Diário de meu avô, Itapetininga, 10/7/1932

10 07 2008

 

Uma historiadora da arte, como eu, é como diz o nome, primeiro uma historiadora.  Assim, depois que minha mãe faleceu, fui eu quem ficou com o diário de meu avô materno, com algumas entradas interessantes sobre a revolução de 1932.

 

Naquela época,  meu avô morava em Itapetininga, no estado de São Paulo.  Era diretor  dos Correios e Telégrafos da cidade e de acordo com minha mãe, que morou lá até os onze anos de idade, moravam na própria casa dos Correios: um sobrado em que embaixo ficava a agência e a casa deles em cima.  Vovô era um advogado formado pela Universidade do Brasil e em 1932 já trabalhava há alguns anos nos Correios e Telégrafos.  Tanto que suas três filhas, cujas idades se ajuntam no período de 4 anos, de 1925 a 1928, nasceram em cidades e estados diferentes do Brasil.  A primeira, minha mãe, Yonne, nasceu no Rio de Janeiro, sua irmã do meio, Yedda, nasceu em Itararé em São Paulo e a caçula, Neyde, nasceu em Araxá, MG.  E em 1932, meus avós se encontravam em Itapetininga. 

 

Não é surpresa meu avô ter feito um diário.  Era um homem de letras.  Mais tarde, nos anos 50 já estabelecido há anos no Rio de Janeiro, foi colunista semanal de um vespertino carioca.

 

Como sempre tive interesse na história do Brasil, fiquei muito emocionada ao encontrar passagens no seu diário que refletem a revolução de 1932.   No dia 9 de julho, propriamente dito, não há nenhuma anotação.   Mas no dia seguinte:

 

10 de julho 932

 

Rebentou ontem em São Paulo uma revolução com caráter constitucionalista.  Este movimento já hoje se alastrou por todo o Estado de São Paulo… Fala-se que São Paulo pegou em armas para restaurar o império da Lei no país.  Analisando-se este acontecimento sem paixão nem parti pris parece ser pequeno o móvel da revolução, porque já o governo federal havia marcado o prazo para a constituinte. 

 

Meu avô chamava-se Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT – 1896 – RJ 1960)

 

 

Esta é a minha pequena homenagem aqueles que lutaram na Revolução de 32.

10 de julho de 1932, página do diário de Gessner Pomp�lio Pompêo de Barros, Itapetininga, SP

10 de julho de 1932, página do diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros, Itapetininga, SP


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5 responses

3 09 2008
Mário Orsi

Olá. O seu texto ajudou bastante me minhas pesquisas sobre a historia dos correios aqui em Itapetininga. Tenho a informar o seguinte: Seu avô foi agente dos correios em Itapetininga entre os anos de 1933 e 1934, o endereço onde funcionava agência na epoca era a Rua Saldanha Marinho nº 95. O predio ainda existe e não mais funciona a agencia postal. Gostaria de solicitar a voce informações pertinentes a permanencia de seu avô como funcionario dos correios. Toda e qualquer informação será muito bem aceita. Havendo uma foto ajudaria mais ainda. Qualquer coisa escreva-me (mario.orsi@terra.com.br). Valeu e qualquer informação que precise, é só solicitar. Mário Orsi

22 09 2010
Rosangela Muza

Amei seu blog , tbm tenho algumas fotos do meu avô que foi revolucionário , inclusive seu certificado de guerra que guardo com muito carinho , isso me trás um orgulho imenso!!!

24 09 2010
peregrinacultural

Rosangela, que bom! Obrigada pela visita! Sim, acho que ainda temos muito que explorar sobre esse assunto. Volte sempre, Ladyce

5 10 2012
Bruno

Cara Ladyce,

Me chamo Bruno e sou pesquisador de assuntos relacionados à Revolução de 1932, tema sobre o qual estou, neste momento, desenvolvendo uma tese de doutorado. Pesquisando documentos sobre o assunto e buscando imagens para ilustrar o trabalho, acabei me deparando com a página do diário de seu avô, e é por isso que lhe escrevo.

Constatei, pelo seu texto, que existem ainda mais páginas que tratam da revolução, e gostaria de conversar com você sobre essas páginas, afinal de contas, já no dia seguinte à Revolução, o diário de seu avô demonstra uma capacidade admirável de julgamento político e uma lucidez no pensamento sobre os eventos daqueles meses que ainda hoje é raro.

Sei que se trata de um objeto pessoal e que envolve questões emocionais, mas seria possível que eu tivesse acesso às outras páginas do diário que comentam a Revolução?

Desde já lhe agradeço a atenção e o acesso a pelo menos esta página que você publicou,
Abraço,
Bruno Villela.

5 10 2012
peregrinacultural

Bruno, é sempre um prazer ver que alguém se interessa bastante pela história do Brasil. Sou uma historiadora e sei o quanto é importante acesso a esses documentos particulares. Terei prazer em enviar a você cópias [xerox] do diário de vovô. Penso que eu mesma já coloquei tudo que se refere à rev. de 32 aqui mesmo no blog, justamente com a intenção de dar a quem se interessasse um sabor do que as pessoas comuns pensavam na época. Vovô era formado em Direito, formado aqui no Rio de Janeiro, apesar de ser Matogrossense, e na época como eu mesma mencionei, trabalhava nos Correios. Todas as entradas sobre a revolução e são algumas, estão neste blog, desde de julho até o final, pelas datas em que ele escreveu. No momento, o diário de vovô está emprestado a um escritor carioca cujo próximo romance se passa justamente nos anos 30. Terei o maior prazer de passar para você as entradas nesse diário, assim que eu voltar a ter acesso a ele. Entro em contato, sem problemas. Um grande abraço

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