A Banda, revelando no deserto, a solidão de cada um.

30 11 2008

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Quando chove vejo mais filmes do que o normal.  Finalmente ontem consegui ver A Banda, uma produção israelense/francesa/EUA, dirigida por Eran Kolirin (2007) e me deliciei.  A ação se passa em menos que 24 horas.  Músicos egípcios não encontram a cidade para a qual foram convidados para tocar em Israel.  Vão parar por engano num vilarejo onde nada acontece.  Para pegarem o ônibus correto precisam passar a noite.  São acolhidos por famílias locais, até o dia seguinte, quando finalmente chegam onde deveriam ter chegado antes para um concerto.  

 

O filme é delicioso. Engraçado. Humano.  Apolítico.  Uma preciosa contribuição à arte cinematográfica.  Com um maravilhoso elenco:  Sasson Gabai, Ronit Elkabetz, Saleh Bakri.  E, no entanto, mesmo tendo sido premiado na mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes em 2007, A Banda foi banido de ser mostrado no Egito.  Por que?  Porque há uma cena, na escuridão, em que apesar de nada aparecer entende-se um ato sexual entre uma judia e um egípcio.  Valha-me!  Parece inacreditável, que um filme tão poético, tão quieto, tão distinto,  possa ter causado este tipo de reação.

 

Mas a loucura em volta deste filme não acaba aí.  Este primeiro filme do Diretor Eran Kolirim foi o escolhido para representar Israel para o prêmio Oscar de 2007.  Mas, uma outra reviravolta o aguardava, a Academia recusou a participação do filme com a desculpa de que havia diálogos demais em inglês!

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Ora vejamos a situação: oito músicos egípcios, são convidados para visitar Israel.  Acabam num vilarejo no meio do deserto.  Não há nada à volta a não ser areia e israelenses falando hebraico.  Qual seria a solução em qualquer lugar do mundo?  Uma língua em comum.  Qual seria a língua mais ensinada no mundo como segunda língua?  O inglês.  E o inglês falado no filme é tão macarrônico quanto seria falado por pessoas que conhecem só as regras básicas da língua.  É inacreditável!

 

Mas deve ter servido para aumentar a procura.  O filme que já está em cartaz no Rio de Janeiro há tempos passou para um cinema lotado.  Mais do que um filme sobre os problemas de egípcios e israelenses, este filme fala da miserável solidão que todos os seres humanos têm dentre de si.  Vá!  Não hesite.

 

 





Sinfonia Cotidiana — poema de J. G. de Araújo Jorge

30 11 2008

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Menina com gato e piano, 1967

Di Cavalcanti (Brasil 1897 – 1976)

óleo sobre tela  62 x 51 cm

Coleção Particular

 

 

Sinfonia Cotidiana

 

 

A manhã surge

aos sons do Concerto n.° 1 de Grieg

no rádio madrugador do meu vizinho.

 

A tarde chega

acompanhada pelo Prelúdio n.° 24 de Chopin,

num piano sem lugar.

 

A madrugada se embala

com a música do mar.

 

 

J. G. de Araújo Jorge

 

 

Em: A outra face, Editora Vecchi:1957, Rio de Janeiro

 

 

José Guilherme de Araújo Jorge (AC 1914 – RJ 1987), conhecido como J. G. de Araújo Jorge, foi um poeta e político brasileiro.

 

 

 

 

Obras:

 

 

Meu Céu Interior, 1934 

Bazar De Ritmos, 1935 

Cântico Do Homem Prisioneiro, 1934

Amo!, 1938

Eterno Motivo, 1943

O Canto Da  Terra, 1947

Estrela Da Terra, 1947

Festa de Imagens, 1948

A Outra Face, 1949

Harpa Submersa, 1952

A Sós. . ., 1958

Concerto A 4 Mãos, 1959

Espera.. ., 1960

De Mãos Dadas, 1961

Canto A Friburgo, 1961

Cantiga Do Só, 1964

Cantigas De Menino Grande. 100 Trovas, 1964

Trevos De Quatro Versos . Trovas, 1964

Quatro Damas, 1965

Mensagem, 1966 

Cantigas De Menino Grande. 100 Trovas, 1964

Trevos De Quatro Versos . Trovas, 1964

O Poder Da Flor, 1969

Um Besouro Contra A Vidraça  PROSA, 1942

 Com Letra Minúscula- PROSA, 1961

 

 

 

 

Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Melo, mais conhecido como Di Cavalcanti (Rio de Janeiro, 6 de setembro de 1897 — Rio de Janeiro, 26 de outubro de 1976) foi um pintor, ilustrador e caricaturista brasileiro.

