Brasil que lê: foto tirada em lugar público

29 10 2008

Rio de Janeiro: Paço Imperial





Algumas considerações no dia nacional do livro

29 10 2008
Ilustração Mauricio de Sousa

Ilustração Maurício de Sousa

 

Hoje, dia 29 de outubro, comemoramos no Brasil o Dia Nacional do Livro.  Para nós, pessoas cuja vida diária revolve em torno de livros, de publicações, de aprendizagem, de estudos, de divertimento, nada mais natural que se celebre, de fato, o livro.  Esta data foi escolhida por ser o aniversário da Biblioteca Nacional.

Há diversas comemorações no Brasil que nos levam à idéia da leitura e ao livro.  Há o Dia Internacional do Livro, O Dia Internacional do Livro Infantil, O Dia do Livro Infantil no Brasil, e assim por diante.  Talvez todas estas comemorações nos façam pensar mais em livros, na sua importância e no que eles podem nos dar.  E esta série de datas comemorativas reflete em parte a sensibilidade brasileira sempre pronta para uma boa comemoração, para uma festividade.

No entanto, quanto mais dias temos reservados para a lembrança dos livros, parece que menos atenção damos a eles durante o resto do ano.  Eu gostaria de não ter nenhum dia comemorativo, mas saber que todos os dias, são de FATO o dia do livro.  Que não estamos só fazendo um agrado aos nossos próprios egos, dizendo: Eu participei, eu comemorei o livro, a semana do livro, o dia do livro

Eu gostaria de ver uma mudança radical na maneira como nós nos relacionamos com os livros.  Eu gostaria de ver uma pequena revolução cultural no Brasil aonde a imagem de alguém lendo um livro não só fosse corriqueira como uma imagem de algo desejável.  Que o rapaz que lê, não seja aquele bobão, mas o que ganha a mocinha bonita.  Que a jovem que lê não se case com o primeiro que aparecer, mas com o homem que vá respeitar seus estudos e até mesmo gostar dela por isso.  Gostaria de ver:

1- novelas da televisão em que todos, separadamente, numa hora ou outra aparecessem lendo: um jornal, um livro, etc.  Que eu me lembre, o personagem de novela mais recente dedicado aos livros foi retratado por Tony Ramos, como Miguel, o livreiro romântico em Laços de família (2000). 

2 – personagens  cujas vidas são melhoradas pela leitura.  Pelo estudo.  Por exemplo, programas como Ó Pai Ó, que descrevem um cortiço na Bahia, exponham um personagem que conseguiu sair de onde estava pelo estudo, pelo valor que deu aos livros.

Esta mensagem de que ler um livro é uma coisa importante e corriqueira infelizmente não chega ao público brasileiro.

Eu consigo me lembrar de diversos filmes estrangeiros em que o drama, a comédia, a sensibilidade, a tragédia, se passa numa escola, com bons e maus professores, com bons e maus alunos. Cheios de clichês, mas que mal ou bem levam a mensagem ao público da importância de uma educação, da importância do livro e das escolas.   Não vou aqui mencionar nenhum dos filmes americanos que são produzidos todos os anos às centenas que retratam a vida nos últimos anos das escolas.   Nós, brasileiros, por bem ou por mal, não fazemos estes filmes.  Por que?  Porque são muito comerciais?  [esta é a grande disparidade do cinema brasileiro — certos filmes não são feitos porque são muito comerciais; outros filmes são feitos e não têm público.  O segundo tipo de filme só pode ter público depois que o primeiro for feito!]  Será que filmes sobre escolas  não refletem os valores da sociedade?  Não acredito.

Pode-se sim fazer obras primas do cinema com filmes passados em escolas.  E para que eu não fique só no exemplo americano, vou dar um exemplo americano, um inglês e um francês.  Mas há centenas de outros: Sociedade dos Poetas Mortos, EUA, 1989, Guerra dos Botões, França, 1962,  Se…, Inglaterra, 1968.  Isto para não se falar dos livros de sucesso como Harry Potter que fizeram carreira mostrando uma escola, seus alunos e professores.

Há também heróis sedutores dedicados à leitura e aos livros nos filmes estrangeiros:  Um lugar chamado Notting Hill, Eua/Grã-Bretanha, 1999; Ser e ter, França 2002; Somos todos diferentes, Índia, 2007.

