Rio de Janeiro, RJ, Brasil

28 01 2022

No mar estava escrita uma cidade

Copacabana com monumento a Carlos Drummond de Andrade

Sérgio Piancó (Brasil, contemporâneo)





Trova do pecado

27 01 2022
ilustração, “Back home for good”, por John Whutcomb, Life, 16/10/1942.

Perdoa se fui ousado…

Não estou arrependido!

Quem ama, não tem pecado,

pecado… é o tempo perdido!

(Alba Helena Corrêa)





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

26 01 2022

Natureza morta, 1962

Maria Leontina (Brasil, 1917-1984)

óleo sobre placa, 30 x 46 cm





Leituras de 2022: Querida Konbini, Sayaka Murata

25 01 2022

Insônia, 2004

William Crain (EUA, contemporâneo)

 

 

Sayaka Murata ganhou o prestigiado Prêmio Akutagawa em 2016, por Querida Konbini.  Ela está hoje entre escritores mais celebrados do Japão. O Prêmio Akutagawa, é dado duas vezes ao ano [janeiro e julho], a jovens escritores com histórias de sério valor literário, publicadas em jornal ou revista.  Este é  dos prêmios literários mais cobiçados do país. Querida Konbini, traduzido no Brasil por Ruth Kohl, foi um grande sucesso no Japão principalmente por sua feroz crítica às expectativas sociais sobre a vida cada cidadão.

Esta é a história de Keiko Furukura uma jovem nascida nas proximidades de Tóquio com dificuldades de compreender normas sociais.  Portanto, para sobreviver sem criar polêmica, passa a vida limitando seu comportamento às regras que percebe serem importantes, imitando pessoas  à sua volta.  Por isso parece sempre reagir de maneira esperada e correta.  Imita as vozes, a maneira de falar, a entonação, o modo de vestir das colegas de trabalho ou das amigas até se sentir completamente inserida no grupo social ao qual pretende pertencer.  Trabalha numa Konbini, loja de  conveniência, seu porto seguro, num emprego temporário que consegue aos dezoito anos, estudante universitária, e que ainda mantém na abertura do livro, dezoito anos mais tarde, para incredulidade de todos. Colegas de trabalho e familiares não entendem o motivo de Keiko não procurar trabalho mais seguro, ou “verdadeiro”.

 

 

 

 

Querida Konbini é uma sátira à sociedade japonesa, sobretudo às expectativas sobre as mulheres: casar e ter filhos sendo considerado uma obrigação de qualquer pessoa normal.  Em segundo plano, estão também fortemente criticadas, as expectativas que a sociedade tem sobre o comportamento dentro de um relacionamento entre um homem e uma mulher.  Neste ambiente Keiko Furukura, que percebe precisar de um marido ou de um interesse sexual, para melhor se inserir no mundo, persegue um relacionamento com um jovem, Shiraha, também revoltado com o papel social que lhe cabe. As consequências para ela, são incompreensíveis e inesperadas.

A revolta de Shiraha, pode ser exemplificada na seguinte passagem:

” — Li muitos livros de história para ver se descobria desde quando o mundo é errado desse jeito. Li sobre o período Meiji, no século XIX, sobre o período Edo, cheguei até Heian, há mais de mil anos, e o mundo já era errado. Mesmo no período Jomon, na pré-história! … Foi aí que eu compreendi. O mundo em que vivemos hoje não mudou desde aqueles tempos. Quem não contribui para a aldeia é eliminado. Os homens que não caçam, as mulheres que não têm filhos… As pessoas falam muito sobre a sociedade moderna, o individualismo, mas se alguém não se esforça para ser parte da aldeia é estorvado e pressionado por todo mundo e, no fim das contas, acaba expulso.” [87]

 

 

Sayaka Murata

 

Esta é uma narrativa direta, clara.  As situações em que Keiko se encontra são frequentemente cômicas para o leitor, ainda que agonizantes para nossa heroína. Aprecio finais abertos ou suspensos, no entanto, o desfecho do livro me deixou insatisfeita.  Completamente seduzida por essa moça, que muitas vezes parece ter reações tão pré-programadas quanto um robô, gostaria de ter tido certeza de um futuro melhor assegurado para ela.  Mas talvez esse seja o verdadeiro objetivo da narrativa, pessoas como Furukura ou Shiraha não mereçam um futuro tranquilo; como não o teriam tampouco no período Jomon, ou na pré-história do Japão que Shiraha tão bem pesquisou. 

