Ellen van Deelen e a ética dos treinos de animais

30 07 2009

rato no pianoEllen van Deelen, Rato ao piano.

 

Num dia de poucas notícias, algumas coisas diferentes aparecem nos portais dos grandes jornais.  Este foi o caso da BBC Brasil que hoje trouxe aos olhos do leitor brasileiro o trabalho da fotógrafa holandesa Ellen van Deelen, em que ratos com pequenos instrumentos musicais são fotografados como se estivessem de fato fazendo solo numa pequena orquestra. 

 

rato flautista

Ellen van Deelen, Rato fautista.

 

O trabalho de Ellen van Deelen, que mora em Roosendaal na Holanda,  já é bastante conhecido aqui e fora do Brasil, como atestam as dezenas de fotografias, de sua autoria, encontradas na web.  Reconheço que há algo interessante e por uma fração de segundo, talvez até menos, a mente do observador possa se interessar.

 

rato sax

Ellen van Deelen, Rato saxofonista.

 

No entanto, esses animais retratados não passam de pequenos roedores.  Ratos propriamente ditos que não podem nem se classificar como camundongos porque são grandes demais.  E eu me pergunto:  onde estão os defensores dos direitos dos animais quando alguma coisa como essa é engendrada?

rato acordeão

Ellen van Deelen, Ratos com acordeão.

 

Quando por muitos anos tive um antiquário nos Estados Unidos, minha companhia era uma das companhias contribuintes para a SPCA, [sociedade de proteção de animais].  Minha loja tinha um cachorro dentro da loja, (lá é permitido) todos os dias.  Eles eram cachorros dos funcionários, que faziam o rodízio de segunda a sábado de comum acordo com a administração.  Meu antiquário era conhecido por seus membros caninos:  Garth, um fox-terrier, por Max, um sheltie, e por Pebbles, um spaniel King Charles.  Outros membros da companhia tinham gatos, mas esses não faziam rodízio, já que não eram treinados para ficarem quietinhos.  Dou esta relação toda de antemão, para dizer que gosto de animais.  No entanto, acho a personalização de animais de estimação: o vestir, as botinhas, as sainhas, os laçarotes, uma anomalia do comportamento de um dono de animal de estimação.  Como o conhecido Cesar Milan, do programa de televisão O Encantador de Cães, não se cansa de dizer, cães, cachorrinhos de estimação, não são bonecos com os quais brincamos de vestir e fantasiar.

 

Cesar Milan e um monte de cachorros

Cesar Milan, O Encantador de Cães, e alguns de seus cachorros.

 

Daí, aparece Ellen van Deelen, que é uma excelente fotógrafa.  Basta ver suas fotos de insetos, pessoas, pássaros para perceber.  Mas que explora este tênue caminho entre o fotógrafo que como ela mesma diz testemunha a natureza e a obra divina: “Como sou cristã, espero que minhas fotos mostrem um pouco da linda criação de Deus“.  

 

joaninha

Ellen Van Deelen, Joaninha.

 

Há um apelo muito grande para o marketing nessa carreira profissional de fotógrafa que me desagrada profundamente, porque extrapola o mundo natural e cria à custa de um treinamento à base de premiação com comida, animais que mudam o seu comportamento para que agradem às nossas fantasias.  Animais que não tem nada a ver com um saxofone ou um carrinho de bebê, ou qualquer outra característica humana, são obrigados a se comportarem de uma maneira esdrúxula ao seu  mister.  Para isso, existem os ilustradores, que, esses sim, sem abusar da relação homo sapiens e animal, podem dar largas à imaginação e colocar um coelho com um relógio na história de Alice ou pato vestido de marinheiro como Donald.  

4 gatinhos felizes elizabeth webbe 1956

Quatro gatinhos felizes, ilustração de Elizabeth Webbe, 1956.

 

Isso tudo me parece mais um desrespeito à obra da Natureza, do que uma reverência.  E antes que me perguntem: não, não acho esses ratos engraçadinhos.

