Os 10 finalistas do Prêmio Jabuti de 2008 — Romance

3 09 2008

 

 

FINALISTAS EM FICÇÃO do PRÊMIO JABUTI 

 

Vencedores serão anunciados no dia 23 de setembro.  Este é o 50°Prêmio Jabuti.

 

 

1 –  O SOL SE PÕE EM SÃO PAULO

BERNARDO TEIXEIRA DE CARVALHO

Pausa na leitura, 1964, Aurélio d'Allincourt, (Brasil 1919-1990), ost

Pausa na leitura, 1964, Aurélio d'Allincourt (Brasil 1919-1990), ost.

EDITORA COMPANHIA DAS LETRAS

 

 


ISBN: 9788535909777
Ano: 2007
Edição: 1
Número de páginas: 168
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

No Japão da Segunda Guerra, um triângulo amoroso envolve Michiyo, Jokichi e Masukichi – uma moça de boa família, um filho de industrial e um ator de kyogen, o teatro cômico japonês. À primeira vista, isso é tudo que Setsuko, a dona do restaurante japonês, tem a contar ao narrador de O Sol se Põe em São Paulo, novo romance de Bernardo Carvalho. Mas logo a trama se complica e se desdobra em outras mais, passadas e presentes, que desnorteiam o narrador involuntário, agora compelido a um verdadeiro trabalho de detetive para completar a história em que se viu enredado. Pois o relato de Setsuko aponta para além do desejo, da humilhação e do ressentimento amoroso, e se vincula aos momentos mais terríveis da História contemporânea – tanto do Japão como do Brasil. Obra sem fronteiras, que une a Osaka de outrora à São Paulo de hoje, e esta à Tóquio do século XXI, o romance de Bernardo Carvalho entrelaça tempos e espaços que o leitor julgaria essencialmente separados – e nos quais a prosa de ficção brasileira não costuma se arriscar. Caberá ao narrador de O Sol se Põe em São Paulo transitar de um pavilhão japonês no bairro do Paraíso a um cybercafé na Tóquio pós-moderna, das fazendas do interior de São Paulo aos campos de batalha da guerra no Pacífico. Tudo a fim de deslindar uma trama tortuosa, que envolve ainda um soldado raso, um primo do imperador e um escritor famoso (o romancista Junichiro Tanizaki) – e também sua própria pessoa, sua própria identidade: pária ou escritor?

 

 

2 –  ANTONIO

BEATRIZ BRACHER

EDITORA 34 


ISBN: 9788573263770
Ano: 2007
Edição: 1
Número de páginas: 184
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

Benjamim, esta história são nossas vidas e ainda não acabou, nunca vai acabar. Criar esse espaço para tua mãe, essa narrativa para teu pai e teu avô, como se a vida não tivesse existido entre Benjamim e outro, tivesse sido apenas um oco, lapso, vão, entre um amor perdido e seu reencontro, isso é pouco.

 

3 –  O FILHO ETERNO

CRISTOVÃO TEZZA

EDITORA RECORD LTDA 

 

ISBN: 8501077887
Ano: 2007
Edição: 1
Número de páginas: 224
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

Romance inédito que aborda os conflitos de um homem que tem um filho com Síndrome de Down. O protagonista se mostra inseguro, medroso e envergonhado com a situação, mas aos poucos, com muito esforço, enfrenta a situação e passa a conviver amorosamente com o menino.

 

 

4 –  RAKUSHISHA

ADRIANA LISBOA

EDITORA ROCCO 

 

ISBN: 9788532521989
Ano: 2007
Edição: 1
Número de páginas: 128
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

Em Rakushisha, a escritora mergulha na cultura japonesa ao narrar os caminhos e descaminhos de Haruki e Celina, dois brasileiros que se conhecem por acaso e acabam viajando juntos para o Japão, ao mesmo tempo que revisita as imagens e a obra do poeta do século XVII Matsuo Basho.

Através dos olhos dos protagonistas, uma ocidental e um oriental ocidentalizado, o leitor descobre as nuances inesperadas e muitas vezes contraditórias do Japão moderno. É na solidão de estar num país de cultura tão diferente que os segredos de Haruki e Celina vêm à tona.

