Ilustração Maurício de Sousa.
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Maré baixa, praia de Villeria, s/d
Paul-Michel Dupuy ( França 1864-1949)
Óleo sobre tela, 58 x 79 cm
Coleção Particular
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Paul-Michel Dupuy nasceu em Pau (Basses-Pyrenées) em 1869. Foi um pintor frances dedicado às paisagens, à pintura de gênero e ao retrato de belas mulheres e crianças em cenas ensolaradas. Estudou com Bonnat e Maignan e tornou-se membro da Sociedade de Artes Francesas em 1899. Participou do Salon des Artistes Français, ganhando a medalha de ouro em 1901 e 1902. Ainda ganhou muitas outras honrarias através de sua longa carreira, culminando com o Cavaleiro da Legião de Honra em 1833. Muitos de seus trabalhos estão no Museu de Rheims, na França.
O livro do ABC, 1943, ilustrado por Ethel Hays ( EUA 1892-1989).—
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Bastos Tigre
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Um livro: — um lindo brinquedo
Que Bebê fica a mirar:
Cada página é um segredo
A desvendar.
Livro de folhas escritas
E ilustradas — mais de cem!
Quantas histórias bonitas
Ele contém!
Figuras de vivas cores,
Lindamente combinadas:
Casas, bichos, frutas, flores,
Bruxas e fadas…
E a explicação disso tudo
Em grandes letras impressas!
Bebê, radiante no estudo,
Firme, começa!
Essas letras, essas frases
Têm tais sentidos ocultos,
Que entender não são capazes
Doutos adultos.
É preciso ter cinco anos
– E nem todo mundo os tem –
Para poder tais arcanos
Penetrar bem.
Por leitura eu não entendo
O que eu faço e faz qualquer,
As letras do que está lendo
Sem ver sequer.
Bebê cada letra estuda,
Em cada sílaba atenta,
Franzindo a testa sisuda,
Descobre, inventa,
Decifra um novo mistério
A cada voz que enuncia
Que estudo não há mais sério,
De mais valia.
E é de notar-se o ar solene
Com que as silabas lê:
Já não confunde o “m” e o “n”,
O “p” e o “q”…
Ei-lo que as letras combina,
Forma os sons e, num momento,
Vai-lhe a frase, da retina
Ao pensamento.
Maravilha do alfabeto
Que dos arranjos de traços
Faz surgiur a idéia, o objeto!
Novos espaços.
Abre à razão ignorante,
Dá-lhe asas de luz e a eleva,
Radiosa, para o levante,
Longe da treva!
Que humano invento o suplanta?
Só um Deus pudera, em verdade,
Tal grandeza por em tanta
Simplicidade.
Vendo-o tão simples, dir-se-ia
– Do nada tão pouco além…
Que humana sabedoria
Do nada vem…
Quase-nada, gérmen ovo,
Do saber, célula mater,
Sem ele não tem um povo
Alma, caráter…
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Mas Bebê quer tudo feito
Depressa; e anseia por ciência!
(Não é seu menor defeito
O da impaciência).
E, antes que os frutos recolha
Da cultura, ah, quem dissera!
Todo o livro, folha a folha,
Zás, dilacera!
Em: Meu bebê: poesias líricas ( Poemas da primeira infância), 1925. [Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras].
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O canguru bebê está curioso sobre o mundo à sua volta, mas gosta da segurança da bolsa da mamãe, quentinha e gostosa… Zoológico Metroparks em Cleveland, Ohio, Estados Unidos.
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Um rei tinha três filhos, vendo-os em idade de constituírem família, chamou-os e disse-lhes: “Meus filhos, é chegada a idade em que se torna preciso constituir família, atendendo à elevada posição que tendes. Ide, pois, procurar esposas; porém, procedei de modo que eu não tenha que me envergonhar da escolha”.
Os três príncipes saíram do palácio e partiram por diferentes caminhos em demanda de esposa. Os dois mais velhos encontraram logo princesas que os quisessem para maridos e casaram-se. O mais moço, porém, por maiores esforços que empregasse, não encontrou quem julgasse digna de lhe oferecer a mão.
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Desalentado por não conseguir o que desejava, achava-se uma tarde à beira de uma lagoa, e pegando uma varinha, começou a rabiscar na areia. Impressionou-o, no entanto, estranhamente o fato de que embora quisesse escrever um pensamento qualquer, só conseguia rabiscar na areia a palavra – sapo.
Tudo o que escrevia era sapo, e tendo isto afinal o irritado, exclamou:
–“Ora, saia de lá dessa lagoa uma sapa, que quero me casar com ela!…”
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Imediatamente saltou da lagoa uma sapa, que postando-se em frente do príncipe, lhe disse:
– “Aqui estou, meu adorado noivo”.