FONTE: Portal Terra, BBC Brasil





Imagem de leitura — Inha Bastos

30 07 2009

Inha Bastos (Brasil, 1949) Menina lendo, 2008, ost, 50x50

Menina lendo, 2008

Inha Bastos ( Brasil, 1949)

óleo sobre tela, 50x 50 cm

 

Inha Bastos é o nome artístico da pintora brasileira Maria das Graças Fontes Bastos, nascida em Itabuna,  na Bahia,  em 1949. Formada pela Escola de Belas Artes em Salvador, /UFBA 1970 / 1974.  Adolescente, descobriu sua vocação artística, quando recebeu um estojo de tintas de presente.  Inha Bastos tem participado de exposições coletivas e individuais em diversos estados brasileiros e no estrangeiro. Suas obras fazem parte do acervo de diversas instituições públicas e particulares.. Inha Bastos foi uma das artistas selecionadas para representar o Brasil no “ ano do Brasil na França” e seu trabalho ganhou destaque na imprensa francesa.





Betelgeuse, a estrela com um rabo gasoso do tamanho do nosso sistema solar!

30 07 2009

betelgeuse

 

A estrela Betelgeuse, uma supergigante vermelha também chamada de Alfa Órion, localizada na constelação de Órion, tem uma cauda de gás do tamanho do nosso Sistema Solar, indicaram fotos de uma precisão sem precedente publicadas nesta quarta-feira pelo Observatório de Paris. É uma estrela de brilho variável sendo a 10ª ou 12ª estrela mais brilhante no firmamento. Seu diâmetro varia entre 500 e 900 vezes o do Sol. No diâmetro máximo, a estrela seria maior que a órbita de Saturno se colocada no lugar do Sol. Apesar de ser apenas 14 vezes mais massiva que o Sol, é cerca de algumas dezenas de milhões de vezes maior em volume, como uma bola de futebol comparada a um grande estádio de futebol. A sua proximidade à Terra e o seu enorme tamanho fazem dela a estrela com o terceiro maior diâmetro angular vista da Terra,  menor apenas que o Sol e R Doradus. É uma das 12 estrelas em que os telescópios actuais podem visualizar o seu disco real.é uma estrela mil vezes maior que o Sol. Isto significa que se estivesse no centro de nosso Sistema Solar, se estenderia até Júpiter, passando por Mercúrio, Vênus e a Terra.

 

Betelguese e Antares

 

 

Ela é cem vezes mais brilhante que o Sol, mas tem apenas alguns milhões de anos, em contraste com os 4,5 bilhões de anos do Sol, e apesar de sua juventude, tem pouco tempo de vida. Dentro de poucos milhares de ano, ela se tornará uma supernova e então será facilmente visível da Terra.

Os astrônomos do Laboratório de Estudos Espaciais e de Instrumentação na Astrofísica (Lesia) do Observatório de Paris obtiveram as imagens mais detalhadas de Betelgeuse graças ao sistema óptico adaptável do telescópio VLT da Organização Europeia de Pesquisa Astronômica (ESO) no Chile. “A óptica adaptativa corrige a maior parte das perturbações ligadas à atmosfera”, indicou o Observatório de Paris em um comunicado.

Para destacar a cauda de gás, assim como uma gigantesca bolha que verve na superfície da estrela, os astrofísicos utilizaram uma técnica chamada de “imagem seletiva”. “Ela consiste em selecionar as melhores imagens entre milhares de poses muito rápidas que fixam as perturbações atmosféricas residuais, para depois combiná-las em uma imagem muito mais fina do que a resultante de uma só pose grande”, destacou o Observatório.

O nome  Betelgeuse é uma contração do árabe يد الجوزا yad al-jawzā, ou “a mão do (guerreiro, homem) do centro”. Jauza, o do centro, inicialmente se referia a Gemini entre os Árabes, mas em algum ponto eles decidiram se referir à Orion por este nome. Durante a Idade Média o primeiro caracter do nome , y (ﻴ, com dois ponto sob ele), foi erroneamente traduzido para o Latim como um b (ﺒ, com um ponto apenas), e Yad al-Jauza tornou-se Bedalgeuze. Então, durante o Renascimento, alguém tentou derivar o nome árabe deste nome corrompido, e decidiu que ele foi escrito originalmente como Bait al-Jauza. Esta pessoa imaginativa então declarou que Bait seria “braço” em Árabe, para surpresa dos árabes em todo o mundo. O linguista sem nome da Renascença então “corrigiu” a grafia para Betelgeuse, e o termo moderno nasceu. Para que Betelgeuse tivesse o sentido do “braço do centro”, o original deveria ser ابط Ibţ (al-Jauza).

 

betelgeuse

 

 

Outros nomes :

Al Dhira (o Braço),

Al Mankib (o Ombro)

Al Yad al Yamma (a Mão direita)

Ardra (Hindi),

Bahu (sânscrito),

Bed Elgueze

Beit Algueze

Besn (Persa) (o Braço),

Beteigeuze

Beteiguex

Betelgeuze (Bet El-geuze),

Betelgeza (Esloveno),

Betelguex

Ied Algeuze (A mão de Orion),

Yedelgeuse





Olha o passo do elefantinho!

30 07 2009

Filhote passeia entre adultosFOTO: AFP

 

O zoológico Whipsnade, na cidade britânica de Bedfordshire, apresentou nesta terça-feira um filhote de elefante asiático. O bebê, que nasceu há seis dias (22/7/2009) pesando 126 kg, já passeia entre os adultos.

Recentemente (5/7/2009) o zoológico Taronga, na Austrália comemorou o nascimento de um outro bebê de elefante asiático, nascido com 120 kg.

 

Filhote de elefante asiático nasce com 126kg

FOTO: AFP

 

No passado esses elefantes podiam ser encontrados nos territórios que abrangem grande parte da Ásia. Hoje existem só pequenas comunidades,  espalhadas em zona florestais, por vários países: Índia, Tailândia, Bangladesh, Butão, Brunei, Camboja, China, Indonésia, Laos, Malásia, Myanmar (antiga Birmânia), Nepal, Sri Lanka e Vietname. O desaparecimento dos habitats naturais empurrou estes animais para junto das populações.

Esses elefantes se alimentam principalmente de ervas e folhas de árvore. No entanto, parecem demonstrar gostar muito de produtos da horta.  Isso causa um problema sério para as populações que vivem próximo ao habitat desses paquidermes, pequenos agricultores vêem as suas culturas devastadas, rapidamente.

 

Filhote britânico

FOTO: AFP

 

Os elefantes asiáticos atingem 3 metros de altura, têm orelhas pequenas e defesas um tanto leves. Machos e fêmeas, atingem a maturidade sexual por volta dos 14 anos.  O tempo de gestação de um bebê elefante varia entre os 18 e os 22 meses.  Ao cabo desse tempo nasce apenas uma cria.  A espécie é muito utilizada pelo homem como animal de guerra, em trabalhos florestais e como meio de transporte.

Seu único predador natural é o tigre, que na maioria das vezes ataca os filhotes, porém existem casos registrados de tigres caçarem elefantes adultos.  Em circunstâncias normais a expectativa de vida de um elefante asiático é 60 anos.

 

filhote de elefante asiatico, zoo de Bedfordshire, Inglaterra

FOTO: AFP

 

As principais diferenças entre este e o elefante-africano são: costas mais arqueadas, orelhas menores, 4 unhas nas patas traseiras em vez de 3, 19 pares de costelas em vez de 21, ausência de presas de marfim nas fêmeas.

Na religião hindu, o elefante-asiático está associado a Ganexa, o deus da sabedoria.





Os 10 mais na ficção americana da primeira parte de 2009, Amazon

29 07 2009

angela ursilloLendo no ônibus, no Japão, 2001.

Ângela Ursillo (EUA, contemporânea)

Trabalho totalmente digital, usando Painter.

 

Chegado o meio do ano, e com as vendas em baixa, a maioria das livrarias americanas que tem portal na internet anda pressionando bastante, através de emails as promoções e as chamadas especiais de títulos que acreditam estar dentro do seu perfil de comprador.  Recebi hoje da Amazon a lista das dez melhores publicações em ficção nos EUA para 2009, que rapidamente passo aqui para o blog.  Isso nos dará uma idéias do que pode estar a nosso caminho nas produções editoriais brasileiras, se estes livros realmente se mostram ter o sucesso já anunciado pela livraria digital.

 

Os dez mais da ficção publicada nos EUA em 2009.  Está em ordem alfabética pelo último nome do autor, como é praxe nos EUA.   

SWEETNESS AT THE BOTTOM OF THE PIE, de Alan Bradley.  È um livro de mistério.  Quando uma sagaz  menina adolescente com aspirações de ser uma futura química descobre um corpo na plantação de pepinos em sua casa, deixa de lado os cadinhos e corre atrás do assassino.

 

EVERYTHING MATTERS, de Ron Currie, Jr. Ao nascer Junior Thibodeau é informado do momento exato em que o mundo vai acabar.  Esse conhecimento, revelado a ele por uma entidade desconhecida, faz com que ele se pergunte, constantemente, se vale a fazer qualquer coisa comum, vivenciar o dia a dia.  Aos poucos, através de experiências comuns ele e o leitor chegam a uma conclusão.

 

Ro Lohin (EUA, contemp), Subway Reader, 2005,ost

Leitor no Metrô, 2005

Ro Lohin, (EUA, contemporâneo)

Óleo sobre tela

 

EVERY MAN DIES ALONE, de Hans Fallada.  Trata da história verdadeira de um casal de Berlim, que independentemente, toma em suas mãos uma pequena e reservada resistência ao regime nazista. Este é um livro antigo, um resgate.  Seu autor morreu em 1947.

 

TINKERS, de Paul Harding.  Este é o primeiro romance de Paul Harding.  Nele, estão registradas as memórias de sua vida como uma faz-tudo, especializado principalmente no conserto de relógios,  e suas lembranças de seu pai, que como ele também era uma faz-tudo.  O pai sofria de crises epiléticas o que aparentemente dá um ar do inexplicável a esta curta narração.  Muito apreciado pela precisão de seu texto de menos de 200 páginas.  

 

THE VAGRANTS, de Yiyun Li.  A história se refere ao tempo da Revolução Cultural na China onde crianças denunciam seus pais, amantes traem seus parceiros, tudo para sua sobrevivência.  A narrativa começa com a história dos pais de Gu Shan, uma vítima do regime que é executada como contra-revolucionária.  O texto mostra como pequenos atos de corrupção, crueldade e medo, acabam com a moralidade da sociedade.  Este é o primeiro romance de Yiyum Li.

 

soraya-french (Teerã, Irã), Contemporanea, mixed media, 40x40

Jornal de Domingo, 2005

Soraya French ( Irã, contemporânea)

Técnica mista, 40 cm x 40 cm

 

BORDER SONGS, de Jim Lynch. Este romance tem como principal personagem o guarda de fronteira Brandon Vanderkool, que consegue uma série de apreensões de importância no trânsito entre os EUA e o Canadá, trazendo uma mudança generalizada a um trecho da fronteira entre os dois países que havia sido, até então, ignorado.

 

MILES FROM NOWHERE, de Nami Mun.  Este romance está centrado em Joon, personagem adolescente, que fugiu de casa.  É a história de diversas de suas aventuras que têm em comum um parâmetro de valores que as faz todas terem sentido.  Este é o primeiro romance de Nami Mun.

EVERYTHING RAVAGED, EVERYTHING BURNED, de Wells Tower.   Esta é uma coleção de contos do autor, muito apreciada pelo senso de humor, e por seus personagens fora da veia normal da sociedade.  

 

Yusuf Arakkal (Índia, 1945) Paper reading, óleo sobre tela,120 cm x 120 cm

Lendo o jornal, 2004

Yusuf Yakkal (Índia, 1945)

óleo sobre tela, 120 cm x 120 cm

 

CUTTING FOR STONE, de Abraham Verghese.  Marion e Shiva Praise Stone são gêmeos, nascidos de um relacionamento entre uma freira/santa e um pobre cirurgião, trabalhando ambos num hospital missionário em 1950 na Etiópia.  O autor é um médico e este é seu primeiro romance, uma obra em que ele demonstra o magnífico poder das artes medicinais.

 

LOWBOY, de John Wray.  Lowboy é o pseudônimo do personagem principal, Will Heller, um esquizofrênico que está certo de que o mundo acabará logo, corre em fuga atrás de uma solução, pelos caminhos do metrô de Nova York.   Romance muito apreciado pela descrição dos altos e baixos, do pulos e brancos, de uma mente doente.





Amanhecer, quadrinha para uso escolar

28 07 2009

acordar  com as galinhas

Amanhecer, ilustração Maurício de Sousa.

 

Cantagalo…  O galo canta

e, na campina louçã,

desprende  a voz na garganta,

saudando a luz da manhã.

(Álvaro Faria)





Bicicletas elétricas têm tudo a ver com a preservação do Meio Ambiente

28 07 2009

bicicleta, modeloModelo demonstra nova, mais atualizada bicicleta elétrica no Japão.

 

Do Japão à Inglaterra as bicicletas elétricas começam a fazer estrondoso sucesso.  Melhor que carros que respeitam o meio ambiente, as bicicletas elétricas são a moda para quem se autodefine como responsável pelo meio-ambiente.   As bicicletas elétricas japonesas usam um pequeno motor elétrico que dá impulso a o ciclista, ajustando a força do motor à velocidade e à resistência do movimento do pedal.  Isso torna muito mais fácil subir uma ladeira ou levar uma carga mais pesada. 

 

bicicleta, inglaterra

Agentes imobiliários com suas bicicletas elétricas, Londres.

 

Com baterias recarregáveis estas bicicletas podem cobrir 37 km sem necessidade de recarregar a bateria.  As mais populares fabricantes do mundo de bicicletas eletrônicas são a Yamaha, Panasonic, Sanyo e Bridgestone.  E juntas elas esperam dominar o mercado não só no Oriente mas sobretudo na Europa.

FONTES

Reuters

BBC





A crise econômica afeta os animais dos zoológicos nos EUA.

28 07 2009

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Desde abril deste ano, que a rede de notícias ABC tem dedicado algumas de suas reportagens ao sofrimento dos grandes zoológicos dos EUA a partir da crise econômica.  Com seus orçamentos sofrendo grandes cortes, não só no financiamento dos governos como nas doações de instituições particulares, os zoológicos se vêem numa situação difícil tendo que escolher entre os empregos dos funcionários ou a eliminação de alguns animais de suas coleções.  Tudo isso acontecendo justo no momento em que famílias, limitadas nos seus orçamentos por causa da crise, têm procurado os parques zoológicos como um bom entretenimento, de custo baixo, apropriado a bolsos mais esquálidos, neste período de férias de verão.  

 

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Cisnes, veados, antílopes, porcos-espinho, guanacos e morcegos, por exemplo, estão entre os animais que sairão das coleções do Zoológico do Bronx, em Nova York, que por incrível que pareça é mantido por uma das maiores instituições de preservação da natureza, a Wildlife Conservation Society.