 

 

Edvard Hagerup Grieg (Noruega 1843 – 1907) compositor norueguês, um dos mais célebres do período romântico e do mundo. As suas peças mais conhecidas são a Suíte Sinfónica Holberg, o concerto para piano e a Suíte Peer Gynt.

 

 

Frédéric Chopin (Polônia 1810 — 1849) foi um pianista grande músico e compositor para piano da era romântica. É amplamente conhecido como um dos maiores compositores para piano e um dos pianistas mais importantes da história. Sua técnica refinada e sua elaboração harmônica vêm sendo comparadas historicamente com as de outros gênios da música, como Mozart e Beethoven, assim como sua duradoura influência na música até os dias de hoje.





Brasil que lê: foto tirada em lugar públiico

29 11 2008

dsc01971Jardins do Museu da República, Rio de Janeiro





Inscrições no ProUni para bolsas de estudo até o dia 12 de dezembro

29 11 2008
Mauricio de Sousa

Ilustração: Maurício de Sousa

 

O Programa Universidade para Todos (ProUni) oferecerá para o ano que vem (2009) cerca de 156 mil bolsas de estudo em instituições de ensino superior privadas. As inscrições já estão abertas e seguem até 12 de dezembro exclusivamente pela internet. Só nos quatro primeiros dias (de 24 a 27 de novembro) do prazo, 185 mil candidatos se inscreveram.

 

 O ProUni oferece 95.694 bolsas de estudos integrais para estudantes de baixa renda e outras 60.722 com 50% do valor da mensalidade custeado. As bolsas parciais — as que custeiam 50% do valor da mensalidade — podem ser pleiteadas por estudantes cuja renda per capita familiar é de até três salários mínimos. Já as bolsas integrais são restritas a alunos com renda familiar de até um salário mínimo e meio por pessoa.

 

Os interessados em concorrer a uma bolsa de estudo do Programa Universidade para Todos (ProUni) podem se inscrever agora pelo do Ministério da Educação (www.mec.gov.br ).  O processo seletivo permitirá o ingresso em cursos de instituições particulares de educação superior no primeiro semestre de 2009. As inscrições podem ser feitas até 12 de dezembro.

 

Os candidatos devem ter feito o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) este ano, com média mínima de 45 pontos na prova objetiva e na redação. Além disso, é preciso ter cursado todo o Ensino Médio em escola pública ou, no caso de estabelecimento de ensino particular, na condição de bolsista integral.

 

O programa é aberto a estudantes que vão concluir o Ensino Médio em 2008 ou que concluíram essa etapa em anos anteriores.

 

Mais informações podem ser obtidas pelo site www.mec.gov.br  ou pelo telefone 0800.616161.

 

No momento da inscrição, o candidato precisa ter os números do Enem de 2008 e do CPF.  

Passe esta informação adiante!





Âmbar, insetos e algas no Cretáceo

28 11 2008

 

 

Foi no início deste ano que cientistas franceses conseguiram identificar mais de 350 fósseis de minúsculos animais que viveram nos tempos dos dinossauros, utilizando uma técnica que permitiu observar com detalhes, pela primeira vez, pedaços de âmbar completamente opacos.

 

O âmbar como se sabe é uma resina fóssil das árvores (principalmente pinheiros).  Esta resina tem a função de proteção à planta.  É uma espécie de arma contra a ação de  microorganismos e insetos predatórios ao seu ciclo de vida.  A produção da resina acontece por qualquer lesão, mesmo um simples ataque de insetos é suficiente para sua formação. A resina protege a árvore atuando como cicatrizante.  Tem propriedades anti-sépticas que também ambar2407protegem a árvore de doenças. O âmbar é a resina fóssil de árvores que viveram há milhões de anos em regiões de clima temperado. E que com o tempo transformaram-se  nesta massa, frequentemente denominada de pedra semi-preciosa, porque é usado como uma pedra preciosa, para fazer jóias ou objetos ornamentais, por exemplo, mas não é um mineral. 

