Cinco navios romanos naufragados foram encontrados!

26 07 2009

navio romano reconstruçãoNavio romano, reconstrução.

 

Um grupo de arqueólogos descobriu um “cemitério de navios” romanos.  Ao todo foram encontrados por tecnologia de sonar, cinco antigos navios romanos, sem vestígios de exploração humana desde que afundaram, nos arredores da ilha Ventotene.   Esses navios de carga comercial do primeiro século AC ao quinto século AD, estavam a um pouco mais de 100 metros abaixo do nível do mar.  Isso os faz entrar na lista dos espólios de naufrágio descobertos nas maiores profundidades do mar Mediterrâneo, nos últimos anos.

O arquipélago de Ventotene está situado a meio caminho entre Roma e Nápoles, na costa oeste da Itália, e historicamente foi um lugar que navios procuravam quando precisavam de abrigo do mau tempo no Mar Tirreno.  “Tudo indica que esses navios estavam a caminho de abrigo mas afundaram antes de conseguir chegar a um lugar seguro,” disse Timmy Gambin, chefe do programa de arqueologia. “Isso explica porque em uma pequena área há cinco naufrágios.”  Os navios encontrados levavam carregamento de vinho, da valiosa lingüiça de peixe de origem espanhola e do norte da África, e um misterioso carregamento de tabletes de metal da Itália, provavelmente para serem usados na construção ou de estátuas ou de armas.

Ventotene_cliffs

Costa de Ventotene.

 

Gambin lembra que essas descobertas revelam os padrões de comércio durante o império romano.  Primeiro eles exportavam alimentos para suas províncias, depois, gradualmente, começaram a importar mais e mais o que eles originalmente exportavam.

Durante o império romano, o arquipélago de Ventotene era conhecido como Pandataria, e era usado para abrigar nobres que vergonhosamente  haviam sido exilados do país.  O imperador Augusto mandou sua filha Júlia para a Pandataria por causa de seu adultério.  No século XX o ditador italiano Benito Mussolini usou esta ilha com prisão para seus oponentes políticos.

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Ânforas encontradas em Ventotene.

 

Dos naufrágios, o que resta são principalmente os carregamentos cobertos de crustáceos.  Nada sobrou das embarcações propriamente ditas que devem ter sido devoradas por vermes de madeira através dos séculos.  A profundidade em que estas cargas se encontravam ajudou a protegê-las por todos esses anos.

Fonte: Reuters   Tradução minha.





Estória, poema de Martins d’ Alvarez — [para o dia da vovó]

26 07 2009

 vovó conta histórias

 

 

Estória

 

( para pequenos e grandes)

 

                                        Martins d’ Alvarez

 

 

À sombra do tamarindo,

vovozinha, bem sentada,

vai de alfinetes cobrindo

o papelão da almofada.

 

O neto deixa o brinquedo,

chega-se de alma curiosa,

nos bilros buscando o enredo

da renda maravilhosa.

 

Sutil, entre dois extremos,

uma conversa se agita:

— Vovó, como é que aprendemos

Fazer renda, assim, bonita?

 

— Ora, benzinho, aprendendo…

Aprendendo devagar…

Até acabar sabendo,

até um dia acertar.

 

— Pois me ensine, vovozinha!

Garanto que hei de aprender.

— Ensinarei, calunguinha,

quando aprenderes a ler.

 

— Mas vovó não disse, um dia,

que vovozinho morreu

pelo muito que sabia…

Por que demais aprendeu?

 

— Morreu porque foi ferido

No amor próprio, meu bebê!

— Então, o vovô querido

não só amava a você?

 

Vovó fez cara de chiste,

mas, sua fronte pendeu…

Soltou um suspiro triste,

quedou-se … e não respondeu!

