Quadrinha sobre o sucesso

27 02 2010

Ilustração, Maurício de Sousa.

 

Do sucesso na subida

nunca te orgulhes demais

muito difícil na vida

é conservar o cartaz.

(Gilka Machado)





Música e barulho podem conviver?

27 02 2010

 

Ilustração década de 1970.

Você enfrenta dificuldades para distinguir bem o que as pessoas dizem em festas? Tente estudar piano antes de sair de casa.    Músicos – de cantores de karaokê a violoncelistas profissionais- são mais capazes de ouvir sons direcionados em um ambiente ruidoso, de acordo com novas pesquisas que reforçam as indicações de que a música faz com que o cérebro funcione melhor.

Nos últimos 10 anos, houve uma explosão de pesquisas sobre a maneira pela qual a música funciona no cérebro“, disse Aniruddh Patel, titular da cátedra Esther Burnham de pesquisa no Instituto de Neurociências de San Diego.   Mais recentemente, estudos de ressonância magnética em cérebros demonstraram que a música ativa muitas partes diferentes do cérebro, e isso inclui uma sobreposição nas áreas em que o cérebro processa música e linguagem.

A linguagem é um aspecto natural a considerar no estudo de como a música afeta o cérebro, de acordo com Patel. Como a música, a linguagem “é universal, existe nela um forte componente de aprendizado, e ela tem a capacidade de transmitir significados complexos“.

 
Por exemplo, os cérebros de pessoas expostas a treinamento musical, mesmo que casual, têm uma capacidade ampliada de gerar os padrões de ondas cerebrais em gerais associados a sons específicos, sejam eles musicais ou falados, disse Nina Kraus, diretora científica do estudo e do Laboratório de Neurociência Auditiva da Universidade Northwestern, no Illinois.

As pesquisas anteriores de Kraus haviam demonstrado que, quando uma pessoa ouve um som, a onda cerebral gravada na mente em resposta é fisicamente idêntica à onda sonora original. De fato, “tocar” a onda cerebral produz um som quase idêntico.

Mas para as pessoas desprovidas de um ouvido musical treinado, a capacidade de produzir esses padrões decresce à medida que se intensifica o ruído de fundo, de acordo com diversas experiências. Os músicos, em contraste, treinaram suas mentes, inconscientemente, a reconhecer melhor os padrões sonoros seletivos, mesmo que o som de fundo seja mais intenso.

O efeito geral é semelhante ao de uma pessoa que esteja aprendendo a dirigir um carro dotado de câmbio manual, disse Kraus.   “Quando você começa a aprender a dirigir, precisa pensar sobre a alavanca de câmbio, a ação da embreagem, todas as diferentes partes envolvidas“, ela disse à National Geographic News. “Mas depois que você aprende, seu corpo sabe dirigir quase automaticamente“.

Ao mesmo tempo, as pessoas que sofrem de certos distúrbios de desenvolvimento, a exemplo da dislexia, enfrentam maior dificuldade para distinguir sons em meio ao ruído – o que constitui sério problema, por exemplo, para estudantes que se esforçam por ouvir o professor em uma sala de aula lotada.

A experiência musical poderia, com isso, se tornar uma terapia crucial para crianças portadoras de dislexia e de distúrbios associados à linguagem semelhantes, disse Kraus na reunião 2010 da Sociedade Americana para o Progresso da Ciência, hoje.

 
Seguindo percurso semelhante, Gottfried Schlaug, neurocientista na escola de medicina da Universidade Harvard, constatou que pacientes de derrames que perderam a capacidade de falar podem ser treinados para pronunciar centenas de frases se aprenderem primeiro a cantá-las.

Em trabalho de pesquisa apresentado na mesma reunião, Schlaug demonstrou os resultados de terapia musical intensiva em pacientes com lesões no lobo esquerdo do cérebro, a área associada à linguagem.

Antes que iniciarem a terapia, esses pacientes de derrame respondiam a perguntas com frases e sons em larga medida incoerentes. Mas depois de apenas alguns minutos de trabalho com os terapeutas, eles conseguiam cantar “Parabéns a Você”, recitar seus endereços e comunicar que estavam sentindo sede.

Os sistemas subdesenvolvidos que respondem à música do lado direito do cérebro ganharam força e mudaram de estrutura“, disse Schlaug.  O índice de sucesso variava de acordo com a data do derrame e a severidade dos danos causados, ele informou. Mas diversos dos pacientes conseguiram por fim ensinar a si mesmos novas palavras e frases, ao transformá-las em canções, e alguns poucos deles conseguiram ir além das frases simples e fazer pronunciamentos curtos.

