Quadrinha da família

18 03 2013

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jantar em família Arthur SarnoffThanksgiving

Jantar em família, ilustração de Arthur Sarnoff.

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A união se faz maior
em noite fria que tenha
uma família em redor
de um velho fogão de lenha.

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(Eduardo A. O. Toledo)





Katherine Pancol e a ficção encantada para adultos

14 02 2013

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family-ties-ruben-ubiera, acrilica sobre madeira, caixas de charutos, tampas.

Laços de família, s/d

Ruben Ubiera (República Dominicana, 1975)

acrílica sobre madeira

[tampas de caixas de charutos]

www.urbanpopsoul.com

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Um milhão de franceses compraram e leram, presume-se, Os olhos amarelos dos crocodilos de Katherine Pancol. Quando soube desses números pensei estarmos falando de um livro para adolescentes.  Tamanha popularidade nos dias de hoje atribui-se com frequência a esses novos leitores. Mas nesse Carnaval arrisquei sua leitura, já que me veio recomendado por uma boa amiga.  Que prazer!

Trata-se de um romance sobre gente comum, fazendo coisas comuns, tomando decisões nem sempre sábias, chegando a resultados surpreendentes.  Essas páginas retratam uma família: uma família e seus correlatos. No centro da narrativa estão duas irmãs – Joséphine e Iris –  que não poderiam ser mais opostas em temperamento,  aparência física, posição social e interesses. Conhecemos seus filhos, seus pais, seus maridos, o padrasto e outros personagens que compõem esse cosmos urbano: amigos, amantes, namorados.   É uma história contemporânea, com personagens que, se não conhecemos, poderíamos vir a conhecer, entre nossos amigos e familiares.  São professores, advogados, comerciantes, adolescentes, cabeleireiros, vendedores, todos de maior ou menor sucesso profissional e, certamente, todos à procura do bem estar, da felicidade.  Katherine Pancol consegue gerenciar um bom leque de personalidades, mostrando como se víssemos numa lâmina de microscópio, um retrato das fragilidades e solidez dos valores da classe média.  Aqui, da classe média francesa, mas cujos objetivos, preocupações e limitações são típicas de qualquer lugar do mundo.

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OS_OLHOS_AMARELOS_DOS_CROCODILOS_1333140794P-

Mas não é só um retrato da classe média.  Não.  Nessa receita de sucesso há também alguns ingredientes quase fantásticos que nos lembram que uma boa história precisa de mocinhos e vilões, de traição e de amor.  Se analisarmos alguns segmentos poderíamos traçar paralelos com muitos contos de fadas que povoaram nossa infância e que são apreciados até hoje por todos – veja-se o exemplo dos parques de diversões, onde Cinderela e Branca de Neve são sucesso absoluto.  Não que Katherine Pancol esteja contando uma história da carochinha para adultos. Não, não é isso.  Mas nesse romance há cobiça, afronta, roubo, más intenções, injúria tudo na dosagem certa para ser eventualmente corrigido e de extrema satisfação para o leitor.

No centro da história está Joséphine, a anti-heroína por excelência. Um patinho feio.  Um rato de biblioteca. Explorada por todos.  Reticente, compreensiva demais, apagada. Indecisa, altruísta, meditativa. Mas, por quem torcemos do início ao fim.  Nossa Gata Borralheira tem uma paixão: a Idade Média, o século XII.  Sonha com as heroínas da época, com as aventuras dos cavaleiros, com as Cruzadas, com os vilarejos do reino de Aquitânia.  Sua paixão, sua fascinação intelectual, é desprezada por todos à sua volta. Incompreendida, ela quase passa a vida em brancas nuvens, soçobrando de porto em porto, das filhas ao marido, à mãe, à irmã. E no entanto, sabemos que, se há justiça nesse mundo, ela será vingada, assim como acontece com todas as heroínas dos contos clássicos do folclore europeu de onde vieram os contos de Grimm e Andersen.