Como insetos, de modo geral, são indicadores precisos de variações climáticas e ambientais, grande atenção tem sido dada ao estudo de insetos no período Cretáceo para melhor entendermos a ecologia da era.  O Cretácio foi o período muito importante para a evolução das plantas que dão flores.  Foi nesta época que elas cresceram e se multiplicaram muito.  E aí também que elas passam a depender de insetos polinizadores: abelhas, vespas, borboletas, mariposas e moscas.   Na verdade, 2/3 de todas as plantas que dão flores dependem de insetos para sua polinização.  Vale lembrar que insetos formam o grupo de animais mais numeroso da Terra. 

A análise de dois quilos de material retirado da região de Charentes, no cretaceous-insectsudoeste da França, revelou a presença de insetos, ácaros, aranhas e crustáceos que viveram há cerca de 100 milhões de anos, no período Cretáceo, que vem depois do período Jurássico da era Mesozóica e conhecido como o fim da “Era dos Dinossauros“.  Os primeiros fósseis de grande parte de pássaros, insetos e mamíferos são encontrados no Cretáceo.  Pequenos animais, minúsculos como eram estes encontrados na França, foram as grandes vítimas do âmbar, porque uma vez presos na resina, não teriam forças para se libertarem daquela consistência pegajosa.  Insetos maiores também era capturados mas acredita-se que pudessem sair da pasta melosa da resina com mais facilidade.

A pesquisa na França envolveu cientistas do Museu de História Natural de Paris e da Instalação Européia de Radiação por Síncrotron (ESRF, sigla em inglês) e foi feita por raios-X intensos: a única maneira pela qual se pode visualizar e estudar insetos tão pequeninos no âmbar.  Considerada uma pesquisa particularmente importante, os achados parecem dar apoio a uma  nova teoria sobre a causa da extinção dos dinossauros.  Uma teoria que sugere que os insetos possam ter tido um papel importante na extinção dos grandes répteis pré-históricos.

 

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Inseto Cretáceo, Austrália

 

Inicialmente, essa mudança teria dificultado a vida dos dinossauros vegetarianos e posteriormente, dos seus predadores.  Os vegetarianos morrendo, seus predadores teriam o mesmo fim por fome.

 

George e Roberta Poinar, sugerem que os dinossauros não foram extintos de maneira abrupta, mas que o seu fim foi gradual e teria levado milhões de anos.  Não estamos dizendo que os insetos tenham sido a única causa da extinção dos dinossauros; acreditamos, no entanto, que eles tenham tido papel importante, explica George Poinar.

 

 Fazendo uma reconstrução do ambiente hostil pré-histórico habitado por enxames de insetos encontrados na resina fossilizada do período Cretáceo em depósitos no Líbano, Canadá e Mianmar estes cientistas encontraram vermes intestinais e protozoários em excrementos fossilizados de dinossauros.  Análises mostraram então como insetos infectados com doenças como a malária, (Leishmania ) e outros parasitas intestinais poderiam ter provocado uma devastação lenta dos dinossauros.   Além disso, os insetos poderiam ter destruído a vegetação em geral, espalhando doenças na flora.

 

Em julho deste ano, cientistas do Instituto Geológico e de Mineração  da Espanha descobriram um depósito de âmbar contendo insetos do período Cretáceo, até agora desconhecidos e em “excelente” estado de conservação.  Estes exemplos foram coletados  nos arredores da caverna de El Soplao, na região da cidade de Rábago na Espanha.   

 

Os insetos foram aprisionados no âmbar há 110 milhões de anos, quando a região espanhola de Cantábria, no norte do país, estava inundada pelo mar e era repleta de lagoas cercadas por florestas de pinheiros.  Estas coníferas produziram a resina que ios capturou.  Descrita como uma das reservas de âmbar mais importantes da Europa, ou talvez do mundo os  responsáveis pelo achado – María Najarro, Enrique Peñalver e Idoia Rosales, explicaram que o local reúne um acúmulo “excepcional” de massas de âmbar.

 

 Além de pequenas vespas, moscas, aranhas, baratas e mosquitos, o âmbar de El Soplao preserva ainda uma teia de aranha diferente da encontrada em outra peça de âmbar, descoberta em Teruel e que atraiu grande interesse científico.  

 

Tudo indicava este ano já teríamos tido todas as mais interessantes novidades sobre

Libelula, Cretáceo Inferior, Brasil

Libelula, Cretáceo Inferior, Brasil

o Cretáceo com os estudos mencionados acima tanto na França quanto na Espanha.  Deixa que este mês mais uma descoberta, do Cretáceo e de seus pequeníssimos animais presos no âmbar fossilizado, foi revelada de novo na França em Charente.  Uma descoberta que puxa para trás por 20 milhões de anos o período em que um organismo, uma alga formada por uma única célula, aparece no planeta.   Os cientistas estão surpresos de terem encontrado, presa no âmbar estes micro organismos marinhos.   Como que eles foram parar lá, no meio das árvores?  

