Ildefonso Falcones encanta com A Catedral do Mar

3 01 2010

 Vitral da nave central, da igreja Santa Maria del Mar, em Barcelona.

Inicio de ano prolongado…  Estou aproveitando o tempo para limpar o escritório e colocar coisas em ordem.  Assim, antes de descartar algumas resenhas que foram feitas para outros fins, que não o blog, venho aqui postá-las para não perder de todo o controle do que li, e das minhas reações a certas leituras.

Uma visita à idade média em Barcelona

A tradução recente do espanhol para o português de A Catedral do Mar de Ildefonso Falcones, um advogado catalão que escreve seu primeiro romance, foi muito bem recebida aqui no Rio de Janeiro, e foi o livro escolhido pelo meu grupo de leitura para discussão em novembro.

A história se passa no século XIV, na Catalunha, e tem como tema central a construção de uma catedral gótica, à qual seu título se refere.  Também demonstra a importância desta construção – que existe até hoje – para a cidade de Barcelona e como a sociedade, dos nobres aos servos, foi afetada pela construção desta igreja. 

Neste meio tempo, temos o que eu diria ser uma das melhores séries de aulas sobre a vida na idade média.  A vida de Arnau Estanyol segura o texto de maneira surpreendente, do início ao fim do livro.  Nascido servo, nosso herói acaba barão.  Desta maneira, conseguimos entender não só as obrigações diárias de um servo na época, como aquelas esperadas dos homens livres, dos comerciantes e dos que emprestavam dinheiro a juros.  Vemos o início da Inquisição, a vida na Jederia ( o bairro judeu), as preocupações e obrigações diárias dos religiosos.  A medida que Arnau passa de uma aventura à outra, e aos poucos galga posições sociais, numa escalada sem igual, o leitor fica familiarizado com a vida dos homens livres, e como uma cidade mercantil funcionava.  E a quê vinham os nobres?   Preconceitos e valores morais são demonstrados e explorados com mestria.  O resultado é entendermos como pensavam os protagonistas de cada nível social.

 

 

E apesar dessa informação toda, a história é muito interessante, rápida, uma aventura quase, numa linguagem de fácil absorção.  A “aula de história” passa desapercebida, infiltrada como está em prosa de excelente qualidade.  Pouquíssimas são as passagens mais longas, ou diálogos que trazem mais informação do que adiantamento da trama.  Este romance é prazeroso de ler, apesar da grande informação histórica que se propõe a passar.    Por causa disso mesmo, este livro teve grande sucesso de venda na Espanha, e foi responsável pela inclusão n da catedral do título e de outros locais mencionados ao longo do romance, nos roteiros turísticos de Barcelona e da Catalunha.

A grande surpresa, para mim, veio na descoberta de quão diferente Barcelona era das outras cidades da época, que também viviam da exploração mercantil do porto.  Tinha uma população de homens livres muito maior do que essas outras cidades européias, até mesmo Veneza.  Surpresa também é o conhecimento extenso e profundo de Ildefonso Falcones, assim como sua capacidade de manter a nossa atenção através das quase 600 páginas desse livro.

Ildefonso Falcones

 

 

Espero com bastante antecipação o próximo livro do autor.  E sei que milhões de outros leitores estarão também alimentando expectativas para o seu próximo livro.  Recomendadíssimo.  Excelente romance histórico.

24/11/2007

Este texto já foi publicado em inglês no Living in the postcard, e na Amazon.


Ações

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4 responses

15 05 2010
ana serrano

Desde que li “A Catedral do Mar” que não consigo ler outros livros,com a mesma concentração,ansiedade e entrega…Todos me parecem pobres na densidade da história,sem rasgos de genialidade e trabalho de pesquisa.Este autor “estragou-me” o prazer de ler.porque aumentou a minha bitola na escolha de leitura dos romances contemporâneos…Agora,aguardo que publiquem,em português,o seu segundo romance;”A Mão de Fátima”.Mas está difícil…Há mais de um ano editado em Espanha e os nossos tradutores ocupadíssimos!Devo acrescentar que perco a avidez da leitura quando o faço noutros idiomas,Se fosse um livro técnico,um artigo…Mas um romance,senhores!,bem traduzido,cuidadosamente editado,de papel suave,letras médias,dedicada e precisamente revisto…que momentos únicos!..

15 05 2010
peregrinacultural

Olá Ana, que interessante o seu comentário porque algo semelhante ocorreu não só comigo mas com algumas outras pessoas que conheço. Comigo, todos que eu encontrava me diziam que eu deveria ler Os Pilares da Terra, de Ken Follet, que era muito melhor que A catedral do mar. Ledo enganon. Não consegui nem chegar à metade. E levei um bom tempo para ler outros romances históricos. Eu também ando contando os dias para poder ler A mão de Fátima. Um grande abraço, Ladyce

12 09 2011
zilma neves aguiar

ana, ja tem o livro traduzido na saraiva mão de fatima

3 11 2010
Ana

A Mão de Fátima será editado no dia 5 de Novembro pela Bertrand Editora e em princípio o autor virá a Portugal no final do mês.

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