Um momento Glória Perez

25 07 2009

Eugène Delacroix, WomenofAlgiers

Mulheres de Argel, 1834

Eugène Delacroix ( França, 1798-1863)

Óleo sobre tela,  180 x 229 cm

Museu do Louvre, Paris

 

Há tempos não acompanho novelas televisivas.  “O Clone” foi a última novela que acompanhei, vendo os capítulos sentada lado a lado com minha mãe, que corajosamente resistia a uma doença terminal.  Naquela época, fiquei impressionada com a facilidade com que alguns personagens transitavam do Norte da África para o Brasil, encontrando-se aqui ou lá como que por acaso.  Sei que o mesmo fenômeno ocorreu em outra novela passada em Miami e Rio de Janeiro assim como está acontecendo nos dias de hoje com a novela Caminho das Índias.   

 

Hoje, tive o meu momento Glória Perez.  E também um momento em que testemunhei por mim mesma, o poder da internet:  como ainda não estou cozinhando na minha nova residência, saímos, eu e meu marido, para tomar café no bar/restaurante mais próximo, que oferece uma generosa média quentinha.  Sentamos nas mesas da calçada, como bons cariocas, mesmo que a chuvinha de inverno insistisse em molhar a rua.  Debaixo do toldo apreciávamos a manhã tranqüila.  Depois de uns dez minutos, quando já contemplávamos  uma segunda xícara, passa uma senhora simpática. Anda adiante e depois volta.  Se aproxima.  De repente fala comigo: 

 

— Você não é Ladyce?

— Sim.

— Ah, que bom que a reconheci….

— ?!!???

 

Em outras palavras: ela era um “conhecimento” da internet, uma pessoa que eu nunca havia visto, nem em fotografias, já que meu contato com ela havia sido através de seu filho.  E ela me reconheceu.  Por foto!   Foto que viu num site, diferente do site de relacionamentos no qual eu e seu filho havíamos trocado algumas palavras a respeito de nomes de famílias em Mato Grosso.   Mas o mais interessante.  Ela não mora no Rio de Janeiro.  Está aqui por dois dias.  Chegou ontem, vai embora amanhã.  E num desses dias, numa manhã chuvosa, no Rio de Janeiro, uma cidade de 7 milhões de pessoas, ela passou por uma calçada de Copacabana, viu uma pessoa que reconheceu de uma foto na internet e se conectou.  As possibilidades disso acontecer são muito remotas. E se aparecesse em novela, eu iria reclamar dizendo que  falta credibilidade no texto.  Pois, engulo minhas palavras, engulo a minha desconfiança, o meu ceticismo.   Glória Perez está certa!








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