Um soneto, do eternamente contemporâneo Gregório de Matos

11 08 2011

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Faltava cor, 2010

Cláudio Dantas ( Brasil, contemporâneo)

óleo sobre tela, 30 x 30 cm

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À instabilidade das coisas no Mundo:

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SONETO

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Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,

Depois da luz, se segue a noite escura,

Em tristes sombras morre a formosura,

Em contínuas tristezas a alegria.

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Porém, se acaba o Sol, por que nascia?

Se é tão formosa a luz, por que não dura?

Como a beleza assim se transfigura?

Como o gosto da pena assim se fia?

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Mas no Sol, e na luz falta a firmeza

Na formosura não se dê constância,

E na alegria sinta-se tristeza.

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Começa o mundo enfim pela ignorância,

E tem qualquer dos bens por natureza

A firmeza somente na inconstância.

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Em: Gregório de Matos Obra Completa, 2 vols.  São Paulo, Edições Cultura: 1945

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Gregório de Matos ( Brasil, Bahia, 1623– Brasil, Recife 1695) advogado e poeta brasileiro do século XVII.   O nosso maior poeta do período Barroco no Brasil.   Também um dos mais satíricos.  Conhecido também por dois cognomes:  Boca do InfernoBoca de Brasa.  De família baiana abastada, estudou no Colégio dos Jesuítaa na Bahia, indo depois para Lisboa em 1650 e em 1652 para a Universidade de Coimbra.  Foi o primeiro poeta a cantar o elemento brasileiro, o tipo local, produto do meio geográfico e social.


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