A lagartixa — poema, Da Costa e Silva

22 01 2009

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A Lagartixa

 

                                    Da Costa e Silva

 

 

A um só tempo indolente e inquieta, a lagartixa,

Uma réstia de sol buscando a que se aqueça,

À carícia da luz toda estremece e espicha

O pescoço, empinando a indecisa cabeça.

 

Ei-la aquecendo ao sol; mas de repente a bicha

Desatina a correr, sem que a rumo obedeça,

Rápida num rumor de folha que cochicha

Ao vento, pelo chão, numa floresta espessa.

 

Traça uma reta, e pára; e a cabeça abalando,

Olha aqui, olha ali; corre de novo em frente

E outra vez, pára, a erguer a cabeça, espreitando…

 

Mal um inseto vê, detém-se de repente,

Traiçoeira e sutil, os insetos caçando,

A bater, satisfeita, a papada pendente…

 

Em: Poesias completas, Da Costa e Silva, Nova Fronteira: 1985, Rio de Janeiro

 

 

 

Antonio Francisco da Costa e Silva – (Amarante, Piauí, 1885 – Rio de Janeiro, 1950) Poeta.  Começou a compor versos por volta de 1896, tendo seus primeiros poemas publicados em 1901. Todavia, seu primeiro livro de poesia, Sangue, foi lançado só em 1908, primeira obra da última geração simbolista. .  Formou-se pela Faculdade do Direito do Recife. Foi funcionário do Ministério da Fazenda, tendo ocupado os cargos de Delegado do Tesouro no Maranhão, no Amazonas, no Rio Grande do Sul e em São Paulo. Viveu não só na capitais desses estados, mas também, por mais de uma vez, em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro. Jornalista. Exerceu função pública na Presidência da República do Brasil, entre 1931 e 1945, a pedido do então presidente Getúlio Vargas. É o autor da letra do hino do Piauí.  Recolheu-se ao silêncio, demente, pelos últimos 17 anos de vida. Faleceu em 29 de junho de 1950.

 

 

Publicou os seguintes livros de poemas:

 

 

Sangue (1908),

Zodíaco (1917),

Verhaeren (1917),

Pandora (1919)

Verônica (1927)





Brasil que lê: foto tirada em lugar público

19 01 2009

dsc01620Praça Serzedelo Correia, Copacabana





Mais de 300 novas espécies no fundo do mar

19 01 2009
estrela do mar em cores brilhantes a 1 km de profundidade

Tasmânia: estrela do mar em cores brilhantes a 1 km de profundidade

Uma equipe de cientistas australianos e americanos descobriu quase 300 espécies de corais, anêmonas e aranhas marinhas em uma reserva marinha a sudoeste da ilha de Tasmânia, na Austrália.

A equipe fez duas expedições.  Cada uma de duas semanas.  Elas cobriram tanto a Reserva Marinha Tasman Fracture Commonwealth, reconhecendo o terreno  até 4 mil metros de profundidade com um submarino não-tripulado;  quanto a Reserva Marinha Huon Commonwealth, de aproximadamente  185km – ou  100 milhas náuticas – da costa da Tasmânia.

Estas reservas marinhas servem de abrigo a muitos recifes de coral.  Corais em geral se dão muito bem em montanhas submersas, em geral formadas por vulcões em baixo d’água, que se elevam algumas centenas de metros acima do fundo do mar.  Vastos fósseis de coral foram descobertos a menos de 1. 400 metros. Os cientistas acreditam que eles se formaram há mais de 10 mil anos.

Tasmânia, esponja gigante

Tasmânia, esponja gigante

A expedição, liderada pelos cientistas Jess Adkins do Instituto de Tecnologia da Califórnia e Ron Thresher, do CSIRO da Austrália, encontrou também registros de danos ao meio ambiente.

Nós também recolhemos dados para avaliar a ameaça representada pela acidificação do oceano e mudança climática nos recifes de coral únicos das profundezas característicos da Austrália“, disse Thresher.

Os pesquisadores afirmaram que há evidências de que recifes de coral mais novos estão morrendo.  Segundo Thresher, as causas ainda estão sendo analisadas, mas os fatores podem incluir o aumento da temperatura dos oceanos, o aumento da acidez das águas ou doenças.