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katherine pancol

Katherine Pancol

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A história de Joséphine também dá grande satisfação ao leitor – e acredito que a maioria dos leitores desse romance sejam mulheres – porque é uma história, em que diferentemente dos contos de fadas, o poder transformador, o elemento que eventualmente altera a imagem que Joséphine tem de si mesma, não lhe vem através de fadas madrinhas, mas através de seu crescimento interno, crescimento emocional e descobertas sobre sua própria habilidade de controlar as vicissitudes, os obstáculos imprevisíveis que aparecem em seu caminho. À semelhança de muitos pequenos heróis, de muitos desportistas, políticos, pessoas que chegam a um lugar de prestígio, Joséphine terá que vencer seus próprios medos, seus próprios monstros, para se tornar a mulher cujo potencial antevemos, mas que seus pares não lhe creditam. Uma ótima narrativa, deliciosa mesmo, com um ritmo maravilhoso e algumas lições de vida.  Não se pode esperar mais de um bom entretenimento; afinal um milhão de franceses não poderiam estar errados.





É Carnaval na arte brasileira

10 02 2013

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Di Cavalcanti, CARNAVAL 54 x 73 cmóleo sobre tela1954

Carnaval, 1954

Di Cavalcanti (Brasil, 1897-1976 )

óleo sobre tela, 54 x 73 cm

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À semelhança de anos anteriores voltamos a fazer uma pequena coletânea do Carnaval na ointura, este anos uma pequena seleção da festa vista pelos olhos de artistas brasileiros. Bom Carnaval a todos!

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Cristiane Campos, MEU-FREVO, 2009, ast, 100x80cm

Meu frevo, 2009

Cristiane Campos (Brasil, 1961)

acrílica sobre tela, 100 x 80 cm

Cristiane Campos

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Aécio, Carnaval de Olinda, ast, 30x40Carnaval de Olinda

Aécio de Andrade (Brasil, 1935)

acrílica sobre tela, 30 x 40 cm

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Antonio Gomide,Carnaval, sd, aquarelapapel,17x12Carnaval, s/d

Antônio Gomide (Brasil, 1895-1965)

aquarela sobre papel,  17 x 12 cm

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Bruno Lechowiski,Carnaval,ost, 57 x 46,5 cm

Carnaval, s/d

Bruno Lechowiski ( Polônia 1887-Brasil 1941)

óleo sobre tela, 57 x 46 cm

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Gentil Correia, Carnaval, ost, 60 x 80 cm

Carnaval, s/d

Gentil Correa (Brasil, 1935)

óleo sobre tela, 60 x 80 cm

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Glauco Rodrigues, CARNAVAL, Serigrafia, 40x60 cm.

Carnaval, s/d

Glauco Rodrigues (Brasil, 1929-2004)

Serigrafia, 40 x 60 cm

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mario-gruber (1927-2011)-serigrafia-70 x 100, 2008

Sem título, 2008

Mário Gruber (Brasil 1927-2011)

Serigrafia, 70 x 100

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Sérgio Telles,Carnaval – As bahianas,OSM, 20 x 25

Carnaval — as baianas, s/d

Sérgio Telles (Brasil, 1936)

óleo sobre madeira, 20 x 25 cm

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Tobias Marcier (1948-1982) Os amigos foliões, ost, 36 x 28Os amigos foliões, s/d

Tobias Marcier (Brasil, 1942-1982)

Óleo sobre tela, 36 x 28 cm





Cartões de Natal com pássaros II

3 12 2012

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Cartão de Natal alemão.  Sem data.

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Cartão de Natal, americano, desenho de Michael Coulter.

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Pintarroxo no galho, cartão de Natal.

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Chilreios de Natal, década de 1970 (EUA).

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Pintarroxo cantando, cartão de natal, ilustrado por M. Morris.

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1 -- flamingos_popFlamingos com trenó, Natal na Flórida, cartão postal de Natal.

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1 -- PÁSSARINHOS NO NATAL -- NEVEDuas meninas alimentam os passarinhos na neve, (França)

O tema de alimentar animais e pássaros está associado à caridade, qualidade que deve fazer parte das celebrações do Natal e se encontra em diversos cartões e postais de Natal de quase todos os países europeus e naqueles como os EUA e Canadá que mantiveram as tradições europeias da estação.

