Outono no Rio de Janeiro

28 05 2009

fantasia tropicalJardim Botânico do Rio de Janeiro, foto: Ladyce West

 

 

Um hábito meu das quintas-feiras de manhã é procurar no jornal pela coluna de Cora Rónai.   Hoje de manhã,  tive que sorrir muito com o que Cora escreveu e esperei até agora à noitinha para passar para o blog, seu texto,  porque concordo plenamente com todas as palavras da nota.  Aqui vai:

A Cara do Rio

                                                                                              Cora Rónai

        O Rio contradiz os poetas e as letras de música que cantam a primavera.  É só olhar pela janela para ver que o outono é, disparado, a estação mais bonita da nossa cidade: céu azul, temperatura razoável e aquela luz que transforma tudo.  Nesses dias, sobretudo à tardinha, pouco antes de o sol se pôr, a gente consegue até esquecer os problemas de que se queixa no resto do ano.

        A praia está uma glória, e a Lagoa parece mesmo um espelho d’água, refletindo as nuvens nos mínimos detalhes.  A imagem só se quebra quando as garças e biguás aparecem para jantar, quando um peixe salta no ar ou quando os remadores dão a volta, lépidos e atléticos, matando de inveja os sedentários que os observam das margens.  Qualquer desavisado que resolva interpretar a cena pela quantidade de celulares e câmeras apontados para a paisagem pode imaginar, perfeitamente, que estamos numa das cidades mais seguras do mundo.

        No Jardim Botânico, um casal de turistas pede que eu faça a sua foto em frente ao chafariz.  A câmera é uma velha Pentax analógica, que me desconcerta por uns instantes: cadê o visor?  Capricho no clique, e eles se despedem me desejando um bom resto de tarde e uma viagem segura de volta.

        Eu agradeço e vou embora sem esclarecer o equívoco.  Não quero humilhar ninguém dizendo que moro aqui.

*** 

Em: O GLOBO, quinta-feira 28 de maio de 2009.  Segundo Carderno, página 12.

 

Se você não conhece ainda o blog da Cora Rónai deve acessá-lo, vale a pena:  internETC    Também é a cara do Rio.





Imagem de leitura: Henri Lebasque

28 05 2009

Henri Lebasque (1865-1937) França, Jeune filles lisant au parc, ost,

Meninas lendo no parque, s/d

Henri Lebasque ( França, 1865-1937)

Óleo sobre tela

 

 

Henri Lebasque, ( 1865-1937) nasceu em Champigné (Maine-et-Loire).  Estudou na Escola de Belas Artes de Anders, mudando-se depois para Paris em 1886, onde estudou com Léon Bonnat.  Pissarro e Renoir foram pintores com quem cultivou amizade e que o influenciaram bastante.  Mas foram os pintores mais jovens, os Nabis – Edouard Vuillard e Pierre Bonnard– como Lebasque  pintores intimistas, com quem finalmente Henri Lebasque encontrou grande afinidade artística.   Por isso mesmo é considerado um pintor pós-impressionista.  Lebasque, morreu em Cannet, Alpes Maritimes, em 1937.





Livros proibidos: frutos proibidos

28 05 2009

 rossi4

Livros proibidos, 1897

Alexander Mark Rossi ( Inglaterra, 1840-1916)

Óleo sobre tela

Royal Academy, Londres

Quem quiser se deliciar com o espírito empreendedor de uma menina americana deve passar pelo blog BATATA TRANSGÊNICA e ler, como a jovem adolescente não só conseguiu burlar as restrições impostas por sua escola católica conservadora, mas como conseguiu também, com uma única idéia posta em prática seduzir estudantes que antes não liam livros em se tornarem leitores assíduos.

O efeito da proibição da leitura de uma série de livros muito conhecidos teve o efeito oposto ao que a direção da escola certamente esperava.  Esta revelação me lembrou uma ocasião na minha adolescência.  Meus pais eram, ambos, leitores sistemáticos e ecléticos, e nunca deixaram transparecer que vigiavam o que líamos.  Na verdade, para mim, pelo menos, eles pareciam até bastante liberais.  Quando fiz onze anos, minha mãe me deu um volume de José de Alencar: O Tronco do Ipê, com uma notinha, dizendo que eu já estava bem grandinha e que ela achava que agora eu já poderia ler alguns livros de adultos.  

Abracei O Tronco do Ipê como se fosse maná.  A fome de ficar adulta era grande.  E confesso que até hoje, este livrinho bem água-com-açúcar é de vez em quando relido para matar as saudades.  Qual não foi a minha surpresa então, ao descobrir, alguns anos mais tarde, que havia limites no que eu podia ler.  Boa parte da minha mesada, ou qualquer dinheiro que eu ganhasse extra – trabalhei pela primeira vez aos 16 anos – era gasta na compra de livros.  Meus livros!  Tinha um orgulho imenso de possuí-los.  Verdadeira rato-de-sebos, fui ajuntando um grupo pequeno de favoritos.  Lia muito e lia de tudo.  Principalmente livros de política e sociologia, que na época da ditadura eram proibidos.  

