Velha anedota, soneto de Artur Azevedo

13 10 2011

Homem elegante ao espelho, c. 1930

Leon Gordon ( Rússia, 1889 — EUA, 1943)

óleo sobre tela, 90×80 cm

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Velha anedota

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Artur Azevedo

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Tertuliano, frívolo peralta,

Que foi um paspalhão desde fedelho,

Tipo incapaz de ouvir um bom conselho,

Tipo que morto não faria falta;

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Lá um dia deixou de andar à malta,

E, indo à casa do pai, honrado velho,

A sós na sala em frente a um espelho,

À própria imagem disse em voz bem alta:

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– Tertuliano, és um rapaz formoso!

És simpático, és rico, és talentoso!

Que mais no mundo se te faz preciso?

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Penetrando na sala, o pai sisudo

Que por trás da cortina ouvira tudo,

Severamente  respondeu: — Juizo!

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Em: Poesia brasileira para a infância, ed. Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva:1968.

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-Artur Nabantino Gonçalves de Azevedo (São Luís, 1855 — Rio de Janeiro, 1908)  dramaturgo, poeta, contista e jornalista. Foi diretor do teatro João Caetano.  Membro da Academia Brasileira de Letras.

Obras:

Sonetos, 1876

Contos fora de moda, 1901

Contos efêmeros

Contos possíveis, 1908

Rimas, 1909

Para o teatro escreveu mais de duzentas peças.


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