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1 -- cartaõ de natalPassarinhos se acomodam em galho sobre a neve (EUA).

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1 -- cc_el_110169Pintarroxo em galho coberto de neve e trenó de Papai Noel voando no céu da noite de Natal (França).

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1 -- POMBINHOS ornu2tigCasal de pombinhas, presente de Natal, em cesta florida com ninho, c. 1900.

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1 -- Natal com pombinhas e sinoPombinhas arrumam a guirlanda de Natal, cartão em relevo, c. 1900.

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01 -- PASSARO-- CISNE NATALINO POINSETTIAPrimeiro e único cisne da minha coleção, com poinsettias, D. McCorcle, 2010.

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01 POMBA DA PAZA pombinha da paz no Natal (EUA)

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1 -- PÁSSAROS NA JANELA frohliche-weihnachtenPassarinhos no peitoril da janela atraídos pelo calor do lar (Alemanha).

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1 -- BirdCardParece ser uma cena primaveril, mas é um cartão de Natal.
-1 -- christmasbirdspcPintarroxos em noite de luar (EUA).

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1 -- PASSARINHOS EM BANDO NA PAISAGEMUm bando esvoaçante de pássaros, depois da nevasca natalina (EUA).

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1 -- 06PelicanTree
Árvore de Natal formada por pelicanos (EUA).

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P

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1-- PASSARINOS, PENGUINSPinguins de Natal, (EUA).

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1 -- pombo voandoPomba da paz (EUA).




Bicicletas e independência — um trunfo para as mulheres

18 11 2012

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A casa das bicicletas no Bois de Boulougne, 1897-1900

Jean-Georges Béraud (França,1849-1936)

óleo sobre tela

Musée de l’ïle-de-France – Sceaux

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Quando usamos as bicicletas raramente pensamos no papel importante que elas tiveram para a emancipação feminina. Fui lembrada desse fenômeno quando li, alguns dias atrás, o artigo na publicação da Universidade da Virginia,  sobre estudos americanos: Xroads . Não se sabe ao certo a data da invenção da bicicleta; foi consequência natural de diversos experimentos com quadriciclos e triciclos que apareceram no início do século XIX.  Só na última década do século, a bicicleta se tornou popular e de uma maneira inesperada alavancou o movimento pelos direitos da mulher.

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Anúncio francês, 1900.

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A popularidade levou não só homens, mas muitas mulheres às aventuras do ciclismo, que dava uma grande liberdade de movimento. Era a  habilidade das mulheres de se movimentarem por si mesmas, para novos lugares, novos espaços, sem a necessidade de acompanhantes.  Essa autonomia assertiva trouxe como consequência um desequilíbrio nos papéis sociais.  Até então, homens e mulheres tinham papeis circunscritos, rígidos. Mas as barreiras impostas a elas estavam caindo e os homens passaram a fortalecer o estereótipo de portadores de bravura e força.  Como o ciclismo aparecia no horizonte como uma atividade física era natural que fosse adotado pelos homens como parte da constelação de esportes das quais faziam parte o futebol, baseball (nos Estados Unidos) e o críquete na Inglaterra, todos dominados pelo sexo masculino.

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Cartão postal anunciando novas bicicletas, Boston, EUA.

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“Máquina da liberdade” [freedom machine] foi como Susan B. Anthony, a feminista americana que lutou pelos direitos da mulher, denominou a bicicleta. E dela é também , uma conhecida citação: a bicicleta, “fez mais pela emancipação da mulher do que qualquer outra coisa no mundo”.  Inicialmente adotada pelas elites, logo os modelos de bicicletas apresentaram mais conforto, sendo adotadas pela classe média em geral na América do Norte e na Europa, em meados da década de 1890.  Já na primeira década do século XX a bicicleta havia conquistado seu lugar como meio de transporte e também como forma de recreação. Clubes de ciclismo apareceram em todas as grandes cidades.