Boa leitura, entretenimento que nos faz refletir.





São Paulo, o coração do Brasil! 468 anos!

25 01 2022

Igreja do largo de São Francisco, SP, 1974

Antônio E. Schlobach de Lemos Britto (Brasil, século XX)

óleo sobre madeira, 49 x 37cm

 

 





Curiosidade literária

25 01 2022

Menina na cadeira, 1879

Erik Theodor Werenskiold (Noruega, 1855-1938)

óleo sobre tela

 

 

 

Dizem que Dante tinha uma memória extraordinária.  Quando começou a ficar conhecido em Florença, era sempre seguido por um pequeno grupo de pessoas enquanto andando pela cidade.  Um dia, um desconhecido lhe perguntou, à queima roupa: “Qual é a comida mais deliciosa do mundo?”  E sem parar para reconhecer seu interlocutor, Dante respondeu: “O ovo.”

No ano seguinte, o mesmo homem se encontrou com Dante de novo, na mesma rua e perguntou: “Com que?” Dante respondeu imediatamente (sem pensar no episódio do ano anterior): “Com sal.”

 

Fonte: site italiano de culinária, Taccuini Storici.

 

 





Na boca do povo: escolha de provérbio popular

24 01 2022
Ilustração Maurício de Sousa

Às dez, mete na cama os pés.




Leituras de 2022: Cães Negros, Ian McEwan

23 01 2022

O ato de ler

Samir Rakhmanov (Rússia, contemporâneo)

óleo sobre tela, 50 x 60 cm

Cães negros de Ian McEwan, [tradução de Daniel Pellizzari] é uma comovente reflexão sobre a Europa, os europeus e as escolhas que fizeram ao final da Segunda Guerra Mundial. Não sou especialista na obra de McEwan, mas é um escritor contemporâneo que me atrai. Depois de ler este quinto livro de sua autoria, reflito que nunca me decepcionou.  Como ele, sou da geração baby boom, formada no pós-guerra, marcada pela lembrança que nossos pais ou familiares tiveram de batalhas, de trabalho no serviço de censura, no setor da comunicação, na resistência ao Eixo, na divisão da Europa em dois mundos. Se não somos órfãos dessa guerra, certamente tivemos familiares, amigos da família, namorados de tias, de primas que morreram em navios afundados, que lutaram na Europa ou preservaram a costa brasileira dos submarinos alemães. Nossas mães, tias, primas trabalharam voluntárias, no apoio silencioso às tropas brasileiras; cozeram para a Cruz Vermelha;  aviaram remédios para os feridos; deram apoio à transferência de crianças em perigo para o nosso país. É natural, portanto, que esta guerra, cujas histórias tristes, alegres, engraçadas ou de aventuras  tenha feito parte da nossa infância, rodeando as mesas dos almoços ajantarados, seja parte da constelação de valores que nos foram imbuídos.  É a herança cultural da geração. E vez, por outra, Ian McEwan, fazendo jus à sua geração, se dedica a algum aspecto do pós-guerra, com brilhante sensibilidade.

