O sorveteiro, poesia infantil de Maria de Lourdes Figueiredo

15 03 2013

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sorveteiroIlustração de Maurício de Sousa.

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O sorveteiro

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Maria de Lourdes Figueiredo

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A luz atrai mariposas,

o melado, formiguinhas;

e, como a flor as abelhas,

sorvete atrai criancinhas.

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Mal se escuta, ao longe, o grito:

– É o sorvete! Vai querer?

Aparecem sem demora,

as crianças a correr.

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Quero um de creme — diz Paulo;

pede Lúcia: — Um de abacate.

– Eu, de manga! — Um de morango!

– Eu quero um de chocolate!

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Saem todos bem contentes,

com seu sorvete na mão;

menos Rosinha. Que pena!

O dela caiu no chão…

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Em: O mundo das crianças: poemas e rimas, vol 1,  Rio de Janeiro, Delta: 1975





Pontinho de vista, poesia infantil de Pedro Bandeira

12 08 2011

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Pontinho de vista

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                          Pedro Bandeira

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Eu sou pequeno, me dizem,

e eu fico muito zangado.

Tenho de olhar todo mundo

com o queixo levantado.

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Mas, se formiga falasse

e me visse lá do chão,

ia dizer, com certeza:

– Minha nossa, que grandão!





A língua do Nhem — poesia infantil de Cecília Meireles

6 08 2010

 

 

 Ilustração, Maurício de Sousa.
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A língua do Nhem

                                         Cecília Meireles

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Havia uma velhinha
que andava aborrecida
pois dava a sua vida
para falar com alguém.

E estava sempre em casa
a boa velhinha
resmungando sozinha:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem…

O gato que dormia
no canto da cozinha
escutando a velhinha,
principiou também

a miar nessa língua
e se ela resmungava,
o gatinho a acompanhava:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem…

Depois veio o cachorro
da casa da vizinha,
pato, cabra e galinha
de cá, de lá, de além,

e todos aprenderam
a falar noite e dia
naquela melodia
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem…

De modo que a velhinha
que muito padecia
por não ter companhia
nem falar com ninguém,

ficou toda contente,
pois mal a boca abria
tudo lhe respondia:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem…

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Em: Ou isto ou aquilo, Cecília Meireles, Rio de Janeiro, Nova Fronteira:

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Veja este poema musicado numa animação infantil em homenagem à maturidade, com poesia de Cecília Meireles e música de Dércio Marques.

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As palavras, poema para uso escolar de Eugênio de Andrade

22 06 2010
Homem escrevendo, ilustração, Oliver Ray.

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As palavras

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                                                                       Eugênio de Andrade

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São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

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Eugênio de Andrade

Eugênio de Andrade, (Portugal, 1923[1] — 2005), pseudônimo de José Fontinhas.  Poeta, escritor e ensaísta português.

Obras:

Poesia:

Adolescente, 1942

Pureza, 1945

As Mãos e os Frutos, 1948

Os Amantes sem Dinheiro, 1950

As Palavras Interditas, 1951

Até Amanhã, 1956, 13ª edição, 2002.

Coração do Dia, 1958

Mar de Setembro, 1961

Ostinato Rigore, 1964

Obscuro Domínio, 1971

Véspera de Água, 1973

Escrita da Terra, 1974

Homenagens e outros Epitáfios, 1974

Limiar dos pássaros, 1976

Primeiros Poemas, 1977

Memória Doutro Rio, 1978

Matéria Solar, 1980

O Peso da Sombra, 1982

Branco no Branco, 1984

Vertentes do Olhar, 1987

O Outro Nome da Terra, 1988

Contra a Obscuridade, 1988

Rente ao Dizer, 1992

Ofício de Paciência, 1994.

O Sal da Língua, 1995

Pequeno Formato, 1997

Os Lugares do Lume, 1998

Os Sulcos da Sede, 2001

Prosa

Os Afluentes do Silêncio, 1968

Rosto Precário, 1979

À Sombra da Memória,1993

Literatura Infantil

História da Égua Branca, 1977

Aquela Nuvem e Outras, 1986





Os óculos da vovó, poema infantil de Dom Marcos Barbosa

28 05 2010

Os óculos da vovó

 

Dom Marcos Barbosa

– Como acabar meu tricô,

como assistir à novela,

se esses óculos benditos

me somem sem mais aquela?