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Mas antes dessa popularidade, não foram poucos os gritos de imoralidade, quando uma mulher andava de bicicleta. O que mais causava revolta nos homens era a adquirida habilidade de movimento para sexo feminino.  Ajudadas pela produção em massa desse meio de transporte, que cada vez mais se mostrava seguro e prático as mulheres e a classe trabalhadora, ela não se privaram da liberdade adquirida e transformaram a bicicleta no símbolo da Nova Mulher.  Essa Nova Mulher se desvencilhou  das roupas restritivas de movimentos, do espartilho e das saias até o tornozelo, substituindo-as por calças. Bem comportadas, largas nos quadris, apertadas no joelho ou do joelho para baixo, mas calças; chamadas de roupas para ciclismo.  Mesmo assim não foi fácil para mulheres andarem de bicicleta vestidas desta forma.  Muitas foram ridicularizadas, multadas, até mesmo tratadas como mulheres vulgares, sem escrúpulos, como lembra muito bem o artigo.

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Cartão postal, c. 1895.

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Apesar disso, as mulheres modernas, essas Novas Mulheres, não se deixaram vencer e enfrentaram os preconceitos.  Elas viam o poder que as duas rodas lhes davam e previam um futuro mais equilibrado.  Sabiam que eram vistas como um desafio aos preceitos da época que tratavam as mulheres como seres inferiores.  Não foram poucos os homens que proclamaram que as bicicletas eram uma ameaça à ordem social e à estrutura familiar porque permitiam às mulheres viajar para mais longe do que estavam acostumadas, sem serem vigiadas por seus maridos, irmãos, pais, pelos homens que conheciam os perigos a que elas se expunham. Além, é claro, de permitir que uma jovem pudesse estar na companhia de companhia masculina sem alguém que a acompanhasse.

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Em seguida, a lista do que fazer e não fazer na bicicletas.  Texto de 1895 do New York World foi sindicalizado e a foto abaixo mostra o texto no jornal de Chicago.  A lista e o artigo em que me baseio saíram no Brainpickings.  Traduzi um grande número das regras mas houve umas três delas que têm expressões de época não encontradas nos meus dicionários.  Divirtam-se.

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Não se amedronte.

Não desmaie na rua.

Não use um chapéu de homem.

Não use ligas apertadas.

Não se esqueça da bolsa de ferramentas.

Não se deixe levar sem tração é perigoso.

Não se vanglorie de longas viagens.

Não critique as “pernas” dos outros

Não use meias que chamem atenção.

Não recuse assistência quando subindo uma colina.

Não use roupas que não caibam bem em você.

Não use joias enquanto estiver na bicicleta.

Não entre em corridas.

Não use botas com cadarço.

Não imagine que todos estão a observando.

Não vá à igreja vestindo roupas de ciclismo.

Não use o chapéu de festa ao ar livre com suas calças.

Não conteste o fato de que bondes têm preferência.

Não coma goma de mascar.  Exercite suas mandíbulas em casa.

Não use luvas brancas de couro.  Seda é o costume.

Não pergunte, “O que você acha das minhas calças?”

Não use gíria de bicicleta, deixe isso para os rapazes.

Não saia à noite sem a companhia masculina.

Não saia sem agulha, linha e dedal.

Não tente combinar todos os itens de sua vestimenta.

Não deixe seus cabelo louro aparecer nas costas.

Não permita que o lindo cachorrinho a acompanhe.

Não acenda um fósforo no assento de suas calças.

Não converse sobre as calças com os homens que conhece.

Não apareça em public até que você saiba andar bem de bicicleta.

Não se canse, deixe que o ciclismo seja uma recreação e não um trabalho.

Não ignore as leis do trânsito porque você é uma mulher.

Não tente usar as roupas de seu irmão para saber como elas vestem.

Não grite se você der de cara com uma vaca. Se ela a vir primeiro, ela saira do caminho.

Não use tudo que é moderno porque você pode dirigir uma bicicleta.

