Lagos embaixo das geleiras na Antártica transbordam

17 11 2008

 

 

As grandes enchentes na Antártica podem ser responsáveis pela velocidade com que o gelo se  move para o oceano no Pólo Sul.

 

Os cientistas liderados por Leigh Stearns do Instituto de Mudanças Climáticas da Universidade do Maine, nos EUA, conseguiram demonstrar como a geleira gigantesca Byrd, localizada ao leste da Antártica moveu-se muito mais rapidamente depois que dois lagos, embaixo do gelo, transbordaram.  A água desta enchente agiu como um lubrificante, facilitando o gelo deslizar em cima do terreno de pedra.   Esta observação é considerada de grande importância porque ajuda a entendermos e projetarmos futuros níveis do mar.  Quanto maior a quantidade de gelo entrando no oceano, maior será a velocidade com que os níveis oceânicos irão subir.  

 

Até então não se havia relacionado o movimento das águas embaixo da camada de gelo como afetando o movimento do gelo, disse Dr. Stearns.  Sabíamos que a água embaixo das geleiras se move muito, mas não havíamos feito a conexão entre este “sistema hidráulico” e a “dinâmica das geleiras”.  

 

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A Geleira Byrd, na Antártica, que tem 135 km de comprimento e 24 km de largura

 

 

Há mais de meio século que a comunidade científica sabe da existência de lagos abaixo da camada de gelo na Antártica.  Há mais de 150 deles.  O maior, que leva o nome de Lago Vostok, é do tamanho do Lago Ontário na América do Norte.    Apesar de serem cobertos por gelo, às vezes por muitos quilômetros, esses lagos permanecem líquidos pela existência de diversos lugares quentes nos rochedos que os suportam.  Mas sempre se pensou que a água desses lagos fosse parada, estagnada; que esses lagos tivessem água que talvez não houvesse se modificado em milhões de anos.  Foi só em 2005 que cientistas descobriram  que o nível de água desses lagos podia mudar, às vezes até rapidamente.  E que eles chegam até a beirada e transbordam debaixo da capa de gelo.  

 

Quando a água transborda a camada de gelo de muitos metros de altura é levantada.  Um fenômeno que pode ser visto por satélites passando sobre a região.

 

Deve ser dito que esses movimentos de água como os estudado na geleira de Byrd não são por si sós relacionados a uma mudança climática.  Os lagos provavelmente transbordam e  escoam águas de maneira cíclica, regular, que não tem nada a ver com o aquecimento atmosférico ou oceânico.  

 

Mas é importante que cientistas entendam os mecanismos desta renovação de água para que este conhecimento possa ser aplicado aquelas massas de gelo que estão hoje aparecem expostas a temperaturas mais quentes tais como acontece agora na Groenlândia.

 

Esta é uma tradução livre de trechos do artigo publicado pela BBC.

 

Para uma leitura do artigo inteiro, clique aqui:  BBC

 

 

 

 

 

 

 








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