 –

Vovó, procurando os óculos,

vai do quarto para a sala

e de novo volta ao quarto,

sem ninguém para ajudá-la.

 –

E até parece que os netos

estão a se divertir,

pois mesmo seu predileto

faz força para não rir.

– 

Deve saber onde estão,

porque lhe diz o malvado:

- Já está ficando quente

seu chicotinho queimado!

 –

E o diz quando está no quarto

ou à sala torna a voltar.

- Mas como pode uma coisa

em dois lugares estar?

 –

Em sinal de desespero

leva então as mãos à testa:

ali estão os seus óculos

e tudo vira uma festa.

Dom Marcos Barbosa [nome civil:  Lauro de Araújo Barbosa]  (MG 1915 – RJ, 1997) Sacerdote, monge beneditino,poeta e tradutor.  Membro da Academia Brasileira de Letras.

 Obras:

Teatro, 1947

Livro do peregrino, XXXVI Congresso Eucarístico Internacional, 1955

A noite será como o dia: autos de Natal, 1959

O livro da família cristã, 1960,

Poemas do Reino de Deus, 1961

Mãe nossa, que estais no céu, s.d.

Para a noite de Natal: poemas, autos e diálogos, 1963

Para preparar e celebrar a Páscoa: autos, diálogos e fogo cênico, 1964

Eis que vem o Senhor, 1967

O livro de Tobias, 1968

Oratório e vitral de São Cristóvão, 1969

Manifestações de autonomia literária: A Escola Mineira e outros movimentos. In: História da Cultura Brasileira, 2 vols., 1973-76

Um menino nos foi dado, org. de Lúcia Benedetti. In: Teatro infantil, 1974

A arte sacra, 1976

Nossos amigos, os Santos, 1985

Congonhas, Bíblia de cedro e de pedra, e co-autoria com Hugo Leal, 1987

Um encontro com Deus: Teologia para leigos, 1991

As vinte e seis andorinhas, 1991

Poemas para crianças e alguns adultos, 1994





Cantiga de ninar, poema de Décio Valente

3 05 2010

Ilustração de um quadro de Donald Zolan.

Cantiga de ninar

Décio Valente

Cai a chuva no telhado,

chuva boa, criadeira;

cai e corre, corre e pinga,

pinga e bate a noite inteira.

Bate, bate, pingo-d’água,

vai batendo pelo chão,

tique, taque, tique, taque,

como faz o coração.

Bate, chuva, de mansinho,

nos caixilhos da janela;

vai ninando esta criança,

pedacinho meu e dela…

Bate, chuva, vai batendo,

bate, bate, sem parar;

quero ouvir, a noite toda,

o teu canto de ninar.

Em: Cantigas simples, Décio Valente, São Paulo: 1971.

 

Décio Valente, nasceu em Capivari, SP.

Obras:

Anedotas e contos humorísticos, 1955

Cenas humorísticas, 1955

Cantigas simples, 1963

Seleta filosófica, 1964

Pensamentos e reflexões, 1966

Vida e obra de Euclides da Cunha, 1966

Coisas que acontecem…, 1969

Do medíocre ao ridículo, s/d

Ramalhete de trovas, 1977

O plágio, 1986





Bolinhas de gude, poema infantil de Maria Eugênia Celso

29 03 2010
 Ilustração Maurício de Sousa.

Bolinhas de gude

                                               Maria Eugênia Celso

Brancas, verdes, rajadinhas,

                               Amarelas,

                As bolinhas

                Vão rolando,

                Vão dançando

                Seja liso ou seja rude

                O chão onde vão rolando

                Lá vão elas, lá vão elas…

                               As bolinhas de gude.

Brincam os meninos com elas,

                               Estão jogando

                No jardim ou nas calçadas,

                As bolinhas vão correndo

                Azuis pardas, amarelas,

                               Rajadinhas,

E tão vivas, tão ligeira, tão alegres e estouvadas

                Que até fica parecendo

                               Que são elas

                                               As bolinhas

Que com eles estão brincando.

Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1968.