Não imite a atitude de seu irmão se ele balança a bicicleta paralela ao chão.

Não tente um passeio longo se você não está confiante de que pode fazê-lo com facilidade.

Não dê a aparência de que você está procurando um recorde ou quebrar um recorde. Isso é competição.

Para mais informações visite o portal do Brainpickings, link acima.

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O labirinto em Serena, de Ian McEwan

4 10 2012

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Relatividade, 1953

M. C. Escher (Holanda, 1898-1972)

Litografia

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Inicialmente pensei que a imagem mais apropriada para ilustrar o livro Serena de Ian McEwan fosse uma das paisagens de Estaque do pintor francês e fundador do cubismo, Georges Braque, tal como Viaduto de Estaque ilustrado abaixo.   Nesta tela vemos uma paisagem com algumas casas rodeadas de vegetação e um viaduto romano ao fundo.  Nós compreendemos a cena, e ainda a vemos mais completa, porque somos instruídos — através da criativa maneira de pintar desenvolvida pelos cubistas, inspirados por Cézanne –  sobre as demais facetas da paisagem que revela diversos elementos vistos por diferentes ângulos, que não estariam dentro das nossas possibilidades entrever.  Com o  uso de múltiplas perspectivas Georges Braque neste caso permite que  conheçamos “o outro lado da lua”, ou seja: os dois lados de um telhado que nossa visão não permitiria perceber, ou a fachada de uma casa,  que ele levanta  ligeiramente,  por cima das casas na frente, para que vejamos a série de janelas paralelas corridas.  Essa visão compreensiva, giroscópica,  do tema, dos objetos ou pessoas retratadas, explorada pelos cubistas constitui em grande parte a maneira narrativa de Ian McEwan.-

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Viaduto de Estaque, 1908

Georges Braque (França, 1882-1963)

óleo sobre tela, 72 x 59 cm

Museu de Arte Moderna, Centro Pompidou, Paris

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Mas à medida que o texto avançou e certamente depois que cheguei ao fim do romance,  a visão cubista, ainda que interessante,  não me satisfez.  Porque é um texto que se renova, que se reencontra e que recomeça.  É um labirinto com alguns becos, algumas passagens em múltiplos níveis, com algumas realidades paralelas, como se estivéssemos num jogo digital e uma vez ou outra achássemos a porta que nos leva direto até o próximo nível, sem termos que lutar com o dragão ou algum inimigo inesperado.  Esta é uma história que vai e volta e se aprofunda em diversos níveis sem que saibamos por que estamos sendo levados por aquele caminho e de repente, parecemos voltar ao ponto inicial como em um rondó musical ou em uma fita de Möebius.  E foi pensando nela que acabei selecionando uma das muitas gravuras de M. C. Escher para dar o tom visual do que acontece com o leitor de Serena.  Escolhi a gravura Relatividade, uma litografia cuja primeira tiragem foi feita em 1953, porque esse artista holandês é quem, nas artes plásticas, de meu conhecimento, melhor exemplifica a minha experiência ao terminar esse texto.

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É a habilidade narrativa de McEwan que permite que se chegue ao final da trama capaz de entender os diversos níveis em que ela se desenvolve. E ser surpreendido.  Totalmente surpreendido.  Este é um romance, um thriller, que aparenta tratar de espionagem na década de 60 do século passado. Espionagem envolvendo o fabuloso serviço inglês MI5 já bastante caracterizado na literatura, no cinema e em programas televisivos pela sua invencibilidade.   Não há nenhum James Bond, mesmo em se tratando de Londres, cidade onde Serena,  que acabou de terminar o curso superior numa excelente universidade inglesa, arranja seu primeiro emprego.  A jovem é a nossa porta de entrada para esta aventura literária que insiste em parecer simples e direta.  Até que, em certo momento, temos a sensação de que talvez não estejamos lendo coma atenção necessária.  No meu caso foi lá pela página 140, quando parei e voltei ao início.  Mas tive relatos de outros leitores, talvez mais sensíveis, mais perceptíveis, que o fizeram umas 50 páginas antes.  De qualquer modo, o leitor sente que  há algo no ar mas não sabe onde, nem o quê, nem o porquê. E assim se desenrola a narrativa.