 

 

 

 De acordo com uma publicação do Proceedings of the National Academy of Sciences, nos EUA, este achado indicaria, de acordo com um os autores do artigo, Jean-Paul Saint Martin, um cientista do Museu de História Natural de Paris,  não só que esta floresta deveria estar muito próxima do oceano, assim como fortes ventos ou por enchentes durante uma tempestade, deveriam ter levado estes microscópicos seres para terra firme.

 

Este artigo foi parcialmente baseado na revista COSMOS.





Enxurrada — poema de Miguel Reale, para uso escolar

27 11 2008

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A Cidade dos Livros, 1983

François Schuiten (Bélgica, 1956)

Artista de história em quadrinhos

Esta ilustração de: As Cidades Obscuras.

 

Enxurrada

                       

 

                                   Miguel Reale

 

 

 

Batendo e espumejando na calçada,

Celeremente desce em remoinho

Ladeira abaixo a túrbida enxurrada.

 

Negra, arrastando os ramos encontrados,

Cada vez mais se engrossa encapelada

Arremessando aos bueiros com violência

Folhas e areia.  Sobre tal esteira

Cruza e prossegue em grande desalinho.

 

Assim os fortes levam na carreira

Os fracos, folhas mortas da existência

Que os preservam dos bueiros do caminho.

 

 

Miguel Reale (São Bento do Sapucaí, 6 de novembro de 1910 — São Paulo, 14 de abril de 2006) foi um filósofo, jurista, educador e poeta brasileiro.

 

São muitas as suas obras publicadas.  Vamos nos limitar a mencionar aqui suas obras literárias de poesia e prosa.

 

Obras:

 

Poemas do Amor e do Tempo (1965)

Poemas da Noite (1980)

Figuras da Inteligência Brasileira (1984)

Tempo Brasileiro (1997)

Sonetos da Verdade (1984)

Vida Oculta (1990)

Face Oculta de Euclides da Cunha (1993)

Das Letras à Filosofia (1998)

 





Evitando Acidentes VI

27 11 2008

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Muito cuidado com o gás.

Não mexa nos botões… jamais!





O poder econômico de um prêmio literário

27 11 2008

 

 

Quando via um grande prêmio de literatura como o Man Booker Prize ser dado a alguém sempre ficava com pena dos escritores que são mencionados como finalistas, mas que não tiveram suas obras agraciadas.  Menciono o Man reading-hammockBooker porque eles anunciam com antecedência os escritores finalistas, e então sabemos quem perdeu.  Hoje, voltando à página deste prêmio, procurando por uma referência sobre um autor inglês, encontrei uma resposta de A. S. Byatt, vencedora do Man Booker em 1990 com o livro Possessão, Companhia das Letras: 1992, São Paulo, dizendo que ela finalmente iria ter dinheiro suficiente para construir seu sonho de longa data: uma piscina na sua residência na França (Provence).

 

Diversas coisas passaram pela minha cabeça.  Primeiro fiquei desapontada.  E me perguntei por quê?  Por que desapontada? Estaria eu esperando uma resposta do tipo  finalista a Miss Universo?  Quero acabar com a fome no mundo!  Não, eu mesma afastei aquele pensamento, rapidinho.   Depois veio aquele sentimento: acho que não gosto dessa pessoa, deve ser muito voltada para si mesma: do time do eu, eu, eu.  Até procurei me lembrar se havia gostado mesmo daquele livro de sua autoria, Possessão Só me lembro que havia uma correspondência maravilhosa.  Esse foi o tempo de muitos livros epistolares no meu horizonte!

 

Depois de alguns momentos de reflexão fui à cata de prêmios e de valores.  E num instante aprendi a não me sentir mal pelos autores que não ganharam o maior prêmio, porque funciona como se eles estivessem concorrendo ao reading-woman-with-parasol-in-redprêmio de Miss Brasil: onde a primeira colocada leva tudo, mas a segunda concorre para Miss Mundo, a terceira para um outro prêmio, ou vice-versa, e ainda tem o prêmio Miss Simpatia, Miss Fotogênica, etc.  Bem com os autores finalistas do Booker, há também mais; além do fato de para sempre serem mencionados como: finalista do Man Booker Prize.   

