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Jovem mulher lendo um livro, s/d
Bela de Kristo ( Hungria, 1920-2006)
óleo sobre tela
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“Um escritor só começa um livro. Um leitor o acaba”.
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Samuel Johnson
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Jovem mulher lendo um livro, s/d
Bela de Kristo ( Hungria, 1920-2006)
óleo sobre tela
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Samuel Johnson
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Uma estudante de história da arte, 1972
Ivan Stepanovich Ivanov-Sakachev (Rússia, 1926-1980)
têmpera e guache sobre eucatex, 124 x 100 cm
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O jornal Moscou Times traz o aviso de que na noite do próximo dia 19 para 20 de abril, Moscou terá sua segunda “Biblionoch” — uma noite de incentivo à leitura, onde livros são trocados ou são deixados em lugares públicos para serem apanhados por qualquer pessoa que os queira ler. Tudo feito de maneira anônima.
“Biblionoch” significa noite de livros e nessa noite muitas livrarias e bibliotecas da capital russa irão ficar abertas para o evento, que se pautou nas noites abertas dos museus, um acontecimento já bastante conhecido e divulgado na mesma cidade, chamado de “Noite dos Museus”.
No ano passado, o evento foi quase improvisado e assim mesmo teve a participação de 30 bibliotecas de Moscou. E no país mais de 750 organizações tiveram noite semelhante. Este ano a “Biblionoch” conta com participação de grandes e conhecidas bibliotecas tais como Turgenev e Nekrasov e o Winzavod Centro de Arte Moderna.
Além disso, haverá diversos jogos e brincadeiras, entre elas uma maratona de leitura que irá determinar que escritores contemporâneos mais contribuiram para a leitura dos residentes de Moscou. Paralelamente autores mais populares se encontrarão com seus leitores e participarão de uma online conferência.
Não sou contra a celebração da leitura. Sou a favor de todos os meios possíveis para incentivar a leitura. Mas duvido muito que os hábitos de leitura e de não-leitura de qualquer pessoa se modifiquem por causa de uma noite. Um dia. Uma troca de livros. Isso deveria de ser chamado de “festa de livros” onde variados leitores saem de suas respectivas e confortáveis cadeiras para se auto-congratularem por serem leitores; trocar uma ou outra ideia sobre o que leram sem querer estrelato. Estrelato não combina com leitura.
A leitura é um hábito. Precisa ser cultivado como um hábito como um vício. É para se fazer constantemente. Sempre. Com chuva ou com sol. No inverno e no verão, na rua, no ônibus, em casa. Na biblioteca. No jardim, na viagem, no quarto do hotel. Na sala de espera do dentista. No fila do banco. É assim como um vício social: você não pode viver sem. A diferença entre a leitura e o tabaco é que ela só faz bem.
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Escola em 1879, s/d
Morgan Weistling (EUA, contemporânea)
óleo sobre tela, 100 x 150 cm
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O pano de fundo da semana que passou foi a inépcia do ENEM e de todos os nossos dirigentes quanto ao estado desastroso da educação no país. Não fugindo a um dos objetivos desse blog (auxiliar a quem se dispõe a melhorar o ensino no Brasil) hoje posto um texto, talvez folclórico, talvez não, escrito por um escritor brasileiro que também se preocupava com a educação. Além de ser um bom texto escolar, ele lembra aos nossos governantes que um pouco de humildade e de consideração para com o povo brasileiro estão entre as menores das requisições que ainda fazemos deles. Que visitem as suas escolas e que se lembrem da confiança que depositamos em suas mãos quando os elegemos. A melhoria da nossa educação não é para o futuro, nem para hoje. É para ontem…
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Mário Sette
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Era uma escola humilde de arrabalde: sala ligeiramente caiada, movéis toscos, um desbotado mapa na parede, um crucifixo sobre a banca do professor.
As crianças, filhas de gente humilde, algumas descalças haviam chegado,tomando seus lugares, abrindo os livros, dispondo os cadernos e as canetas.
A manhã nascera ensolarada e bonita.
Pouco depois, o mestre, um senhor esguio, de maneiras calmas, batera palmas como sinal do início dos trabalhos escolares.
Um menino veio dar sua lição de leitura. Outros faziam contas nas pedras.
E, como sempre, o tempo ia passando naquela suave tarefa de aprender, no doce silêncio do arrabalde, raro a raro quebrado pelo pregão de um vendedor de frutas, pelo tropel de um cavalo.
Inesperadamente um carro parou à porta da escola. Aberta a portinhola, desceu primeiro um velho de fardão, e em seguida um homem de sobrecasaca e cartola, de barba loura, com ares muito simples.
O professor, que o vira pela janela, ergueu-se surpreso, exclamando:
– É Sua Majestade o Imperador!
Sabia, como toda gente, ser Pedro II hóspede de Pernambuco, havia dias; não ignorava que o monarca andava visitando os estabelecimentos de ensino, sempre interessado pelo estudo. Mas supor que fosse a modesta escola que regia também honrada com aquela visita, isso nunca supusera. Um recanto de subúrbio, tão longe da cidade, tão pobre!
O Imperador, de chapéu na mão, seguido pelo ministro, entrara na sala, cumprimentara ao mestre e fizera questão de se sentar ao seu lado, como simples inspetor, a fim de assistir a um pouco da aula.
Mostrava-se atento a tudo e balançava a cabeça, risonho, quando os alunos se saíam bem.
Depois, ele próprio, chamou o menino, perguntou-lhe:
– Qual o rio maior do Brasil?
E a outro:
– Faça-me esta conta de dividir.
Ainda a outro:
– Quais são os mandamento da lei de Deus?
Obtidas respostas certas, o monarca, passeando entre as bancas, examinara os cadernos de exercícios, corrigira uma letra, gabara um cursivo, acarinhara as cabeças das crianças que o olhavam cheias de espanto.
