Alguém para correr comigo, de David Grossman

4 01 2010

Ilustração, Eva Furnari.

Início de ano prolongado…  Estou aproveitando o tempo para limpar o escritório e colocar coisas em ordem.  Assim, antes de descartar algumas resenhas que foram feitas para outros fins, que não o blog, venho aqui postá-las para não perder de todo o controle do que li, e das minhas reações a certas leituras.

Quando lemos Alguém para correr comigo, no nosso grupo de leitura, esperávamos um outro tipo de livro de David Grossman.  Esperávamos, com certeza, algo mais político, dadas as informações que tínhamos sobre o autor.  De modo que todos ficamos surpresos de nos encontrarmos envolvidos numa aventura moderna, liderados pelo faro de uma cachorro adorável, o personagem principal deste livro, que peregrina através dos capítulos, unindo dois adolescentes, que em circunstâncias normais jamais teriam se encontrado.

 

No início, é um pouco difícil seguir a narrativa, porque os capítulos parecem, desde o início, não ter nada a ver um com outro.  De um rapazinho com um cachorro, passamos a uma adolescente que obviamente faz parte de uma missão que não entendemos.   Os períodos no tempo também são diferentes.  Então, David Grossman confia no seu taco de escritor e pede ao leitor, que confie no seu estilo de narrativa, que o acompanhe numa aventura que não sabemos onde nos levará, da mesma forma que nosso jovem herói, segue os caminhos tortuosos da cidade, escolhidos pelo cachorro, atrás de sua verdadeira dona.  

Há nessa história uma gama grande e  bem caracterizada de personagens de apoio, que dão ao leitor um melhor compreensão do contexto das vidas desses adolescentes retratados; e também conseguimos facilmente conhecer a maneira como nossos jovens heróis pensam.  David Grossman certamente conhece adolescentes.  Sabe o que eles pensam de suas famílias, de seus grupos, e como conseguem ser criativos quando precisam encarar um mundo incompreensível,  perigoso e aterrorizador.

David Grossman

 

Outro ponto de interesse na narrativa foi descobrirmos a vida diária em Jerusalém, coisa que às vezes esquecemos que ocorre normalmente, regular e previsível, quando todo o nosso maior contato com a cidade, vem dos noticiários de guerras, que cobrem ações de terrorismo, e homens-bomba. 

Apesar de todos nós no grupo de leitura termos gostado do livro, ainda acredito que este livro seria melhor apreciado por jovens leitores e adolescentes.

02/03/2006  — postada na Amazon.


Ações

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2 responses

21 09 2013
André Luís Lima

Estou lendo e é assim mesmo… Vc se envolve com o Assaf e meio que “sem destino” mergulha-se em seus pensamentos e medos.

O desenrolar da história, quando encontra a Sr Teodora é fantastico…. Nunca li algo assim… o enredo, a narrativas paralelas dão o contorno e imaginação.

RECOMENDO!!!

André Lima A.L
andreluislima.wordpress.com

23 09 2013
peregrinacultural

Pois André, que mais você recomenda? É bom saber…. Vou dar uma olhadinha no seu blog. Grata!

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