5 livros do Romantismo I: A Moreninha

3 05 2009

 

 

 

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Moça com chapéu de palha, s/d

Haydéa Santiago (Brasil, 1896-1981)

Óleo sobre tela colado em madeira

28 x 29 cm

Coleção Particular

 

 

 

 

Pelas próximas postagens colocarei algumas informações sobre 5 livros mencionados pelo Prof. Vanderlei Vicente no Portal Terra,  como leituras que ajudam a entender o romantismo no Brasil e leitura essencial para quem está para fazer o vestibular.  O artigo original estará sempre em itálico azul. 

 

Entre os principais conteúdos cobrados nas provas de Literatura dos vestibulares do País, se destaca o Romantismo. O movimento, que se desenvolveu na Europa na virada dos séculos XVIII para XIX, teve início no Brasil no ano de 1836, com a publicação de Suspiros Poéticos e Saudades, de Gonçalves de Magalhães.

 

Para o professor Vanderlei Vicente, dos cursos Unificado e PV Sinos, o vestibulando deve ter em mente algumas características da escola, como a idealização das relações e do caráter humano, o sentimentalismo exacerbado e, no Brasil, uma presença marcante do elemento indígena. O professor selecionou cinco dos principais romances do período, para ajudar a compreender a prosa romântica na literatura brasileira:

 

A Moreninha (1844), de Joaquim Manuel de Macedo – “Este romance merece atenção do estudante, por ser considerado o primeiro romance romântico brasileiro. Na obra, Augusto sente-se preso a uma promessa de amor feita anos atrás, o que o torna inconstante frente a outras possibilidades de relacionamento. Ao se apaixonar por Carolina, ele tem a doce surpresa: ela era a menina com quem havia trocado juras de amor no passado e que considerava digna de seu amor”.

 

 

 

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O romance A Moreninha foi publicado no mesmo ano em que Joaquim Manuel de Macedo se formou em Medicina [1844] e se passa no Estado do Rio de Janeiro.  O autor nunca menciona o local em que se passa, exceto pela expressão:  Ilha de…  Desde o século XIX no entanto que a Ilha de Paquetá, principal ilha do arquipélago de Paquetá na Baía de Guanabara, localizada a 15 km do centro histórico da cidade do Rio de Janeiro, é associada com este romance.  O nome Paquetá, de origem indígena significa “lugar com muitas pacas”.    A ilha foi descoberta por André Thevet da expedição de Villegagnon em 1555, quando a França tentava instituir no Rio de Janeiro a França Antártica.  A partir de 1838 a ilha esteve ligada ao Rio de Janeiro por uma linha regular de barcas, estabelecida pela preferência da corte portuguesa, D. João VI em particular, por passeios no lugar.   Com este tipo de clientela e depois do sucesso do romance de Joaquim Manuel de Macedo, a ilha passou a  se tornar um local de atividade turística e aos poucos, através dos anos foi perdendo sua atividade de abastecedora de peixes e mariscos para a cidade do Rio de Janeiro e dedicar-se exclusivamente ao turismo.

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Ilha de Paquetá, s/d

Benedito Calixto ( Brasil 1853-1927)

Guache,  17 x 22 cm

 

 

Paquetá tem algumas pedras famosas entre suas pequenas e paradisíacas praias.  A Pedra da Moreninha, no final da Praia da Moreninha, figura com destaque na história de Joaquim Manuel de Macedo “A moreninha”, como local onde a Moreninha esperava pela volta de seu namorado.

 Hoje há nesta ilha uma escola  e uma rua com o nome de Joaquim Manuel de Macedo, uma praia e uma pedra Moreninha que acredita-se ser onde Carolina esperava a barca trazendo o seu amado.

 

Pedra da Moreninha.  Foto: Flávio Freitas, Flickr

Pedra da Moreninha. Foto: Flávio Freitas, Flickr

 

 Como era a Moreninha? 

Carolina é uma das mais cativantes heroínas brasileiras do século XIX.  Ela é uma adolescente de 14 ou 15 anos , muito alegre e espevitada, levando muito pouca coisa a sério.  Ela é descrita no romance como um beija-flor, mudando de posição e de paragem a qualquer momento: irriequieta e usando sua  língua ferina quando não faz caretas para o irmão Filipe.

 

O que é um breve, ou o que é O breve da Moreninha?

 No romance A Moreninha,  há um objeto valorizado muito importante que estava ao alcance de todos no século XIX : o BREVE.

 O breve é um saquinho, em geral feito de linho branco, cortado em forma ciecular, onde se coloca um talismã, ou geral,  uma reza poderosa, em que colocamos nossas esperanças.   Depois dessas rezas colocadas no centro do círculo de linho, fecha-se o tecido prendendo-o pelas bordas.  Amarra-se então o breve ao  pescoço com uma fita.  Deve-se usar o breve no pescoço, próximo ao coração.     Mais tarde, no século XIX, o breve foi aos poucos modificado numa pequena caixinha , em geral de material nobre ( ouro, prata, banho de ouro) onde guardava-se não só as rezas, mas sobretudo um cachinho do cabelo do amado, ou outra lembrança que ajudava na simpatia de manter esta pessoa sempre em nosso poder.  Eles também eram pendurados ao pescoço.   Ainda hoje é usado, por dentro da roupa, como uma simpatia para “amarrar uma pessoa”.  Em geral dependura-se o breve no pescoço de uma fita de cetim, mas há alguns que dependuram o breve no pulso, como uma pulseira.  Houve no final do século XX um retorno ao uso de breves por aqueles que se vestem ao gosto gótico.