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Ian McEwan

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Mais do que um thriller, Serena é um livro sobre ficção.  Sobre diversos níveis de ficção. Sobre a ficção que encontramos no dia a dia, na fabricação de quem somos, no contar e recontar de nossos movimentos de nossas ações.  Temos a ficção de espiões e a ficção de quem escreve ficção.  Este é um   romance baseado no ato de simular, na habilidade do fingimento.  Ian McEwan explora aqui  a tênua linha que define realidade.  Este romance é uma ode à imaginação.  À nossa habilidade, à capacidade humana de iludir e de aceitar ser iludida.  A narrativa é um quebra-cabeça, um Cubo de Rubik com faces de espelhos, onde tudo se encaixa, a qualquer momento em qualquer hora,  porque tudo, absolutamente tudo não passa de ficção.  Uma narrativa brilhante.

Minha objeção está na personagem que achei o menos crível dos elementos.  Mas como acreditar em um personagem que nos ajuda a construir o ficcional?  Como julgar aquele que nos faz crer e que nos ajuda a descrer. Este é o impasse a que chegamos.  E a mensagem é simples: não creia, não acredite.  Tudo não passa de ficção.  Nem mesmo eu, nem você que me lê, nem Serena.





Feliz Dia dos Amigos — 20 de julho!

20 07 2012

Desconheço a autoria dessa ilustração.

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A todos os amigos da Peregrina, um muito obrigada pela amizade, pela assiduidade dos nossos encontros e o desejo de que tenham um Feliz Dia do Amigo!   Sinto-me honrada com a sua amizade, com as suas visitas e com sua fidelidade!  Meu carinho vai para todos!





Um balé de pequeninos…

1 07 2012

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Esse foi um número do programa de televisão You got talent [Você tem talento] na televisão ucraniana.

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Tenham um bom domingo!





Cantiga do lobo amável, poesia infantil de Stella Leonardos

27 06 2012

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Ilustração de Loubli Bengali.
Cantiga do lobo amável

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Stella Leonardos

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– Chapéuzinho, chapéuzinho

Vermelho cor de framboesa!

– Que queres, lobo daninho?

– Acompanhar-te, beleza.

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– Chapéuzinho, chapéuzinho

Vermelho cor de coral!

– Que queres, lobo daninho?

– Proteger-te de algum mal.

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– Chapéuzinho, chapéuzinho

Vermelho cor da alegria!

– Que queres, lobo daninho?

– Gozar tua companhia.

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– Chapéuzinho, chapéuzinho

Vermelho cor de carmim!

– Que queres, lobo daninho?

– Guardar-te sempre pra mim.

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Em: Fantoches, Stella Leonardos, Rio de Janeiro, Livraria São José: 1956.





Casamentos na pintura: homenagem a Sto Antônio, o santo casamenteiro

13 06 2012

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Casamento, 1968

Marysia Portinari (Brasil, 1937)

óleo sobre madeira, 50 x 40 cm

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Relativamente falando há poucos casamentos registrados na pintura.  Minha coleção de imagens de telas de casamentos, contém um pouco mais do que 400 telas.  Não  que eu conheça tudo que foi pintado no assunto.  Não sou nenhuma especialista em iconografia do casamento.  Mas a história da arte não entrou na minha vida ontem.  Já vi muita coisa.

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O casamento, 1997

Bo Bartlett (EUA, 1955)

óleo sobre tela, 210 x 275 cm

E-

Há alguns casamentos específicos como aqueles que uniam famílias nobres, reis, telas comissionadas a  artistas para captar o momento solene da união de famílias cuja aliança se fazia necessária para manutenção de fronteiras, além de outros interesses econômicos.

