Valsa da Vassoura, Dilan Camargo, poesia infantil

31 10 2009

bruxa com gato

Valsa da vassoura

Dilan Camargo

Senhora Dona Vassoura

Elegante Dama Loura

ao vê-la assim tão linda

minha tristeza se finda.

 

Vamos dançar uma valsa?

Pra poder acompanhá-la

este jovem se descalça

com medo de pisá-la.

 

Deixe enlaçar, dançarina

a sua cintura fina.

Deixe tomar, bem sensíveis

os seus braços invisíveis.

 

Ao soar a melodia

surpresa todos verão:

rodopia, rodopia

um belo par no salão.

 

Em: Poesia fora da estante, coord. Vera Aguiar, Simone Assumpção e Sissa Jacoby, Porto Alegre, Editora Projeto:2007

Dilan Deibal D’ Ornellas Camargo — ( Itaqui, RS, 1948) advogado, professor, escritor, poeta, teatrólogo e letrista.

Obra:

Em mãos, poesia, 1976

Na mesma Voz,  poesia, 1981

Sopro nos Poros,  poesia, 1985

O Embrulho do Getúlio, poesia infantil, 1989

Rebanho de Pedras, poesia, 1990

O Vampiro Argemiro, poesia

Eu pessoa, pessoa eu, poesia, 1997

Poesia e Cidade, poesia, 1997

Bamboletras, poesia, 1998

O tempo começa no coração, poesia, 1999

A Fala de Adão, poesia, 2000

Antologia do Sul – Poetas Contemporâneos do RS, poesia, 2001

A Galera Tagarela, poesia, 2003
 
Coletânea da Poesia Gaúcha do RS, poesia, 2005
 
Balaio de Idéias, poesia,  2007
 
BrinCRiar, poesia infantil, 2007
 
A Casa da Suplicação, teatro
 
A Oitava Praga, teatro




Filhotes fofos: um rinoceronte alemão

30 10 2009

efe, rino erfurtFoto: EFE

 

Numbi, a mamãe rinoceronte, observa com cuidado a nova cria no zoológico de Erfurt, na Alemanha. O bebê nasceu com cerca de 40 kg e apareceu para o público, hoje, ela primeira vez.





A arteira e a arte — poema infantil de Dilan Camargo

29 10 2009
maquiagem 4Ilustração Maurício de Sousa.

 

A arteira e a arte

Dilan Camargo

 

Mamãe me empresta tua bolsa

teu colar e teus sapatos

depois me passa batom

que vou tirar um retrato.

 

Deixa eu me olhar no espelho

deixa só por um instante.

Quero batom mais vermelho

quero um colar mais brilhante.

 

A sala é uma passarela

requebro e faço proeza

sou artista de novela

a rainha da beleza.

 

Será que o sonho termina

quando desço dos sapatos?

Será que baixa a cortina

quando chega o fim do ato?

 

 

Em: Poesia fora da estante, coord. Vera Aguiar, Simone Assumpção e Sissa Jacoby, Porto Alegre, Editora Projeto:2007

Dilan Deibal D’ Ornellas Camargo — (Itaqui, RS, 1948) advogado, professor, escritor, poeta, teatrólogo e letrista.

Obra:

Em mãos, poesia, 1976

Na mesma Voz,  poesia, 1981

Sopro nos Poros,  poesia, 1985

O Embrulho do Getúlio, poesia infantil, 1989

Rebanho de Pedras, poesia, 1990

O Vampiro Argemiro, poesia

Eu pessoa, pessoa eu, poesia, 1997

Poesia e Cidade, poesia, 1997

Bamboletras, poesia, 1998

O tempo começa no coração, poesia, 1999

A Fala de Adão, poesia, 2000

Antologia do Sul – Poetas Contemporâneos do RS, poesia, 2001

A Galera Tagarela, poesia, 2003
 
Coletânea da Poesia Gaúcha do RS, poesia, 2005
 
Balaio de Idéias, poesia,  2007
 
BrinCRiar, poesia infantil, 2007
 
A Casa da Suplicação, teatro
 
A Oitava Praga, teatro




Imagem de leitura — Miháy Bodó

28 10 2009

mihaybodo9Biblioteca, s/d

Miháy Bodó ( Hungria/Espanha 1957)

óleo sobre tela

 

Miháy Bodó ( Hungria, 1957 – radicado na Catalunha) estudou na Faculdade de Belas Artes de Barcelona sob a direção de Bruno Fonseca. Licenciado em Filosofía e em Engenharia Civil ambos em Budapest.  Estudou também escultura na Faculdade de Belas Artes de Barcelona.