Unidos pelo acaso e por um crescente amor ao texto de Basho, pioneiro do estilo haikai e não por coincidência autor do livro cuja tradução Haruki tem a encomenda de ilustrar, os personagens levam o leitor a uma viagem fascinante de descobertas e surpresas

 

5 –  ERA NO TEMPO DO REI

RUY CASTRO

EDITORA OBJETIVA , SELO ALFAGUARA


Ano: 2007
Edição: 1
Número de páginas: 248
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

Um romance histórico de tintas cômicas que promove o encontro de uma das figuras mais importantes da História do Brasil, D Pedro I, com o protagonista de um dos clássicos da literatura nacional, Leonardo, de ´Memórias de um sargento de milícias´, escrito por Manuel Antônio de Almeida. Por obra do acaso, os dois, ainda adolescentes, acabam se tornando amigos e participando de uma aventura capaz de mudar os rumos do país e até do mundo

 

6 –  AS FLORES DO JARDIM DA NOSSA CASA

MARCO LACERDA

EDITORA TERCEIRO NOME LTDA. 


ISBN: 9788587556929
Ano:
 2007
Edição: 1
Número de páginas: 203
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

Depois de um assalto, no dia em que fez 40 anos, dois amigos de Marco Lacerda o encontram no apartamento em que morava nos Jardins, em São Paulo, e soltaram as cordas que o mantinham imobilizado sobre sua cama. Esse assalto com requintes de crueldade é o fio condutor da história que Marco conta em “As Flores do Jardim da Nossa Casa”: uma história que agarra o leitor pelo colarinho a partir da primeira página e o leva até a última, sem lhe dar um minuto de trégua para respirar

 

 

7   A CHAVE DE CASA

TATIANA SALEM LEVY

EDITORA RECORD LTDA 

 

ISBN: 8501079278
Ano: 2007
Edição: 1
Número de páginas: 208
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

Passando por temas como a morte da mãe, a relação com um homem violento, viagem, raízes, herança e etc, A Chave de Casa é um livro pulsante, cheio de vida e emoção. A autora tece um romance de vozes diversas – como são as vozes da memória -, histórias que se complementam num tom de densa estranheza. Romance de estréia da jovem escritora Tatiana Salem Levy. Lançado em Portugal no primeiro semestre de 2007, o livro foi um grande sucesso de crítica.

 

8 –  A MURALHA DE ADRIANO

MENALTON BRAFF

EDITORA BERTRAND BRASIL LTDA 

 

ISBN: 9788528612738
Ano: 2007
Edição: 1
Número de páginas: 268
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

No século II, o imperador Adriano construiu uma muralha para deter as constantes invasões dos escoceses. Em seu novo romance, Menalton Braff, o vencedor do Prêmio Jabuti, mostra que o homem do século 21 segue levantando barreiras intolerantes cada vez maiores e mais silenciosas. A Muralha de Adriano, um drama psicológico, mostra que os muros podem ser também construídos dentro de casa… ou no interior do próprio indivíduo. Uma história feita de ciúme, de ambição e de coragem numa família. É um romance que, num certo sentido, pode ser tomado como uma alegoria da queda de um império – no caso, uma rede de supermercados. Mas seu alcance vai muito além. “A Muralha simboliza nossas barreiras”, afirma Braff. “Em um mundo que se diz globalizado, nunca foram tantas as barreiras. As nossas, individuais, como o preconceito, os nossos medos, os nossos impedimentos morais, sobretudo da falsa moralidade. Mas as barreiras são também sociais, dividindo os seres humanos em grupos de pouca ou nenhuma comunicação. Enfim, é história em que as personagens envolvem-se em conflitos quase sempre originados por algum tipo de muralha.” O foco narrativo de A Muralha de Adriano está, a princípio, entregue a três personagens – Verônica, Anselmo e Mateus. Porém, no momento em que, apesar de todas as muralhas, suas histórias se cruzam um narrador onisciente, em terceira pessoa, assume o relato das ações e, explorando com destreza diversos efeitos de linguagem que se aproximam do impressionismo, as conduz até o final. “Com narrativas em ziguezague e domínio pleno da linguagem, Menalton Braff realiza sua melhor invenção com A Muralha de Adriano”, escreve o poeta Fabrício Carpinejar. “Apresentando os capítulos inicial e final inspirados na Bíblia, o romance é ilustrativo, não moralizante. O escritor deixa a ação ser a mensagem. Não há como larga-lo nem para atender ao telefone. Fica-se com a respiração trancada, suspensa, esperando o desfecho e tentando entender quem está com a razão.”