 

(Fortaleza, Ceará, 1932)

 

Em: Poesia do cotidiano, Fortaleza, Ceará, Editora Clã: 1977

 

 

 

José Martins D’Alvarez   (CE 1904)  Poeta, romancista, jornalista, diplomado em Farmacia e Odontologia, professor, membro da Academia Cearense de Letras. Nasceu na cidade de Barbalha, Estado do Ceara, em 14 de setembro de 1904.  Filho de Antonio Martins de Jesus a de Antonia Leite da Cruz Martins. Fez os estudos primários na sua cidade natal, os secundários, no Liceu do Ceará.  Depois de formado em Odontologia. Transferiu em 1938 sua residência para o Rio de Janeiro, onde exerceu, além de atividades na imprensa, atividades no magistério superior.

 

 

 

Obras:

 

“Choro verde: a ronda das horas verdes”, 1930, poesia

“Quarta-feira de cinzas”, 1932, novela

 “Vitral”, 1934, poesia

“Morro do moinho” 1937, romance

“O Norte Canta”, 1941,  poesia popular

“No Mundo da Lua”, 1942, poesia para crianças

“Chama infinita, 1949,  poesia

“O nordeste que o sul não conhece 1953, ensaio

“Ritmos e legendas” 1959, poesias escolhidas

“Roteiro sentimental: geopolítica do Brasil” 1967, poesias escolhidas

“Poesia do cotidiano”, 1977, poesia





Imagem de leitura — Gerard Dou

26 07 2009

gerard dou

Velha senhora lendo, (Retrato da Mãe de Rembrandt), 1630

Gerard Dou ( 1613-1675)

Óleo sobre madeira 71 x 55,5 cm

Museu Rijksmuseum, Amsterdã

 

 

Gerard Dou —  Filho de um gravador e pintor em vidro, Gerard Dou começou sua vida de artista plástico pintando sobre vidro.  Em 1628 começou a estudar com Rembrandt, onde aprendeu a arte dos contrastes de luz, a arte do claro-escuro.   Sua especialidade acabou sendo as cenas iluminadas a luz de vela que o fizeram bastante popular  na Holanda do século XVII.    Pintou principalmente pintura de gênero, em que pessoas são retratadas no seu ambiente do dia a dia.  Ficou conhecido pela meticulosa maneira de pintar, pela acurada precisão da representação de texturas diversas.  Gozou de uma excelente reputação internacional e diversos monarcas europeus colecionaram seus trabalhos.  Morreu em Leiden, onde nasceu, e de onde nunca se sentiu tentado a sair.





Chocolate de leite de camela ?!?

26 07 2009

egyptian-camel,steven noble (EUA)

Camelo, ilustração de Steven Noble (EUA).

 

Quando morei em Oran, na Argélia, tive a oportunidade de me familiarizar um pouco mais com os camelos, que até então só conhecia de zoológicos.  Ou seja, passei a vê-los no dia a dia, não dentro do perímetro urbano, afinal Oran era uma cidade moderna de mais de um milhão de habitantes.  Mas como animal de carga, vi muitos camelos nos arredores da cidade, assim como nas aldeias.  Eles não me deram uma boa impressão.  São muito altos, grandes mesmo, e têm um odor peculiar tão intimidante quanto sua altura. Alguns poderiam dizer uma inhaca, uma catinga que penetra nas narinas de visitantes – como eu — e não quer mais largar…   Ruminantes que são, parecem em perpétuo comer, e enquanto mastigam, seus lábios se embabadam para os lados e para a frente de uma maneira pouco atraente.   Cospem com freqüência e seu relincho (camelo relincha?) é sofredor, dá pena.  Não quero desmoralizar esse animal.   Sei da importância que tem para a sobrevivência do ser humano em condições extremas e reconheço seu enorme valor para os moradores do deserto.  Estou simplesmente dando a minha impressão, reiterando os meus preconceitos de cidadã urbana, do mundo ocidental, quando confrontada com tamanha besta.  Por isso mesmo fiquei surpresa de ver que a Al Naasma – uma companhia de Dubai, especializada em chocolates feitos com o leite do camelo, que começou tal produção em 2008 —  tem planos de expansão de mercado incluindo entre seus futuros parceiros outros países árabes, a Europa, o Japão e os Estado Unidos.  E não pretende vender chocolate para qualquer um.  Seus chocolates poderão ser adquiridos, se as negociações em progresso se cristalizarem, na famosa loja Harrods em Londres, ou na conhecida Chocolate Covered, boutique de chocolate da cidade de  São Francisco.  