Papa-livros: A costa do mosquito, Paul Theroux

28 10 2009

Henri Rousseau, Floresta Tropical com macacos, 1910, Tate Gallery, LondresFloresta Tropical com macacos, 1910

Henri Rousseau ( França, 1844-1910)

óleo sobre tela

National Gallery, Washington DC

Há uma semana tento escrever sobre o livro A costa do mosquito de Paul Theroux, (Rio de Janeiro, Alfaguara: 2009), romance eleito para discussão no mês de outubro no grupo de leitura Papa-livros.  A razão da minha dificuldade está na tensão que sinto entre dois opostos: um excelente romance, com uma narrativa extraordinária, de um lado e do outro lado, personagens totalmente detestáveis com exceção do narrador, um menino se aproximando da adolescência, pelo qual sinto total indiferença.  Esta combinação tem me deixado paralisada. 

O enredo é bastante simples: um homem, um inventor, quase genial, insatisfeito com a moderna sociedade americana, empacota suas coisas e família mudando-se para a América Central, onde pretende instalar numa região remota os rudimentos de uma sociedade perfeita.  É a história de um psicopata, um “survivalist”, egocêntrico, que submete os 4 filhos e sua esposa a um grande sofrimento, na esperança sem base realística de que poderá “re-inventar” o mundo, a sociedade, a maneira de viver.  Seu relacionamento amoroso, com filhos e mulher, se queda no parâmetro da insensibilidade.  Sempre com desculpas para qualquer fracasso, tende a colocar a culpa em outros ou na sociedade que o cerca.  Nunca sente arrependimento ou remorso e leva sua prole a sofrer, física e mentalmente, às vezes quase que se divertindo com seu sofrimento, mostrando continuamente um comportamento anti-social, em prol de um benefício que só ele parece perceber.

É difícil decidir qual dos personagens é mais detestável nessa trama:  Se Allie Fox, cativo de sua condição mental, aparentemente são, mesmo que suas ações revelem o contrário; ou se “Mãe”, sua cara-metade, que aceita o comportamento esdrúxulo  do marido, facilitando sua performance, mesmo que esta se realize em detrimento da educação, do desenvolvimento, da segurança e da saúde de sua prole.

O resultado do romance é esmagador, enfurecedor,  revoltante.  Reconheço que houve momentos em que tive que colocar o livro de lado, tal minha agonia quanto ao comportamento dos dois adultos desta perigosa família.  Se consegui terminar o livro foi por exclusiva admiração ao autor, à sua habilidade com a escrita e em respeito ao seu trabalho anterior.

A Costa De Mosquito

Paul Theroux sempre me encantou com sua facilidade descritiva e aqui continua a mostrar uma narrativa cheia de imagens ricas e inovadoras.  Continua sensacional.  Vejamos por exemplo este parágrafo no início do livro, quando Charles decide sair de casa para ver onde estaria seu pai, no campo, à noite:

Nossa casa era rodeada de campos lavrados.  Arvoredos cresciam nas extremidades de cada um, para quebrar o vento. O milho e o tabaco já começavam a brotar e embora fosse mais fácil caminhar entre os sulcos, mantive-me na trilha, com os braços à frente do rosto, para me proteger dos galhos.  Pior que eles, as teias de aranha atravessavam o caminho e se prendiam em meus cílios.  Os bosques eram cheios de charcos, e o som dominante na noite era a algazarra das rãs arborícolas – pequenas, escorregadias e lustrosas como iscas de peixe.   As árvores, azuis e negras, lembravam enormes bruxas… [p. 20]

Ou, esta passagem, bem mais no fim do livro:

Jerônimo parecia ter sido bombardeada.  Era principalmente pó, um bolsão de cinzas ardentes.  As árvores ao redor tinham se transformado em estacas.  Como o fogo se espalhara, a clareira se tornara maior, semelhante a uma cratera.   Os encanamentos do Menino Gordo haviam desmoronado – e estavam embranquecidos como ossos.  As bombas tinham caído.  Nenhuma casa ou abrigo ficara de pé.  As plantações estavam carbonizadas. Alguns caules restantes estavam empolados como carne queimada.  O milharal estava arrasado.  As abóboras e os tomates haviam explodido e minavam suco – tinham sido cozidos até apodrecer.  Algumas frutas se pareciam com bolsas esfarrapadas.

