Manhã bucólica no parque, até os pássaros vêm fazer compaanhia!
Brasil que lê: fotografia tirada em lugar público
20 04 2009Comentários : Deixar um comentário »
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21 de abril, Dia de Tiradentes, pelos olhos de Tibicuera
20 04 2009
Capa da 4ª edição: 1947
Continuamos aqui com a narrativa sobre Tiradentes e sua morte, pelos olhos de Tibicuera.
41
A cabeça na ponta do poste
Um tal Joaquim Silvério dos Reis, coronel dos dragões, tinha denunciado os conspiradores.
Para encurtar o caso: Cláudio Manoel da Costa enforcou-se na prisão. O poeta Gonzaga foi mandado para a África, para bem longe da Marília dos seus sonhos. Muitos tiveram a mesma sorte. Outros foram condenados à morte.
Chegaram-nos notícias de Tiradentes. Submetido a interrogatórios repetidos, ele insistia em negar a culpabilidade dos amigos. Dizia-se o único responsável por tudo: o animador, o chefe e principal culpado da tentativa de revolta.
A pena de morte dos outros foi comutada. Mas Tiradentes foi levado à forca. Eu não quis assistir ao seu martírio. Sei que ele manteve a coragem e a fé até o fim. Não fraquejou. Foi levado para o patíbulo num cortejo assustador. Devia impressionar naquela bata branca que ia ser sua mortalha. Levava na mão um crucifixo preto, para o qual ele olhou o todo o tempo, murmurando preces.
Quando me disseram que o corpo de Tiradentes fora esquartejado, sendo sua cabela espetada na ponta de um poste – estremeci de raiva e cheguei a chorar de sentimento. E não sei se por influência dos versos de Gonzaga, começou a dansar em minha cabeça esta frase: “Aquela cabeça na ponta do poste é uma bandeira, a bandeira da nossa liberdade.”
Foi assim que terminou a aventura da “Inconfidência Mineira”. Foi assim que perdi o meu amigo José Joaquim da Silva Xavier, o Tiradentes.
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Em: As aventuras de Tibicuera: que são também as aventuras o Brasil, Érico Veríssimo, Porto Alegre, Livraria do Globo: 1947, 4ª edição., ilustrado por Ernst Zeuner.
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Anãs brancas cercadas por planetas em órbita
20 04 2009
Usando detectores de radiação infravermelha do Telescópio Espacial Spitzer, da Nasa, uma equipe de cientistas dos EUA e do Reino Unido vasculharam o espaço ao redor de estrelas conhecidas como anãs brancas – o remanescente da morte de um astro como o Sol – e determinaram que de 1% a 3% delas, pelo menos, estão cercadas por rochas e poeira. Entre os pesquisadores envolvidos estão Jay Farihi, da Universidade de Leicester, e Michael Jura e Ben Zuckerman, ambos da Universidade da Califórnia, Los Angeles.
“O brilho infravermelho da poeira ao redor dessas anãs brancas é um sinal de que houve, ou há, planetas rochosos nesses sistemas“, diz Farihi. A equipe acredita que a poeira foi produzida quando asteroides – os tijolos da construção de planetas – ao redor da estrela foram puxados e empurrados pela gravidade estelar. A poeira então formou o disco de material rochosos que o Spitzer detectou.
Em um estudo anterior realizado pela mesma equipe uma amostra de oito anãs brancas revelou ter vestígios de asteroides pulverizados. No novo trabalho, Farihi e seu grupo analisaram sistematicamente anãs brancas ricas em metais e descobriram limites estatísticos para a possível existência de planetas rochosos.
“Agora sabemos de 14 anãs brancas cercadas por vestígios de poeira. Isso sugere que de 1% a 3% das estrelas tipo A e F da sequência principal – que são um pouco maiores e mais quentes que o Sol – têm planetas rochosos como a Terra“, disse ele.
Anãs brancas são os restos de estrelas de massa relativamente baixa, que já encerraram seu estágio de gigantes vermelhas, algo pelo que o Sol passará dentro de bilhões de anos. Uma anã branca pode ter o tamanho da Terra, mas conter a mesma massa que o Sol. A estrela é tão densa que uma colher de chá de seu material pesaria várias toneladas.
As descobertas da equipe de Farihi foram apresentadas nesta segunda-feira, 20, em conferência da Semana Europeia de Astronomia e Ciência Espacial, na Universidade de Hertfordshire.