Era este tipo de envolvimento eu esperava que nós já tivéssemos conseguido no Brasil.  Vamos deixar para lá as comemorações superficiais, as boas palavras sobre uma melhor educação, que esquecemos rapidamente em 24 horas.  Que tal reformarmos o nosso horizonte de desejos?  E se nas novelas, nos programas de televisão, no nosso dia a dia, víssemos exemplos de pessoas que saem da pobreza através da educação?  Elas existem.  Eu sei.  Eu conheço algumas.  Por que para sair da pobreza precisamos fazê-lo pelo: esporte?  pelo corpo de modelo? pelo gingado da cabrocha?

Nem todos nós nascemos para ser presidente do Brasil!  Mesmo assim conseguimos ter sucesso estudando e tendo prazer na leitura e ainda assim levar uma vida decente e que nos dá satisfação.





Imagem de leitura — Timothy Easton

29 10 2008

Pausa no jardim, s/d, Timothy Easton, Inglaterra.

 

Timothy Easton — é um pintor contemporâneo, nascido no Reino Unido.  Mora em Suffolk.  Com grande aceitação do público, Timothy Easton já teve seus quadros reproduzidos em gravuras e é bastante conhecido por sua temática da vida no interior.  Com freqüência pinta o jardim que sua esposa mantem na casa deles na Inglaterra.





Unicamp interpreta as vozes dos animais!

29 10 2008

A Universidade Estadual de Campinas [Unicamp] apoiada pelo CNPq/MCT, acaba de desenvolver um software capaz de interpretar a vocalização dos animais suínos, bovinos e aves, identificando se estão com frio, fome ou sob algum tipo de estresse.

O software que está em fase de patente terá um custo barateado para ser usado como instrumento na busca do bem-estar animal.

Alguns dados interessantes foram mencionados no artigo em que este post de baseia, do Jornal do Comércio, de 29/10/2008, versão impressa, página B-11.  Por exemplo:  “pintinhos nas primeiras três semanas,  têm uma tendência para sonorizar menos quando estão expostos a um ambiente com conforto térmico.  Quando a temperatura diminui, a freqüência de vocalização vai aumentando, ” disse Irenilza de Alencar Naas, pesquisadora e coordenadora do projeto.

Também bezerras mais jovens apresentam  maior estresse com a separação da matriz.  E os pesquisadores registraram cinco tipos diferente de gritos no repertório dos leitões.

Ao que parece, a data de nos comunicarmos com os animais está próxima.





O que muda no novo acordo ortográfico da língua portuguesa III

29 10 2008

Ilustração:  Maurício de Sousa

DA HOMOFONIA DE CERTOS GRAFEMAS CONSONÂNTICOS

 

Há grafemas consonânticos que produzem o mesmo som (homófonos) mas que nem sempre são escritos da mesma maneira.  A regra aqui será ditada pela origem, pela história da palavra.  Nem sempre é fácil esta diferenciação entre o emprego de uma letra ou de outra, quando representam o mesmo som.  Na dúvida, recorra à origem da palavra. 

 

Abaixo, uma lista dos exemplos mais comuns.

 

1º)       Distinção gráfica entre ch e x:

 

CH

                                                                      

achar,  archote, bucha, capacho, capucho, chamar, chave, chiste, chorar,

colchão, colchete, endecha, estrebucha, facho, ficha, flecha, frincha, gancho, inchar, macho, mancha, murchar, nicho, pachorra, pecha, pechincha, penacho, rachar, sachar, tacho

 

X

 

ameixa, anexim, baixei, baixo, bexiga, bruxa, coaxar, coxia, debuxo, deixar, eixo, elixir, enxofre, faixa, feixe, madeixa, mexer, oxalá, praxe, puxar, rouxinol, vexar, xadrez, xarope, xenofobia, xerife, xícara.