Um rei era assim tão bom e tão amigo dos pobres?! Faziam uma idéia diferente da realeza!
Afinal, o Imperador despediu-se, elogiando o professor, prometendo-lhe melhoramentos para sua escola.
Ao sair, o professor quis beijar a mão do soberano, em sinal de respeito, mas o Imperador, com ar de bondade, dispensou-o daquela homenagem dizendo-lhe:
– Os mestres é que precisam de que os alunos lhe beijem as mãos.
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Em: Encantos Literários: antologia, organizado pela Professora Deomira Stefani, São Paulo, Ática: s/d
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Mário Rodrigues Sette (Recife, PE 1886 — 1950) professor, jornalista, contista, cronista e romancista. Veja: www.mariosette.com.br
Obras:
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Ao clarão dos obuses, contos, 1914
Rosas e espinhos, contos, 1918
Senhora de engenho, romance, 1921
A filha de Dona Sinhá, romance, 1923
O vigia da casa grande, romance, 1924
O palanquim dourado, romance, 1921
Instrução Moral e Cívica, didático, 1926
Sombra de baraúnas, contos, 1927
Contas do Terço, romance, 1928,
A mulher do meu amigo, novela, 1933
João Inácio, novela, 1928
Seu Candinho da farmácia, romance, 1933
Terra pernambucana, didático, 1925
Brasil, minha terra! , didático, 1928)
Velhos azulejos, parábolas escolares, 1924
Os Azevedos do Poço,romance, 1938
A moça do sítio de Yoyô Coelho, contos, s/d
Maxambombas e maracatus, crônicas, 1935
Arruar, crônicas, 1948
Anquinhas de Bernardas, 1940
Barcas de vapor, 1945
Onde os avós passaram, s/d
Memórias íntimas,s/d
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Retrato da pintora Julia Beck, 1882
Richard Bergh Malningen (Suécia, 1858-1919 )
óleo sobre tela
Museu Nacional da Suécia, Estocolmo
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No início de fevereiro fiz uma postagem sobre o novo livro de David Shields em que ele discursa sobre o valor da literatura [Qual é o valor da leitura literária?] e minha amiga Nanci, que muito me prestigia lendo com atenção este blog, lembrou que na minha postagem eu havia me esquivado de responder à pergunta título. Pedi a ela um tempinho para responder. Chegou a hora da verdade. Não há uma única resposta. São muitas, assim como muitas fui e sou. A cada fase da vida a leitura literária teve uma ou mais funções.
Livros sempre fizeram parte da minha vida. Cresci numa família de leitores. Não só meus pais eram leitores, mas tios e avós também. Desse modo posso dizer que fui programada para fazer da leitura um hábito para a vida toda. Ponderei sobre a questão e acho que encontrei o meu fio da meada: a leitura literária me permite conhecer o outro, aquele diferente de mim.
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Leitora de horóscopo
Dimitris Voyiazoglou (Grécia/Holanda, contemporâneo)
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Mark Haddon
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Edwaert Collier (Holanda, 1642-1710)
óleo sobre madeira, 32 x 27 cm
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Aurélio Pinheiro
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O Dr. Elesbão recebeu-nos com um sorriso sereno, em sua fecunda biblioteca, de altas, solenes estantes de mogno. Era uma grande sala, branca, de espiritualizante claridade, com as janelas abertas para o nascente. Sobre a larga mesa de estudos havia livros esparsos, papéis, vários objetos e um tinteiro de prata com uma águia de asas distendidas na ânsia de um vôo fremente. Junto à mesa, num dunquerque de ébano, pousava uma caveira sobre um suporte niquelado. Pelos cantos, colunas de mármopore ostentavam estatuetas e jarrões, e atrás da cadeira do Mestre surgia o busto de Hipócrates, saliente e austero como o de um deus pensativo. Entre duas estantes um pêndulo alto e negro marcava as horas, antecedendo-as de um minuete do tempo do Rei-Sol. Nas paredes dois quadros a óleo: — uma cabeça de velha a sorrir com brandura e uma álacre marinha… Um sofá de molas envolvido em capa de linho branco e algumas cadeiras de jacarandá com espaldares em alto relevo, completavam o severo mobiliário.
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Em: Flor do Lácio,[antologia] Cleófano Lopes de Oliveira, São Paulo, Saraiva: 1964; 7ª edição. (Explicação de textos e Guia de Composição Literária para uso dos cursos normais e secundário).
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Aurélio Waldomiro Pinheiro (RN 1882 – RJ 1938) médico, jornalista, poeta, escritor.Formado em medicina , pela Faculdade de Medicina da Bahia, graduando-se em 1907. Retorna ao Rio Grande do Norte (Macau), onde além de clinicar colabora com o jornal O Mossoroense. Em 1910 muda-se para Parintins no Amazonas. Faleceu em Niterói, no Rio de Janeiro em 1932)
Obras:
Gleba tumultuária, prosa, 1927
O desterro de Umberto Saraiva, romance, 1928
Macau, romance, 1932-34
À margem do Amazonas, prosa, 1937
Em busca do ouro, prosa, 1938
Dicionário de sinônimos da língua nacional, s/d
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Sem título
Frederick Hendrik Kaemmerer ( Holanda, 1839-1902)
Gravura baseada em pintura do artista
18 x 27 cm
Wellcome Library, Londres
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Franklin Delano Roosevelt
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Rubem Braga
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Eu considerei a glória de um pavão, ostentando o esplendor, de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros,e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d’água em que a luz se fragmenta como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas.
Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.
Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.
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Em: Ai de Ti Copacabana! Rubem Braga, Rio de Janeiro, Sabiá: 1969, 5ª edição