Imagem de leitura: Honório Esteves do Sacramento

26 05 2009

H Esteves, menina que lê, 1904, Rio de Janeiro, desenho

 

Menina que lê, 1904

[Uma página interessante]

Honório Esteves do Sacramento ( Brasil,1860-1933)

Desenho a carvão.

Assinado e datado, Rio, julho de ´04. [1904]

 

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Honório Esteves do Sacramento (Santo Antônio do Leite, Ouro Preto, 1860 —  Mariana, MG, 1933) pintor brasileiro, generalista, de paisagens, retratos e alegorias executados a óleo.  Assim como de pintura de gênero,  com o registro de cenas cotidianas, em pastel e desenho a carvão. Também exerceu a  atividade de pintor muralista e painelista. Artista romântico, mestre de técnica formal, mesclada com um pouco de trabalho gestual.

 

Iniciou seu aprendizado em 1871, com o professor italiano Chenotti em Ouro Preto, enquanto trabalhava como ajudante do pintor Cardoso Resende.  Passou a estudar no  Liceu Mineiro, em 1874 e em 1880 teve seu talento reconhecido recebendo uma bolsa de Dom Pedro II para a Academia Imperial de Belas Artes no Rio de Janeiro.  Lá estudou com Victor Meirelles e Pedro Américo.  Foi premiado do Salão de Belas Artes do Rio em 1904 e 1905.





Revolução artística na Casa Branca? Deixe-me rir!!!

26 05 2009

arte moderna e donald

Pato Donald e Margarida,  ilustração de Walt Disney.

 

Na postagem anterior, com a tradução do artigo publicado pelo Wall Street Journal podemos testemunhar um traço marcante da cultura americana que é com freqüência ignorado no Brasil: o grande conservadorismo naquele país.

 

Sempre me choca a demonstração de brasileiros, principalmente jovens, que acreditam que o radicalismo encontrado nas palavras de músicas populares; que a revolução da forma, das cores e dos materiais nas artes plásticas; que a tendência de revolta contra o passado, é predominante nos EUA.  Há a expectativa de que todos ajam dessa maneira radical, que todos estejam cientes dos modismos, das radicalizações.  Das drogas aos palavrões.  Esta visão que temos da cultura americana é muito míope e bastante limitada a pequenos grupos nos grandes centros do país. Nova York (8.274.527 h.), Los Angeles (3.834.340 h.), Chicago (2.836.658 h.), Houston (2.208.180 h.) e Filadélfia (1.449.634 h.), as cinco mais populosas cidades, juntas não chegam a representar nem 7% da população do país de aproximadamente 306.000.000 de habitantes em 2008.  E todo o radicalismo cultural nestes centros populacionais não chega a envolver nem 20% desta população urbana.  Nossa visão, muito baseada nas imagens de Hollywood, corriqueiramente se engana ao ver hábitos representados no telão, como hábitos de um país inteiro. 

 

alien-tattoo-whole-body- cool optical illusions

 

Lembrei-me desta imagem que leva o título: Alien,  da página: cool optical illusions. 

 

O que esquecemos, porque a nossa tendência no Brasil é oposta, é que os EUA são um país de pequenas cidades.  Miami, a Meca de tantos brasileiros, o lugar chamado a Capital da América Latina, não chega a contar com meio milhão de pessoas, sua população em 2007 era de 409.719 e é a 43ª cidade americana em termos de população.  Não vou falar aqui de violência urbana, principalmente porque não gostaria de dar a impressão de que estou achando desculpas para a violência que encontramos nos grandes centros do Brasil. Mas, com franqueza, é mais fácil manter uma cidade de meio milhão de habitantes, como Miami, sem violência do que São Paulo ou Rio de Janeiro. Culturalmente, no entanto, pequenas cidades não se prestam a grandes radicalismos, porque nelas é mais fácil a sociedade exercer sua influência; é mais fácil para os que não querem se adaptar à cultura dominante de serem empurrados muito a contragosto para o ostracismo social local. 

 small town, example, Marietta, Ohio

Volto então ao radicalismo nas artes plásticas atribuído ao casal Obama na Casa Branca.  É risível!  Grande parte dos “radicais” abstratos que eles escolheram para decorar a residência enquanto moram na Casa Branca, são grandes nomes da arte mundial, cujos trabalhos (pinturas, esculturas) já se encontram em dezenas de museus através do mundo, como exemplos sim de uma revolução cultural, mas de meados do século passado.  Na verdade, é difícil imaginar hoje em dia, que ainda possamos considerar os trabalhos de Jasper Johns, de Rauschenberg, de Nicolas de Staël e certamente de Joseph Albers, como radicais.  Eles são os acadêmicos do século XX.  Francamente, eles já estavam nos currículos de História da Arte – por natureza um dos cursos de formação mais conservadores do mundo – quando eu entrava para pós-graduação.   Grande parte dos “revolucionários”, dos “extremistas” escolhidos pelo casal Obama para a Casa Branca, já morreu e já têm seguidores de segunda e terceira geração!  O auê causado pela escolha de abstratos chega à Casa Branca com 100 anos de atraso!  Vamos lembrar que Kasimir Malevich, — líder do Suprematismo, e um dos primeiros pintores a trabalhar com o puro abstracionismo, já pintava um quadrado negro sobre um quadrado branco em 1915!   O que os Obama estão fazendo, radical até pode vir a ser, é fazer a Casa Branca, finalmente aceitar um século inteiro de mudanças nas artes plásticas.  A meu ver, um pouco tarde, para todos os efeitos. 

 

Quadrado Negro, 1915

Quadrado Negro, 1915

Kasimir Malevich ( Rússia, 1878-1935)

Óleo sobre tela, 53,5 x 53, 5 cm

Museu Hermitage, São Petersburgo

Rússia








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