 

Pegando carona no próprio portal do Man Booker, vi que  dos 13 livros da longa lista de finalistas deste ano, 11 tiveram um aumento significativo de vendas na semana seguinte à publicação da lista.  O livro de Salman Rushdie,  The Enchantress of Florence  [No Brasil – A Feiticeira de Florença, Cia das Letras: 2008, SP] continuava onde já estava, na liderança de vendas em 7/8/2008, mas teve um aumento de 56.5%  nas vendas do momento em que seu nome foi mencionado entre os 13 finalistas.  O livro de Linda Grant, The Clothes on Their Backs [ sem publicação no Brasil] teve proporcionalmente o maior aumento nas vendas dos finalistas.  Havia até então vendido simplesmente 13 volumes na semana anterior, terminada em 26/7/2008.  Na semana seguinte à inclusão do livro entre os finalistas do Booker, este livro vendeu 144 volumes.

 

Outro aumento de vendas ocorreu com o livro de Tom Rob Smith,  Child 44 [No Brasil – Criança 44, Record: 2008, Rio de Janeiro] , aparentemente uma escolha que causou alguma controvérsia entre o público e aumentou as vendas deste livro de suspense por 250% ; isto para um livro que já havia vendido 8.000 volumes antes de ser nomeado para a longa lista de finalistas.   

 

Não tenho os números para a vendagem dos títulos depois que a pequena lista de 6 finalistas foi anunciada.  Havia este ano dois escritores estreantes Steve Toltz e Aravind Adiga.  Este, o autor de  The White Tiger [No Brasil —  O tigre branco, Nova Fronteira: 2008, Rio de Janeiro]  que ganhou o prêmio, os £50.000 do primeiro lugar e mais os £2.500 que cada um dos 6 finalistas receberam.  

 

Com orgulho, como deve ser feito, os administradores do Man Booker Prize mostram como este prêmio auxilia o reconhecimento do autor e de sua obra. nobu_lisant_409 Eles citam que Anne Enright, (vencedora em 2007) com o livro The Gathering, [No Brasil – O Encontro, Alfaguara Brasil: 2008, RJ] fez uma tour mundial para lançamento de seu livro.  O mesmo aconteceu com Kiran Desai, (vencedor em 2006) com o livro The Inheritance of Loss [No Brasil – O Legado da Perda, Alfaguara Brasil: 2007, RJ].  Em 2005,  o livro vencedor de John Banville,  The Sea  [No Brasil — O Mar, Nova Fronteira:2007, RJ] vendeu 250.000 volumes depois do prêmio e as vendas, de acordo com seu editor,  aumentaram dramaticamente para os antigos títulos do autor.  Em 2004 o livro The Line of Beauty, de Alan Hollinghurst [no Brasil – A linha da beleza, Nova Fronteira: 2005, RJ] vencedor do maior prêmio chegou às listas dos mais vendidos, o mesmo acontecendo com os vencedores de 2002, Life of Pi de Yann Martel [ No Brasil, A vida de Pi, Rocco:2004, RJ] e o de 2003, Vernon God Little de DBC Pierre [No Brasil – Vernon God Little, Record: 2004, RJ].

 

Procurei e não consegui este tipo de informação sobre vendas no Brasil depois que um livro ganha um prêmio respeitável.  Informação no Brasil, principalmente levando em conta vendas editoriaís, são segredos guardados a sete chaves.  Falta muito para termos o acesso a informação generalizada que acontece principalmente nos países de língua inglesa.  Mas duvido que as vendas dos nossos escritores aumentem significativamente depois que eles se descobrem vencedores de prêmios.  Primeiro, que não conseguimos ainda determinar qual é o prêmio mais importante no Brasil.  Há correntes a favor deste ou daquele.  E depois, quem é aqui no Brasil, uma pessoa comum, letrada, lida, que você ouve dizer:  leia Fulano de Tal, porque ele foi um dos finalistas do Prêmio X, e esses escritores são sempre muito bons?  Esse prêmio tem sempre em mente, não só o valor literário mas também o pulso do gosto do publico leitor? Você conhece alguém que diga isso a respeito do Prêmio Jabuti, Prêmio Portugal Telecom, Prêmio São Paulo de Literatura?  Eu não conheço…  Será um problema de marketing?  Por que eles não estão chegando às pessoas que eu conheço que lêem de 40 a 60 livros por anos?  Fica aqui a minha pergunta. 