Mas as ruínas e as cinzas não eram nada comparadas ao silêncio.  Estávamos acostumados aos gorjeios e aos grasnidos dos pássaros, e com o ciciar retumbante das cigarras.  Não havia som, nem movimento.  Toda a vida existente em Jerônimo fora consumida pelo fogo.  Os pássaros que víamos estavam mortos, carbonizados, encolhidos, depenados, com asas minúsculas e cabecinhas ridículas, não mais do que bolotas.  Peixes viscosos boiavam na superfície do tanque.  Ao sol da tarde, tudo estava morto, silencioso e malcheiroso.  Algumas pilhas de escombros ainda fumegavam. [p. 321]

Minha familiaridade com Paul Theroux é baseada tanto nos livros de  ficção quanto nos seus livros de viagem.  Na ficção, lembro-me com muito gosto de Saint Jack, The consul’s file e Hotel Honolulu, livros que li quando morava fora do Brasil.  A costa do mosquito, no entanto, está na lista daqueles não lidos no original, apesar de ter sido um romance transformado em filme em 1986, dirigido por Peter Weir.  É difícil imaginar Harrison Ford, um galã de primeira linha, fazer o personagem principal desta saga familiar, porque Allie Fox, o papel que desempenha no filme, é um dos homens mais detestáveis da literatura americana!  Mais difícil ainda, é imaginar a fantástica atriz inglesa Helen Mirren, que parece ter sempre papéis de mulheres fortes, vestir-se na pele de “Mãe” – personagem casada com Allie Fox e talvez ainda mais desprezível que seu marido pela silenciosa  aderência aos planos do marido, por ser a facilitadora de um tipo de abuso sofrido pela ela mesma e por seus filhos, sem nunca se revoltar.

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Cena do filme A Costa do Mosquito, com Harrison Ford.

Com freqüência, durante a leitura de A costa do mosquito, lembrei-me de um outro livro que li há um pouco mais de um ano, também americano, chamado O castelo de vidro, de Jeannette Walls — uma leitura escolhida pelo grupo Papa-livros em março de 2008.  Este, baseado na verdadeira história da autora.   As circunstâncias de uma família disfuncional, com pais irresponsáveis, beirando a loucura, também são descritas nessa autobiografia.  Lá também temos um pai com comportamento anormal e uma mãe facilitadora.  Em ambos leva muito tempo para os filhos perceberem a situação de extrema dependência em que se encontram e fazerem o que é necessário para se salvarem.    Em ambos os livros, quer na ficção, quer na autobiografia, seus narradores,  — uma criança em cada uma das famílias – mostram grande fascinação por seus pais, fascinação mesclada por medo indistinto.   São crianças aterrorizadas pelos adultos dos quais dependem, e que não conseguem refrear seu amor e dedicação aos pais, como se só eles pudessem entender o gênio que se esconde por trás da loucura.    Há momentos em que Charles, em A costa do mosquito, filho mais velho, parece estar a ponto de descobrir a loucura de seu pai, mas tudo não passa de um vislumbre e se despedaça em segundos. 

Charles não chega a se lembrar, como nós leitores o fazemos,  nem mesmo de uma história contada, só para ele,  pelo Sr. Polski.  Uma história que preconiza o futuro de Charles.  Nela, um rapaz que sofreu na infância pelas manias do pai, morde-lhe fora uma orelha como parte de seu último desejo à beira da morte.  Esta história, contada como a dvertência ao menino pelo futuro nefasto que poderia ter, só encontra raízes no leitor, que naquela hora [p.69] sabe como a história de Charles se solucionará.  Mas o menino  leva muito tempo para que a imensidão do abuso a que foi submetido venha a trazer a revolta e fruir os resultados que o liberarão.  Vejamos um exemplo da estranha mistura de loucura e fascinação que Allie Fox exerce, pela descrição de Charles sobre o comportamento de seu pai:

 A prova disso é que estávamos em uma pipanto de quatro metros, seguindo rapidamente em direção à costa.  Não passava de uma canoa de fundo chato, mas tínhamos sombra, assentos e fumaça para espantar mosquitos. O Pai tinha convertido aquilo em alguma coisa veloz e confortável. Falava de forma desenfreada, mas sua loquacidade era criativa.  Durante todo o percurso rio abaixo, não parou de falar.  Estivera preocupado.  Ontem, havia chorado; hoje vociferava contra sua experiência e sobre o fim do mundo.  Parecia faminto.  Estava muito agitado e, agora, mais previsível do que nunca.  Mas não havia no mundo ninguém mais engenhoso. [p. 335]

paul theroux

Paul Theroux

Com os vaivens das minhas opiniões sobre este romance, só o recomendaria a quem estivesse interessado em um estudo da personalidade psicopata.  Se o seu objetivo, no entanto, é conhecer o excelente escritor Paul Theroux, recomendo que se entregue de corpo e alma à leitura de algum outro de seus títulos.





Quadrinha da borboleta

27 10 2009

borboleta e menino

 

Borboleta multicor

tu me lembras, ao passar,

um bilhetinho de amor

dobrado em dois, a voar…

 

(J. G. de Araújo Jorge) 





Filhotes fofos: girafa bebê é italiana!

27 10 2009

girafinha em Roma

 

Uma girafa bebê do sexo masculino se aproxima de sua mãe no jardim zoológico de Roma. Ainda sem nome, o filhote será batizado em um concurso que terá seu resultado divulgado no mês de novembro.

Fonte: Terra








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