BREVE = A palavra Breviário, muito usada para os livros de oração, frequentemente pintados com iluminuras, usados pelas senhoras na idade média, tem a mesma origem que o breve.

 

CAPÍTULO VI

— …………………

 

Quando as ordens do ancião foram completamente executadas, ele tomou os dois breves e, dando-me o de cor branca, disse-me:

 

— Tomai este breve, cuja cor exprime a candura da alma daquela menina. Ele contém o vosso camafeu: se tendes bastante força para ser constante e amar para sempre aquele belo anjo, dai-lho a fim de que ela o guarde com desvelo.

 

Eu mal compreendi o que o velho queria: ainda maquinalmente entreguei o breve à linda menina, que o prendeu no cordão de ouro que trazia ao pescoço.

 

Chegou a vez dela. O homem deu-lhe o outro breve, dizendo:

 

— Tomai este breve, cuja cor exprime as esperanças do coração daquele menino. Ele contém a vossa esmeralda: se tendes bastante força para ser constante e amar para sempre aquele bom anjo, dai-lho, a fim de que ele o guarde com desvelo.

 

Minha bela mulher executou a insinuação do velho com prontidão, e eu prendi o breve ao meu pescoço, com uma fita que me deram.

 

Quando tudo isto estava feito, o velho prosseguiu ainda:

 

— Ide, meus meninos; crescei e sede felizes! Vós olhastes para mim, pobre e miserável, e Deus olhará para vós… Ah! Recebei a bênção de um moribundo!… Recebei-a e sai para não vê-lo expirar!

 

Isto dizendo, apertou nossas mãos com força: eu senti, então, que o velho ardia; senti que seu bafo era como vapor de água fervendo, que sua mão era uma brasa que queimava… Sinto ainda sobre os meus dedos o calor abrasador dos seus e agora compreendo que, com efeito, ele delirava quando assim praticou com duas crianças.

 

 — ………

 

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Foto de um breve, século XIX

 

 

E A Moreninha existiu?   Supõe-se que a verdadeira identidade da moreninha é Maria Catarina de Abreu Sodré, com  quem Joaquim Manuel de Macedo se casou depois de 10 anos de namoro.  D. Maria Catarina era prima-irmã do poeta Álvares de Azevedo (1832-1879). Ela era filha única. 

 

 joaquim-manuel-de-macedo

 

Joaquim Manuel de Macedo (Itaboraí, 24 de junho de 1820 — Rio de Janeiro, 11 de abril de 1882) foi um médico e escritor brasileiro: romancista, poeta, cronista literário e dramaturgo.

 

Em 1844, Joaquim Manuel de Macedo, formou-se em Medicina no Rio de Janeiro, e no mesmo ano estreou na literatura com a publicação daquele que viria a ser seu romance mais conhecido, “A Moreninha“, que lhe deu fama e fortuna imediatas.

 

Além de médico, Macedo foi jornalista, professor de Geografia e História do Brasil no Colégio Pedro II, e sócio fundador, secretário e orador do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, desde 1845. Em 1849, fundou, juntamente com Gonçalves Dias e Araújo Porto-Alegre, a revista Guanabara, que publicou grande parte do seu poema-romance A nebulosa — considerado por críticos como um dos melhores do Romantismo. Foi membro do Conselho Diretor da Instrução Pública da Corte (1866).

 

Abandonou a medicina e criou uma forte ligação com Dom Pedro II e com a Família Imperial Brasileira, chegando a ser preceptor e professor dos filhos da Princesa Isabel.

 

Macedo também atuou decisivamente na política, tendo militado no Partido Liberal, servindo-o com lealdade e firmeza de princípios, como o provam seus discursos parlamentares, conforme relatos da época. Durante a sua militância política foi deputado provincial (1850, 1853, 1854-59) e deputado geral (1864-1868 e 1873-1881). Nos últimos anos de vida padeceu de problemas mentais, morrendo pouco antes de completar 62 anos.

 

Obras:

Romances

 

A Moreninha (1844)

O moço loiro (1845)

Os dois amores (1848)

Rosa (1849)

Vicentina (1853)

O forasteiro (1855)

O culto do dever (1865)

Rio do Quarto (1869)

A luneta mágica (1869)

As Vítimas-algozes (1869)

Nina (1869)

A namoradeira (1870)

As mulheres de mantilha (1870-1871)

Um noivo e duas noivas (1871)

A Misteriosa (1872)

A Baronesa do Amor (1876)

Romance de uma velha

Uma pupila rica

Amores de um Médico – póstumo –

 Sátiras políticas

A carteira do meu tio (1855)

Memórias do sobrinho do meu tio (1867-1868)

Dramas

O cego (1845)

Cobé (1849)

O sacrifício de Isaac (1859)

O novo Otelo (1863)

Lusbela (1863)

Vingança por vingança (1877)

A Torre em Concurso (1863)

Remissão de Pecados (1870)

Antonica da Silva (1873)

Vingança por Vingança (1877)

Comédias

O fantasma branco (1856)

O primo da Califórnia (1858)

Luxo e vaidade (1860)

Cincinato Quebra-louças (1873)

O macaco da vizinha (1885)

Poesia

 A nebulosa (1857)

Didáticos

 

Lições de História do Brasil,  (1861)

Noções de Corografia do Brasil, (1873)

Amor e Pátria

 

Ensaios/ Crônicas

Os Romances da Semana (1861)

Um Passeio pela Cidade do Rio de Janeiro (1862)

Ano Biográfico Brasileiro (1876)

Efemérides Históricas do Brasil e Mulheres Célebres (1878)

Todas as suas obras encontram-se em domínio público.  Para baixar o texto de grande parte delas, clique aqui.

 

J. M. de Macedo, Domínio Público








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