Resenha: “Esnobes” de Julian Fellowes

31 08 2016

 

 

caça Arthur_E_Becher01Caçada, ilustração de Arthur Ernst Becher (EUA, 1877-1960).

 

 

 

Quando me dei conta de que Julian Fellowes era responsável por escrever e criar o roteiro de Downton Abbey, uma excelente série britânica para a televisão e que também fizera os roteiros para os filmes Assassinato em Gosford Park, (2001, premiado com o Oscar), Feira das Vaidades (2004) e A jovem rainha Vitória (2009), tive receio de ficar desapontada com primeira publicação em prosa do autor . No passado autores premiados nem sempre me agradaram como esperado. Felizmente isso não aconteceu com Esnobes.

Foi uma leitura divertida, entretenimento certo, repleto do mais perverso humor britânico e crítica aos costumes sociais da aristocracia inglesa. O tom segura firmemente a narrativa feita pelas observações de um homem, cuja identidade ignoramos, mas que pertence à classe social retratada, da mesma forma que Julian Fellowes na vida real é um membro da aristocracia britânica, e como o personagem que descreve no livro dedica-se ao teatro.  Atravessamos as barreiras de classe, entramos e saímos dos diferentes grupos sociais, pela mão firme de um homem que conhece as curvas do caminho.  Há momento em que ele me lembrou Arsène Lupin, pela facilidade com que  alça  a cortina de proteção dos bem-nascidos e revela, como faz o personagem de Maurice Leblanc, as idiossincrasias da classe aristocrática.  A ação se movimenta através dos diversos eventos sociais de que o narrador participa.  Não chega a ser uma resenha social daquelas publicadas nos diários impressos sobre jantares e caçadas, fins de semana no campo, corridas de cavalos, reuniões nos fechados clubes londrinos. Mas há um delicioso ar de mexerico, intriga ou boato no tom irônico das observações detalhadas.

 

c5ff97e7-7fcf-40e9-9b5a-79be1ae24580

 

Superficialmente essa poderia ser uma história para moçoilas, livreto da “Biblioteca das Moças”.  Afinal não passa de uma Cinderela. Será? Edith Lavery, menina da classe média alta, depois de frequentar as melhores escolas encontra-se sem perspectivas para um bom casamento até que de repente tem a oportunidade de fisgar um membro da aristocracia, com título, que lhe garantirá um futuro seguro para sempre feliz. Ao contrário de Cinderela os obstáculos a esse relacionamento não estão personificados em duas irmãs invejosas.  Nem mesmo na sogra, a mais interessante personagem do livro.  Os obstáculos estariam no comportamento requerido de Edith, mas estes ela domina com facilidade. O que não consegue é ir contra sua própria disposição rebelde. O embate é pessoal. Ela é de fato sua verdadeira inimiga.

Boa parte dos detalhes desta história pode ser melhor degustada por quem está familiarizado com a cultura inglesa. Mas o desconhecimento dos hábitos da ilha não impedirá o leitor de apreciá-la.  Bem desenvolvida, a narrativa tem o ritmo do teatro: é dividida em três tempos, da introdução com situação e personagens; desenvolvimento dos possíveis conflitos seguido de uma conclusão inesperada para os verdadeiros corações românticos.  Percebe-se, no entanto, que a aristocracia inglesa está ciente da decadência de sua importância social e num gesto de grandiloquência se  arrasta pelo mundo de hoje, validando os conceitos da era anterior à Primeira Guerra Mundial.

 

Julian FellowesJulian Fellowes

 

Esta é uma boa história. Retrata a estratificação da sociedade inglesa com bom humor.  Repleta de comentários críticos com que narrador em off nos presenteia, é uma leitura leve, rápida, na tradição da comédia de costumes tão apreciada pelos leitores ingleses.  Fino humor. Sutil.  Sensível, elegante e sagaz. Assim como as obras do autor para  cinema e  televisão, Esnobes pode ser apreciado pelas nuances de comportamento de seus personagens. Recomendo para os leitores sensíveis à enigmática ou inexplicável sedução exercida pela aristocracia inglesa em todo o mundo.

