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Cláudio Dantas ( Brasil, contemporâneo)
óleo sobre tela, 30 x 30 cm
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À instabilidade das coisas no Mundo:
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SONETO
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Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da luz, se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.
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Porém, se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?
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Mas no Sol, e na luz falta a firmeza
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.
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Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.
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Em: Gregório de Matos Obra Completa, 2 vols. São Paulo, Edições Cultura: 1945
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Gregório de Matos ( Brasil, Bahia, 1623– Brasil, Recife 1695) advogado e poeta brasileiro do século XVII. O nosso maior poeta do período Barroco no Brasil. Também um dos mais satíricos. Conhecido também por dois cognomes: Boca do Inferno e Boca de Brasa. De família baiana abastada, estudou no Colégio dos Jesuítaa na Bahia, indo depois para Lisboa em 1650 e em 1652 para a Universidade de Coimbra. Foi o primeiro poeta a cantar o elemento brasileiro, o tipo local, produto do meio geográfico e social.








