Alonso Cueto, brilha com O Sussurro da mulher baleia

3 01 2010

Meninas

Stanislaw Wyspianski ( Polônia, 1869-1907)

Inicio de ano prolongado…  Estou aproveitando o tempo para limpar o escritório e colocar coisas em ordem.  Assim, antes de descartar algumas resenhas que foram feitas para outros fins, que não o blog, venho aqui postá-las para não perder de todo o controle do que li, e das minhas reações a certas leituras.  Começo com um romance que me comoveu bastante, do escritor peruano Alonso Cueto, cuja resenha escrevi em 31/01/2008, antes de começar este blog.

Amizade, lealdade, ira e vingança num romance moderno e atual

Vi este livro em diversas livrarias em Lima, no Peru, em Outubro.  Mas não leio muito bem em espanhol.  Então, quando cheguei de volta ao Rio de Janeiro achei interessante ver que havia acabado de ser lançado no Brasil.  Não conhecendo o autor, resolvi comprá-lo como uma recordação da minha viagem.  E ainda levei um tempinho para lê-lo principalmente porque seu título não me interessava: ênfase no tamanho ou no peso de uma mulher era um assunto que me repelia.  Mas, acabei enfrentando a fera.  Como gostei!  É um excelente livro e descobri, chegando ao final, e algumas horas depois e alguns dias mais tarde, que é um livro que fica enraizado na nossa imaginação; que mantem um diálogo vivo com os nossos botões.  Gosto de livros que me fazem pensar.

Duas adolescents são amigas de escola.  Esta amizade é muito importante para cada uma delas, enquanto a amizade durou.  Anos mais tarde, elas se encontram, já adultas.  Cada qual bem sucedida na sua vida, cada qual com sua parcela de sucesso e sorte.  À medida que elas voltam a se comunicar, descobrem não só como são importantes as emoções que cada qual guarda a respeito da amizade que teve, mas também recordam o evento trágico que separou-as, que destruiu o que haviam construído: uma amizade que era importante para cada uma delas.

A narrativa é clara, assim como a maneira em que os personagens são retratados.  Há muita atenção nos detalhes do dia a dia, coisa que no início parecia inconseqüente, talvez até um maneirismo do autor, mas que mostra ser essencial para detalhar as emoções, para retratar  a vida interioir de cada personagem, vida essa submersa nos detalhes corriqueiros.

Com um excelente ritmo, texto coloquial e moderno, Alonso Cueto se mostra em domínio total da narrativa, do inicio ao fim.  À medida que estas duas mulheres rememoram suas vidas, descobrimos suas fraquezas e principalmente a necessidade de cada uma de “pertencer” de “fazer parte” de um grupo.  E nos lembramos também de como os adolescentes podem ser cruéis consigo mesmos e com seus amigos e colegas.   E aos poucos percebemos como podem ser profundas as feridas sentidas nestes anos de formação, assim como a dificuldade de cada um, de superá-las.

Depois de ler este romance de Alonso Cueto, não me surpreendi ao descobrir que ele é um autor peruano muito conhecido, com mais de uma dúzia de títulos publicados e que já recebeu diversos prêmios literários inclusive o Prêmio Viracocha, em 1985, com o livro Tigre Branco;  em 2005 ganhou o prêmio Herralde com o livro Hora Azul.  Em 2002 ele recebeu a bolsa para escritores da Guggenheim e em 2003 seu livro Grandes Moradas tornou-se um filme de Francisco Lombardi.

Alonso Cueto

Este é um livro sobre amizade, lealdade, ira e vingança.  Retrata as almas sofridas e as técnicas de sobrevivência usadas por aqueles que carregam feridas emocionais por muito tempo.  É um romance com um final surpreendente:  iconográfico e belo.  Sutil.  Não é supresa, então, que tenha sido um livro finalista para o Prêmio Planeta – Romance Ibero-americano – em 2007.  Recomendo com entusiasmo a leitura deste romance.

31/01/2008

Esta resenha apareceu em:  Living in the Postcard; e na Amazon.  Ambas em inglês.  Tradução e adaptação, minhas.


Ações

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5 responses

3 01 2010
Letícia Alves

Já ouvi falar tanto desse título, mas não imaginava que a história era essa.
Ai ai, é só vir aqui e querer ler seus livros, mas vou me conter, tenho muitos meus ainda, mas com certeza eu volto.
Beijos!

9 04 2011
Bullying: um crime social, onde todos têm sua dose de culpa, como mostrou Alonso Cueto « Peregrinacultural's Weblog

[…] da mulher baleia, [Planeta: 2007]  já resenhado aqui nesse blog,  em 3 de janeiro de 2010:  Alonso Cueto brilha com O sussurro da mulher baleia .  O romance que foi finalista  em 2007 do Prêmio Planeta-Casa América de Narrativa […]

11 02 2012
O sussurro da mulher baleia, livro de Alonso Cueto | Bullying não é brincadeira

[…] A outra, uma espectadora omissa, carrega também o peso da sua covardia e da sua omissão. “Alonso Cueto brilha com O sussurro da mulher baleia .  O romance que foi finalista  em 2007 do Prêmio Planeta-Casa América de Narrativa […]

26 03 2014
alan

Magnifica escrita sobre o romance. Simplemente uma boa ficção para ler e pensar sobre as consequências de nossos atos com os outros, de nosso comportamento as vezes irresponsável para com os outros. Um romance para se sentir na imaginação a força de uma broma tola que pode mudar a vida de uma pessoa no futuro.

26 03 2014
peregrinacultural

Obrigada Alan, realmente um dos meus favoritos dos últimos anos. Um abraço!

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