Em termos gerais, Schlaug disse que as experiências demonstram que “a música pode ser uma mídia alternativa para ativar partes do cérebro que de outra forma ficam inativas“.  Kraus, da Northwestern, concorda. Ela acrescentou que o estudo de música, não importa que idade tenha a pessoa, deveria ser universalmente encorajado, porque pode desempenhar papel chave na educação, em terapias clínicas e até mesmo em medidas protetoras para manter a mente aguçada quando uma pessoa envelhece.  “Além disso“, ela afirmou, “estudar música é em si inerentemente maravilhoso“.

Fonte: TERRA

Tradução: Paulo Migliacci ME





Está na hora de dormir, não espere mamãe mandar…: um cochilo faz muito bem!

27 02 2010
Ilustração, Walt Disney.

 

Se o seu cérebro fosse uma conta de e-mail, o sono – e, mais especificamente, os cochilos – seriam o equivalente a limpar a caixa de entrada. É essa a conclusão de um novo estudo que pode explicar por que as pessoas dedicam tanto do tempo que passam dormindo a um estado pré-sonho conhecido como estágio 2, de sono sem movimento rápido dos olhos (REM).

Há anos os estudos sobre o sono ofereciam indicações de que uma soneca poderia melhorar a capacidade humana de armazenar e consolidar memórias, o que reforça a ideia de que uma boa noite de sono – e cochilos ocasionais – ajuda bem mais a aprender do que virar a madrugada estudando.

Agora, os cientistas podem ter descoberto, ainda que apenas parcialmente, como isso acontece. Durante o sono, informações que ficam abrigadas no setor de armazenagem curta do hipocampo – a parte do cérebro responsável pela memória – migram para o banco de dados de prazo mais longo localizado no córtex.

Essa ação não só ajuda o cérebro a processar novas informações como libera espaço para que o cérebro absorva novas experiências.  Isso significa que “não é só importante dormir depois de aprender; é crucial dormir antes de aprender“, diz Matthew Walker, da Universidade da Califórnia em Berkeley, o diretor científico do estudo, em entrevista coletiva.

O sono prepara o cérebro, posicionando-o como uma esponja seca e pronta a absorver novas informações“, disse.
Em seu mais recente trabalho, apresentado em uma reunião da Sociedade Americana para o Progresso da Ciência, em San Diego, Walker e seus colegas pediram a 39 jovens adultos que executassem diversas tarefas relacionadas ao aprendizado factual.  Um grupo foi convidado em seguida a tirar uma soneca de 90 minutos, enquanto o outro permanecia desperto.  Depois, os dois grupos realizaram nova rodada de tarefas. Os participantes que não haviam cochilado se saíram muito pior do que o grupo do cochilo, constataram os pesquisadores.

Uma medição da atividade elétrica cerebral dos participantes que haviam cochilado revelou que sua memória “cache” se havia esvaziado durante o sono de estágio dois.   Ainda que o estágio do sonho, ou sono REM, talvez seja mais conhecido, os seres humanos passam cerca de metade de cada noite em sono de estágio 2, no qual não ocorre REM.  O sono com REM é crucial para o raciocínio mais complexo, por exemplo buscar conexões não óbvias entre fatos previamente aprendidos – um processo que Walker descreve como “uma busca no Google feita da maneira certa – ou errada“.

Quando você tem um problema, ninguém diz ‘fique acordado que amanhã isso passa’“, brincou o pesquisador. Em lugar disso, o sono, ou mais especificamente o sono com REM, é uma maneira de o cérebro receber informações que inicialmente podem não parecer relacionadas à sua ¿busca¿ mental, e assim permitir o desenvolvimento de soluções criativas.   De fato, ele afirmou, os nossos sonhos podem ser uma espécie de campo de provas para a solução inconsciente de problemas.

Ilustração, Maurício de Sousa.

Infelizmente, as novas constatações não significam que todo mundo se beneficiaria de um cochilo vespertino, apontou Sara Mednick, professora de psiquiatria na Universidade da Califórnia em San Diego.  Ela lembra que algumas das pessoas que tiram cochilos despertam zonzas e desorientadas devido à chamada inércia do sono. “Isso é o que acontece ao despertarmos de um sono profundo, de ondas lentas“.   Porque a temperatura do cérebro e seu fluxo sanguíneo se reduzem no estágio dois do sono, é incômodo despertar subitamente e passar a um nível muito mais acelerado de atividade cerebral.

Estudos anteriores haviam demonstrado que as pessoas que costumam cochilar tendem a dormir de modo mais leve. Isso significa que passam muito menos tempo, pelo menos nas horas iniciais do sono, em um sono profundo desprovido de REM.   Se um cochilo o deixa zonzo, também é possível obter um estímulo semelhante de desempenho em certas atividades mentais ao simplesmente descansar a cabeça, ela diz.

Em alguns casos“, afirma Mednick, “um período de repouso silencioso e um cochilo oferecem o mesmo benefício de memória“.

 

 Fonte:  TERRA

Tradução: Paulo Migliacci ME








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