…, mais passai de manso!
Não perturbeis-lhe o plácido remanso,
Vozes do ar! emanações do rio!
“Maria, fala!” — “Que acordar sombrio”,
Murmura a triste com um sorriso louco,
“No Paraíso eu descansava um pouco…
Tu me fizeste despertar na vida …
“Por que não me deixaste assim pendida
Morrer co’a fronte oculta no teu peito?
Lembrei-me os sonhos do materno leito
Nesse momento divinal… Qu’importa?…
“Toda esperança para mim ’sta morta…
Sou flor manchada por cruel serpente…
Só de encontro nas rochas pode a enchente
Lavar-me as nódoas, m’esfolhando a vida.
“Deixa-me! Deixa-me a vagar perdida…
Tu! — Parte! Volve para os lares teus.
Nada perguntes… é um segredo horrível…
Eu te amo ainda… mas agora — adeus!”
ADEUS — Adeus — Ai criança ingrata!
Pois tu me disseste — adeus — ?
Loucura! melhor seria
Separar a terra e os céus.
— Adeus — palavra sombria!
De uma alma gelada e fria És a derradeira flor. — Adeus! — miséria! mentira
De um seio que não suspira,
De um coração sem amor.
Ai, Senhor! A rola agreste
Morre se o par lhe faltou.
O raio que abrasa o cedro
A parasita abrasou.
O astro namora o orvalho:
— Um é a estrela do galho, — Outro o orvalho da amplidão.
Mas, à luz do sol nascente,
Morre a estrela — no poente!
O orvalho — morre no chão!
Nunca as neblinas do vale
Souberam dizer-se — adeus —
Se unidas partem da terra,
Perdem-se unidas nos céus.
A onda expira na plaga…
Porém vem logo outra vaga
P’ra morrer da mesma dor…
— Adeus — palavra sombria!
Não digas — adeus —, Maria!
Ou não me fales de amor!

—-
Boa lembrança. Um abraço, Ladyce

14 08 2010
gil

adorei o seu poema, gosto muito das flores de maracuja gostaria que envia-se tudo soube esta flor com fotos de possivel. Um abraço. Gil

27 09 2010
Rebeca

eu adorei eu copiei esse texto para um trabalho de artes eu quase morri de tanto copiar rsrsrsrsrs
meu msn pra quem quiser é beka_linda@hotmail.com.br
bejitos amores

4 11 2010
roberta

e muito bonito esse poema

24 11 2010
Angela Maria Giacomin De Lima

Maravilhoso esse poema, que me remete ao passado e me faz lembrar de palavra por palavra, a interpretação da professora de Português. Não foi por acaso que o encontrei este blog, é que a caminho do trabalho me deparei com um pé de maracujá repleto com suas flores encantadoras, dando à Avenida movimentada um ar de tranquilidade e suavidade sem deixar de citar o seu perfume, naquele trecho mágico do meu caminho!
Obrigada, pelo carinho do Seu blog!

1 06 2011
joana daconceiçao

esse poema é muito bom adorei!!!!!!!!!!!!!!

6 06 2011
jenifer

Adorei o poema
e vou apresentar ele na escoola com minhas melhores ♥[pink]

6 06 2011
jenifer

Adorei o poema e muito fofo *—————* [red]

20 03 2012
Mario Fernando Alves Braga

achei linda vou declamar ela na minha escola (E.E. Odilon Berens)

20 03 2012
peregrinacultural

Você tem muito bom gosto! Parabéns! Todos vão gostar. Uma ótima idéia!

9 04 2012
maria laura carvalho souza

Nossa, a flor do maracujá é linda não é pessoal?

9 04 2012
peregrinacultural

Ela é mesmo muito bonita!

7 06 2012
bruna moreira

passei por varios poemas para escolher um so
pq vcs acham que escolhi este pq me apaixonei por ele
ele é muito bom apesar de ser grande e difícil de decorar

7 06 2012
peregrinacultural

Bruna, você tem muito bom gosto. Parabéns. Esse poema é lindo mesmo.

8 06 2012
Anita furtado Da Silva

O poema a florida de maracuja me lembra minha infancia onde declamei este poema anita

8 06 2012
peregrinacultural

Que bom Anita, você teve bons professores, e um ótimo “faro” para as belas poesias. Obrigada pelo comentário.

28 08 2013
jayane

esse poema faz parte da minha historia eu amo Fagundes varela

29 08 2013
peregrinacultural

Ele foi um grande poeta. Você tem bom gosto!

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