 

Ah, sim, e para terminar, se um dia eu ganhar um prêmio assim, vocês não precisam se preocupar: ele não vai para uma piscina na França.  Garanto que não haverá evasão de divisas.  Consigo usar satisfatoriamente o dinheiro por aqui mesmo, onde moro… 





Imagem de leitura — Frank Weston Benson

26 11 2008

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O Para-sol Amarelo [Leitora], 1910

Frank Weston Benson (EUA, 1862-1951)

óleo sobre tela, 64 x 76 cm

Coleção Particular

Frank Weston Benson (EUA 1862 – 1951) foi um pintor estadunidense impressionista.  Nasceu em Salem, Massachusetts. Em 1879, aos 17 anos, começou a estudar na escola do Museu de Belas Artes em Boston sob a tutela de  Otto Grundmann.  Mais tarde foi para a Academia Julian em Paris.  Quando voltou para os EUA ensinou na escola onde começara seus estudos, no Museu de Belas Artes de Boston.   Excelente pintor, caracterizado pela bela reprodução de luz.  Ele também se dedicou à pintura e gravura onde um tema favorito eram os pássaros selvagens.  





Poetas difíceis: um mito, palavras de Teresa Guedes

26 11 2008

 

aulas

Como grande parte dos leitores deste blog são pessoas ligadas ao ensino fundamental e médio, no Brasil, ou são pais, ou adultos interessados em temas educacionais e culturais, hoje transcrevo um trecho sobre o ensino da língua portuguesa através da poesia.  O texto é de Teresa Guedes, que encontrei por acaso na internet e achei bastante relevante para o que este espaço tem aos poucos se tornado: ponto de assistência aqueles que gostariam de ilustrar suas aulas com material além daquele encontrado nos livros didáticos.

 

Teresa Guedes escreveu muitos livros.  Sua preocupação foi por muito tempo reconciliar o ensino da língua com uma apreciação da poesia.   Pelas notas que mais tarde vim a ler publicadas como explanação do livro da autora: Poetas difíceis: um mito, Editorial Caminho: 2002, Lisboa, série Caminho da Educação, n° 10: 2002, [ISBN: 972-21-1508-1] temos uma boa idéia sobre a maneira de ensino advogado por ela.  Copio aqui as informações e os exemplos, pois os achei interessantes, e nos ajudam a perder aquele medo que às vezes temos de sair de um projeto já traçado e conhecido para um rumo diferente, que talvez até possa trazer maiores benefícios.   

 

 

Das obras da autora, que têm subjacente a temática da Poesia, será de referir que esta se diferencia pelo fato de incidir nos receios e rejeições de educadores em relação a poetas específicos, rotulados de inacessíveis para os alunos.

 

      É necessário que os professores deixem de catalogar os poetas e os poemas como «fáceis» ou «difíceis», e reconheçam em vez disso, que há tarefas simples ou complicadas a partir de um poema. Um autor pode apresentar vários poemas que oscilem entre a complexidade e a simplicidade.

 

      Optou-se por uma metodologia que agrupou vários poemas do mesmo autor, para que fossem visíveis esses cambiantes. Recorreu-se, por um lado, a uma simplificação de atividades quando existiam poemas mais densos e, por outro, a uma organização de tarefas mais elaboradas, para poemas mais transparentes. Desvanece-se, assim, a idéia de que há poesia específica para os mais novos.

 

      Raramente os jovens tomam a iniciativa de procurar livros de Poesia. Daí que a escola tenha responsabilidade em proporcionar uma significativa amostragem de poetas. Isto não quer dizer que educadores e alunos tenham de aderir a todos eles incondicionalmente, mas podem sim, através de muitos poetas, refletir sobre si próprios e sobre a singularidade e universalidade da Poesia.

 

 

 

 

 

Maria Teresa Fernandes Costa Guedes (1957- 2007) licenciada em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras do Porto; foi professora efetiva do 2º ciclo do ensino básico em escolas públicas de Vila Nova de Gaia, onde vivia, e dedicou-se à dinamização de oficinas de escrita criativa, para docentes e alunos. Desde a sua estréia em livro, publicou três títulos de poesia para jovens (Em Branco, 2002; Real… mente, 2005; e Tu Escolhes, 2007) e diversas obras de incentivo à escrita de intenção literária em contexto educativo. Escrevia, versos, contos, crônicas.








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