Neste livro Jeremy, o narrador da trama, angaria dados para a biografia de sua sogra, entrevistando-a poucos meses antes dela morrer, tenta descobrir a circunstância que levou os sogros, Bernard e June Tremaine, profundamente apaixonados um pelo outro desde 1946, quando se conheceram, a se separarem sem tentarem reconciliação, anos depois, após mesmo o nascimento de três filhos.  Separaram-se mas continuaram fiéis um ao outro. Tendo participado da guerra e pertencido ao Partido Comunista, ambos eventualmente deixam o partido para trás.  Ela se refugia e encontra paz na região Languedoc da França, onde mora com os filhos, enquanto Bernard toma o caminho do engajamento político na Inglaterra.  O enredo estreito e tênue é tratado com maestria na narrativa, de tal modo que passamos do final da Segunda Guerra à Queda do Muro de Berlim em 1989; dos campos de concentração alemães à dualidade de sentimentos dos franceses ao perigo nazista ainda rondando o país. 

 

É sempre surpreendente ver como Ian McEwan mantém o interesse do leitor através de leve mas intrigante suspense que nos faz colar os olhos na prosa deliciosamente precisa com que nos presenteia.  Ansiosos por descobrir o que está escondido atrás da trama, progredimos pela narrativa meditativa que convida à reflexão. Esta é sua característica. Em Cães negros, McEwan recheia o relato com eventos importantes do final do século passado.  Relembra aos leitores e todos de sua geração, a importância do que testemunharam: a Queda do Muro de Berlim, em 1989 ou a política na Polônia dos anos 80, com o partido de Lech Wałęsa.  Acontecimentos históricos, tornados emblemáticos  do final do século, ganham detalhes de sons, de agitação, de movimento, excitação, perigo iminente. Consegue-se rapidamente imaginar e trazer de volta à nossa imaginação memórias das notícias da época, da importância desses eventos em nossas vidas.  Lembro-me,  por exemplo,  de permanecer atenta à CNN (morava nos EUA) com os olhos imantados à tela, vendo o muro ser removido pedaço a pedaço pelas mãos da população.  Este muro que havia feito parte de dezenas de manchetes de jornal, no mundo inteiro, assunto perene na década de 60, quando vez por outra alguém furava a barreira, fugindo para o ocidente; ou era preso ou ferido à bala por tentar sair da RDA.  Magnificas descrições desses eventos, mesmo que sucintas, enriquecem nossa experiência.

A proposta de pensarmos nas escolhas às mãos dos europeus depois da guerra é brilhante.  Por vezes, nos surpreendemos com a política europeia.  Como poderia um movimento neo-nazista ainda sobreviver na Europa? Eles não aprenderam nada?  Como eleger alguém de extrema direita ou de extrema esquerda? Oitenta anos depois, vemos essas possibilidades reaparecerem.  Porque o fantasma do nazismo não foi erradicado.  E europeus, muitos deles repletos da dualidade de sentimentos nem sempre se mostram decididos a erradicar o mal.

 

Ian McEwan

June e Bernard Tremaine são emblemáticos da dicotomia que afeta o europeu.  Inicialmente engajados no Partido Comunista, eventualmente se desligam à procura, cada qual à sua maneira, de um modo de viver que faça sentido.  June logo encontra sua própria natureza contemplativa e acomoda-se a esse novo mundo.  Mas Bernard ainda que tenha dado as costas ao marxismo, em sua visita a Berlim  durante a Queda do Muro, parece nostálgico, forçado que foi a admitir a falência total do sistema que por tanto tempo defendeu.

Este é um belíssimo livro que nos obriga a considerar o impacto da Segunda Guerra Mundial nas vidas comuns.  Uma reflexão trazida de maneira séria e sedutora. Não é a toa que foi um dos finalistas do Booker Prize em 1992.





Em casa: Annie Rose Laing

23 01 2022

Café da manhã

Annie Rose Laing (Escócia, 1869 -1946)

óleo sobre tela, 68 x 58 cm

Coleção Particular





Flores para um sábado perfeito!

22 01 2022

Flores, 1945.

Orlando Teruz (Brasil, 1902-1984)

óleo sobre tela,  88 x 116 cm








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