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O casamento de Alfonso XIII e Victoria Eugênia, na Igreja de São Jerônimo, em Madri, 1906

Juan Comba y Garcia (Espanha, 1852-1924)

óleo sobre tela

Sala Afonso XII, Palácio Real, Madri

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Curiosamente, talvez o mais famoso casamento na pintura, A boda dos Arnolfini, 1434 de Jan Van Eyck, [ilustrado abaixo] não retrata um casamento como a tradição do título sugere.  Trata-se de fato do retrato do rico comerciante Giovanni do Nicolao Arnolfini e sua esposa, em casa, na cidade de Bruges, hoje na Bélgica.  [E antes de passar para o próximo casamento, deixe-me clarificar, que não, a Sra. Arnolfini não está grávida.  A exuberante e luxuosa roupa da época é típicamente longa e ela simplesmente segura a saia rodada para poder se movimentar. Vale notar também que a região era conhecida por seus tecidos luxuosos e que a abundância textil no retrato só enriquece a posição social do casal].

A boda dos Arnolfini, 1434

Jan Van Eyck (Bélgica, 1345-1441)

óleo sobre madeira [carvalho], 82 x 60 cm

National Gallery, Londres

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Enquanto o mundo dos banqueiros, de outros comerciantes bem sucedidos no século XVII na Holanda quase não é representado em casamentos, é desse período A noiva judia de Rembrandt.

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A noiva judia, 1665-1669

Rembrandt van Rijn (Holanda, 1606-1669)

óleo sobre tela, 121 x 166 cm

Museu Rijks, Amsterdam

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O casamento mais representado, acredito eu, nas artes antes do aparecimento da classe mercantilista na Europa do Norte, nos séculos XV e XVI, talvez seja sem dúvida As Bodas de Canaã.  Uma das representações mais antigas, na pintura, desse milagre é a de Giotto, reproduzida abaixo.

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As bodas de Canaã, 1304-1306

Giotto di Bondone ( c. 1267 – 1337)

afresco

Capela Arena, Pádua

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Depois de As Bodas de Canaã, talvez a mais popular representação de casamentos seja O casamento da Virgem.  Sua mais famosa representação — a de Rafael di Sanzio, na Pinacoteca de Brera em Milão — foi certamente inspirada pela tela, menos fluida, menos sofisticada, talvez, do mesmo tema de Pietro Perugino que reproduzo abaixo, pintada aproximadamente um anos antes da de Rafael de Sanzio, O casamento da Virgem 1504, óleo sobre madeira, 170 x 118cm, Pinacoteca de Brera, Milão.

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O casamento da Virgem, 1503

Pietro Perugino (Umbria, Itáia, 1448-1523)

óleo sobre madeira, 234 x 185cm

Museu de Belas Artes de Caen, França.

[Click aqui para ver a versão de Rafael]

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O Casamento da Virgem, tema representado muitas vezes no século XVI, certamente serviu de base para a representação do casamento de Maria de Médici com Henrique IV.

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Casamento por procuração de Maria de Médici com Henrique IV, representado por Ferdinando I, Grão-duque da Toscana, 1600

Jacopo di Chimenti da Empoli (Florença, 1551-1640)

óleo sobre tela, 242 x 242cm

Galeria dos Uffizi, Florença

[há outras versões desse quadro]

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É só mesmo depois da revolução industrial, em pleno século XIX, quando a classe mercantil se estabelece mais solidamente nas sociedades européias e industriais, que temos um muito maior número de casamentos em telas.  Mas o interessante é que não são retratos das famílias mais abastadas que vemos na pintura, ao contrário, são os casamentos anônimos.  É o ato do casamento que se eterniza.

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Até que a morte separe, 1878

Edmund Blair Leighton (Inglaterra, 1853-1922)

Óleo sobre tela,

Coleção da Revista Forbes

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E as preocupações de época começam a aparecer, assim como na literatura do final do século XIX vemos em autores como Victor Hugo e Charles Dickens o retrato das diversas classes sociais, dos costumes da cidade em contraste com os costumes do campo, o tema também é abordado na pintura de gênero.

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Um casamento no campo, 1904-1905

Henri Rousseau, Le Douanier

Óleo sobre tela, 163 x 114 cm

Museu  de l’Orangerie, Paris.

