Não faça pouco de uma paixão! Lembre-se de Vladimir Nabokov.

3 02 2011
Ilustração, Hervé.

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O hábito não faz um monge, assim como um diploma em direito não faz um advogado ou um diploma em história faz um historiador.  Recentemente, uma leitora respondeu a uma de minhas postagens, criticando-a porque o livro em consideração, apesar de ser de história do Brasil, não havia sido escrito por um historiador formado.  Isso é o que eu chamo de burocracia da mente.  Não publiquei o comentário porque era uma crítica desleal a um autor de grande responsabilidade.  Além do mais, não acredito na premissa de que um diploma seja necessário para que um produto de pesquisa seja de qualidade.   Hoje, então, dando uma vista d’olhos na rede, tive a minha teoria comprovada e ainda por cima uma bela história de interesse para contar.

Em 25 de janeiro deste ano, o jornal americano The New York Times, publicou um artigo assinado por Carl Zimmer, titulado Nonfiction: Nabokov Theory on Butterfly Evolution Is Vindicated , onde aprendemos que o famoso escritor americano de origem russa, Vladimir Nabokov, além de excelente escritor, autor do romance Lolita, entre muitos outros títulos, era um grande estudioso amador dos lepidópteros.  E que suas teorias, a respeito da migração de borboletas da Ásia para as Américas, através de milhões de anos em pequenos vôos, acabam de ser verificadas corretas, como foi demonstrado na semana passada por cientistas dedicados aos estudos de DNA, que publicaram suas conclusões na revista científica The Proceedings of the Royal Society of London.

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Há mais nessa notícia do que o fato de Nabokov saber do que falava quando se referia a borboletas.  Há mais nela do que aprender que sua paixão por borboletas teve as sementes fertilizadas pelo amor de seus pais a esses insetos e que Nabokov era um colecionador sério desses insetos, participando de expedições para a captura de variados espécimes de borboletas.  Ficamos sabendo também que Nabokov provavelmente teria se transformado num cientista, dedicado aos lepidópteros, se a Revolução Russa de 1912, não tivesse motivado a família Nabokov a emigrar.  Durante a estadia na Europa, ainda muito antes de sua ida para os Estado Unidos, Vladimir Nabokov continuou os estudos (autodidatas) das borboletas, visitando as mais diversas coleções e tomando notas detalhadas sobre o que via.    Essa paixão viva é demonstrada, ainda em 1928, quando dedica o dinheiro ganho pela publicação do romance Rei, Valete, Dama, ao financiamento de uma excursão aos Pireneus, em que ele e sua esposa, Vera, conseguiram capturar mais de 100 espécimes.

Nos Estados Unidos, Vladimir Nabokov foi o curador de lepidópteros no Museu de Zoologia Comparada da Universidade de Harvard – o que demonstra que mesmo para instituições com o prestígio da Universidade de Harvard, competência e não diplomas é o que importa.  [ Há uns três dias atrás falei das vantagens do pragmatismo americano, esse episódio demonstra em parte o de que eu falava.]

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Ilustração: Borbolera 21, de Rana Sadat Aghili.

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A descoberta de que a teoria de Nabokov estava certa é sensacional.  E nos lembra de alguns pontos importantes sobre as coisas a que nos dedicamos.

–  uma mente criativa consegue imaginar soluções para problemas.  Uma mente criativa pensa fora dos padrões estabelecidos, “fora da caixa”.  Nabokov com conhecimento e dedicação conseguiu superar a falta de dados precisos – que não existiam na época – para chegar a conclusões corretas sobre a evolução das borboletas nas Américas!

–  se alguém, você ou seu filho, ou alguma outra pessoa no círculo de influência ama um assunto, ou uma atividade incentive-o.  Dê corda.  É essa paixão que lhe dará asas nos momentos difíceis e que lhe dará raízes para crescer.

Refletindo sobre o artigo das borboletas de Nabokov eu me lembrei de um programa SEM CENSURA, com Lwdwig Waldez, em que ele dizia, muito corretamente “seu filho detesta história e adora matemática.”   Você colocaria o seu filho com aulas particulares em que matéria?  História?  Não!   Não!   Deve colocá-lo para ter aulas em matemática e assim ele se transformará no melhor que existe naquele campo.

É disso, na verdade que precisamos.  Precisamos incentivar as paixões, como a de Nabokov por borboletas,  precisamos adubar os interesses daqueles que nos rodeiam.  Porque só com dedicação e amor, muito amor ao que se faz, pode-se deixar uma marca, uma marca indelével para a posteridade, pode-se contribuir para o mundo que nos rodeia.   Pensem nisso!

©Ladyce West, Rio de Janeiro: 2011

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VEJA O VÍDEO DE LWDWIG WALDEZ,

e abaixo os links para as duas primeiras partes dessa entrevista.

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1 — http://www.youtube.com/watch?v=l8u27KE2gvs&feature=related

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2 — http://www.youtube.com/watch?v=M22hVEMQVLs&feature=related

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GPS Biológico? Nas borboletas?

27 09 2009

monarch-butterfly-migration

 

 

Todos os outonos 100 milhões de borboletas monarca migram para o sul dos Estados Unidos.  Elas voam 4.000 quilômetros para se refugiarem no México do inverno rigoroso mais ao  norte.   Essas borboletas navegam na sua rota migratória de acordo com a posição do sol, e calculam o caminho de acordo com o movimento do sol através do céu.

Até recentemente acreditava-se que estas borboletas usassem algum tipo de relógio de 24 horas, que tivessem em seus cérebros.  Mas uma pesquisa publicada no jornal Science, mostra que é nas antenas das borboletas que há um forte aparato para  manter o ritmo circadiano correto.  monarch-butterfly1

 

As borboletas monarcas navegam seus vôos usando um “relógio solar” molecular.  E mais interessante ainda, os estudos sugerem que esses “relógios” exercem uma função diretamente ligada ao cérebro desses insetos, regulando o sistema central do cérebro.

MUITO MAIS INFORMAÇÔES, NO ARTIGO COMPLETO :  BBC








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