O prazer de viver — poema de Ladyce West

23 06 2008

Lascaux

Quem primeiro decidiu comer um caracol?

Quem descobriu a trufa e a carne no siri?

Quem na lufa-lufa abriu uma ostra,

Encontrou uma  pérola à mostra?

Que antecessor nosso, faminto, esquálido,

Descobriu quais cogumelos comer?

Teria morrido ou só desfalecido?

Quantos de nossos avós: nossa linhagem,

Humanos de diferentes origens,

Se envenenaram?  Com desespero ou coragem?

À cata da janta, para manter, fortalecer

Seus corpos minguados, doentes, arados.

Quem sobreviveu, como aprendeu?

Caracóis são venenosos: têm que regurgitar

E evacuar antes que possamos comê-los.

Um décimo dos caranguejos são comestíveis.

Quem achou estes crustáceos irresistíveis,

Saboreou-os sem medo?

São todas iguarias refinadas.  Caras.  Sofisticadas.

Não são encontradas em qualquer caserna ou taberna.

Graças ao sacrifício do homem das cavernas?

 

Verdadeira iguaria é o bisão,

Principal figura das pinturas nas grutas.

Verdadeira iguaria é o mamão, 

A maçã, o figo, a uva, qualquer das frutas.

Não aparecem todas no Jardim do Éden?

Elas vêm no tamanho certo de consumo,

Em embalagens de fácil manuseio,

As frutas foram os primeiros insumos,

Produtos com design perfeito. 

Só a maçã pegou grande má fama,

Já pela manhã, complicou toda trama,

Expulsando o primeiro casal do Paraíso

Depois de lhes ter  dado o primeiro sorriso.

E levou-os a ter que plantar para comer…

Mas trouxe com ela o prazer de viver!

 

© Ladyce West, 2007 Rio de Janeiro

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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