Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

2 09 2015

 

 

Edgard Oehlmeyer, Sem Título, Óleo sobre tela, 73 alt X 60 larg (cm), acsdSem título

Edgard Oehlmeyer, (Brasil, 1909-1967)

Óleo sobre tela, 73 x 60 cm





Andorinha, poesia de B. Lopes

1 09 2015

 

 

SwallowOcean-GraphicsFairy1Cartão postal, virada do século XX.

 

 

Andorinha

 

Bernardino Lopes

 

Estes versos já passaram pela boca estelífera da minha amada, aos acordes doces e trêmulos do violão chorando sob seus dedos…

 

Andorinha que fizeste

Ninho em minh’alma, uma tarde,

E que andas no azul celeste

Cantando e fazendo alarde;

 

Que, em horas de forte calma,

Bebeste das crenças minhas,

Fazendo assim de minh’alma

Ribeirão das andorinhas;

 

Dize lá: por que não voltas

Ao teu recôndito abrigo,

Peregrina de asas soltas

Que pelas nuvens eu sigo?

 

Por que vives pelos ares,

Oh! alma de pirilampo!

Quando há frutos nos pomares

E tanta flor pelo campo?

 

Foge do pranto e do frio,

As leves penas abrindo…

Olha o teu ninho vazio,

Sonho emplumado, e vem vindo…

 

Vem, recortando  os espaços,

Num saudoso devaneio,

Cair tremente em meus braços,

Dormir tranquila em meu seio!

 

Ah! já não vens, de asa espalma,

Saciar-te em mim, como vinhas…

Era então esta minh’alma

Ribeirão das andorinhas!

 

(Val de Lírios, Laemmert & Cia., Rio de Janeiro, 1900, pág. 119-121)

 

Em: Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Parnasiana, ed. Manoel Bandeira, 3ª edição, Rio de Janeiro, Departamento da Imprensa Nacional:  1951. pp: 132-133.





Imagem de leitura — Pablo Picasso

31 08 2015

 

woman-reading-olga-1920.jpg!BlogOlga lendo, 1920

Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973)

carvão sobre papel, 100 x 73 cm





Nossas cidades: Cubatão

31 08 2015

 

G. Zorlini - Cubatão - Santos - Óleo sobre placa - 45 x 37 cm - 1963Cubatão, S.P., 1963

Giancarlo Zorlini (Brasil, 1931)

óleo sobre placa, 45 x 37 cm





Resenha: “O corpo humano” de Paolo Giordano

31 08 2015

 

foglian7Barracas de soldados, c.1330

[DETALHE]

Retrato Equestre de Guidoriccio da Fogliano

Simone Martini (Siena, 1280 a 1285 — 1344)

Afresco, 340 x 960 cm

Palazzo Publico, Siena, Itália

 

 

Com um título que mais lembra compêndios científicos para a sala de aula, O corpo humano de início não me atraiu. Mas vinha assinado por Paolo Giordano, autor de um dos mais sensíveis livros que li em 2010, A solidão dos números primos. Além disso, aprendi, há algum tempo, a desconfiar de segundos livros de autores cujas primeiras publicações achei espetaculares. Em geral, as segundas tentativas desapontam. Por isso posterguei a leitura. Mas felizmente meus medos não se realizaram dessa vez. Pelo contrário, Paolo Giordano consegue mais uma vez, abordar temas que invadem o nosso dia a dia, de uma maneira sensível, e por um ângulo inusitado.

Sim, esse é um livro de guerra. Guerra no Afeganistão. Mas não se trata do exército americano, como a situação poderia nos levar a crer. Trata-se de soldados italianos que fazem parte dos esforços da OTAN naquele país. E em lugar da narrativa se concentrar na guerra, ela nos mostra o dia a dia de um grupo de soldados, e não só acompanha os homens desde antes da guerra, como lá, no estrangeiro, em local minado por perigo. Somos expostos aos dilemas diários desses homens, jovens, sem muita experiência, como se comportam e se exasperam, o que os limita física e emocionalmente. Daí, o corpo humano, essa máquina orgânica que nos prende, limita, nos trai e suporta.

 

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Paolo Giordano surpreende mais uma vez por conseguir retratar a angústia pessoal de cada um de seus personagens, cada qual com seu problema íntimo — aqui, neste livro, problemas deixados para trás nos vilarejos ou cidades de onde vieram — com sensibilidade e distanciamento. Isso permite o leitor de se interessar pelo que pode acontecer a cada um, com o que parece ser um envolvimento mínimo. No entanto, quando finalmente um evento muda radicalmente a perspectiva dos soldados, é um choque perceber o quanto nos envolvemos com cada um deles e o quanto sabemos de seus desejo e frustrações e o fervor com que torcemos para que cada consiga ultrapassar os obstáculos físicos e emocionais.

 

 

Paolo GiordanoPaolo Giordano ©Niko Giovanni Coniglio

 

Não considero O corpo humano um livro de guerra nos moldes tradicionais. Ele é um livro sobre o ser humano, seus desejos, sonhos, experiências, necessidades, desilusões, decepções: emocionais e físicas. Ele nos mostra como ou porque chegamos a atos de audácia, fazemos juízo, nos mostramos corajosos, decididos e firmes. E ele nos mostra a chama, o piloto de energia que, no âmago, se incendeia quando cada um de nós age, decide, se droga, se perde, se desintegra, se constrói. Por isso mesmo Paolo Giordano passa a ser para mim, um dos autores que melhor se dedica ao entendimento do ser humano.

 

Recomendo a todos, amantes ou não dos livros de guerra

 

foglian2Retrato Equestre de Guidoriccio da Fogliano, c. 1330
Simone Martini (Siena, 1280 a 1285 — 1344)
Afresco, 340 x 960 cm
Palazzo Pubblico, Siena, Itália




Imagem de leitura — José Júlio de Souza Pinto

30 08 2015

 

 

José Júlio de Sousa Pinto, a carta (Portugal, 1855-1930)ost, 38 x 46 cmA carta

José Júlio de Souza Pinto (Portugal, 1855-1930)

óleo sobre tela, 38 x 46 cm





Trova do nosso amor

30 08 2015

 

john la gattaIlustração John La Gatta, 1940.

 

 

Fico em teus braços… depois

rogo a Deus mais uma vez

que o segredo de nós dois

fique só entre nós três.

 

(Cezário Brandi Filho)








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