O Natal em poucas palavras — Norman Vincent Peale

10 12 2012

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Natal na escola, ilustração de Amos Sewell, (EUA, 1901-1982), para anúncio do Carro Pontiac.

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“O Natal traz uma varinha de condão sobre esse mundo, e eis que tudo é mais delicado e belo.”

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Norman Vincent Peale





O Natal em poucas palavras — Calvin Coolidge

8 12 2012

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Cartão postal, Escandinávia.

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“O Natal não é uma época do ano, mas um estado de espírito”.

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Calvin Coolidge





Os presentes de Natal, texto de Marques Rebelo

7 12 2012

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brinquedos 2, blanche wrightIlustração de Blanche Fisher Wright.

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27 de dezembro [1936]

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O presente mais lindo não é o mais caro, é o mais frágil – a caixa de cubos com os quais as mãozinhas inexpertas poderão formar um prado florido, dois cachorrinhos brincando, a galinha branca, orgulhosa dos pintainhos.

Há ainda a bola de sete cores como um arco-íris de borracha, a piorra cantadeira e o pelotão de chumbo pregado no papelão.

Paro um instante comovido – ah, a roda da vida, roda da vida rangente ou azeitada! Quando acordei, acordei general  – trinta e seis soldadinhos me esperavam ao pé da cama, túnica azul, calça vermelha, baionetas em riste. As trincheiras foram abertas debaixo das begônias, as roseiras deixavam cair as pétalas sobre os herois, todo o jardim sofreu com as batalhas delirantes, enquanto Madalena fazia comidinhas para a nova boneca e Emanuel folheava, no alpendre, o livro de gravuras de Rabier.

Deposito o último brinquedo com cuidado, não fosse despertá-las. Porejadas  de suor, as crianças dormem. Na parede, como prego, dorme também o pernilongo, pesado de sangue que também é um pouco meu, apesar da incredulidade rancorosa de Mariquinhas”.

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Em: O trapicheiro, Marques Rebelo, 1º volume de O Espelho Partido, São Paulo, Martins: 1959, 1ª edição, numerada.





Paz na Terra, poesia de Francisco Azevedo

7 12 2012

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Natal, ilustração de Pauli Ebner.

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Paz na Terra

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Francisco Azevedo

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O céu que vejo de manhã

é cor-de-rosa

de um sol virando na cama

pr’ acordar

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pequenas nuvens violetas

outras mais pro azul-claro

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a estrela do pastor

segue o seu rumo

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e os anjos

em ritual silêncio

fazem

com um beijo

a troca da guarda.

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(Rio, 1982)

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Em: A casa dos arcos, Francisco Azevedo, Paz e Terra: 1984, Rio de Janeiro

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Francisco José Alonso Vellozo Azevedo, (Rio de Janeiro, RJ , 23/2/1951) –  formado em direito, diplomata, escritor, roteirista, cinematógrafo e poeta.

Obras:

Contra os moinhos de vento, poesia e prosa, 1979

A casa dos arcos, poesia, 1984

O arroz de palma, romance, 2008

Doce Gabito, romance, 2012

Unha e carne, teatro

A casa de Anaïs Nin, teatro





Quadrinha do meu bem viver

6 12 2012

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sozinho, lendo, árvore, passarinho, primavera, claire louise MilneMenino lendo, ilustração Claire Louise Milne.

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Só, eu vivo bem comigo,

pois sou boa companhia;

nem preciso de um amigo

para sentir harmonia.

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(Lygia Lopes dos Santos)





O Natal em poucas palavras — Roy L. Smith

6 12 2012

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Natal, cartão postal.

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“Quem não tem o espírito do Natal em seu coração nunca o achará debaixo da árvore”.

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Roy L. Smith





Planos de escrita, texto de Plínio Bastos

4 12 2012

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Gari Melchers, O sermão, 1886,  ost, [EUA, 1860-1932]

O sermão, 1886

Gari Melchers (EUA, 1860-1932)

