Quermesse, poema de Mário Mauro Matoso

13 04 2013

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Bonaventura Cariolato (Itália 1894-Brasil, 1989) -Festa na aldeia,aquarela ,1965,Bairro da Boa Vista em Franca, 33 x 40 cm.

Festa na aldeia, 1965

Bonaventura Cariolato (Itália/Brasil, 1894-1989)

[Bairro da Boa Vista, em Franca]

óleo sobre tela, 33 x 40 cm

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Quermesse

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Mário Mauro Matoso

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Recordo uma quermesse em Santa Rita…

A praça principal, ornamentada,

A Banda no coreto, entusiasmada,

Executando a marcha favorita…

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Defronte a uma barraca, a petizada

De olhos fitos na prenda mais bonita…

O Correio elegante… a senhorita

Que outrora fora minha namorada.

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A barraca do Bar e do Café,

O bloco do catira, o bate-pé

Sobre um tablado, rústico e bisonho…

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Assim é que relembro nossa terra,

A cidade feliz que se descerra

Na perpétua quermesse do meu sonho!

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Em: 232 Poetas Paulistas:antologia,  ed. e col. Pedro de Alcântara Worms, São Paulo, Conquista: 1968, p. 473.

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Mário Mauro Matoso [Mattoso] (SP, 1902- ?) . Poeta.

Obra:

Flâmulas e Flores, poesia, 1964





Imagem de leitura — Gustavo Rosa

8 04 2013

Gustavo-Rosa-leitor, serigrafiaLeitor, s.d

Gustavo Rosa (Brasil, 1946)

Serigrafia

www.gustavorosa.com.br

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Gustavo Rosa nasceu em São Paulo em 1946.  É pintor, desenhista e gravador.  Reside e trabalha em São Paulo.





Quadrinha do pantanal

6 04 2013

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Wander melo,TUIUIUS-2009,ast-120x80Tuiuius, 2009

Wander Melo (Brasil, contemporâneo)

Acrílica sobre tela, 120 x 80 cm

http://wmeloarts.blogspot.com.br

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Em bando sutil, as garças,

pontilhando o lamaçal,

são quais pérolas esparsas, 

adornando o pantanal.

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(Dorothy Jansson Moretti)





Manhãs, poesia de Irene de Sousa Pinto

5 04 2013

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Ferenc Kiss, Fazenda Torrão de Oouro, 1990, osm, 24x33

Fazenda Torrão de Ouro, 1990

Ferenc Kiss  (Hungria/Brasil,  1944)

Óleo sobre madeira, 24 x 33 cm

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Manhãs

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Cedo, na roça, estática, à janela,

Gozo destas manhãs a graça imensa;

E o sol, que é generoso, entra por ela

A dar topázios, sem pedir licença.

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A luz se expande e a vida se revela

No cafezal e na campina extensa;

Ouço mugirem bois junto à cancela

E o gorjeio das aves que se adensa.

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No fio além do telefone, em linha

Como rosários, cantam andorinhas,

Saudando o sol na fímbria do levante.

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 E pelo branco laranjal em flor

Semeia o vento o pólen fecundante

Sobre corolas sôfregas de amor…

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Em: 232 Poetas Paulistas:antologia,  ed. e col. Pedro de Alcântara Worms, São Paulo, Conquista: 1968, p. 143

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Irene Ferreira de Sousa Pinto (Brasil, SP, 1887- RJ, 1944) Nasceu em Amparo, no estado de São Paulo em 1887.  Poetisa e escritora.