 

chocolate

 

Procurei ir um pouquinho mais a fundo nesse plano para saber das razões que levariam alguém a comprar chocolate de leite de camela.  Por que, além do simples modismo, alguém se daria ao trabalho de procurar adquirir mais de uma vez, ( não há negócio que possa sobreviver sem o comprador que repete a sua compra) esse singular produto?  E descobri coisas incríveis:  o leite de camela tem 5 vezes mais vitamina C do que o  leite de vaca, tem muito mais ferro do que o leite de vaca, menos gordura, menos lactose e mais insulina.  Além disso é rico nas vitaminas que fazem o complexo B.   Talvez mais importante que tudo já mencionado é que o leite de camela leva a fama de ser um ótimo restituidor de forças, recuperador de ânimo para doenças sérias, recuperador da virilidade masculina e grande afrodisíaco.  Isso o faz um produto excepcional.  O leite de camela aparece como um ótimo produto para diabéticos assim como para aqueles que apresentam intolerância à lactose.   Os chocolates produzidos com o leite de camela, pela companhia Al Naasma, não têm conservantes ou aditivos químicos.   São adocicados com mel e produzidos com coquinhos e especiarias do Oriente Médio.  

Não.  Não pense que esse discurso é um anúncio pago pela companhia de Dubai.  Minha influência não é tão grande, mas a minha curiosidade sobre novos projetos de auto-sustentação é grande.  

 

camel, niles shmistry

Camelo, ilustração de Nilesh Mistry.

 

No meio dessas descobertas li que é muito difícil tirar o leite de camelas.  De acordo com um artigo de 22/7/2009 do Wall Street Journal, Uma fã de leite de camela sofre para começar uma fazenda de gado camelo [A Fan of Camel Milk Struggles to Start a Drome-dairy], as camelas sentem cócegas nas regiões próximas às tetas, movem-se muito e podem de repente se deitar no chão, no meio do processo de tirar o leite.  Além disso preferem dar leite quando há cria por perto.  Sem um bebê camelo é mais difícil a camela dar leite.  Até hoje poucas são as fazendas leiteiras que usam maquinaria na extração do leite de camelo.  A mais conehecida é a companhia The Camelicious [O Camelicioso], uma companhia de Dubai, que desde 2006 vende leite de camela com sabores açafrão ou tâmara.   Outra característica do leite de camela para os produtores é que em média a camela produz 7,5 litros de leite por dia.  Quando se compara com a produção de uma vaca leiteira, em média 26,5 litros/dia, poderíamos dizer que não parece um investimento atraente.

No entanto, isso não está desanimando novos criadores rurais.  Principalmente quando há grande demanda tanto para o leite como para o chocolate feito com o leite de camela.  Essa procura vem dos países ricos do Oriente Médio, do Japão e da Europa.  Por isso mesmo, pessoas como Millie Hinkle, entrevistada pelo Wall Street Journal em Raleigh, Carolina do Norte, estão à cata de aprovação pela FDA [Food and Drug Admnistration] para poderem vender o leite de camelo dentro dos EUA.  A produção de seu rebanho de 40 camelos já estaria toda vendida caso o leite de camelo já tivesse sido aprovado para comércio nos EUA.  Há muito interesse.  Há muita procura.    Em 2006, a ONU projetou  em 10 bilhões de dólares o total de vendas globais de leite de camela e recomendou que o Oriente Médio se dedicasse a essa atividade para melhoria econômica.  Evidentemente não só os habitantes do Oriente Médio estão com os olhos abertos para a oportunidade.  Já há interesse na produção de leite de camela nos EUA, que como o Brasil, não têm camelos naturalmente.  Será que haverá alguém, aqui no Brasil, interessado em se dedicar à produção de leite de camela?   Fica aqui a idéia e os votos de sucesso.  Quanto a mim, a não ser que o meu médico recomende, acho que ficarei com os meus próprios preconceitos.  Vai ser difícil esquecer de onde vem esse leite.  Rs…

FONTES: 

Reuters

The Wall Street Journal








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