O cavalinho branco, poema infantil de Eloí E. Bocheco

27 08 2008

 

CAVALINHO BRANCO

 

 

Eloí E. Bocheco

 

O cavalinho branco

come estrelas e

raios de luar.

De noite,

o relincho do cavalinho

brilha tanto

que dá pra enxergar:

os piolhos da cobra,

a cicatriz no pé

da centopéia,

a unha encravada

do tamanduá,

o pesadelo da coruja

e até os ninhos

dos sabiás nas árvores.

Ontem o cavalinho

deu um relincho

tão iluminado

que clareou

a outra ponta do mundo.                                      

 

Do livro: Ô de casa, Griphus, 2000

 

Eloí Elisabete Bocheco, Campos Novos, SC — professora, formada em Letras pela Universidade de Passo Fundo – RS.  

Obras:

 

Uni… duni…téia… (1998 )

Ô de casa (2000)

O abraço mágico (2002)





Tropas chegam de Capão Bonito — Revolução de 1932

27 08 2008

 

Selo lançado a favor da revolução

Selo lançado a favor da revolução

 

23 de agosto de 1932

 

 

Muito boato de levantes.  Tropas chegam de Capão Bonito, para descanso.  Nada de gravidade.

 

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Revolução de 1932

Revolução de 1932

 

24 de agosto de 1932

 

 

 

Consta que forças paulistas investem nos setores de Buri e Guapiara contra o inimigo.  Poucos boatos.  Muita tropa se desembarca para o sul.  Calma na cidade.

 

 

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Armando Erbisti examinando posições no fronte de Sobreira 8/1932

Armando Erbisti examinando posições no fronte de Sobreira 8/1932

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 139, em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

Tanque e soldado Mattuck na Serra da Mantiqueira, Rev. 1932

 

Tanque e soldado Mattuck, na Serra da Mantiqueira, Revolução de 1932.





Germano Almeida surpreende com seu TESTAMENTO do Sr. Napumoceno

27 08 2008

Este livro me apresentou à literatura cabo-verdiana.  E que apresentação!  Fez com que eu quisesse ler mais!   O Testamento do Senhor Napumoceno [ São Paulo, Editora Companhia das Letras:1996]  é  narrado com muito humor.  É também um livro cheio de surpresas.  Napumoceno da Silva Araújo parece ter uma das vidas mais discretas do arquipélago.  Mas quando o seu testamento de 387 páginas é finalmente aberto, aprendemos detalhes de sua vida particular que mostram um outro homem.  Um homem que demonstra uma tremenda habilidade de escrever, que discorre sobre membros da família, sobre seus superiores, seus empregados e ainda mais detalhadamente sobre suas aventuras amorosas.  Tudo é metodicamente descrito e causa tanta surpresa a ponto de ser desacreditado.  Principalmente depois que sua fortuna não passa às mãos do sobrinho, como era esperado, mas à filha, desconhecida de todos, fruto de um relacionamento indiscreto no passado.  E de revelação em revelação, de requisitos estranhos para a sua própria cerimônia funerária a métodos de negócio questionáveis, ficamos sabendo sobre a vida nas ilhas, nas 10 ilhas deste país de 300.000 pessoas.  Um repleto povoado por pequenas cidades, cujas distancias são feitas grandes, muito grandes pelo mar.

 

O escritor Germano Almeida

O escritor Germano Almeida

 

 

 

 

 

Napumoceno representa facilmente Cabo Verde.   Sua solidão, sua maneira metódica, sua vida controlada e reclusa contribuem para que ele mesmo se isole da própria cidade onde mora.  Mesmo depois de ter se tornado um homem de negócios de sucesso, ele ainda é recusado pelo clube local.  Tenho por mim que o sentimento de rejeição  sentido por Napumoceno se assemelhe ao sentimento que o país teve em relação a Portugal. O vazio a volta de sua vida é claramente percebido.   Mas quando ele morre e seu testamento é lido, detalhes suas aventuras vêm à tona.  Só então vizinhos e conhecidos descobrem que sua vida era de fato muito diferente.   Rico em emoções e em gosto pela vida, ele viveu exatamente como uma ilha, isolado, rodeado por um grande vácuo.

 

Numa entrevista dada a Fernando Nunes da ZonaNon: revista de cultura crítica, em 2003, Germano Almeida descreveu a independência de Cabo Verde em 1975, como sendo uma verdadeira revolução causando um crescimento inimaginável de 1975 a 1990 na economia e sociedade do país, resultados que não haviam sido contemplados e que certamente ultrapassaram qualquer expectativa.  O país cresceu nesses 15 anos numa razão maior do que havia crescido nos 500 anos de domínio português.   A alegria, o entusiasmo de descobrir seu próprio potencial outrora desconhecido, as possibilidades a explorar suas riquezas internas formam um excelente paralelo a vida de Napumoceno.  Muito mais rica do que o esperado, passando dos limites e das expectativas que os outros poderiam ter.  

 

Mas este não é um livro político.  Tampouco um livro histórico.  Este é o retrato de um homem na sua complexidade, alguém como nossos vizinhos, nossos amigos e parentes.   Gente que acreditamos  conhecer e que, de repente, sem aviso, mostra um lado, uma habilidade, um dom diferente, conhecido exclusivamente por seu portador.  E nós, leitores, ficamos tais como os conhecidos de Napumoceno, surpresos e embasbacados.  Excelente leitura!

 








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