Celebração de S. Pedro em relato em 1855 de James C. Fletcher

21 07 2014

 

 

Calmon Barreto de Sá Carvalho (1909-1994) 2Tropeiros, 1970

Calmon Barreto de Sá Carvalho (Brasil, 1909-1994)

óleo sobre tela

Museu de Araxá, MG

 

 

“Nosso local de descanso seria a importante cidade de Campinas …,  a mais de cem milhas no interior. Quando nos aproximávamos dessa cidade, fui surpreendido pela beleza e fertilidade da região circundante. As grandes e antigas montanhas haviam sido deixadas muito para trás de nós, e em redor, até onde pude ver, estendiam-se extensas planícies, ou antes, prados ondulosos, com quase todos os acres ocupados. Havia muitas plantações de café superiormente cultivadas, entre cujo verde-escuro podia-se avistar aqui e ali as grandes residências caiadas de branco dos proprietários das terras. Foi na tarde de 28 de junho que chegamos aos arredores de Campinas. A radiosa beleza da noite tropical tornava-se ainda maior pela iluminação da cidade, pelas imensas fogueiras espalhadas pela planície, e brilhantes fogos de artifício lançados de todas as ruas e todas as plantações circundantes. Os clarões e o barulho eram tais, que sem qualquer esforço de imaginação, ter-se-ia acreditado estar perto de alguma cidade sitiada, durante um violento bombardeio. Era a “véspera de S. Pedro”; e todo homem que tinha um Pedro ligado a seu nome, sentia-se na obrigação de acender uma imensa fogueira diante de sua porta, e soltar uma porção de foguetes, além de descarregar inúmeras pistolas, mosquetes, e morteiros. Sob semelhante tormenta, entramos em Campinas.”

 

Texto de James C. Fletcher e de Daniel P. Kidder, de sua viagem ao Brasil em 1855, publicado no Brasil e em São Paulo, em 1941, com o título de O Brasil e os Brasileiros: esboço histórico e descritivo, pela Cia Editora Nacional com tradução de Elias Dolianiti, encontrado em:

 

O Planalto e os Cafezais: São Paulo, Ernani Silva Bruno, e Diaulas Riedel, São Paulo, Cultrix: 1959, pp. 91-92





Nossas cidades — Cidade de Goiás

21 07 2014

 

 

rua do hortoElder Rocha Lima rua do horto - TV - 40x40, cidade de goiasRua do Horto

Elder Rocha Lima (Brasil, 1928)

óleo sobre tela, 40 x 40 cm





Domingo, um passeio no campo!

20 07 2014

 

 

PARREIRAS, Antônio (1860 - 1937) Paisagem com lago, o.s.t. - 42 x 34 cm. Assinado e datado 1892Paisagem com lago, 1892

Antônio Parreiras (Brasil, 1860-1937)

óleo sobre tela,  42 x 34cm





Lembranças da adolescência: Ponson du Terrail

19 07 2014

 

 

Setefan Eckert Bibliothèque 2, gouache sur papier,Biblioteca

Stefan Eckert (Alemanha, contemporâneo)

guache sobre papel

 

 

Hoje, graças a um pequeno texto de Ary Band na página do Movimento por um Brasil Literário para o painel Ler, levar a ler, defender o direito de ler literatura, da Feira de Livros de Santa Teresa [FLIST] aqui no Rio de Janeiro, eu me encontrei sorrindo. Não é sempre que isso acontece quando se trata de um texto sobre o incentivo à leitura, mas nessa ocasião pude relembrar algumas leituras minhas que estavam esquecidas nas gavetinhas da memória da pré-adolescência. Assim como eu, Ary Band se encantou com as aventuras de Rocambole, herói adolescente do escritor francês Pierre Alexis, Visconde de Ponson Du Terrail.

Minha introdução a Rocambole foi feita através da Biblioteca Municipal do bairro onde morávamos aqui no Rio de Janeiro, um local que foi uma eterna fonte para as surpresas mais extravagantes no campo da leitura. Essa biblioteca não tinha na época muitos livros novos, mas tinha uma enorme quantidade de livros usados, com 10 a 20 anos de existência ou mais, muito bem conservados, que podíamos pegar emprestado por 15 dias. Ela foi uma mina inesgotável de aventuras literárias para mim, meus primos e alguns amigos, todos nós conhecidos frequentadores. Hoje, um supermercado ocupa o espaço dessa antiga biblioteca, que foi para um local de menor trânsito pedestre e moribunda, encontra-se dirigida por alguém que se encostou no emprego esperando a chegada da aposentadoria pelo governo. Pena…

 

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Foi só muito mais tarde, mais de uma década à frente, que vim saber da importância de Ponson Du Terrail no desenvolvimento dos romances de aventuras e de mistério;  e que seu personagem Rocambole havia sido tão influente no mundo das letras que sozinho gerara uma palavra que hoje existe em muitas línguas: rocambolesco, uma aventura cheia de peripécias.

