Cartaz da Copa do Mundo de 2010

11 06 2010

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Hoje foi a abertura da Copa do Mundo.  Para celebrar este evento nada melhor do que rever o fabuloso design do cartaz oficial da FIFA.





Olhar na África: as bicicletas de bambu

11 06 2010

Bicicletas azuis, 2004

Inha Bastos ( Brasil 1949)

Óleo sobre tela,  90 x 130 cm

No início deste ano, a Der Spiegel, publicou um excelente artigo de Andrea Reidl sobre bicicletas de bambu.  Guardei-o e nada melhor do que este momento de Copa do Mundo, com os nossos olhares no continente africano e hoje me lembrei do assunto.

Bicicletas de fibra de carbono e de alumínio estão definitivamente entre os itens do passado.  Hoje o melhor modelo manufaturado vem mais leve, mais forte, mais confortável e deixa uma pegada de carbono muito menor para um modo de transporte que está entre os mais desejados na preservação do meio ambiente.

Até hoje, o mais conhecido construtor de bicicletas de bambu is Craig Calfee, que mantém sua oficina na costa californiana.  Suas bicicletas têm um desenho fenomenal e dependem da produção de uma gramínea: o bambu.   Mas ele não é o único.  Hoje bicicletas de bambu são produzidas em muitos países africanos com bastante sucesso. 

A bicicleta Calfee.

Craig Calfee é em parte responsável pela própria competição, já que foi em Gana que fundou  o Projeto Bamboosero, — que é um projeto com apoio parcial do Instituto da Terra da Universidade de Columbia, que tem como objetivo ensinar os ganenses a construírem  uma bicicleta de bambu, e mais tarde até, quem sabe, abrirem uma pequena fábrica de bicicletas.   A facilidade do projeto está nos insumos.  O material é simples: bambu, que é encontrado em todos os continentes, no mundo inteiro, abundante.  Ele  precisa ser curtido por quatro meses antes de ser usado na fabricação das bicicletas; e como liga, fibras de cânhamo embebidas em resina são usadas para amarrar os tubos de bambu.   Mas o sucesso está também na eficiência, o bambu é leve e extremamente resistente.

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Bicicleta de bambu, detalhe.

Craig Calfee já construía bicicletas antes de desenvolver  o modelo de bambu.   Era já bastante conhecido por ter desenvolvido bicicletas de fibra de carbono para os maiores ciclistas do mundo.  Procurando por algo novo descobriu o bambu.

Além de ser um elemento encontrado universalmente, além de ser bom para o meio-ambiente, de ser barato, de ser de fácil manuseio, o bambu, ou melhor, a armação de uma bicicleta em bambu absorve a vibração do movimento de maneira ainda mais suave do que a que é feita de fibra de carbono.  E é mais resistente a qualquer impacto do que as bicicletas tradicionais demonstrando muito maior resistência à quebra, fatores confirmados em testes científicos na EFBe, na Alemanha.

Bicicleta de vime.

Há algumas outras vantagens que a armação de bambu tem sobre qualquer outra, entre elas, a relativa facilidade com que pode ser manufaturada em países em desenvolvimento, porque o material usado, o bambu, cresce praticamente ao lado de qualquer tipo de grupo de manufatura.  Além  disso, bicicletas são um importante meio de transporte nas sociedades em desenvolvimento que abrange toda a população: crianças indo para a escola; a ida para o trabalho ou para o mercado dos adultos de uma família; o transporte de pequenas cargas.

Depois do sucesso do projeto em Gana, que começou em fevereiro de 2008, outros países começam a receber incentivos semelhantes do Bamboosero: Uganda, Libéria, Nova Zelândia e Filipinas.

Bicicletas de material natural em Gana.

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Craig Calfee não é o único trabalhando em solo americano com o desenvolvimento de modelos de bicicletas de bambu.  Nick Frey, que é um engenheiro e ciclista passou dois anos desenvolvendo o seu modelo de bicicleta de bambu para, com outros quatro engenheiros, formar a companhia de bicletas de bambu chamada Sol Cycles, na cidade de Princeton, NJ.  Logo depois deslocou-se para o estado do Colorado onde fundou a companhia Boo Bicycles que também se especializa em bicicletas de bambu.   Há outros nessa competição de bicicletas de bambu: Daedalus em Portland, no estado de Oregon, que constrói esse tipo de bicleta desde 2005.

E é claro há os competidores de outros lugares do mundo.  Na Dinamarca a firma Biomega já constrói um tipo de bicicleta com excelente design enquanto em Berlim, na Alemanha, a Universidade Técnica desenvolve as bicicletas Berlin Bamboo Bikes.  A pesquisa do engenheiro alemão Nicolas Meyer, de Osnabruck na Baixa Saxônia, deu um passo a frente manufaturando bicicletas de fibra de cânhamo, que levam o rótulo de sua companhia  a Onyx Composites, que se especializa em projetos de construção leve que usem matéria prima sustentável.

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Manufatura de uma bicicleta de bambu em Gana.

Para um projeto de bicicletas usadas na corrida de triatlo sua bicicleta tem uma combinação de bambu e cânhamo.  Essa mistura de duas diferentes fontes de matéria prima combina 60% de cânhamo com 15% de bambu e o resto de fibra de carbono e alumínio. 

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O produto final em Gana.

 

Mas a grande vantagem, no momento, dessas bicicletas está explícito no pequeno vídeo de Calfee, que mostro abaixo, que é além da praticidade de transporte e da preservação do meio ambiente, é o número de empregos que uma pequena companhia de construção de bicicletas de bambu pode criar.  Empregos que certamente podem levar a um crescimento econômico mais estável e sustentável.

VÍDEO EM INGLÊS:









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