Este projeto descobriu um leque enorme de novos seres marítimos que eram até hoje completamente desconhecidos.  Ficaram encantados com as novas imagens, principalmente com aquelas mandadas  por um submarino não tripulado.  Ele explorou   uma fenda geológica no fundo do mar, de quase 4 km de extensão, próximo à costa da Tasmânia.  Mas o programa só visitou duas das quatorze reservas marinhas da cadeia de reserva marinhas da região.  É óbvio que ainda há muito a ser descoberto.

Está mais do que na hora de formarmos no Brasil um maior número de cientistas dedicados às formas de vida do mar.





A última aventura de Rumpole

18 01 2009
Escritor Sir John Mortimer, 2006, The Guardian

Escritor Sir John Mortimer, 2006, The Guardian

Sir John Mortimer, um dos meus escritores favoritos, passou desta para a outra aos 85 anos.  O escritor inglês deixa para trás milhares e milhares de seguidores de seus livros e principalmente de seu mais conhecido personagem, Horace Rumpole, of the Bailey, o temível defensor de muitos Zé-niguéns, que só se calava frente à sua impagável esposa Hilda, — “a quem é preciso obedecer”.

 

 

A última publicação

A última publicação

 

 

Sir John Mortimer, escritor e advogado.  Teve uma carreira brilhante como advogado de defesa, em casos importantes, sempre defendendo a liberdade de expressão.  Formado pela Universidade de Oxford, trabalhou a vida inteira como advogado em tribunais britânicos.  Teve uma carreira brilhante.  Ficou conhecido por sua defesa de casos notórios que envolviam a liberdade de expressão.  Entre eles, defendeu a editora Penquin contra acusações de obscenidade, pela publicação de “O Amante de Lady Chatterley na década de 60. Mais tarde, ele representou a revista “Oz em um julgamento sobre obscenidade.  Sempre conciliou a vida de escritor com a de advogado.  Era conhecido por escrever seus livros de manhã, antes de sair para o trabalho no tribunal.

 

Coletânea, volume I

Coletânea, volume I

 

Seu nome passou a ser ainda mais conhecido fora dos círculos ingleses quando a televisão pública nos EUA, a PBS [ Public Broadcasting Service] levou a série inglesa, Rumpole of the Bailey, na televisão, caracterizado pelo ator Leo McKern.

Coletânea, volume 2

Coletânea, volume 2

Mortimer, morre depois de uma longa batalha contra um mal incurável.   Mas até recentemente ainda ia de cadeira de rodas a um grande número de eventos culturais, concertos e teatro na Inglaterra.   Uma de suas filhas é a atriz inglesa: Emily Mortimer.

 

 

Desconheço se seus livros foram alguma vez publicados no Brasil.





Imagem de leitura — Paul-Émile Félix Raissiguier

15 01 2009

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O livro secreto, 1924

Paul-Émile Félix Raissiguier

França, (1851-1932)

Gravura

 

 

Paul-Émile Félix Raissiguier nasceu em Oran, na Argélia, quando a Argélia ainda contribuía para o território francês com três estados, também chamados de a dispensa de França.  Pintor versátil de paisagens, pertencendo à última geração do século XIX / XX de pintores orientalistas.  Também se dedicou a outros meios de expressão inclusive a gravura Art Déco como a que ilustramos acima.  





Ora direis ouvir pipocas — poesia de Francisco Azevedo

14 01 2009

pipoca

Ilustração: Maurício de Sousa.

 

ORA  DIREIS  OUVIR  PIPOCAS

 

                                                 Francisco Azevedo

 

 

 

Ouço os grãos que rebentam

feito gente

sementes germinadas

no alumínio

fundo escuro

da panela.

 

Flores brancas

súbitas

de perfume quente

pelo fio sinuoso

da fumaça.

 

Flores doces

salgadas

servidas na hora

(não em buquês

mas em punhados).

 

Flores atômicas

nascidas do fogo

numa explosão

sem haste.

 

                                       (New York, 1982)

 

 

Em: A casa dos arcos, Francisco Azevedo, Paz e Terra: 1984, Rio de Janeiro

 

 

 

Francisco Azevedo, (Rio de Janeiro, RJ , 23/2/1951) —  formado em direito, diplomata, escritor, roteirista, cinematógrafo e poeta.  

 

Obras:

 

Contra os moinhos de vento, (poesia e prosa) 1979

A casa dos arcos, (poesia) 1984

O arroz de palma, (romance) 2008

Unha e carne (teatro)

A casa de Anaïs Nin (teatro)





Evitando acidentes XIII

13 01 2009

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A rua não é lugar pra brincar.

Na calçada você deve ficar.








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