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O príncipe acompanhou a sapa, que era uma formosíssima princesa encantada, para o fundo da lagoa, onde ficou deslumbrado por encontrar o mais suntuoso dos palácios e as mais maravilhosas riquezas.
Realizado o casamento, o príncipe foi comunicar o ocorrido ao pai, que ficou muito desgostoso por saber que o filho havia se casado com um animal tão asqueroso.
Dias depois, o rei mandou a cada uma das noras uma lindíssima toalha de cambraia pedindo-lhes que as bordassem.
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A sapa, logo que recebeu a toalha, chamou uma criada e disse-lhe:
– “Maria Carrucá, monta no pescoço do galo branco, vai à casa das senhoras princesas, e, dize-lhes que mando pedir um pouco de fio de barbante bem grosso, para bordar a toalha do rei”.
Maria Carrucá, assim o fez. As princesas, porém, que eram muito invejosas e estúpidas, responderam-lhe:
–“Vá dizer à senhora princesa D. Sapa que se temos barbante, é para bordar as nossas toalhas”.
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E assim disseram, melhor fizeram, bordando as toalhas que o rei mandara, com barbante grosso. A sapa, no entanto, bordou a sua com o mais delicado fio de ouro.
– “Ora vejam só, disse o rei, “ a sapa fez um trabalho tão mimoso, e no entanto as princesas estragaram-me as toalhas, com um barbante grosseiro, transformando-as em panos de cozinha”.
Daí a alguns dias o rei mandou a cada uma das noras um cãozinho, para que elas os criassem com todo o desvelo, pois esses animais pertenciam a uma excelente raça de caça.
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Apenas a sapa recebeu o cãozinho, disse para a criada:
– “Maria Carrucá, monta no pescoço do galo branco, e vai à casa das senhoras princesas pedir-lhes da minha parte um pouco de cal para dissolver na água, a fim de lavar o cãozinho do rei e umas peles de toucinho para engordá-lo”.
Maria Carrucá foi desempenhar sua comissão, mas as princesas disseram:
– Vá dizer à senhora princesa D. Sapa, que se temos cal é para lavar os cãezinhos que o rei nos mandou, e se temos peles de toucinho é para alimentá-los”.
E assim fizeram de modo que os animais perderam quase todo o pelo, e emagreceram a tal ponto, que quase não podiam suster-se de pé.
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A sapa, no entanto, banhava o seu com água perfumada e alimentava-o com pão de ló e outras iguarias delicada, de modo que e tornou um animal formosíssimo, o que muito admirou o rei, quando mandou buscar todos os três, e viu o deplorável estado em que se achavam os outros, parecendo-lhe incrível que uma triste sapa se avantajasse em tudo a princesas de sangue azul.
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Daí a alguns dias, o rei, desejando conhecer pessoalmente as noras, mandou convidá-las para um baile no palácio.
A sapa, logo que recebeu o convite, voltou-se para a criada e disse-lhe:
– “ Maria Carrucá, monta no pescoço do galo branco, e vai à casa das senhoras princesas pedir-lhes da minha parte, uma navalha para raspar a cabeça a fim de ir ao baile do rei, pois é costume agora na corte, apresentarem-se as damas de cabeça raspada”.
As princesas, porém, que por inveja não queriam que a sapa se apresentasse na moda, mandaram dizer-lhe que, se tinham navalha, era para elas rasparem a cabeça.
E trataram de raspar a cabeça, apresentando-se no palácio como verdadeiras Fúrias, o que muito desgostou o rei.
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A sapa, no entanto, desencantou-se, e readquirindo a sua forma de mulher, apresentou-se com elegante toucado, fazendo toda a corte pasmar pela sua extraordinária beleza e pela riqueza do vestuário.
O rei ficou satisfeito com ela, ao passo que só tinha palavras de desdém para as duas invejosas.
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Em: Histórias do Arco da Velha, de Viriato Padilha, Rio de Janeiro, Editora Quaresma: 1947, 12ª edição
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NOTA: Esta história é uma adaptação de um conto folclórico russo muito popular e bastante traduzido e adaptado no século XIX por diversos autores, alemães, franceses,italianos (Ítalo Calvino em seu volume de Contos folcóricos da Itália, tem duas versões dessa história) e portugueses e aqui por Viriato Padilha. A cada tradução alguns detalhes e principalmente as demandas do rei foram adaptadas aos costumes mais familiares dos leitores. Por exemplo na versão russa o príncipe quase acerta a princesa sapa com uma seta enquanto caçava. Note nas ilustrações acima e abaixo que a seta figura quase sempre próximo à sapa.
Mas a popularidade desse conto no Rússia, explica a abundância de ilustrações russas sobre o tema. No século XX, com o domínio da indústria editorial americana e principalmente com o império Disney, este conto, apesar da sua grande lição sobre valores e inveja, foi esquecido, principalmente depois da popularização pelos próprios americanos da história da princesa que se casa com um sapo.
VEJA MAIS ILUSTRAÇÕES — Variantes do mesmo tema depois da nota biográfica abaixo.
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Viriato Padilha ( Aníbal Mascarenhas, MG 1866 – Fortaleza, CE 1924) Pseudônimos: Aníbal Demóstenes, Ticho Brahe de Araújo, Sancho Pança. Contista, poeta, autor de literatura infantil, historiador, professor, tradutor.
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Obras: [lista incompleta]
Histórias do arco da velha, 1897
Os roceiros, 1899
O livro dos fantasmas
OUTRAS ILUSTRAÇÕES:
Ilustração russa, desconheço a autoria.–
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Pateta quer ser um pintor famoso, ilustração Walt Disney.—
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Baía de Guanabara, desafios e possibilidades.
Clique no link abaixo para inscrições:
[La Catrina é um personagem folclórico do México]
José Guadalupe Posada (México 1852-1913)
gravura aquarelada
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Walter Nieble de Freitas
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Por causa de um esqueleto
Corri a não poder mais:
Assustado entrei em casa
E contei tudo a meus pais
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“O esqueleto, seu bobinho,
Nunca foi assombração:
É ele um conjunto de ossos
Dispostos em armação.
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Sua função principal
É manter o corpo ereto;
Tem cabeça, tronco e membros
Todo esqueleto completo.
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Preste, pois, muita atenção,
Guarde bem, jamais se esqueça:
Somente de crânio e face
Se constitui a cabeça.
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O tronco tem só três partes,
Vou dizer-lhe quais são elas:
A coluna vertebral,
O esterno e as costelas.
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Os membros são conhecidos:
Os de cima superiores;
E os que servem para andar,
São chamados inferiores”.
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Até agora não compreendo
Como é que fui tolo assim:
Correr de um pobre esqueleto
Tendo outro esqueleto em mim!
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Em Barquinhos de papel: poesias infantis, São Paulo, Editora Difusora Cultural:1961.
Walter Nieble de Freitas ( Itapetininga, SP) Poeta e educador, foi diretor do Grupo Escolar da cidade de São Paulo.
Obras:
Barquinhos de papel, poesia, 1963
Mil quadrinhas escolares, poesia, 1966
Desfile de modas na Bicholândia, 1988
Simplicidade, poesia, s/d
Chico Vagabundo e outras histórias, 1990
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Alfredo Valenzuela Puelma ( Chile, 1856 – França, 1909)
Óleo sobre tela
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Alfredo Valenzuela Puelma, nasceu em Valparaíso, no Chile em 1856. Demonstrou desde cedo habilidade como artista e estudou na Academia de Pintura de Santiago, sob a orientação de Ernesto Kirchbach e de Giovanni Mochi. Entre 1881 e 1885 esteve na Europa graças à uma bolsa de estudos. Voltou ao Chile onde trabalhou com o pintor Pedro Lira, mas logo voltou a Paris onde trabalhou com Paul Laurens. Foi o primeiro pintor chileno a trabalhar com nus. Especializado em retratos e na figura humana, Valenzuela Puelma também se dedicou à pintura religiosa e de gênero, nesta última muitas de suas obras mostram o gosto da época pelo exótico com cenas repletas de um orientalismo sedutor. Morreu na França em 1909.
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Animaris Rhinoceros Transport é uma espécie de animal com um corpo formado por um esqueleto de aço e pele de poliéster. Sua aparência é arenosa, como se fosse coberto de areia. Pesa 2 toneladas e 4,70 m de altura. É a sua altura que permite que a força do vento o coloque em movimento. Este animal é parte do projeto Strandbeest que o escultor holandês Theo Jansen começou em 1990. Parte do projeto é uma loja-on-line onde Jansen vende vídeos e manuais de instrução.
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Theo Jansen nasceu em Haia, na Holanda, em 1948. Escultor-engenheiro, um artista do meio-ambiente, Jansen pensa o espaço de uma forma diferente da tradicional. Ficou conhecido por criar esta “realidade paralela” este mundo cinético, habitado por animais e plantas que são maravilhosos projetos de engenharia e se movem com a graça do vento ou à água. Para ele a diferença entre a engenharia e a arte está mesmo é na cabeça de quem vê. Talvez a coisa mais impressionante de seus trabalhos seja a delicadeza do movimento dessas criaturas gigantescas: monstros benevolentes e dóceis.