Maria Eugênia Celso

Maria Eugênia Celso Carneiro de Mendonça (São João Del Rey, Minas Gerais, 1886 – 1963), usou também o pseudônimo Baby-flirt.  Jornalista, escritora, poeta, teatróloga e sufragista.  Funcionária de carreira do Ministério da Educação e Cultura.  Veio de Minas Gerais para Petrópolis, ainda criança,  onde cursou o Colégio Sion.  Em 1920 começou sua carreira jornalística no Jornal do Brasil.  Participou ativamente do “Movimento Feminista”, em favor da emancipação política e social da mulher, dedicou-se ao assistencialismo junto às “Damas da Cruz Verde”, aparecendo como uma das lideranças que criaram a maternidade “Pro-Matre” do Rio de Janeiro.  Batalhou pelo direito das mulheres ao voto. Faleceu em 1963.

Obra:

Em Pleno Sonho, poesia, 1920

Vicentinho, 1925

Fantasias e Matutadas, poesia, 1925

Desdobramento, poesia, 1926

Alma Vária, poesia

Jeunesse, poesia

O Solar Perdido, poesia, 1945

Poemas Completos, 1955

Diário de Ana Lúcia, prosa,

De Relance, crônicas

Ruflos de Asas, teatro

Síntese Biográfica da Princesa Isabel, biografia





A primeira lição, poesia infantil de Zalina Rolim

10 03 2010
Ilustração, Mark Arian

A PRIMEIRA LIÇÃO

 –

                                                                                Zalina Rolim

RAUL não sabe ler;

É um traquinas, que vive toda a hora

Pela campina em fora

A correr, a correr…

Desde pela manhã,

Salta do leito em fraldas de camisa,

E por tudo desliza

Numa alegria sã.

Nada de livros, não;

Para ele a campina, os passarinhos,

Os assaltos aos ninhos,

A pesca ao ribeirão

E as corridas em pós

Dos bezerros e cabras e novilhas,…

Rasgando ásperas trilhas,

Veloz, veloz, veloz!

Mas, um dia, ele viu

A irmãzita no livro debruçada,

E o som de uma risada

O ouvido lhe feriu.

Que teria, meu Deus!

Aquele grande livro tão pesado,

Ali dentro guardado,

Longe dos olhos seus?

E aproximou-se mais.

Ceci, toda entretida na leitura,

Mostrava, rindo, a alvura

Dos dentinhos iguais.

E o pequenito a olhar,

Mas debalde; no livro, aberto em frente,

Letras, letras, somente…

Raul pôs-se a chorar.

Pois não estava ali

Um livro injusto e mau, que até escondia

A causa da alegria

Da risonha Ceci?

Mas a irmã, tal e qual

Uma bondosa mãe ao filho amado,

Fê-lo assentar-se ao lado

E explicou-lhe o seu mal.

E com tanta razão

Que, abrindo atento o livro misterioso,

Raul pediu, ansioso,

A primeira lição.

Maria Zalina Rolim Xavier de Toledo — nasceu em Botucatu (SP), em 20 de julho de 1869.

Professora alfabetizadora transferiu-se com a família para São Paulo em 1893.

Educadora, entre 1896 e 1897, exerceu o cargo de vice-inspetora, do Jardim da Infância anexo à Escola Normal Caetano de Campos, em São Paulo.

Escreveu para diversas revistas femininas e jornais como A Mensageira, O Itapetininga, Correio Paulistano e A Província de São Paulo.

Faleceu em São Paulo, em 24 de junho de 1961.

Obras:

1893 – O coração

1897 – Livro das Crianças

1903 – Livro da saudade (organizado nesta data para publicação póstuma)





Minha árvore, poema de Natal de Diógenes Pereira de Araújo

17 12 2009

 

Cartão de Natal da Polônia, década de 1950.
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——

MINHA ÁRVORE

 

                                                                          Diógenes Pereira de Araújo

 —–

 

Vou armar uma árvore, escondida

no coração, recôndito de mim.

Será planta odorífera: alecrim,

por faces de pessoas preenchida

 —–

Tais faces vou colhê-las no jardim

dos amigos de sempre cuja vida

fazem a minha vida colorida

e perfumada: há rosas e jasmins

 —–

Amigos do passado eu ponho ao centro

amigos do presente mais à mão

para incluir a todos na oração:

 —–

“Senhor, – que trago aqui também por dentro –,

meu coração, com carga especial

transplanta para o teu neste Natal.”

