Dinossauros ancestrais de aves eram pais exemplares

19 12 2008

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Quem diria que os dinossauros, até mesmo os carnívoros, seriam aqueles pais maravilhosos, chocando os ovos que as fêmeas puseram?  Mas é isso exatamente o que está aos poucos sendo considerado verdadeiro principalmente depois da publicação dia 18  do artigo de Erik Stokstad, na ScienceNOW Daily News em que David Varricchio, paleontologista da Universidade de Montana, explica que estudando dinossauros ancestrais das nossas aves atuais, chegou-se a conclusão de que algumas espécies de dinossauros carnívoros machos teriam sido pais exemplares, incubando e protegendo sozinhos os ovos de várias fêmeas.  

 

Os fósseis dos dinossauros estudados foram encontrados sobre uma quantidade incomum de ovos, explica David Varricchio.  É provavel que os machos tenham fecundado várias fêmeas ao mesmo tempo, e essas tenham depositado os ovos em um mesmo grande ninho, acrescentou, sugerindo que quando as fêmeas partiam, os machos incubavam e protegiam os ovos.

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Oviraptor Philocerataps

Os cientistas discutem há tempos o sistema que prevaleceu em torno do cuidado dos ovos – se eram os machos sozinhos, ou machos e fêmeas juntos“, afirmou, explicando que “esses novos trabalhos indicam que o sistema com os machos incubando e protegendo sozinhos os ovos e sua prole é o primeiro entre os dinossauros mais próximos dos ancestrais das aves“.

 

Os cientistas analisaram o tamanho dos ninhos e as estruturas internas dos ossos fossilizados dos dinossauros Troodon, Oviraptor e Citipati.  Estudos anteriores haviam mostrado que os dinossauros compartilham várias características de seus sistemas reprodutivos com as aves atuais, como os ovos assimétricos e suas cascas quase idênticas.

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Troodon formosus

 

Características:

 

Troodon formosus

 

Nome: Dente cortante

Comprimento: 3 metros

Peso:  50 kilos

Época: Cretáceo Tardio     

Onde foi encontrado:  Montana, USA; Alberta, Canada    

 

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Name: Ladrão de ovos

Comprimento: 2,5 m

Peso: 30 kilos

Época: Cretáceo Tardio 

Onde foi encontrado:  Mongólia, China    

 





Mensagem de Natal, poema de Afonso Louzada

19 12 2008

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Natividade, sd

Anita Malfatti, Brasil (1889-1964)

Óleo sobre tela  65 x 81cm

 

 

 

 

 

 

 

MENSAGEM DE NATAL

 

 

                                 Afonso Louzada

 

 

Glória a Deus nas alturas, meus irmãos,

e paz na terra aos homens que são bons.

Todos se dêem fraternalmente as mãos,

abrindo para o amor os corações.

 

Da concórdia os clarins, pelos desvãos,

estão cantando os sacrossantos sons

e se ilumina o mundo dos cristãos

na apoteose triunfal de seus clarões.

 

Glória a Deus nas alturas, paz na terra.

Brilhe a estrela do amor, gloriosamente,

depois da horrenda maldição da guerra.

 

E para sempre a fé que nos irmana

abençoe este mundo impenitente,

para a imortalidade da alma humana.

 

 

Do livro:

 

 

 

SONETOS, Affonso Louzada, Rio de Janeiro, 1956, 2ª edição-aumentada.

 

Affonso Montenegro Louzada – (RJ – 1904 — ?), poeta, ensaísta, crítico, jornalista, teatrólogo, advogado, membro da Sociedade Homens de Letras do Brasil.  Hoje em diversos livros de referencia seu nome é encontrado assim: Afonso Lousada.

 

 

 Obras: 

Peço a palavra, (1934),  – fábulas me versos.

La Fontaine (1937) ensaios sobre fábulas.

Melo Matos, o apóstolo da infância, (1938 )

O cinema e a literatura na educação da criança (1939)

O problema da criança (1940)

Delinqüência infantil (1941)

A ação do Juízo de Menores (1944

Tempo abandonado ( 1945) – versos

Notas sobre a assistência a menores (1945)

Noturnos (1947) – versos

Literatura infantil (1950)

Histórias dos bichos (1954) – fábulas em versos.

