Aprenda a criar uma biblioteca pública na sua comunidade

17 10 2008

Ilustração:  Walt Disney

 

Como montar uma biblioteca comunitária?

 

O primeiro passo é definir o local: no condomínio onde você mora, no trabalho, na associação de bairro etc. Feito isso, é preciso uma infra-estrutura mínima, composta por prateleiras, mesa e cadeiras, um fichário e, de preferência, um computador para controle dos livros e dos usuários.

 

O passo seguinte é obter as obras que farão parte do acervo. Você pode solicitar doações a amigos, parentes, colegas de trabalho, vizinhos e também a órgãos municipais e estaduais ligados à cultura. Outra saída é negociar com editoras e revendedores de livros a compra com desconto, caso você tenha verba para isso.

 

Com os livros em mãos, é preciso catalogá-los e organizá-los por temas (ficção, auto-ajuda, infantil, técnicos, enciclopédias etc.).

 

O empréstimo deve ser feito por meio do preenchimento de uma ficha, onde o usuário coloca seu nome, número de documento, endereço e telefone. A retirada de livros pode ser gratuita ou ter uma taxa simbólica.

 

Para melhor controle dos empréstimos, o gestor da biblioteca pode estabelecer uma multa para quem atrasar a devolução, sugere João Gonçalves, gerente da ONG Leia Livros, que mantém um programa de caminhões bibliotecas em 50 escolas públicas do país. A finalidade da multa não é punir o usuário, mas desenvolver nele o sentido de responsabilidade.

 

Escrito por Yuri Vasconcelos

Revista Vida Simples





A borboleta — poesia infantil de Olavo Bilac

17 10 2008

 

 

A borboleta

 

Olavo Bilac

 

 

Trazendo uma borboleta,

Volta Alfredo para casa.

Como é linda!  É toda preta,

Com listas douradas na asa.

 

Tonta, nas mãos da criança,

Batendo as asas, num susto,

Quer fugir, porfia, cansa,

E treme, e respira a custo.

 

Contente, o menino grita:

“É a primeira que apanho,

“Mamãe vê como é bonita!

“Que cores e que tamanho!

 

“Como voava no mato!

“Vou sem demora pregá-la

“Por baixo do meu retrato,

“Numa parede da sala”.

 

Mas a mamãe, com carinho,

Lhe diz: “Que mal te fazia,

“Meu filho, esse animalzinho,

“Que livre e alegre vivia?

 

“Solta essa pobre coitada!

“Larga-lhe as asas, Alfredo!

“Vê como treme assustada…

“Vê como treme de medo…

 

“Para sem pena espetá-la

“Numa parede, menino,

“É necessário matá-la:

“Queres ser um assassino?”

 

Pensa Alfredo…  E, de repente,

Solta a borboleta…  E ela

Abre as asas livremente,

E foge pela janela.

 

“Assim, meu filho!  Perdeste

“A borboleta dourada,

“Porém na estima cresceste

“De tua mãe adorada…

 

“Que cada um cumpra a sorte

“Das mãos de Deus recebida:

“Pois só pode dar a Morte

“Aquele que dá a Vida.”

 

Em: Poesias Infantis, Olavo Bilac, Livraria Francisco Alves: 1949, Rio de Janeiro

 

 

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (RJ 1865 — RJ 1918 ) Príncipe dos Poetas BrasileirosJornalista, cronista, poeta parnasiano, contista, conferencista, autor de livros didáticos.  Escreveu também tanto na época do império como nos primeiros anos da República, textos humorísticos, satíricos que em muito já representavam a visão irreverente, carioca, do mundo.  Sua colaboração foi assinada sob diversos pseudônimos, entre eles: Fantásio, Puck, Flamínio, Belial, Tartarin-Le Songeur, Otávio Vilar, etc., e muitas vezes sob seu próprio nome.  Membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Criou a cadeira 15, cujo patrono é Gonçalves Dias.  Sem sombra de duvidas, o maior poeta parnasiano brasileiro. 

 

 

Obras:

 

Poesias (1888 )

Crônicas e novelas (1894)

Crítica e fantasia (1904)

Conferências literárias (1906)

Dicionário de rimas (1913)

Tratado de versificação (1910)

Ironia e piedade, crônicas (1916)

Tarde (1919); Poesia, org. de Alceu Amoroso Lima (1957), e obras didáticas.








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