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

31 08 2016

 

 

Leopoldo Gotuzzo - Uvas - Óleo sobre tela - 44 x 51 cm - 1945Uvas, 1945

Leopoldo Gotuzzo (Brasil, 1887-1983)

óleo sobre tela, 44 x 51 cm





Na boca do povo: escolha de provérbio popular

30 08 2016

 

 

cozinha, farra na, 1933, cartão postal, BorissCartão postal de Margret Boriss, 1933

 

 

“A colher é que sabe a quentura da panela.”





Imagem de leitura — Lucien Levy-Dhurmer

29 08 2016

 

 

Lucien Levy-Dhurmer (1865-1953) The reading (La lecture)A leitura

Lucien Levy-Dhurmer (França, 1865-1953)

pastel sobre papel, 45 x 58 cm

Salvar





Nossas cidades: Diamantina

29 08 2016

 

 

INIMÁ DE PAULA (1918 - 1999) - Igrejas de Diamantina - MG, o.s.t. - 46 x 61 cm. Assinado e datado 86 frente e verso e localizado no verso.Igrejas de Diamantina, 1986

Inimá de Paula (Brasil, 1918-1999)

óleo sobre tela, 46 x 61 cm





Da minha mesa de trabalho

29 08 2016

 

 

DSC01323Minha mesa de trabalho, semana 28.08.2016 — margaridas singelas.

 

 

O ponto alto do meu fim de semana foi um casamento. Um casamento diferente. O casal em questão já estava casado no civil há 21 anos.  Na época a situação financeira não permitia nada além do cartório. Mas ficou a vontade da cerimônia religiosa.  Apesar do convívio diário por décadas, os noivos estavam emotivos.  Era uma reafirmação de seus votos, dessa vez perante uma autoridade maior.  A filhota de 18 anos entrou com um dos tios, irmão da noiva: padrinhos. Sua irmã, onze anos mais nova, cobriu a passadeira até o altar com pétalas de rosas vermelhas e brancas.  Duas princesas orgulhosas por seus papeis na vida familiar. A cerimônia transcorreu como qualquer outro casamento, mas o aplauso da plateia de parentes, amigos e vizinhos foi emocional após os votos de fidelidade enunciados e jocosa quando o padre permitiu o beijo nupcial. O clima na igreja,no entanto, foi diferente daquele a que estamos acostumados nos casamentos jovens, de primeira viagem. Não havia aquela tensão dos familiares de um lado ou de outro que se desconhecem. Não havia a esperança de que os noivos pudessem levar o comprometimento por alguns anos.  Como numa cerimônia de bodas de prata todos ali já se conheciam, já tinham se tornado família e amigos do casal, já formavam a unidade familiar que inclui os dois lados, todos se conheciam e conseguiam brincar uns com os outros. O que diferenciou este casamento de outros foi a realização de um sonho de muitos anos, adiado, postergado, frustrado, malogrado pelo sobreviver, pelo trabalho, pelas doenças dos pais, escola para os filhos, pelo bem-estar do núcleo familiar. Por isso o júbilo, a alegria ebuliente, que contagiou a todos.   A festa foi modesta pelos padrões de hoje, mas a alegria e o bom convívio foram genuínos. Estão de parabéns os noivos e suas duas filhas.

Voltei para casa feliz e só na manhã seguinte, refleti  sobre minha reação ao evento.  Por que achei a realização de um sonho acalentado através das intempéries naturais da sobrevivência tão emocionante?  Inusitado mesmo. Por que me emocionei com a realização de um sonho tão pessoal de outra pessoa? Por que achei os votos trocados neste altar mais sérios do que os de outros casamentos que testemunhei?  Havia ali verdadeiro comprometimento e honestidade. Pensei na grandiosidade dos casamentos de hoje, verdadeiros eventos de multidões de convidados, bufês e música até a manhã seguinte. Haveria com isso uma banalização do compromisso que perde a berlinda no meio de tantas distrações?  Ou talvez seja porque acho cada vez mais difícil encontrar aqueles que genuinamente se dedicam aos compromissos que têm com os outros e consigo mesmos. Será?

Salvar

Salvar

Salvar





Domingo, um passeio no campo!

28 08 2016

 

 

PAULO GAGARIN - PAISAGEM COM MONTANHAS , O.S.T , NA MEDIDA DE 47X37 COM DATA DE 1945.Paisagem com montanhas, 1945

Paulo Gagarin (Rússia/Brasil, 1885-1980)

óleo sobre tela, 47 x 37 cm








Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 3.439 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: