Os Arcos da Lapa no Rio de Janeiro

17 08 2009

Lucia de Lima, arcos da lapa, acrílica sobre tela,Os Arcos da Lapa,  2005

Lúcia de Lima ( Brasil, contemporânea)

Acrílica sobre tela

Coleção Particular

 

 

As notícias de hoje me levaram aos Arcos da Lapa no Rio de Janeiro.  Um acidente com o bondinho de Santa Teresa me fez pensar como seria triste a vida nesta cidade sem o bondinho passeando por cima dos Arcos da Lapa, um dos locais mais interessantes e atraentes do Rio de Janeiro.   

Este não é só o símbolo da Lapa, tradicional bairro boêmio da cidade.  Mas um símbolo do Rio de Janeiro.   É,  sem dúvida,  uma das primeiras obras grandiosas da cidade.  Com o passar dos séculos obras gigantescas quase se tornaram lugar comum na cidade, com governantes derrubando morros, fazendo aterros, perfurando montanhas de granito para abrirem longos  túneis urbanos.  Tudo de um gigantismo, de uma grandiosidade, raramente igualadas em qualquer outro lugar do mundo.   

 

arcos da lapa1

 Lagoa do Boqueirão com o Aqueduto da Carioca ao fundo

Leandro Joaquim ( Brasil, c. 1738 – c. 1798)

óleo sobre madeira, originalmente para um dos Pavilhões do Passeio Público.

Museu Histórico Nacional,  Rio de Janeiro

 

 

Os Arcos da Lapa estão entre as primeiras grandes interferências arquitetônicas no Rio de Janeiro.  É a obra de maiores dimensões e maior impacto do período colonial.  Seu nome original — Aqueduto da Carioca — quase explica  sua função.  Essa construção de pedra e argamassa, em estilo romano, com dupla arcada,  42 arcos e óculos, edificada nos anos entre 1744 e 1750, trazia para o centro da cidade as águas do Rio da Carioca.

Mas por incrível que pareça, estes não foram os primeiros arcos construídos como parte do Aqueduto da Carioca.  Os  Arcos que conhecemos hoje, vieram para substituir os Arcos Velhos.  Os primeiros arcos do Rio de Janeiro foram decididos por ordem régia de 1672.  Mas só foram inaugurados em 1723,  junto com o Chafariz da Carioca.  Sua função como a dos Arcos que vemos hoje na cidade era trazer as águas do Rio da Carioca até o Largo da Carioca.   Esta obra,  bastante ambiciosa,  só começou a tomar forma no governo de Ayres de Saldanha [ e Albuquerque] (1719-26).  Mas seu traçado repleto de curvas mostrou-se imprático, sem resistência, chegando às ruínas com grande rapidez.

Foi no governo de Gomes Freire de Andrade,  último governador do Rio de Janeiro (1733 a 1763) — antes de ser criado o Vice-reinado –, que  o Aqueduto da Carioca, que hoje conhecemos, foi construido e inaugurado.

 

eletrificação do bonde_arcosOs arcos, no finalzinho do século XIX, quando os bondes foram eletrificados, 1896.

 

No final do século XIX o sistema de adução das águas do Rio da Carioca tornou-se obsoleto e o aqueduto foi desativado.  Eis que surge, então,  em 1896, a oportunidade de transformar tamanha construção em rota para o bonde elétrico, servindo assim aos moradores do bairro de Santa Teresa.  

 

O bairro possui a única linha urbana remanescente de bondes do Brasil.  A Companhia Ferro-Carril Carioca, que introduziu o serviço de bondes no bairro na década de 1870, eletrificou as linhas em 1896.  E  aproveitou a construção colonial como via de acesso ao bairro. Por ter sido feito onde corria o aqueduto, os bondes de Santa Teresa trafegam usando uma  bitola especial, bastante estreita,  de 1,10m.

 

Arcos-da-Lapa-1925

Os Arcos da Lapa, Cartão Postal, 1925.








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