Soneto da quarta-feira de cinzas — Vinícius de Moraes

22 02 2012

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O beijo, 1886

Auguste Toulmouche (França, 1829-1890)

óleo sobre tela, 63 x 47 cm

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Soneto da quarta-feira de cinzas

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Vinícius de Moraes

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Por seres quem me foste, grave e pura

Em tão doce surpresa conquistada

Por seres uma branca criatura

De uma brancura de manhã raiada

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Por seres de uma rara formosura

Malgrado a vida dura e atormentada

Por seres mais que a simples aventura

E menos que a constante namorada

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Porque te vi nascer de mim sozinha

Como a noturna flor desabrochada

A fala de amor, talvez perjura

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Por não te possuir, tendo-te minha

Por só quereres tudo, e eu dar-te nada

Hei de lembrar-te sempre com ternura.


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