 

2º) Distinção gráfica entre g, com valor de fricativa palatal, e j:

 

G

 

adágio, alfageme, Álgebra, algema, algeroz, algibebe, algibeira, álgido, almargem, Alvorge, Argel, estrangeiro, falange, ferrugem, frigir, gelosia, gengiva, gergelim, geringonça, Gibraltar, ginete, ginja, girafa, gíria, herege, relógio, sege, Tânger, virgem;

 

J

 

adjetivo, ajeitar, ajeru (nome de planta indiana e de uma espécie de papagaio), canjerê, canjica, enjeitar, granjear, hoje, intrujice, jecoral, jejum, jeira, jeito, jenipapo, jequiri, jequitibá,  jerimum, jibóia, jiquipanga, jiquiró, jiquitaia, jirau, jiriti, jitirana, laranjeira, lojista, majestade, majestoso, manjerico, manjerona, mucujê, pajé, pegajento, rejeitar, sujeito, trejeito.

 

3º) Distinção gráfica entre as letras s, ss, c, ç e x, que representam sibilantes surdas:

 

ânsia, ascensão, aspersão, cansar, conversão, esconso,farsa, ganso, imenso, mansão, mansarda, manso, pretensão, remanso, seara, seda, Seia, Sertã, Sernancelhe, serralheiro, Singapura, Sintra, sisa, tarso, terso, valsa;

 

abadessa, acossar, amassar, arremessar, asseio, atravessar, benesse, codesso (identicamente Codessal ou Codassal, Codesseda, Codessoso, etc.), crasso, devassar, dossel, egresso, endossar, escasso, fosso, gesso, molosso, mossa, obsessão, pêssego, possesso, remessa, sossegar,

 

acém, acervo, alicerce, cebola, cereal, cetim, obcecar, percevejo;

 

açafate, açorda, açúcar, almaço, atenção, berço, caçanje, caçula, caraça, dançar, enguiço, inserção, linguiça, maçada, Mação, maçar, Moçambique, Monção, muçulmano, murça, negaça, pança, peça, quiçaba, quiçaça, quiçama, quiçamba, terço;

 

auxílio, Maximiliano, Maximino, máximo, próximo, sintaxe.

 

4º) Distinção gráfica entre s de fim de sílaba (inicial ou interior) e x e z com idêntico valor fónico/fônico:

 

adestrar, Calisto, escusar, esdrúxulo, esgotar, esplanada, esplêndido, espontâneo, espremer, esquisito, estender, Estremadura, Estremoz, inesgotável; extensão, explicar, extraordinário, inextricável, inexperto, sextante, têxtil; capazmente, infelizmente, velozmente.

 

De acordo com esta distinção convém notar dois casos:

 

a) Em final de sílaba que não seja final de palavra, o x = s muda para s sempre que está precedido de i ou u:

 

 justapor, justalinear, misto, sistino (cf. Capela Sistina), Sisto, em vez de juxtapor, juxtalinear, mixto, sixtina, Sixto.

 

b) Só nos advérbios em -mente se admite z, com valor idêntico ao de s, em final de sílaba seguida de outra consoante (cf. capazmente, etc.).

 

5º) Distinção gráfica entre s final de palavra e x e z com idêntico valor fónico/ fônico:

 

aguarrás, aliás, anis, após, atrás, através,  s, íris, jus, lápis, país, português, quis, retrós, revés;

 

cálix, flux;

 

assaz, arroz, avestruz, dez, diz, fez (substantivo e forma do verbo fazer), fiz, giz, jaez, matiz, petiz.

 

6º) Distinção gráfica entre as letras interiores s, x e z, que representam sibilantes sonoras: aceso, analisar, anestesia, artesão, asa, asilo, Baltasar, besouro, besuntar, blusa, brasa, brasão, Brasil, brisa, coliseu, defesa, duquesa, Elisa, empresa, frenesi ou frenesim, frisar, guisa, improviso, jusante, liso, lousa, narciso, obséquio, ousar, pesquisa, portuguesa, presa, raso, represa, sacerdotisa,  surpresa, tisana, transe, trânsito, vaso;

 

exalar, exemplo, exibir, exorbitar, exuberante, inexato, inexorável;

 

abalizado, alfazema, autorizar, azar, azedo, azo, azorrague, baliza, bazar, beleza, buzina, búzio, comezinho, deslizar, deslize, fuzileiro, guizo, helenizar, lambuzar, lezíria, proeza, sazão, urze, vazar.

 








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