Obras:

Primeiros vôos, 1917

Rosa-maria, 1920





Rudyard Kipling no Rio de Janeiro

4 04 2013

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Bruno Bronislaw Lechowski (1887–1941),Praia de Copacabana, 1936

Bruno Bronislaw Lechowski (1887-1941)

aquarela sobre papel

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Almocei hoje com um amigo vindo de uma Europa cheia de neve e frio, onde o tempo insiste em prolongar um dos piores invernos de que se teve notícias por aquelas bandas.  Sua alegria de voltar aos trópicos foi contagiante e me lembrei também do tempo em que morando fora do Brasil, chegava aqui de visita à família e me encantava até mesmo com o Galeão, porque reconhecia o colorido das folhas verdes da Ilha do Governador e o cheiro do material de limpeza do aeroporto.  Isso só acontece quando se tem muita saudade mesmo!  Voltei para casa e fui correndo dar uma olhadinha em um texto de Rudyard Kipling sobre o Brasil,  um escritor amante dos trópicos, da Índia e de outros lugares também abençoados.  Re-encontrei esse livro na semana passada quando passei em revista meus livros.  Sabe aquela crença: vamos nos desfazer de algumas coisas para dar espaço para outras melhores?  Pois ando nessa vibração, talvez seja a necessidade de contribuir para que o status quo desembeste, mude, saia da mesmice.   Não consegui achar o texto de que me lembrava, mas achei esta introdução ao Rio de Janeiro que considero charmosa.  Espero que vocês gostem.

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“Nos países sensatos, não há pressa, nem mesmo para a Saúde ou a Polícia do Porto. Por isso, embora houvéssemos entrado no porto do Rio no começo da tarde, já estava começando a escurecer quando nos aproximamos do cais e toda a cidade e as costas ao lado dela escolheram esse momento para acender constelações e vias-lácteas de desenfreada eletricidade.

Subiram então a bordo homens dispostos, como os homens do mundo inteiro, a mostrar a um estrangeiro a cidade que amavam. Dentro de dois minutos, as linhas escuras dos cais repletos tinham desaparecido e o carro corria por uma avenida cheia de luzes e fortemente quadriculada por filas duplas de folhagem das árvores e marginada e clubes, lojas e cafés iluminados e repletos. Esse mundo de luz cedei lugar de súbito, entre os topos de edifícios gigantescos, a espaços ainda mais vastos de avenidas de pista única, entre árvores, tendo a baía de um lado e franjadas de luzes elétricas que corriam para a frente aparentemente para sempre e se renovavam em colares de pérolas atiradas em volta de cantos indivisíveis. E sempre, acima de tudo, viam-se e sentiam-se os contornos das montanhas cobertas de matas. Todo o mundo estava conosco em carros todos cheios de gente sem chapéu, todos em velocidade máxima, mas não mais rápidos do que certos diabólicos ônibus cujos barulhos funcionais eu iria confundir depois com o trovejar de um aeroplano diante da minha janela no oitavo andar. À nossa direita, um morro cujas luzes profusas subiam e se interrompiam, indicando a meio curvas de caminho.  Conheciam-se bastante os velhos romances para saber que aquilo devia ser Santa Teresa, o bairro onde os funcionários virtuosos e os amantes exilados pelo destino costumavam viver para refazer as suas fortunas. É hoje, como sempre foi, um lugar de aprazíveis residências. Está diante exatamente da entrada da barra – dois lisos dentes de crocodilo de rocha nua que muitos olhos devem ter visto a fechar o caminho para a pátria no tempo em que os homens morriam entre o meio-dia e o crepúsculo. Há visões de casas brancas e cor de rosa com plumas de palmeiras sobressaindo ou, ainda com maior intimidade, frisos de bananeiras tranqüilas por trás de muros de marfim. Ficamos, porém, à beira da água, com a multidão que estava tomando fresco.

A noite estava, razoavelmente, isto é, tropicalmente quente. Chapéus, sobretudos, pressa, hora e outras insignificâncias tinham ficado do outro lado do Equador. A única preocupação que restava era de que aquela cidade de sonho, de folhagem verde intensamente iluminada, de imponente estatuária e montanhas altaneiras desaparecesse de repente se a gente tivesse a coragem de olhar para o lado.  Mas continuou, com uma enorme curva de caminho sucedendo a outra, ainda contornando o mar, ainda iluminada pelas luzes insolentes e onipotentes mas – deve-se pagar algum tributo aos deuses – impregnada do perfume dos carros que voavam. (Deve-se notar que o brasileiro, como motorista, pode paralisar qualquer chofer de taxi da Place de La Concorde. Os sulistas ciumentos dizem que um argentino pisando leva-lhe vantagem. Para mim, ele é mais que suficiente.)

