Poesia infantil: Os animais amigos do homem de Bastos Tigre

19 02 2010

Os animais amigos do homem

–                                                                   Bastos Tigre

—-

===

De todos os animais

merecem nossa afeição

estes três, mais que os demais:

–  o boi, o cavalo, o cão.

O boi, os seus músculos de aço

ao nosso serviço entrega

e, com a canga no cachaço,

pesadas cargas carrega.

E depois dá-nos a vida

que à nossa vida é sustento:

a carne assada ou cozida,

o ensopado suculento.

Vale o seu corpo um tesouro,

dele nada se rejeita:

chifres, cauda, ossos e couro,

tudo, tudo se aproveita.

O cavalo é o companheiro

que nos carrega no lombo

(a quem não for bom cavaleiro,

cuidado, que leva tombo!)

Conhece caminho e atalho

e, seja a passo ou a correr,

nosso amigo é no trabalho

quanto amigo é no prazer.

A morte, somente, encerra

seu labor nobre e eficaz;

com os homens morre na guerra,

morre, a servi-los, na paz.

É o terceiro amigo, o amigo

que nos tem mais afeição;

no momento do perigo

nos vem socorrer: — é o cão.

Quer de noite, quer de dia,

podemos nele confiaar;

da nossa casa é vigia,

é o guarda do nosso lar.

“Caniche”, dos pequeninos,

que graça o cãozinho tem!

Quando brinca com os meninos

ele é um menino também.

Seja humilde, ou cão de raça,

cão de cego, ou de pastor,

são -bernardo ou cão de caça,

ou de ratos caçador.

Os seus dias se consomem

num labor sincero e leal!

Salve, excelso amigo do homem,

que és quase um ser racional!

Que se ame, pois, e bendiga

do fundo do coração,

a nobre trindade amiga:

o boi, o cavalo e o cão.

Em: O mundo da criança: poemas e rimas, vol I, Rio de Janeiro, Editora Delta: 1972.

Manuel Bastos Tigre (PE 1882 – RJ 1957) — foi um bibliotecário, jornalista, poeta, compositor, humorista e destacado publicitário brasileiro.

— 

Obras: 

Saguão da Posteridade, 1902.

Versos Perversos, 1905.

O Maxixe, 1906.

Moinhos de Vento, 1913.

O Rapadura, 1915.

Grão de Bico, 1915.

Bolhas de Sabão, 1919.

Arlequim, 1922.

Fonte da Carioca, 1922.

Ver e Amar, 1922.

Penso, logo… eis isto, 1923.

A Ceia dos Coronéis, 1924.

Meu bebê, 1924.

Poemas da Primeira Infância, 1925.

Brinquedos de Natal, 1925.

Chantez Clair, 1926.

Zig-Zag, 1926.

Carnaval: poemas em louvor ao Momo, 1932.

Poesias Humorísticas, 1933.

Entardecer, 1935.

As Parábolas de Cristo, 1937.

Getúlio Vargas, 1937.

Uma Coisa e Outra, 1937.

Li-Vi-Ouvi, 1938.

Senhorita Vitamina, 1942.

Recitália, 1943.

Martins Fontes, 1943.

Aconteceu ou Podia ter Acontecido, 1944.

Cancionário, 1946.

Conceitos e Preceitos, 1946.

Musa Gaiata, 1949.

Sol de Inverno, 1955








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