Entenda o uso da vírgula!

23 11 2009

Comercial sobre a liberdade de imprensa que mostra como uma simples vírgula pode alterar a história. Associação Brasileira de Imprensa, ABI.

Agência: África São Paulo Publicidade Ltda.
Produtora: Visorama Diversões Eletrônicas
Áudio: Sonido Produções Musicais





Filhotes fofos: tapir em zoológico escocês

23 11 2009

O tapir Vasan explora sua área no zôo de Edimburgo, na Escócia.





Imagem de leitura — Gustav Oskar Björck

23 11 2009

Passatempos, 1926

Gustav Oskar  Björck ( Suécia, 1860-1929)

óleo sobre tela,  123 x 146 cm.

 

Gustav Oskar Björck, cujo nome também pode ser escrito Gustaf Oscar Björck, nasceu em  Estocolmo e foi treinado na Academia de belas Artes da mesma cidade.  Ele passou algum tempo na Colônia de Artistas em Skagen na Dinamarca assim como em Paris, Munique e na Itália.  Um de seus mais importantes quadros veio cedo na sua carreira:  Sinal de Perido, que está na coleção permanente do Museu de Arte de Copenhagen.  Sua pintura também é lembrada pelo chiaroscuro – onde  as diversas tonalidades de luz do sol brilhante à escuridão são reproduzidas.  Como retratista, Bjorck sempre tentou colocá-los nos seus mais íntimos contextos.  É considerado um dos maiores retratistas de seu tempo na Suécia.





Filhotes fofos: leãozinho

23 11 2009

leão branco filhote

Aos doze dias de idade, o filhote do raro leão branco africano é alimentado por uma mamadeira no jardim zoológico de Belgrado, na Sérvia





Quadrinha, filosofia de vida

23 11 2009

bambu ao ventoBambu ao vento, aquarela chinesa.

 

Resiste ao vento o pinheiro,

e a ramaria espedaça;

mas o bambu, mesureiro,

dobra o dorso, e o vento passa.

(Archimino Lapagesse)





Papa-livros: Viva chama, de Tracy Chevalier

23 11 2009

Goya,osonodarazaoproduzmonstrosO sono da razão produz monstros, 1799  da série:  Os caprichos

Francisco Goya (Espanha, 1746-1828)

Já tive a oportunidade, aqui neste blog, de usar a palavra zeitgeist .  Esta é uma palavra alemã [pronunciada: ‘zaitgaist’] que engloba o conceito de um espírito de época. Originalmente ligada a um movimento do romantismo alemão, com o tempo esta palavra tornou-se a maneira taquigráfica para historiadores explicarem certos fenômenos, atitudes, preocupações que parecem surgir simultaneamente em diversos lugares e culturas diferentes mas que não teriam sido relacionados, apesar dos muitos pontos em comum que apresentam.  Foi justamente este conceito de zeitgeist que primeiro veio à minha mente ao ler Viva Chama [não gosto desta tradução do título inglês: Burning Bright, porque perde a ênfase em português], o mais recente livro de Tracy Chevalier traduzido no Brasil. (Rio de Janeiro, Record: 2009).

Não sou, nem nunca fui, uma especialista do século XVIII, mas conheço o suficiente para me lembrar que uma grande preocupação intelectual do final deste século e  início do século XIX baseava-se nos contrastes, nos opostos.  Intelectuais consideravam seriamente aspectos entre a razão e o sonho;  consideravam os limites do racionalismo em oposição às infinitas possibilidades do inconsciente.  Um dos maiores símbolos para a época, que parece representar fielmente as considerações mencionadas foi a série de oitenta gravuras do pintor espanhol Francisco Goya, chamada de  Los Caprichos, publicada em 1799.  E dentre estas gravuras, uma em particular: O sono da razão produz monstros, se tornou emblemática das preocupações desse fim de século.

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Pietà, 1795

William Blake ( Inglaterra, 1757-1828)

Tate Gallery,  Londres

William Blake (1757-1828), poeta e pintor inglês, contemporâneo de Goya e também um dos personagens do livro de Tracy Chevalier foi um dos intelectuais da época,  mais  preocupados com a dualidade dos elementos.  Blake, que parece no romance um personagem de pano de fundo, tem, no entanto, suas idéias cristalizadas no tecido do romance.  Assim, questões que poderiam ser reduzidas e polarizadas, como razão x sonho; bom x mau; crença x materialismo, encontram no romance a linha de união que as une; a linha de união que preocupava Blake e que ele, através da autora explica:

 — Sim, minhas crianças.  A tensão entre os opostos é o que nos faz ser como somos.  Não somos apenas  uma coisa, mas o oposto dela também, misturando, se chocando e faiscando  dentro de nós.  Não apenas luz, mas escuridão.  Não só paz, mas guerra.  Não só inocência, mas conhecimento.  – Ele descansou o olhar um instante na margarida que Maisie ainda segurava.  – É uma lição que precisamos aprender: ver o mundo todo numa flor… [p. 230].

—-

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William Blake, 1807

Thomas Phillips ( Inglaterra, 1770-1845)

National Portrait Gallery, Londres.