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O cortejo nupcial, 1878

Theodore Robinson (EUA, 1852 – 1896)

Óleo sobre tela, 57 x 67cm

Terra Foundation for American Art, Daniel J. Terra Collection

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É essa vertente, a vertente que mostra o casamento no campo, no interior, na cidadezinha pequena que eventualmente se torna popular no Brasil, sobretudo por causa das festas juninas.  Há aqui no nosso imaginário uma justaposição do casamento de interior ( que pode acontecer a qualquer momento) e do casamento junino.  O exemplo na abertura desse texto, com a tela de Marysia Portinari pode ser  colocado em qualquer data, mas  outras representações do casamento na pintura brasileira invariavelmente associam a representação às festas juninas. Um exemplo abaixo:

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Casamento na roça, s/d

Cândido Portinari (Brasil, 1903-1962)

óleo sobre tela, 98 x 79 cm

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Os noivos, s/d

Fé Córdula [Francisco de Assis Córdula] (Brasil, 1933)

óleo sobre tela, 30 x 40 cm

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Mas a representação das bodas nupciais no século dezenove não se limita às diferenças entre o campo e a cidade, também muito bem representado na literatura, por exemplo por Eça de Queirós.  Os pintores parecem sensíveis também aos sentimentos das noivas que no até as primeiras décadas do século XX  muitas vezes não se casavam com quem queriam mas com quem era conveniente.  Tal é o caso em:

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Um casamento desigual, 1862

Vasiliy Pukirev (Rússia, 1832–1890)

Óleo sobre tela

Galeria Tretya kov, Moscou

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Além desses temas há também a curiosidade pelo pitoresco, pelo outro, pela diferença, pela maneira como os outros se comportam, que permeou tanto da cultura européia do século XIX.  Esse interesse pelo OUTRO levou a temas pertinentes à representação de cenas do Oriente Médio, do Extremo Oriente, entre outros. É assim que temos representações de casamentos árabes, turcos, judeus, russos, aqueles em que a vestimenta, os hábitos, as cerimônias não se assemelhassem às conhecidas festas da Europa Ocidental.

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Um casamento judeu no Marrocos, 1841

Eugênio Delacroix(França, 1798-1863)

óleo sobre tela, 105 × 140 cm

Museu do Louvre, Paris

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O casamento judeu, 1903

Josef Israels (Holanda, 1824-1911)

óleo sobre tela, 137 x 148cm

Museu Rijks, Amsterdam

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E ainda mais uma tendência no século XIX, pertinente também à literatura –  podemos citar Alexandre Herculano, Sir Walter Scott, Charles Reade, Mark Twain entre outros  — é a volta ao passado, à época medieval, aos costumes da renascentistas.  Temas tais como os casamentos na Idade Média, na Renascença, tornaram-se  mais frequentes, dentro desse nicho.

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Depois da cerimônia,1882

Adrien Moreau (França, 1843-1906)

óleo sobre tela,  61 x 81cm

Christie’s Leilão de 2007, Nova York

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O chamado da guerra, 1888

Edmund Blair Leighton (Inglaterra, 1853-1922)

óleo sobre tela, 91 x 61 cm

Coleção Particular

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No século XX, entre muitos outros, Mark Chagall, dedicou-se a muitas representações de casamentos, muitos deles com noivos flutuando no céu.

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O casamento, 1910

Marc Chagall (Rússia/França, 1887-1985)

óleo sobre tela

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E as representações de Chagall  podem ter influenciado Cícero Dias, como vemos na tela abaixo.

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Recife lírica, década de 1930

Cícero Dias ( Brasil, 1907-2003)

óleo sobre tela, 140 x 260 cm

Coleção Sylvia Dias, Paris

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O século XX tem um outro comportamento na representação de casamentos.  Levarei esse tema adiante amanhã e ainda talvez nos dias que se seguem. A observação por tema da história cultural e da história da arte pode trazer esclarecimentos importantes para o entendimento dos valores de época.  Até a próxima!








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