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O zoológico do Bronx, que tem 114 anos de existência, é um dos mais conhecidos e considerados zôos do mundo, mas mesmo assim sofre com a economia periclitante no país.   Como ponto turístico de valor, sua administratção teme que a instituição venha a ser conhecida como um zoológico sem animais.   Desde que a WCS reduziu seu orçamento anual por 15 milhões de dólares, cortes tiveram que ser feitos.  O zoológico do Bronx não é o único a sofrer durante a crise.  Outros zôos dos estados de Kansas, Connecticut, Missouri, Maryland acham-se em circunstâncias semelhantes, tendo que lidar com orçamentos minguantes e gerenciamento de dietas e nutrição para seus hóspedes do mundo animal.  Além disso, qualquer corte feito não pode retirar das exposições as principais atrações para o público porque aí sim, este público deixaria de vez de visitar os parques zoológicos e contribuir para o orçamento de manutenção dessas instituições com o valor das entradas e dos gastos nas lojas de lembranças.  É uma verdadeira saia justa que cada administrador de zoológico tem que considerar.  

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Na maioria dos casos quem sofre primeiro são os humanos.  Viagens, treinamento, propaganda, serviços profissionais e almoxarifado foram reduzidos.  Depois disso, se um equilíbrio financeiro não é encontrado, são os animais que sofrem pequenos cortes.  Estes vêm em geral na redução de gastos de manutenção, com ênfase dada a uma dieta menos variada.  E alguns são escolhidos para irem para outro endereço.  

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A maioria dos diretores de zoológicos sabe que retirar animais de suas coleções dilui o valor da instituição.   Mas o que não podem aceitar é ter que se descuidarem dos animais.  Este é o limite para todos os zoológicos.  Todos vêem a segurança e a saúde de seus animais como item de primeira ordem.  Mas as instituições estão sofrendo e ver que o zoológico do Bronx, mantido pela WCS, sofre com a crise econômica tanto quanto outros zôos, está soando um sinal de alarme para toda a sociedade americana.  

Fontes:

ABC  — 30/4/2009

ABC  — 11/7/2009





Bandeja de madeira, de Ladyce West

27 07 2009

 

 

bandeja de madeira, turística, marqueteria

Ontem à noite Gisela, minha prima e amiga, lembrou-me deste poema que publiquei em 2007.  Numa conversa familiar decidimos que eu  iria re-colocá-lo na web, apesar de já ter aparecido no meu antigo blog:  A Meia Voz.  Agradeço aos fãs da peripécia aqui revelada.

 

 

Bandeja de madeira

 

Ladyce West

 

 

Comprei uma bandeja de madeira,

No mercado de usados da cidade.

O preço alto, verdadeiro assalto,

Testava a minha vontade…

Invocada reclamei:

“Preço muito apimentado!”

O feirante desfiou, então,

A ladainha da ocasião:

Uma cascata de palavras

E de muitas abobrinhas.

Listadas de um modo simples,

Em fileira memorizada,

Uma tabuada de dados,

Sem nexo e sem sentido,

Qual jovem guia turístico

Treinado para repetir,

Sem nenhuma compreensão,

História de monumentos,

Batalhas, guerra ou ação.

Um rol de características,

Uma lista de preciosismos,

Que turistas escutam em vão.

No caso do comerciante,

Era manobra astuta,

Artimanha obstrucionista,

Inspirada na política

Do partido oposicionista,

Com intenção de impedir

Barganhas, regateio, pechincha.

Mas não me dei por vencida

E esbocei, na medida,

Uma ensaiada choradeira

De compradora matreira,

Desconfiada confessa.

Mas para meu desagrado,

A manobra desta vez

Não deu nenhum resultado.

E o vendedor perturbado,

Não se fazendo de rogado,

Disse em português claro:

O preço é este e está acabado!

Era esperteza, eu sabia.

Manha de ressabiado

Recalque de gato escaldado.

Experiente e esperta,

Também lhe disse umas tantas,

Questionei ainda uma vez

Os dados da tal bandeja

Que sabia muito bem

Não ser uma antiguidade.

“Mas minha senhora veja,

Já não se faz trabalho

Detalhado como este.