 

 

Anita Catarina Malfatti (São Paulo, 2 de dezembro de 1889 — São Paulo, 6 de novembro de 1964) foi uma pintora, desenhista, gravadora e professora brasileira.

 

 





Evitando Acidentes IX

19 12 2008

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Chuva com raio é um perigo,

não faça a árvore de abrigo.





Dos prazeres da mesa nordestina…

19 12 2008

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Natureza morta com abacaxi, melão

e outras frutas tropicais, 1640s

Albert Eckhout, Flandres (1610-1666)

Óleo sobre tela, 90 x 90 cm

Museu Nacional da Dinamarca

Aos domingos comíamos sarapatel de porco, servido com farinha seca e pimenta malagueta, algumas gotas de limão sobre a carne.  Bebíamos vinho verde português, comprado em pipa na mercearia de Antônio Maia, na cidade da Paraíba.  Mesmo criança eu já gostava de bebidas espirituosas.  Até hoje perambulo pelos restaurantes do Rio de Janeiro em busca de um sarapatel parecido com aquele, mas em vão.  Persigo pelas ruas a mágica impressão do odor, espalhado pela brisa, de carne fresca da chã-de-dentro, mocotó ou chambaril; ao fechar os olhos, na cama, vejo o pirão dourado, minha boca se enche de saliva quando penso no maxixe, quiabo ou jerimum-de-leite; passo a mão na seda de uma camisa e sinto a suavidade dos molhos de couve que cresciam no quintal da casa; verto lágrimas com saudades da bacalhoada das sextas-feiras; sinto meu estômago se revirando, com desejo de um bredo cozinhado no azeite, feijão e peixe de coco, servidos na Quaresma.  E não há nenhum Natal em casa luxuosa do Rio de Janeiro que ofereça algo tão delicioso como os pastéis de nata da Librada, ou os filhoses de palito embebidos em mel claro, feitos por Donata.

 

As sobremesas do engenho também me deixaram impressão profunda.  As frutas eram mais saborosas do que todas as que provei no Rio de Janeiro, mesmo as maçãs ou peras importadas não se igualavam às bananas e laranjas que Donata preparava, em talhadas, misturadas com farinha, ou aos abacaxis, às perfumadas mangas, aos abacates.  O café que se tomava após as refeições era colhido na fazenda.  Nunca havia aguardente à mesa, mas sempre um licor de cacau, ou de anis, importados.  Na ceia, como no primeiro almoço, comíamos angu de caroço, broas de milho seco, canjica de milho verde, pamonha, raramente faltando macaxeira e inhame, e batata-doce, cozida ou assada.  

 

Ao lado da casa-grande ficava um pomar, rodeado por uma cerca viva de limoeiros.  Dava laranja, banana-maçã, carambola, graviola, araticum, maçaranduba, jambo amarelo, abacaxi, jatobá, jenipapo, cajá, uma infinidade de frutas, lembro-me de todas elas, das cores de suas cascas, de seus perfumes, das épocas em que floresciam e frutificavam e de quais passarinhos gostavam de bicar essa ou aquela.  Cultivadas apenas para os membros da família e os agregados, as frutas eram tantas que até as levávamos para serem vendidas nas feiras aos sábados, no povoado de Cachoeira, assim como farinha de mandioca, milho verde, fava, caldo de cana, mel, enfim, tudo o que não era usado na alimentação dos moradores da casa-grande e dos cassacos.  Em torno do pomar ficavam as roças bem cuidadas, que produziam com fartura.  A vida no engenho tinha como centro a mesa de mogno da cozinha.

 

 

A Última Quimera, Ana Miranda.

 

 

Ana Maria Nóbrega Miranda (Fortaleza, 1951) é uma poetisa e romancista brasileira.

 

 

Obra:

 

Anjos e Demônios (poesia) 1979

Celebrações do Outro (poesia), 1983

Boca do Inferno (romance), 1989

O Retrato do Rei (romance), 1991  

A Última Quimera (romance), 1993

Desmundo (romance), 1996

Amrik (romance), 1997

Dias & Dias (romance), 2002

 

 

Albert Eckhout (Groningen, 1610 — 1666) foi um pintor, artista plástico e botânico flamengo. É autor de pinturas do Brasil holandês envolvendo a população, os indígenas e paisagens da região Nordeste do Brasil. Viajou também por outras regiões da América, antes de retornar à Europa.

 

 

 

 

 








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