Mais alguém por aqui, fã de Ponson Du Terrail?





Flores para um sábado perfeito!

19 07 2014

 

 

boner%20-%20f23Ronaldo Boner Junior, ost, hortensiasHortênsias

Ronaldo Boner Júnior (Brasil, 1974)

óleo sobre tela





Rio de Janeiro a caminho dos 450 anos!

18 07 2014

 

 

MANOEL SANTIAGO - (Brasil,1897 - 1987)Praia de Botafogo - óleo sobre madeira - 24 x 35 cm - 1966 - Rio de JaneiroPraia de Botafogo, RJ, 1966

Manoel Santiago (Brasil, 1897-1987)

óleo sobre madeira, 24 x 35 cm





Irmãos…

17 07 2014

 

 

Zinaida Serebryakova,Garotos, 1919Garotos, 1919

Zinaida Serebriakova (Ucrânia, 1884-1967)

óleo sobre tela

 

Dizem que não há dor maior do que a da morte de um filho. Deve ser verdade. Mas a dor de quem perde um irmão é muito grande também, porque irmãos são as nossas referências de vida. Em circunstâncias normais eles foram os cúmplices de travessuras. Além disso eles nos mostram as variadas interpretações da mesma educação, do mesmo lar, dos mesmos pais. Muitos são nossos melhores amigos, aqueles que defendemos dos outros, que aprendemos a proteger. Irmãos são aqueles com quem conseguimos nos comunicar sem trocar palavras; com quem dividimos memórias da infância; percepções sobre outros, parentes, vizinhos, amigos. São aqueles com quem implicamos e que amamos profundamente. Eles são a nossa introdução à diversidade, a opiniões, gostos, maneiras de viver diferentes das nossas.  São os únicos que se dão ao direito de nos criticar e que, por mal ou bem, ouvimos. Irmãos são aqueles que são sempre chamados pelo nome do outro, quando os pais se confundem; são também aqueles a quem nomeamos quando algo mal feito foi descoberto: “Foi o … [fulano], não fui eu…” Irmãos são aqueles seres com quem sempre podemos ser crianças, descer às familiares brincadeiras, as mais primárias, sem perdermos o respeito, mesmo depois de adultos. São em muitos casos as pessoas em quem mais confiamos, para quem fazemos sacrifícios muitas vezes heroicos, cujas mortes ou desaparecimentos mais nos ferem.

Esta semana meu cunhado faleceu. Ele era o único irmão, o mais velho, de meu marido. Tendo perdido meu irmão caçula há 11 anos, sei bem o deserto referencial que envolverá meu cara metade. Não importa a diferença de idades, não importa posturas políticas opostas, diferentes gostos no esporte, nos amigos, na maneira de viver, de rir, de chorar, do prazer no trabalho às escolhas amorosas. Não importa se um é conservador e o outro liberal, se um é religioso e o outro é ateu, a perda é muito maior do que se imagina. A cortina cai em um mundo inteiro de referências que formam a essência da nossa identidade. Ninguém mais poderá sorrir com olhos, silenciosamente, em uma reunião familiar quando alguém lembrar das piadas do tio caduca ou das manias do pai que reaparecem nos netos. Foram-se os momentos de reconhecimento da mãe refletida no irmão ou os relâmpagos de compreensão a nível mais profundo do que os amigos podem desconfiar. Acabou-se o conforto de que só os que se conhecem a vida inteira conseguem usufruir. Não haverá mais o cúmplice, o parceiro, o amigo. Conheço bem esse deserto. Por todas essas perdas sinto por meu marido. Sinto muito.

Esse relacionamento entre irmãos, descrito acima, pode não existir. Não é a realidade para todas as famílias. Cada um de nós conhece alguém que não se dá com seus irmãos. Sabemos de brigas, de traição, ciúmes e inveja entre membros da mesma família. A história mais antiga da natureza humana, Caim e Abel, exemplifica essa situação. Mas não é a norma, nem é inevitável. Ainda bem que meu marido e seu irmão puderam usufruir de um relacionamento equilibrado, de respeito mútuo, verdadeiramente fraterno. O falecimento de um deixa um vácuo imenso na vida do outro. Só o tempo acalmará a dor da perda.

©Ladyce West, Rio de Janeiro: 2014








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