Marqueteria finíssima,

Olhe a delicadeza

Deste desenho aqui em cima!”

Mantive meu ar incrédulo

De pessoa que conhece:

Reclamei do acabamento,

Das alças, das bordas, do centro,

Do verniz barato – opaco.

“Não sou caloteiro!

Nem tampouco pirateio.

A Sra. pode confirmar

Nos antiquários da cidade!

Vai ver que é coisa boa,

Que tem uma certa idade!”

Pus-me a andar, dando o fora,

No velho ardil de negócios

Fazendo-lhe acreditar

Que era fácil ir embora.

Ele veio correndo atrás,

É vintage, minha senhora,

É vintage, repetia!

Como se a palavra,

A denominação,

A expressão estrangeira,

Respondesse às perguntas

Corriqueiras que lhe fiz.

Mas parei.  E voltei.

Queria muito a bandeja

Rica em marqueteria.

“Não pode ser”, eu dizia,

“Eu me lembro dessas bandejas,

Dessas lembranças para turistas,

Vendidas nas barraquinhas

Da Quinta da Boa Vista…”

De súbito ele parou.

De cima abaixo me olhou.

E puxando lá do fundo

De sua sabedoria, perguntou:

“– Mas quantos anos a senhora tem?”

Num breve momento de pausa,

Disse para mim mesma:

“Que história!  Traída pela memória!”

Olhei para a bandeja de novo

E ainda uma vez mais…

E paguei.

 

 

© Ladyce West, 2007,  Rio de Janeiro





Cinco navios romanos naufragados foram encontrados!

26 07 2009

navio romano reconstruçãoNavio romano, reconstrução.

 

Um grupo de arqueólogos descobriu um “cemitério de navios” romanos.  Ao todo foram encontrados por tecnologia de sonar, cinco antigos navios romanos, sem vestígios de exploração humana desde que afundaram, nos arredores da ilha Ventotene.   Esses navios de carga comercial do primeiro século AC ao quinto século AD, estavam a um pouco mais de 100 metros abaixo do nível do mar.  Isso os faz entrar na lista dos espólios de naufrágio descobertos nas maiores profundidades do mar Mediterrâneo, nos últimos anos.

O arquipélago de Ventotene está situado a meio caminho entre Roma e Nápoles, na costa oeste da Itália, e historicamente foi um lugar que navios procuravam quando precisavam de abrigo do mau tempo no Mar Tirreno.  “Tudo indica que esses navios estavam a caminho de abrigo mas afundaram antes de conseguir chegar a um lugar seguro,” disse Timmy Gambin, chefe do programa de arqueologia. “Isso explica porque em uma pequena área há cinco naufrágios.”  Os navios encontrados levavam carregamento de vinho, da valiosa lingüiça de peixe de origem espanhola e do norte da África, e um misterioso carregamento de tabletes de metal da Itália, provavelmente para serem usados na construção ou de estátuas ou de armas.

Ventotene_cliffs

Costa de Ventotene.

 

Gambin lembra que essas descobertas revelam os padrões de comércio durante o império romano.  Primeiro eles exportavam alimentos para suas províncias, depois, gradualmente, começaram a importar mais e mais o que eles originalmente exportavam.

Durante o império romano, o arquipélago de Ventotene era conhecido como Pandataria, e era usado para abrigar nobres que vergonhosamente  haviam sido exilados do país.  O imperador Augusto mandou sua filha Júlia para a Pandataria por causa de seu adultério.  No século XX o ditador italiano Benito Mussolini usou esta ilha com prisão para seus oponentes políticos.

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Ânforas encontradas em Ventotene.

 

Dos naufrágios, o que resta são principalmente os carregamentos cobertos de crustáceos.  Nada sobrou das embarcações propriamente ditas que devem ter sido devoradas por vermes de madeira através dos séculos.  A profundidade em que estas cargas se encontravam ajudou a protegê-las por todos esses anos.

Fonte: Reuters   Tradução minha.








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