Imigrar ou não? Thrity Umrigar em A doçura do mundo — Resenha

23 08 2008

Muitos de meus amigos recomendaram a leitura do livro:  A doçura do mundo de Thrity Umrigar (Editora Nova Fronteira, 2008 ) cujo lançamento foi marcado também pela presença da escritora indiana no Festival Literário de Florianópolis em maio deste ano.  O livro, como todos os outros que li desta autora, é muito bem escrito e diferente de sua fama pelas obras anteriores, esse é um livro alegre, às vezes mesmo até engraçado, com um final feliz ou satisfatório. 

 

A recomendação veio também porque sempre tive curiosidade sobre os problemas desenvolvidos com a identidade cultural de uma pessoa que passa a viver como imigrante.  Por mais que se doure a pílula, por mais que se pinte a realidade de um país contra os aspectos de outro, a verdade é que a não ser que a sua imigração seja feita quando você ainda é muito jovem, quando você ainda está no processo de forjar uma identidade própria, a adaptação a um novo país assim como a adoção dos valores culturais da nova terra podem freqüentemente ser de difícil aceitação intima para o imigrante.

 

Bombaim com seus 18.000.000 de habitantes, o portão da Índia

Bombaim com seus 18.000.000 de habitantes, o portão da Índia

 

Thrity Umrigar é uma imigrante.  Sensível como escritora e objetiva como jornalista, duas profissões que exerce nos Estado Unidos, ela está familiarizada e demonstra isso e em seus livros, com os problemas peculiares da identidade cultural, dos preconceitos, da saber-se de fora, do sentir-se de fora, assim como do saber e sentir-se acolhido.  Ela conhece pela própria experiência todas as idiossincrasias culturais que perduram no imigrante, além de seu sotaque na língua estrangeira.   Assim sua narrativa é verdadeira e aponta para os sentimentos mais delicados que envolvem a imigração.

 

 

Cidade de Cleveland, na parte central dos EUA.

Cidade de Cleveland, na parte central dos EUA.

 

A história deste livro é simples.  Um rapaz, Sorab, nascido em Bombaim tem como sonho ir para os EUA.  Conseguindo entrar para a universidade naquele país ele imigra, primeiro como estudante e depois permanece nos EUA a trabalho.  Seguindo suas aptidões consegue desenvolver uma brilhante carreira.  Neste meio tempo apaixona-se por uma americana com quem se casa e tem um filho.   Seus pais, jovens ainda pelos padrões de hoje, o visitam regularmente.  Até que o pai morre subitamente de um problema cardíaco.  Sua mãe, Tehmina [Tammy para os americanos] se encontra então com uma difícil escolha: aos 66 anos precisa decidir se deverá  imigrar para os EUA e ficar junto ao seu único filho, sua nora e neto, porém numa sociedade que a espanta e surpreende pela diferença de hábitos que seus habitantes demonstram; ou ficar no seu país natal, no apartamento onde sempre morou, rodeada das pessoas que conhece, que também ama e com quem sempre conviveu.  A história se desenrola muito bem aprumada na inteligência e sensibilidade de Tehmina; que se encontra também aterrorizada por tomar esta decisão sozinha.  Desde jovem todas as suas decisões eram balanceadas pela opinião do marido.

 

Muito rico em verdadeiras situações pelas quais um recém-chegado passa num país estrangeiro em que começa a viver, o romance de Thrity Umrigar mantém um ritmo muito bom por quase todo o livro.  Minha única crítica é sobre o fechamento da história.   A escritora parece ter adotado a visão americana de narrativa e leva os dois últimos capítulos fechando cada  fio da meada com uma soluções redundantes para o bom leitor.  Esses detalhes me lembraram os programas de televisão daquele país que conseguem resolver e solucionar os problemas mais amplos e delicados em comédias de 30 minutos.  Fora esta necessidade de aferrolhar os tópicos, de não deixar nada para a imaginação do leitor, não tenho maiores críticas ao livro que certamente deve ser lido por todos aqueles que pensam em imigrar ou que conhecem alguém que o fez.  Esse é um retrato sensível das muitas questões envolvendo o imigrante.

 

 

A escritora Thrity Umrigar.

A escritora Thrity Umrigar.





Prisões e chamadas à polícia, à granel. Revolução 1932

23 08 2008

Na capital, mulheres paulistas continum seu apoio.

          Na capital, mulheres paulistas continuam o seu apoio.

18 de agosto de 1932

 

Calmaria na frente de combate.  Prisões e chamadas à polícia, à granel.  Parece haver um verdadeiro exército de espionagem.  Qualquer palavrinha, qualquer pequeno deslize é tido como suspeição.

 

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Relação dos presos na cidade do Rio de Janeiro, na Revoluçao de 1932

Relação dos presos na cidade do Rio de Janeiro, na Revoluçao de 1932

 

19 de agosto de 1932

 

Calmaria.  Frio.  Nuvens densas no céu não são favoráveis aos combatentes do ar.   Aviões não nos visitaram.  Cidade algo desguarnecida de forças.  Boatos poucos.

 

 

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A Ditadura recua em Itararé e em Cunha, 1-8-1932

A Ditadura recua em Itararé e em Cunha, 1-8-1932

 

 

 

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 137- 138, em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 





Minha Terra — Poema infantil — LUIZ PEIXOTO — 3a série

23 08 2008
Nicolas Antoine Taunay (França 1755-1830) Vista do Rio de Janeiro

Nicolas Antoine Taunay (França 1755-1830) Vista do Rio de Janeiro, Instituto Ricardo Brennand, Recife

 

MINHA TERRA

 

 

Luiz Peixoto

 

 

Minha terra

tem uma índia morena

toda enfeitada de penas,

que anda caçando ao luar.

 

Minha terra

tem também uma palmeira,

parece a rede maneira,

ao vento se balançar.

 

Minha terra,

que tem do céu a beleza,

que tem do mar a tristeza,

tem outra coisa também:

 

Minha terra,

na sua simplicidade,

tem a palavra saudade,

que as outras terras não têm.

 

 

 

 

Luiz Carlos Peixoto de Castro, (RJ 1889 – RJ 1973). Foi poeta, letrista, cenógrafo, teatrólogo, diretor de teatro, pintor, caricaturista e escultor.








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