A volta do mercado
Carlos Chiacchio
Desce a canoa de fio
Pela corrente do rio.
Vem arisca, vem frecheira,
Carregada até a beira.
Fruta, ou peixe, da vazante
Ouve-se o búzio distante.
E o povo corre ao mercado.
Na praia, o remo cravado,
Começa a voz das barganhas.
E, logo, em pilha as piranhas.
Vivos, saltando, ao punhados,
Curimatans e dourados.
Matrinchans, madins, a rodo.
Pocomons, frescos, do lodo.
Numa algazarra de festa
Joga-se n’água o que resta.
Volta a canoa de fio
Contra a corrente do rio.
Volta leve, vai suave,
Peneirando como uma ave.
É uma diaba a canoa…
Pulando de popa a proa.
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Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Maria da Silva Brito, São Paulo, Saraiva:1968
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Carlos Chiacchio ( Januária, MG 1884 – Salvador, BA, 1947) jornalista, orador, poeta, cronista, crítico literário, membro do IGH-BA, Academia de Letras da Bahia, foi o chefe e animador do grupo modernista na Bahia, em 1928, em torno da revista Arco & Flecha (1928-1929). Estudou no colégio Spencer em Salvador, cidade onde mais tarde também se formou em medicina.
Obras:
A Dor, 1910
A Margem de uma polêmica, 1914
Biocrítica, 1941
Canto de marcha, 1942
Cronologia de Rui, 1949
Euclides da Cunha, 1940
Infância, poesia, 1938
Modernistas e Ultramodernistas, 1951
Os grifos, 1923
Paginário de Roberto Correia, 1945
Presciliano Silva, 1927
Primavera, 1910, 1941








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