 

 

Tracy Chevalier, astutamente, digere para o leitor a grande temática de opostos se complementando, e o faz em tantos níveis através do romance, que este se torna, para quem o percebe, quase um quebra-cabeças do gênero: quantos quadrados podemos ver neste desenho?  Onde a figura apresentada não só é feita de quadrados como emoldurada por eles.    A trama é difusa e simples, aparentemente centrada nas peripécias de três personagens nos primeiros anos da adolescência.  Uma família sai de um vilarejo na Inglaterra, mudando-se para Londres, a convite do dono de um circo.  O pai, marceneiro, especialista cadeiras, vai para a capital do país ser carpinteiro do circo. Com ele além da mulher vão os filhos: Maisie, uma menina recatada e seu irmão mais velho Jem.   Logo, logo as crianças ficam amigas de Maggie, uma menina de idade próxima à de Jem, filha de vizinhos.  Os três têm muitas aventuras citadinas.  Maggie se aproxima deles feliz por poder mostrar aos “caipiras do interior” sua habilidade e esperteza adquiridas no dia a dia da metrópole.   Um casal — William Blake e sua esposa — que mora no mesmo grupo de casas, é olhado com curiosidade e desconfiança pelos vizinhos.  Assim se torna um elemento de fascinação para os três aventureiros que seguem o casal daqui para acolá e acabam travando uma amizade com o poeta-pintor e sua esposa.

Todos os personagens com grandes ou pequenas participações na trama apresentam duas facetas:  boa e má, inocente e experiente, seriedade e jocosidade.  Anne Kellaway, a senhora sisuda do interior é imediatamente fascinada pelo mundo do circo, onde ela pode se deixar levar por momentos oníricos que não admitia em sua própria vida.  O sério casal Blake é entrevisto nas suas relações sexuais ao ar livre.    Jem, o nosso adolescente do interior luta contra a fascinação e o repúdio por sua amiga Maggie.  Até mesmo as duas meninas, que parecem um o reverso da outra, têm em comum o mesmo nome, Margaret, para o qual cada uma usa um apelido diferente: Maisie e Maggie.  

William Blake é retratado como uma pessoa afável que desperta bastante curiosidade não só por sua impressora, uma máquina que pode ser vista em sua casa, da rua, como também pelos seus desenhos, por suas conversas, por suas poesias e por suas preferências políticas a favor daqueles que no continente apóiam a Revolução Francesa.  E mesmo como um intelectual londrino, William Blake não se esquiva de participar de pequenas discussões sobre uma visão do todo, que inclua seus opostos, com qualquer pessoa que pareça se interessar pelo assunto.   Um exemplo, logo no início do romance, de um diálogo que se desenrola entre ele e o dono do circo Phillip Astley.

Philip Astley

 

 

— O senhor cria, não é? – continuou Phillip Astley – Desenha as coisas reais, mas seus desenhos, suas gravuras não são a coisa em si, pois não?  São fantasias.  Creio que.  apesar das diferenças… – olhou de lado para o paletó preto e simples do Sr. Blake comparado ao vermelho que ele usava, com seus botões de metal brilhando, lustrados diariamente pelas sobrinhas  — somos do mesmo ramo, senhor: nós dois vendemos ilusão. O senhor com seu pincel, tinta e buril, enquanto eu… – Phillip Astley fez um gesto para as pessoas em volta — …todas as noites crio um mundo com artistas no picadeiro.  Tiro o público de seus cuidados e preocupações e dou-lhe fantasia para ele achar que está em outro lugar.  Mas para ser real às vezes temos que ser reais.  ….

 — ………………………………………………………………………………………….  —-

— Não desenho pessoas reais – interrompeu o Sr. Blake, que ouvia com grande interesse e falou. Então, num tom mais normal, sem raiva.  – Mas entendo o senhor.  Porém vejo de outra forma.  O senhor faz diferença entre realidade e ilusão.  Julga que são opostos, não?

— Claro – respondeu Phillip Astley.

— Para mim, são uma coisa só.  ….   [p. 115-116]

E assim, como numa sala de espelhos, a idéia de opostos unidos num todo, é esmiuçada e explicada, multiplicada infinitamente em diferentes níveis através do romance.  Quando vemos, temos em nossas mãos a verdadeira união de “opostos”,  William Blake que parecia apenas um personagem lateral, quase pano de fundo,  tem suas idéias explicitadas de tal forma que é indiretamente o real e único retratado na narrativa.  

Vista da Ponte de Westminster em Londres na segunda metade do século XVIII.

 

É a habilidade narrativa de Tracy Chevalier que leva este romance à leitura rápida, quase compulsiva da trama.  Como leitores anteriores já haviam comentado –  as citações na capa mostram – a riqueza de detalhes desta Londres do final do século XVIII é impressionante.  A autora parece sempre confiante nas descrições em que os cinco sentidos acabam sendo envolvidos: da paisagem do Tamisa de um lado ao outro da ponte de Westminster, aos cheiros dos becos locais, à delicadeza do tato na manufatura de um botão, ao perpétuo gosto de mostarda para os trabalhadores da fábrica, ao assovio de uma canção.  Neste livro todos os nossos sentidos são acordados para o mundo de 200 anos atrás.   E melhor ainda, nós nos lembramos de que esse mundo anterior, poderia ser particularmente cruel e imundo, de vida difícil, esgotante, para a maioria das pessoas.  

Se você gosta de um romance com clareza histórica e uma conexão literária, não deixe de ler Viva Chama.  Vale a pena.

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PS:  A Bertrand do Brasil poderia ter sido um pouco mais cuidadosa na editoração do livro.   Há muitos pequenos errinhos, incluindo a troca de personagens, que distraem a leitura.  Uma falta que não se espera de uma das editoras de um grande conglomerado editorial.  Pena.  Muita pena, que a pressa do lucro haja desvalorizado o texto.

 

Tracy Chevalier








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