óleo sobre tela,  159 x 219 cm

Smithsonian American Art Museum, Washington DC

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“ O professor saiu da janela e sentou-se à mesinha onde estavam seus livros.  Abriu o bloco de papel branco; experimentou a caneta tinteiro; desenhou um arremedo de templo grego bem no alto da página.  Primeiro faria um esboço do seu livro, sobre o qual ainda há pouco pensara tanto, anotando as cenas principais, as personagens que iria criar ou reproduzir, as ideias que precisava desenvolver. Mais tarde, quando voltasse para casa, completaria o que estivesse apenas esboçado. O cenário do livro seria Santo Estefânio, cujo nome talvez trocasse, e a história se desenvolveria partindo de um núcleo: seu amor de quarentão pela jovem Madalena, amor que recordaria sua paixão por Lenora, paixão que o faria refluir à sua pequena cidade do nordeste, à Elsie, a protestante, e à sua igrejinha, que ficava de frente para a lagoa enorme de águas tranquilas. Adolescente, rapaz, quarentão, nos meios mais diferentes, o seu amor não variava de estilo, seguia sempre os mesmos caminhos, embora diferisse o objeto do seu amor. E mostraria no livro, sem piedade para consigo mesmo, a constância das situações ridículas em que se enleiava sempre que se apaixonava. A cena da festa de natal na Igreja dos protestantes, o rosto em fogo, sem saber onde colocar as mãos, atento aos movimentos e à expressão do rosto do Pastor, sem ânimo para fugir, as irmãs de Elsie cochichando, contendo o riso, olhando de soslaio em sua direção. E depois a passagem do Pastor, alto e seco, pelo tapete que ia do púlpito à porta de entrada, acompanhado da esposa, Elsie de olhos brilhantes, sorrindo e sem ohar para os lados, as irmãs de cabeça baixa, contendo o riso, e ele sem poder fugir, morrer, não existir, tal como era o seu desejo naquele momento”.

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Em: A estrela e o professor, Plínio Bastos, Rio de Janeiro, Liv. Império: 1956.

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Plínio Bastos, (Brasil) professor, romancista, poeta e historiador.

Obras:

A vida comercial, 1954

A Estrela e o Professor, romance, 1956

Talvez Alguém se Salve, romance, 1958

Um Crime, romance, 1961

Justiça Triste, romance, 1962

História do Mundo, história, 1960

História do Brasil, história, 1959

As Grandes Mitologias do Mundo, 1959

Galeria de brasileiros ilustres, biografias, 1953





O Natal em poucas palavras — Hamilton Wright Mabie

4 12 2012

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Cartão Postal, Alemanha.

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“Bendita seja a data que une a todo mundo numa conspiração de amor”.

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Hamilton Wright Mabie





Crônica de Natal, Marques Rebelo, extraído do romance A mudança

2 12 2012

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Cartão de Natal, 1990s.

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24 de dezembro [1941]

A árvore, embora atarracada, não ocupa muito espaço – um canto de sala, o canto menos acessível, do qual foi removido o musgoso vaso com espadas-de-são-jorge, que alem de decorativas, segundo Felicidade, nos protegem do mau-olhado. O chacareiro queria um dinheirão por um pinheirinho de seis palmos, Luísa descalçou a bota na loja de novidades. Trouxe-a embrulhada em papel pardo como volumosa sombrinha, e armá-la foi uma operação fácil e divertida.

– Veja! – e Luísa exibiu-a, eriçada como um imenso paliteiro.

Meus olhos se anuviaram – as invenções deviam ter limites. A imitação infunde desprezo, mudo desprezo, a quem amou as árvores do Trapicheiro, ardentemente esperou por elas e substituiu o amor e a espera pela saudade. É duma substância assim como o celulóide, lustrosa como escama de cobra, dum verde horripilante, com frutinhos vermelhos, na ponta dos galhos, que lembravam os olhinhos dos ratos-brancos, que Pinga-Fogo criava e trazia ao ombro, sob o nojo e a reprovação de Mariquinhas, tão artificial quanto o mito que propaga.

Não pus na sua ornamentação, bastante carregada, com um odioso cometa no cimo, os meus dedos descrentes, tão hábeis para respingar pela ramaria antiga as velinhas multicores, as lanterninhas, o algodão como se fosse neve. Deixei a tarefa para as mãos de Luísa e das crianças, neófitas aranhas, que alegremente se emaranhavam na teia de fios prateados que espalhavam pela galharia dura e simétrica.

Quando ficou pronta, e ao pé dela as crianças plantavam os ávidos sapatinhos, Luísa perguntou radiante:

– Não ficou linda?

(Não destruamos as ilusões dos amadores. Pelo menos algumas. Que culpa têm de que o tempo prático e mercantil ofereça um material tão reles e sem seiva?):

– Sim, está muito bonita.

– E serve para muito tempo!

(Ó desalentadora durabilidade!):

– É ótimo.

E a sensação me invade, não sei se de tédio ou de derrota”.

***

Em: A mudança, Marques Rebelo, 2º volume de O Espelho Partido, São Paulo, Martins: 1962





Quadrinha da liberdade

1 12 2012

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passaros, soltando,  J. Stanley, AmericanGirl1935-02

Soltando pombas, ilustração de J. Stanley, para capa da revista American Girl de fevereiro de 1935.

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Liberdade é conviver

com sua própria razão,

sem a ninguém ofender,

nem magoar o coração.

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(Durval Lobo)








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