O Jequitibá: poema de Sabino de Campos

10 06 2009

jequitiba_branco_1_1

 

O Jequitibá

 

Sabino de Campos

 

A Esmeraldo de Campos

 

 

Nobre Jequitibá de minha terra,

Filho de flora exuberante e forte,

Toda beleza vegetal se encerra

Em teu imenso e majestoso porte.

 

Sentinela de amor, velando a serra,

A cidade natal, de Sul a Norte,

O Ribeirão que, entre verdores, erra,

– Maldito aquele que te ofenda ou corte!

 

Glória da terra verde e dadivosa,

Alma e sangue dos filhos de Amargosa

A cujo apelo tua voz responde.

 

De joelhos, e mãos postas na orvalhada,

Beijo-te o tronco de árvore sagrada

E elevo o olhar ao céu de tua fronde.

 

 

Rio, 7-9-1947

 

 

Em: Natureza: versos, Pongetti: 1960, Rio de Janeiro

 

sabino de campos, retrato a bico de pena, Seth, 1947 

Sabino de Campos, Retrato a bico de pena, por Seth, 1947.

 

 

Sabino de Campos (Amargosa, BA, 1893– ? ),  poeta, romancista e contista

 

 

Obras:

 

Jardim do silêncio, 1919, (poesia)

Sinfonia bárbara, 1932,  (poesia)

Catimbó: um romance nordestino, 1945 (romance e novela)

Os amigos de Jesus, 1955 (romance e novela)

Lucas, o demônio negro, 1956 – romance biográfico de Lucas da Feira (romance e novela)

Natureza: versos,  1960 (poesia)

Cantigas que o vento leva, 1964, (poesia)

Contos da terra verde, 1966 (contos)

Fui à fonte beber água, 1968 (poesia)

A voz dos tempos, memórias, 1971

Cantanto pelos caminhos, 1975

Autor, junto de Manoel Tranqüilo Bastos, do hino da cidade de Cachoeira, BA


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