—–

——

——

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——

Diógenes Pereira de Araújo ( SP, 1935).  Advogdo, escritor e poeta.  Blog:  http://diogenespereiradearaujo.blogspot.com

—-

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Canto de Natal — poema de Manuel Bandeira

7 12 2009

Nascimento de Jesus

Arte folclórica dos Estados Unidos, anônimo

 

Canto de Natal

 

                                                                          Manuel Bandeira

——–

O nosso menino

Nasceu em Belém

Nasceu tão-somente

Para querer bem.

———-

———

Nasceu sobre as palhas

O nosso menino.

Mas a mãe sabia

Que ele era divino.

——-

——-

Vem para sofrer

A morte na cruz,

O nosso menino.

Seu nome é Jesus.

———

———

Por nós ele aceita

O humano destino:

Louvemos a glória

De Jesus menino.

—–

—–

Em: Bandeira, antologia poética, Rio de Janeiro, José Olympio:1978, 10ª edição.

—–

 

Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho (Recife, 19 de abril de 1886 — Rio de Janeiro, 13 de outubro de 1968)  poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura e tradutor brasileiro.

Obras:

3 Conferências sobre Cultura Hispano-americana,  1959  

50 poemas escolhidos pelo autor , 1955  

A Autoria das Cartas Chilenas, 1940  

A Cinza das Horas, 1917  

A Cópula, 1986  

A Leste do Éden, 1958  

A Morte, 1965  

A Versificação em Língua Portuguesa    

Alumbramentos, 1960  

Andorinha, Andorinha  1965  

Antologia de Poetas Brasileiros Bissextos Contemporâneos  1946  

Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Parnasiana  1938  

Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Romântica  1937  

Antologia dos Poetas Brasileiros: fase moderna  1967  

Antologia dos Poetas Brasileiros: Fase Simbolista  1937  

Antologia Poética  1961  

Apresentação da Poesia Brasileira  1944  

Auto Sacramental do Divino Narciso, de Sóror Juana Inés de la Cruz    

Carnaval  1919  

Cartas de Mário de Andrade a Manuel Bandeira  1958  

Colóquio Unilateralmente Sentimental  1968  

Crônicas da Província do Brasil  1937  

De Poetas e de Poesia  1954  

Discurso de Posse de Manuel Bandeira na Academia Brasileira de Letras  1941  

Em Busca do Verso Puro, de Pedro Henríquez Ureña  1946  

Estrela da Manhã  1936  

Estrela da Tarde  1960  

Estrela da Vida Inteira  1966  

Flauta de Papel  1957  

Francisco Mignone  1956  

Glória de Antero  1943  

Gonçalves Dias  1952  

Guia de Ouro Preto  1938  

Itinerário de Pasárgada  1954  

Itinerários  1974  

Libertinagem  1930  

Literatura Hispano-americana  1949  

Macbeth, de Shakespeare  1958  

Mafuá do Malungo  1948  

Maria Stuart, de Schiller  1955  

Mário de Andrade: animador da cultura musical brasileira  1954  

Meus Poemas Preferidos  1967  

Noções de História das Literaturas  1940  

Noturno do Morro do Encanto  1955  

O Melhor Soneto de Manuel Bandeira  1955  

Obras Poéticas  1956  

Obras Poéticas de Gonçalves Dias  1944  

Obras-primas da Lírica Brasileira  1943  

Opus 10  1952  

Oração de Paraninfo  1946  

Os Reis Vagabundos  1966  

Panorama das Literaturas das Américas  1958  

Pasárgada  1960  

Poemas Traduzidos  1945  

Poemas-gráficos: 3 ensaios tipográficos no centenário do poeta  1986  

Poesia do Brasil  1963  

Poesia e prosa  1958  

Poesia e Vida de Gonçalves Dias  1962  

Poesias  1924  

Poesias completas  1940  

Poesias Escolhidas  1937  

Poesias, de Alphonsus de Guimaraens  1938  

Portinari  1939  

Recepção do sr. Peregrino Júnior  1947  

Recordações de Manuel Bandeira nos Arquivos Implacáveis de João Condé  1990  

Rimas, de José Albano  1948  

Rio de Janeiro em Prosa & Verso  1965  

Rubaiyat, de Omar Khayyan  1965  

Sonetos Completos e Poemas Escolhidos, de Antero de Quental  1942  

Um Poema de Manuel Bandeira  1956








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