Fonte: Estadão
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Prece a Xavier, o Tiradentes — poema de Murilo Araújo pelo 21 de abril
20 04 2009
Julgamento da Inconfidência, 1921
Eduardo de Sá ( RJ, 1866 – RJ, 1940)
Óleo sobre tela
Museu Histórico Nacional
Prece a Xavier, o Tiradentes
Murilo Araújo
Marchaste, sem tremer, na alva dos condenados.
Ela voava ao vento,
alva como tua alma.
E galgaste os degraus da tortura
descalço.
Mas que enormes degraus! Iam a tal altura
que por eles, chegaste ao céu, ao sol, a Deus,
subindo ao cadafalso.
Alferes Xavier – é inesperada e estranha
a Luz Providencial!
Envolve num fracasso a maior das vitórias;
faz perder quem mais ganha;
e arroja à morte –
à morte –
o justo que elegeu para ser imortal.
E assim a insurreição sagrada
que te santificou –
tu, que eras o menor, foste o maior na glória;
tua lenda dourada
mais do que todas na memória se elevou.
Tinham todos bons títulos de efeito
os teus irmãos na grande Inconfidência.
Tu que não eras doutor, ó guarda do Direito;
não eras sacerdote, ó mártir da consciência;
nem comandaste – herói – como Freire de Andrade,
um terço de dragões…
Tinhas no cofre da alma a pureza e a verdade
e essa indomável vocação da liberdade
mais poderosa que togas e legiões.
Ah! As multidões da terra
exaltam todas, como gênios tutelares,
grandes falcões de guerra
de cujas garras brota o raio e a morte desce…
Mas, ando do Brasil, — tu mereces altares,
porque, invés de matar, foste morrer estóico
por um destino que hoje em luzes resplandece!
Inabalável, foste a Fé que, decidida,
serenamente, voluntária, se imolou.
Com a própria vida deste à Pátria vida;
e a oferenda de sangue trouxe ao povo
um prêmio que do Céu, que de Deus lhe alcançou.
Vinda a hora funesta,
Deus quis que os opressores
cercassem tua morte em rumores de festa,
levassem teu cortejo ao rufo de tambores
e ao grito do clarim,
e adornassem a rua e as fachadas com flores,
contentes os senhores,
pois morrias enfim…
Mas – que pura ironia a desse instante! –
glorificaram, sem saber, a redenção…
porque, com tua morte triunfante,
surgiu formada e indestrutível
a Nação!
Alferes Xavier, entre os teus, meu patrício,
tu que eras o menor,
cresceste tanto na coragem e sacrifício,
que deixaste no pó todos em derredor.
Onde estão hoje tantos juízes e fidalgos?
Onde os soldados? Os esbirros da tortura?
Onde esses nobres de brasão e de arcabuz?
Ah! Pisavam tão forte … e pisaram em falso!
Mas na tua hora escura,
subindo, humílimo, os degraus do cadafalso,
Alferes Xavier, chegaste à grande Luz.
Encontrado em:
O candelabro eterno: aos moços – este álbum dos avós que criaram o Brasil, publicado pela primeira vez em 1955, parte da Poemas Completos de Murillo Araújo [Murilo Araújo], 3 volumes, Rio de Janeiro, Irmãos Pongetti:1960
Murilo Araújo – ou Murillo Araújo — (MG 1894 – RJ 1980) jornalista, formado em direito. Poeta, escritor, teatrólogo, ensaísta.
Obras:
Carrilhões (1917)
A galera (escrito em 1915, mas publicado anos depois)
Árias de muito longe (1921)
A cidade de ouro (1927)
A iluminação da vida (1927)
A estrela azul (1940)
As sete cores do céu (1941)
A escadaria acesa (1941)
O palhacinho quebrado (1952)
A luz perdida (1952)
O candelabro eterno (1955)
Prosa:
A arte do poeta (1944)
Ontem, ao luar (19510 — uma biografia do compositor Catulo da Paixão Cearense
Aconteceu em nossa terra (pequenos casos de grandes homens)
Quadrantes do Modernismo Brasileiro (1958)
———————-
Eduardo de Sá (Rio de Janeiro RJ 1866 – idem 1940). Escultor, pintor e restaurador. Frequenta aulas particulares de escultura com Rodolfo Bernardelli e estuda na Academia Imperial de Belas Artes – Aiba, entre 1883 e 1886, com Victor Meirelles, Zeferino da Costa, José Maria de Medeiros e Pedro Américo. Em 1888, em Paris, estuda na Académie Julian, onde foi aluno de Gustave Boulanger e de Jules Joseph Lefebvre. Um de seus trabalhos mais conhecidos é o restauro do escudo do teto da entrada da capela da Santa Casa de Misericórdia, no Rio de Janeiro.
Outros poemas de Murillo Araújo (Murilo Araújo neste blog):
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