Mas um dia, aos quinze anos, cheguei em casa feliz com Trópico de Câncer, de Henry Miller.  Deixei rapidamente o livro no sofá da sala para fazer qualquer coisa lá dentro.  Quando voltei, para pegar o livro e lê-lo, tive uma surpresa.  Minha mãe havia se transformado na Bruxa Malvada da Branca de Neve.  Sério!  Com um ar de poucos amigos, ela me perguntou onde eu havia conseguido aquele livro?  Onde o havia comprado?  Porque ela queria ir até aquela livraria.  Como é que uma livraria responsável poderia vender tamanha pornografia para uma menina de quinze anos?  Eles estavam fora de ordem.  Eu era menor.  E assim continuou por muito tempo.  Meu coração diz horas, mas tenho certeza de que não deve ter passado de 20 minutos de reclamações e inquisições.  E aí, para meu maior espanto, ela pegou o livro NOVINHO e, na minha frente, rasgou-o em centenas de pedaços numa raiva avassaladora.  Fiquei pasma!  Aquilo era inconcebível.  Minha mãe, uma professora, rasgando livros!  Chorei, chorei de raiva, de frustração, de susto.  Foi como se ela tivesse me dado uma boa sova.  E mais tarde, ainda fiquei uma vez mais surpresa, quando meu pai chegou em casa e para meu espanto concordou com todas as decisões de mamãe inclusive com o rasgar do volume de Henry Miller.  

Só vim a ler Trópico de Câncer depois dos 30 anos.  E achei-o muito enjoado.   Mas entendo a fascinação que um livro proibido, ou um livro “para adultos” pode ter para um adolescente.  Minha mãe sabia disso também ou não teria me apresentado a José de Alencar daquela maneira.  A pergunta que fica: como é que educadores de uma escola onde há adolescentes, e ainda por cima de uma escola religiosa, que têm a obrigação de conhecer os motivos que levaram Adão e Eva a serem expulsos do Paraíso, como que eles, de repente, não se lembram de que o fruto proibido é sempre mais saboroso?  E se precisam proibir que proíbam com motivos sérios.  A lista de livros proibidos – que copiei do blog BATATA TRANSGÊNICA — repito aqui abaixo, é ridícula!  Não só grandes textos da cultura ocidental estão incluídos como textos pertinentes para qualquer boa educação, de Darwin ao Alcorão.  Eu tiraria meus filhos desta escola.  Não pensaria duas vezes!

A LISTA

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Português no vestibular: cinco temas a priorizar

28 05 2009

estudando 6

Chico Bento, ilustração:  Maurício de Sousa

 

 

O professor de Língua Portuguesa da Oficina do Estudante, de Campinas, Thiago Godoy lembra que as grandes universidades não estão mais tão interessadas em alunos que possuam um conhecimento “enciclopédico e estanque“. “São mais atraentes aqueles que, com conhecimentos adquiridos nos anos de escola, saibam processar e internalizar informações novas.

 

Por isso, não basta saber mecanicamente conjugar verbos irregulares e anômalos, inclusive na ‘temida’ segunda pessoa do plural, sem entender seus usos pragmáticos, as diferenças de registro de linguagem, variação lingüística etc.“, analisa.

 

Cinco dicas do professor para a prova de Português.

 

 

Concordância nominal e verbal: o aluno tem de estar atento às flexões verbais impostas pela modificação dos núcleos nominais, principalmente sujeitos compostos, e às substituições possíveis para cada coletivo, pronome relativo, expressões numéricas e partitivas. Inadequações decorrentes da permutação dos verbos haver e existir, singular e plural, sempre são alvos de questões, assim como a concordância do verbo ser.

 

Regência nominal e verbal: os examinadores costumam testar os candidatos em questões que mesclam regências de nomes e verbos. Procure habituar-se às preposições regidas e enfocar as mudanças de sentido que verbos de mais uma regência apresentam. Este conteúdo também é campo frutífero para perguntas referentes ao uso da crase.

 

Coerência e Coesão: as antigas questões de análise sintática, em sua maioria, foram substituídas por exercícios que testam a capacidade do aluno em reestruturar enunciados, alterando seu conteúdo, por meio de conjunções e locuções conjuntivas. A prática constante das paráfrases é uma tarefa importante para o domínio deste tipo de habilidade.

 

Interpretação de texto: as provas de interpretação não mais utilizam apenas o “formato tradicional” de texto. Diversos vestibulares, principalmente os dissertativos, exploram propagandas, tirinhas e outros formatos, até mesmo em outros suportes, como material para os testes de leitura. O aluno deve concentrar-se em regionalismos, gírias, jargões e outras mudanças de registro.

 

Figuras de Linguagem: este conteúdo aproxima bastante as disciplinas de Gramática e Literatura. Procure, nos próprios textos literários, conhecer e reconhecer as figuras mais exploradas pelos autores: Metáfora, Metonímia, Antítese, Paradoxo, Anáfora, Aliteração, Assonância, Polissíndeto, Sinestesia, Ironia etc.

 

 

Portal TERRA.





Boas maneiras XII

28 05 2009

filaFazendo fila não tem talvez,

todo mundo tem sua vez.








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