Primavera, poema — uso escolar — de Manoel Pereira Reis Júnior

20 09 2009

primavera, 1964, tony brice

Ilustração. Tony Brice, 1964

Primavera


Manoel Pereira Reis Júnior

Chegou a primavera, a fiandeira,
vestindo policrômica roupagem;
olha como se veste, mãe, a terra inteira,
para a dança festiva da paisagem!

É a festa das cores nos caminhos,
nas alamedas, nos jardins, nos campos,
alma que tange a lírica dos ninhos,
e vive envolta em véus de pirilampos…

É um pássaro de luz que pousou nas ramadas
e parece chegou de paragens distantes,
e partiu como partem as valquírias aladas
em alígeros corcéis de crinas ondulantes!

E foi levar fulgor as campinas virentes,
às flores dos pauis, aos vales e às estradas,
e passou pela terra espalhando sementes,
anêmonas de luz ao leu, despetaladas. . .

Há cantigas no alto das ermidas,
nas mamoranas, no beiral das casas;
são gorjeios de aves, mas são vidas
na revoada rútila das asas…

E tudo transformou-se, mãe; a natureza
engalanou-se de belezas raras,
do ouro vivo do sol à singeleza
das penas coloridas das araras…

Manoel Pereira Reis Júnior ( Catu, BA, 1911 — RJ, RJ 1975) Poeta biógrafo, professor, jornalista, historiador, prêmi ABL (1944 e 1973).

Obras

As Últimas do outono, 1973

Canções do infinito, 1943

Cantigas da mata, 1936

Delírio de Pã, 1938

Epopéia heróica, 1941

Iocaloa, 1932

Maria da Graça, 1931

Ronda luminosa, 1934

Teia de aranha, 1930





Literatura do absurdo melhora habilidades cerebrais!

20 09 2009

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Uma recente pesquisa, publicada na revista Psychological Science indica que a literatura do absurdo estimula o nosso cérebro.

Travis Proulx [Univ. da Califórnia, Santa Bárbara] e Steven Heine [Univ. da British Columbia], psicólogos, descobriram que a nossa habilidade de encontrar semelhanças e sentido é estimulada quando nos absorvemos na literatura do absurdo.  E mais interessante ainda: habilitando-se essa capacidade, ela reaparece aprimorada para resolver outras tarefas ou problemas fora do campo da leitura.

Essa descoberta é o resultado de uma pesquisa que inclui dois testes diferentes.  No primeiro 40 participantes canadenses, universitários, leram uma de duas versões diferentes da história de Franz Kafka:  O médico do interior.  Numa das versões, que foi um pouco modificada do original, “a narrativa começa a ser cortada, gradativamente, acabando abruptamente depois de uma série de trechos desordenados” disseram os pesquisadores.  Foram incluídas também, junto com o texto, ilustrações bizarras que nada tinham a ver com a história.  

 

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Na segunda versão, a história foi submetida a revisões: retiraram as partes sem conexão; colocaram uma narrativa convencional e acompanharam o texto com ilustrações relevantes ao sentido do mesmo.

Mais tarde, todos os participantes viram algumas séries de 45 letras, e foram instruídos a copiá-las.  Foram também informados que essas séries, de 6 a 9 letras cada, continham um padrão dificilmente decifrável.

Depois ainda, os participantes foram apresentados a novas séries, algumas das quais seguiam os padrões anteriores, enquanto que outras não.  E, foram instruídos a marcar as séries que seguiam o mesmo padrão.

Os que leram a história absurda selecionaram um maior número de séries consistente com o padrão.  Mas, ainda de maior relevância, “tiveram maior acuidade na identificação de séries de letras que teriam genuinamente seguido o padrão”, disseram os psicólogos.   Isso sugere que “os mecanismos cognitivos que são responsáveis pelo aprendizado instintivo da regularidade estatística” se aprimoram quando lutamos para achar significado numa narrativa fragmentada.

 

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Num segundo experimento, pediu-se aos participantes que se lembrassem de ocasiões em que eles se comportaram de maneiras diversas. Foram, então, instruídos a considerar a idéia de que “tinham duas pessoas diferentes habitando o mesmo corpo”. Este teste,  também obteve resultados semelhantes: quem havia seguido a literatura do absurdo, conseguiu melhores resultados em achar as séries das letras. Melhor do que outros membros do grupo de estudo.  “A divisão no desenrolar de um argumento com as diferentes unidade de ser  pareceram motivar as pessoas a acharem novas e diferentes associações em séries”.

Os psicólogos, Proulx e Heine, acreditam que essas experiências demonstram a necessidade humana de impor ordem no que nos atinge, criando parâmetros de significado.  Qualquer aparente ameaça a esse processo parece “ativar uma válvula que procura por um significado, que quando é ativado se lembra de qualquer outro tipo de associações a fim de restaurar um significado”.

 

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Então tudo indica que o filósofo Viktor Frankl estava correto quando enunciou: O homem está perpetuamente a procura de significado.  E se um romance de absurdo, à maneira de Kafka, parece estranho na superfície, pelo menos ele garante que nossos cérebros se acendam e procurem intensmente um significado num padrão aparentemente invisível.  Isso é, de fato, muito melhor do que acordarmos uma manhã para descobrirmos que nos tornamos numa barata gigante. 

 

FONTE:  Miller-Mccune





Imagem de leitura — Eduardo Feitosa

20 09 2009

Eduardo [de sá] Feitosa, (santo andre,sp, 1957) Ensinando a ler, ost,50 x 60Ensinando a ler, s/d

Eduardo Feitosa ( Brasil, 1957)

Óleo sobre tela,  50 x 60 cm

EduardoFeitosa (Santo André, SP, 1957)  freqüentou o curso de bacharelado em matemática na Universidade Fundação Santo André.  Autodidata.  Desde jovem se interessou por desenho artístico, ilustração em quadrinhos e criação de logotipos publicitários.  Tornou-se pintor em 1990, quando realizou sua primeira exposição. Especializou-se no hiper-realismo.  Já participou de exposições individuais e coletivas, no Brasil, nos Estados Unidos e em vários países europeus.








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