O mundo dos livros nos EUA preocupado: editoras e livrarias.

20 12 2008

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Biblioteca, 1949

Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992)

Óleo sobre tela

As grandes casas editoriais nos EUA tais como a Random House estão em pleno processo de cortar seus orçamentos, de cortar o número de empregados e estão também em processo de re-estruturação organizacional.  A Houghton Mifflin Harcourt parou de adquirir manuscritos para o resto do ano.  

 

O mundo editorial ainda está tentando absorver as más notícias do início do mês quando foi anunciado que diversas editoras começaram a despedir seus empregados e congelar os salários daqueles que permaneceram com estas companhias.  Tudo isso está acontecendo em pleno período natalino, responsável por 25% de todas as vendas do ano para as editoras.  

Ninguém pensou que as editoras fossem passar pelo período de declínio econômico no país sem sofrerem algumas conseqüências.   Mas quando as mudanças na Random House foram anunciadas no mesmo dia em que a Simon & Schuster e a companhia de publicações cristãs de Thomas Nelson, anunciaram também redução do quadro de empregados dessas companhias, o setor editorial dos EUA levou um choque,

Mesmo tomando conhecimento dos problemas da economia, a maioria das pessoas no mundo editorial ainda mantinha um enfoque otimista.  Livros, eles sabem de outras crises econômicas, são à prova de recessão, porque são baratos.  Pelo menos é este um dos princípios em que a indústria editorial americana sempre acreditou.  

Mas Larry Robin,  dono da livraria Robin’s Book que está no ramos desde 1960 não acredita que se possa acreditar mais nisso.  No mundo de hoje, livros já não são tão baratos.  Com o computador, com os Ipods, você consegue todo tipo de entretenimento barato.  Sua livraria que existe  no centro da cidade da Filadélfia desde 1936 está também fazendo uma re-estruturação.  Vai deixar de vender livros novos e se transformar num sebo.   Era uma questão de poder ficar ainda neste ramo por mais um ano.  Mas, não vejo futuro nisso.  Não vejo a economia melhorar em tão pouco tempo.   E tampouco vejo o modelo econômico de comércio a varejo como nós conhecíamos, voltando. 

Livrarias independentes há muito tempo que estão com dificuldades de sobrevivência nos EUA.  Sofrem desde que apareceram as grandes cadeias que compram muitos volumes, conseguem descontos das editoras e revendem com uma margem muito menor do que a necessária para que uma livraria independente sobreviva.   Mas hoje em dia, até as grandes cadeias de livrarias, tais como  Costco, Barnes & Noble, Borders e Books-a-million estão vendo suas vendas diminuindo, graças à concorrência das vendas on-line de companhias como a Amazon.

 

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Este artigo é uma tradução liberal do artigo do site da NPR,  National Public Radio, em Washington DC.

Para ler este artigo da NPR na íntegra, clique AQUI.

 

 

 

 





Festival de Luzes: a outra festa de dezembro

20 12 2008

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O Festival de luzes, sd

Diane Fredgant

seda pintada à mão

 

 

Daqui a dois dias, no dia 22 de dezembro, o Hanucá, ou a Festival das Luzes do calendário de festas judaico, será celebrado  É uma festa sempre em dezembro, a data variando de ano para ano que dura por oito dias.  Nestes dias comemora-se a vitória de Israel na primeira batalha pela liberdade religiosa de que se sabe.  A festividade começa com o acender das velas antes do pôr do sol.  A seguir, canta-se a canção ‘Maóz Tsur’.  Depois come-se os deliciosos ‘sonhos’,  recheados com geléia e conta-se  histórias, tudo à luz das velas de Hanucá.

 

O que é Hanucá?

 

Hanucá é a celebração anual da sobrevivência espiritual dos judeus.    Em 167 A .E.C., o imperador greco-sírio Antióhus resolveu destruir o Judaísmo banindo três mitsvót: o Shabat, a Santificação do Novo Mês (estabelece-se o primeiro dia do mês pelo testemunho de duas pessoas que viram o nascer da lua nova) e o Brit Milá, que é a a entrada dos meninos no Pacto de Avraham, através da circuncisão.

 

Shabat: significa que Deus é o Criador.  E é ele que mantém o Universo, que a Sua Torá é o ‘mapa’ da criação, contendo os seus significados e valores.

 

Santificar o Novo Mês: serve para determinar a data dos Feriados Judaicos. Sem isto seria o caos. Por exemplo, Sucót cai no 15º dia de Tishrei. O dia em que isto ocorrerá depende da declaração do primeiro dia de Tishrei.

 

Brit Milá é o símbolo do nosso pacto especial com o Todo-Poderoso. Todos os três mantêm a nossa integridade cultural e eram, portanto, uma ameaça à Cultura Grega.

 

 

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Matitiáhu e os seus 5 filhos, conhecidos como os Macabeus,  em 168 A.C., comandaram um pequeno e inspirado exército de judeus contra o poder esmagador de seus opressores sírios numa luta de morte pelo direito de adorar a Deus à própria maneira tradicional.