 

9   LONGE DE RAMIRO

CHICO MATTOSO

EDITORA 34 

 

ISBN: 9788573263831
Ano: 2007
Edição: 1
Número de páginas: 88
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

Este primeiro romance de Chico Mattoso narra as estranhas aventuras de Ramiro, que, isolado num hotel, inventa os mais excêntricos jogos mentais, na tentativa de imobilizar um mundo que insiste em fugir a seu controle. Como notou Reinaldo Moraes, o livro é “a saga de uma consciência extraviada de sua base humana e afetiva. Na contramão, porém, da trajetória autodissolvente do personagem, o leitor se aproxima vertiginosamente de uma narrativa enxuta, elegante, precisa e tantas vezes desconcertante”.

 

10 –  CONTRAMÃO

HENRIQUE SCHNEIDER

EDITORA BERTRAND BRASIL LTDA 

 

ISBN: 8528612899
Ano: 2007
Edição: 1
Número de páginas: 176
Acabamento:  Brochura
Formato: Médio

 

Porto Alegre, seis e meia da manhã. Otávio Augusto desperta para mais um dia de trabalho. Após tomar banho, o que sempre lhe traz de volta à vida, separa suas roupas meticulosamente, combinando cada peça com cada acessório. A preparação para o trabalho mais parece um ritual, seguido de um café forte e fatias de pão quente. Contramão, de Henrique Schneider, introduz o romance por meio da descrição de uma personagem extremamente zelosa com a imagem, dotada de fortes ambições profissionais e de uma agenda impecavelmente organizada. Esta, no entanto, não possui espaço para imprevistos.

 

Ao sair de casa, Otávio Augusto segue sua rotina. Senta ao volante do carro importado, liga o rádio para ouvir o noticiário e se põe a caminho da metalúrgica onde trabalha como gerente de negócios, cargo assumido logo após sua graduação. Um sinal quase fechado, as urgências para com horários e compromissos, somados a um motor possante, fazem com que Otávio seja o responsável pelo atropelamento de duas crianças. O lema “tempo é dinheiro” parece não mais significar sucesso para o jovem administrador. Tomado pelo desespero, esquiva-se da situação, fugindo o mais rápido possível para que não destruam seu futuro. Dirigindo sem rumo, o itinerário é traçado pelo instinto. Uma breve pausa para respirar e arejar a cabeça. Ao analisar a estrada e sua localização, percebe ter passado por um posto de gasolina e toma a decisão de seguir caminho até o sétimo posto. Um já havia passado. O que mais aguardará Otávio nessa jornada sem destino? Ou, pelo menos, até o sétimo posto de gasolina?

 

“Em Contramão, Henrique Schneider nos conta, de maneira absolutamente fascinante, a história de um homem que tem um encontro com o destino”, escreve Moacyr Scliar. “É aquilo que poderíamos chamar, por analogia aos road movies, de uma road story, uma história em que o deslocamento por estradas e lugares tem sua contrapartida na viagem interior, e na descoberta (amarga, no caso) do fator humano.”

 





Murillo Araújo: Dois Tesouros na Pátria — para a semana da pátria

3 09 2008

 

A Pátria, 1905, Pedro Bruno, (RJ  1888-1949), óleo sobre tela, Museu Histórico do Rio de Janeiro.

A Pátria, 1905, Pedro Bruno, (RJ 1888-1949), óleo sobre tela, Museu Histórico do Rio de Janeiro.

 

DOIS TESOUROS NA PÁTRIA

 

 

Murillo Araújo

 

 

 

O mestre disse: “Adora a tua terra!

É um prodígio glorioso e sem segundo.

 

Quanto ouro verde em cada verde serra,

quanto ouro de astros neste céu profundo

entre montanhas grandes como o mundo!

 

Adora nossa pátria e nossa história.

Pensa nos que iam à chuvarada e aos sóis

lutar, morrer com a glória da vitória…

e adora nossa pátria em seus heróis!”

 

Mas – terra de meu sonho e meus desejos –

eu te amo mais – oh meu país, perdoa –

porque, em ti, minha mãe me enche de beijos

e em ti meu  pai me abraça e me abençoa!

 

E eles são meus heróis de auréola de ouro,

a cuja luz o coração inundo;

e eles são para mim maior tesouro

do que as montanhas grandes como o mundo…

 

 

 

Murillo Araújo – (MG 1894 – RJ 1980) jornalista, formado em direito.  Poeta.

 

Retirado de: A Estrela Azul: poemas para crianças, 1940 em Poemas Completos de Murillo Araújo [ 3 volumes], Rio de Janeiro, 1960, Irmãos Pongetti.








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