Por fim, a torrente do tráfego se desviou da baía, entrou por um túnel ressoante onde todos buzinavam ao  mesmo tempo e foi sair numa extensão de praia em que as ondas livres do Atlântico Sul se alinhavam sob as estrelas  e se quebravam nas areias de cor de marfim ao pé dos refletores elétricos. Todos os que não estavam sobre rodas passeavam em miríades em calçadas de mosaico junto ao mar. Diante da praia, viam-se casas isoladas cujos proprietários deviam ter perdido a cabeça em todos os detalhes, arrebiques, caprichos, atributos e curiosidades daquilo o que se chama de “arquitetura” e que seus cérebros ou suas posses podiam abranger. E desde que as construções não se pareciam com qualquer outra coisa na terra, ajustavam-se exatamente ao inexplicável cenário que sob os altos céus os contemplavam.

– O nome desta praia é Copacabana – disseram meus companheiros.  – Não faz muito tempo que começou a ser construída. Não. Isso não é a cidade. É apenas um dos seus distritos. A cidade fica a muitos quilômetros de distância. Ainda há muitas outras praias pela frente, mas…”

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Em: Cenas Brasileiras: um documento inédito — a presença de Kipling no Brasil, Rudyard Kipling, tradução de Pinheiro de Lemos, Rio de Janeiro, Record: [1977?], pp. 37-38





Imagem de leitura — Oscar Pereira da Silva

25 03 2013

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Oscar Pereira da Silva,Moça lendo no sofá, ost, 1925, 14,5 x 53 cm.

Moça lendo no sofá, 1925

Oscar Pereira da Silva ( Brasil, 1867-1939)

óleo sobre tela, 14,5 x 53 cm

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Oscar Pereira da Silva nasceu em 1867, em São Fidélis no estado do Rio de Janeiro. Descobriu seu talento para o desenho desde de cedo e em 1882 começou seus estudos na Academia Imperial de Belas Artes, na cidade do Rio de Janeiro. Foi aluno entre outros de Zeferino da Costa e Vítor Meireles.  Ganhou o prêmio de viagem à Europa em 1887. Estabelece-se emParis onde aprimora seus conhecimentos como pintor histórico. dedica-se também à pintura de gênero.  Foi o pintor responsável por três painéis no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Foi professor do Liceu de Artes e Ofícios em São Paulo.  Faleceu em São Paulo em 1939.





Velho tema, III, poema de Vicente de Carvalho

23 03 2013

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João Fahrion – O vestido verde, 1949. O Museu de Arte do Rio Grande do Sul ...

O vestido verde, 1949

João Fahrion ( Brasil, 1898-1970)

óleo sobre tela, 75 x 98 cm

Museu de Arte Ado Malagoli, Porto Alegre, RS

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Velho Tema,  III

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Vicente de Carvalho

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Belas, airosas, pálidas, altivas,
Como tu mesma, outras mulheres vejo:
São rainhas, e segue-as num cortejo
Extensa multidão de almas cativas.
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Tem a alvura do mármore; lascivas
Formas; os lábios feitos para o beijo;
E indiferente e desdenhoso as vejo
Belas, airosas, pálidas, altivas…
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Por quê? Porque lhes falta a todas elas,
Mesmo às que são mais puras e mais belas,
Um detalhe sutil, um quase nada:
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Falta-lhes a paixão que em mim te exalta,
E entre os encantos de que brilham, falta
O vago encanto da mulher amada.

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Em: Cancioneiro do Amor – os mais belos versos da poesia brasileira, antologia organizada por Wilson Lousada, Rio de Janeiro, José Olympio: 1952, 2ª edição.