 

Em três anos eles conseguiram expulsar os opressores de Israel. A vitória foi um milagre Tendo conseguido recuperar o controle do Templo Sagrado, em Jerusalém, desejaram colocá-lo em funcionamento imediatamente. Precisavam de azeite de oliva, ritualmente puro, para reacender a Grande Menorá do Templo. Porém, somente um frasco de azeite foi encontrado intacto, suficiente para queimar por apenas um dia, no entanto, precisavam de uma quantidade que durasse oito dias, até que o novo azeite, ritualmente puro, pudesse ser produzido. Um milagre ocorreu e aquele azeite, suficiente para um só dia, ardeu por 8 dias.

 

Esta é uma história de bravura e de encantamento  que encheu com justificável orgulho muitas gerações de judeus. Todavia, a tradição judaica hesitou em transformar um triunfo militar numa celebração religiosa. Pois embora a Bíblia considerasse justas algumas guerras, não permitia associar ao culto o derramamento de sangue humano. Ao rei David, um dos maiores heróis do Judaísmo, não foi permitido construir o Templo, porque sua vida fora dedicada aos feitos guerreiros.

 

 

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O simbolismo desta festa é completamente devotado a referências militares. As velas são acesas durante oito noites consecutivas por qualquer um dos pais (algumas famílias permitem às crianças terem a sua vez) numa menorá especialmente planejada para a Festa das Luzes.

 

Daí as velas de Hanucá (ou recipientes com azeite de oliva) serem acesos por oito dias.  Um no 1º dia, dois no 2º, e assim por diante. A primeira vela é colocada no lado direito da menorá e, a cada dia, uma nova vela é acrescentada imediatamente à sua esquerda. Acende-se uma vela na primeira noite, duas na segunda, e assim por diante até que todas as oito se acendam, Uma vela adicional, denominada shamash, é acesa ao mesmo tempo, a fim de ser usada para acender as outras. Em tempos idos sugeriu-se que a ordem fosse invertida: oito velas acesas na primeira noite, sete na segunda, etc. Mas os Rabis da Escola de Hilel se apegaram ao processo que agora se fixou, para refletir a fé de Israel num futuro mais brilhante.

 

A vela extra também foi dotada de um significado especial. A chama se entrega para criar uma chama adicional sem nada perder do seu próprio fulgor. Assim o homem dá de seu amor aos seus semelhantes sem nada perder de si.

 

Na primeira noite recita-se três brahót e duas nas noites seguintes. Acende-se a vela sempre a partir do lado esquerdo (a vela do dia), seguindo em direção ao lado direito da menorá. A menorá deve ter todos os seus ‘braços’ alinhados e na mesma altura. A tradição Ashkenazi é que cada homem acima de 13 anos acenda a sua própria hanukiá, enquanto que a tradição Sefaradi é acender uma única hanukiá por toda a família. As bênçãos podem ser encontradas no Sidur, o livro de preces.

 

Mesmo sendo permitido acender as velas dentro de casa, é preferível acendê-las onde outros possam ver as suas chamas, para divulgar o milagre de Hanucá. Em Israel, muitas pessoas acendem as velas do lado de fora das casas, em caixas de vidro ventiladas feitas especialmente para se colocar a menorá.

 

 

 

menorah

Mosaico Romano da Menorá, 300-500 AC

Artista desconhecido

Encontrado em Tunis, Tunísia

57 x 89.5cm

Museu do Brooklin, Nova York.

 

 

 

Antes do século XX, o Hanucá era um feriado relativamente menor. Contudo, com o crescimento do Natal como o maior feriado no Ocidente e o estabelecimento do estado moderno de Israel, o Hanucá começou a servir crescentemente tanto como celebração da restauração da soberania judaica em Israel e, mais importante, como um feriado para se dar presentes voltado para a família em Dezembro que poderia ser um substituo judaico para o feriado cristão.

 

É importante notar que a substituição pelo Natal não é universalmente aceito, e muitos judeus não tomam parte nesta significação extra naquilo que eles consideram um feriado menor. Crianças judias, primariamente entre os Ashkenazim, também jogam um jogo onde eles giram um pião de quadro faces com letras hebraicas chamado de dreidel (סביבון sevivon em hebraico) .  O dreidel, um pião com quatro lados, tendo as letras hebraicas Nún, Gímel, Hêi e Shín (as iniciais de Nês Gadól Hayá Shám: Um Grande Milagre Aconteceu Lá em Israel.  Este  é o jogo tradicional.  Nos tempos da perseguição, quando estudar Torá era proibido, os judeus estudavam escondidos e, quando os soldados gregos vinham investigar, rodavam o dreidel e fingiam estar apostando.  As regras: Nún – ninguém ganhou; Guímel – o que rodou leva tudo; Hêi – o que rodou leva a metade; Shín – o que rodou tem que ‘colocar na mesa’ o equivalente ao que foi apostado. Ganha quem acumular mais fichas no menor tempo!

 

Este artigo usa e abusa de informações em diversos locais da internet, mas principalmente dos seguintes:

Lugar 1

Lugar 2





Brasil que lê: fotografia tirada em lugar público

20 12 2008

dsc01621

Praça Serzedelo Correa, Copacabana, Rio de Janeiro.








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