HABEMUS PAPAM

13 03 2013

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Antonio Maia São Francisco

São Francisco de Assis, 1985

Antônio Maia (Brasil, 1928)

acrílica sobre tela

Coleção Particular





A arte referencial e onírica de Leo Brizola

3 03 2013

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Barbara Leo Brizola

Bárbara, 2011

Leo Brizola  (Brasil, 1962)

acrílica sobre tela, 160 x 200 cm

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Foi através do SOLO ART — link generosamente mandado por minha amiga Vera — que encontrei a arte do mineiro de Belo Horizonte, Leo Brizola.  E gostei.  Resolvi então colocá-lo aqui, dando continuidade ao “artista brasileiro do mês”.  Leo Brizola dialoga com a pintura que o precedeu e  mostra a sua realidade fantástica.

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Diana e a velha, Leo BrizolaDiana e a velha, 2011

Leo Brizola (Brasil, 1962)

acrílica sobre tela, 200 x 170 cm

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O trabalho de Leo Brizola é onírico.  Mas o diálogo permanente com artistas do passado ajuda a colocar sua visão em foco, tanto na alusão visual, quanto na alusão temática.

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Olfato, sd

Olfato

Leo Brizola (Brasil, 1962)

acrílica sobre tela

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Leo Brizola demonstra ter um bom senso de humor e grande irrevência quando trata dos assuntos, dos temas que retrata. Observar uma de suas enigmáticas pinturas é simultaneamente se expor a um sorriso e a uma lembrança de alguma outra pintura, mas ser específico. É como se visitássemos o nosso inconsciente coletivo.

albAnunciata

Albanunciata, 2011

Leo Brizola (Brasil, 1962)

acrílica sobre tela

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SONY DSCAudição, 2010

Leo Brizola (Brasil, 1962)

acríica sobre tela, 100 x 100 cm

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Formado em Artes Plásticas pela Escola Guignard/ Universidade do Estado de Minas Gerais (1981-1987)  e Belas Artes pela Universidade Federal de Minas Gerais (1983-1985) mostra grande segurança de técnica e tema:  refere-se não só ao passado, mas o utiliza para retratar seu lugar  no presente.





O urubu-rei, texto de Padre Nicolao Badariotti

25 02 2013

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Joacilei Lemos Cardoso urubu rei

Urubu rei, s/d

Joacilei Gomes Cardoso (Brasil, 1960)

óleo sobre linho, 140 X 100 cm.

Joacilei Gomes Cardoso

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O urubu-rei

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Padre Nicolao Badariotti *

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Estava um dia um bando de urubus se banqueteando no nojento festim; de repente um deles dá um guincho rouco e todos se afastam e dispõem em círculo numa atitude de respeito. O ar vibra, silvando ao impulso de asas possantes, estremecem as folhas e um  magnífico urubu-rei pousa majestosamente sobre um galho seco; dá um olhar imperioso sobre aquela turba vil e, lançando-se pesadamente ao chão, acode ao banquete, desdenhando todo aquele círculo de rivais invejosos e impotentes…  Era um lindo animal, maior que um peru, escuro na parte superior do corpo e branco debaixo das asas e do peito. A cabeça coberta somente de uma penugem ostentava sete cores; o bico robusto, os olhos largos e expressivos sem a ferocidade de seus congêneres, o pescoço aveludado e adornado dum colar de alvas penas, fazem do urubu-rei um animal soberbo e de nenhum modo merecedor do nome vulgar tão humilhante para ele.

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Em: Flor do Lácio,[antologia]  Cleófano Lopes de Oliveira, São Paulo, Saraiva: 1964; 7ª edição. (Explicação de textos e Guia de Composição Literária para uso dos cursos normais e secundário).

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*Padre Nicolao Badariotti foi um religioso italiano que descreveu viagem ao Mato Grosso em 1898, sua viagem foi publicada  como Exploração no norte de Mato Grosso, região do Alto Paraguay e Planalto dos Parecis. São Paulo: Escola Typ. Salesiana, 1898.








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