Gustavo Rosa, arte brasileira, nossa homenagem à Copa do Mundo

17 06 2010

Pelé, 2006

Gustavo Rosa (Brasil, 1946 – 2013)

Gravura





O sol é para todos, romance de Harper Lee faz 50 anos de popularidade!

17 06 2010

O problema com que todos nós vivemos, 1964

Norman Rockwell ( EUA, 1894-1978)

óleo sobre tela

[Para a revista LOOK de 14-01- 1964]

Old Corner House Collection, Stockbird, Massachusetts

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Na Inglaterra o livro O sol é para todos, [To kill a mocking bird] da escritora  Harper Lee, é um dos livros mais populares ficando em quinto lugar na preferência do público, abaixo  de Orgulho e preconceito [ Pride and Prejudice] mas acima da Bíblia, um fato intrigante considerando-se que o romance foi publicado há exatamente 50 anos, que se passa no sul dos Estados Unidos na época da Depressão.  O enredo se desenrola na cidade fictícia de Maycomb  e um dos temas centrais trata da discriminação racial, discriminação de classe e a procura da justiça para um inocente.  Levando isso em consideração li o artigo que a BBC publicou ontem, justamente analisando essa popularidade, que não é justificada só por ser um livro adotado em muitas escolas.  Ao que tudo indica sua popularidade ultrapassa gerações.  Seus fãs tanto os jovens e quanto seus pais, o consideram uma leitura inigualável.  Além disso, as bibliotecárias entrevistadas nessa mesma enquete do World Book Day admitiram ser O sol é para todos o livro que mais indicavam. 

A narrativa é feita por uma adolescente.  Ou talvez, por uma pessoa idosa lembrando-se de sua adolescência.  O adolescente como narrador tem um longa e forte tradição na literatura americana, cujo principal propulsor dessa voz foi conquistado por  Huckleberry Finn, no livro As aventuras de Huckleberry Finn de Mark Twain.  Em O sol é para todos, Scout, é a filha de um advogado que defende um homem negro da acusação de estupro de uma menina branca, e é através de seus olhos que entendemos a sociedade que a cerca.    Este é de fato um livro sobre justiça, cheio de esperança, de valores morais universais, que não têm nem idade, nem país de origem.  E que todos nós, adultos, jovens ou crianças almejamos.  É um livro de alto astral.  E é, também,  onde aprendemos a tentar ver a realidade através dos olhos de outrem; de andar nos seus passos, de conhecer o seu caminho.  São experiências e atitudes universais que nos mostram a nossa própria humanidade. 

E você?  Já leu O sol é para todos?





São João, poesia de Paulo Setúbal

17 06 2010

 Festa na roça, s/d

Papas Stéfanos ( Rhodes, Grécia, 1948, radicado no Brasil)

Óleo sobre tela, 60 x 80 cm

São João

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                            Paulo Setúbal

                                                           A Luiz Piza Sobº

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É noite…  O santo famoso,

O doce, o meigo S. João,

Tivera um dia glorioso,

Dia de festa e de gozo,

Que encheu de estrondo o sertão.

Já cedo, em meio aos clamores,

Aos vivas do poviléu,

Lindo, enramado de flores,

Um mastro de quentes cores,

Subira em triunfo ao céu!

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E agora, enquanto, alva e lesta,

Palpita a lua hibernal,

Na fazenda, toda festa,

Referve a alegria honesta

Da noite tradicional.

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Dentro, com grande aparato,

Brilha enfeitado o salão:

Que há, nessa festa do mato,

Pessoas de fino trato,

Chegadas para o S. João…

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Destaca-se entre essa gente

A flor do mundo local:

O padre, o juiz, o intendente,

— O próprio doutor Vicente

Que é deputado estadual!

Ante o auditório pasmado,

Que, num enlevo, sorri,

A Isabelinha Machado

Batuca, sobre o teclado,

Uns trechos do Guarani…

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Tudo o que toca e assassina,

Recebe imensa ovação;

Todos, quando ela termina,

Põem-se a exclamar: ” Que menina!

Dá gosto!  Que vocação!”

 

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E ela, entre ingênua e brejeira,

Com ares de se vingar:

Agora, queira ou não queira,

Seu Saturnino Pereira

Há de também recitar.”

 

Surge, à força o Saturnino…

Rugem palmas ao redor!

É um tipo, esgalgado e fino,

Que sabe desdde menino,

Dizer Castro Alves de cor.

Na sala, muda e tranquila,

Tombam, com chama, os versos seus;

E ele, o letrado da vila,

Ao som da velha Dalila,

Lá vai: ” Foi desgraça, meu Deus...”

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Após ouvir a  estupenda

Flamância do seu falar,

No amplo salão da fazenda,

Os velhos jogos de prenda

Reclamam o seu lugar.

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Começa então a berlinda.

Risos. Cochichos. Zum-zum.

— De pé, donairosa e linda.

Pergunta a D. Florinda

Os dotes de cada um:

Por que razão, seu Martinho,

Foi à berlinda a Lelê?

— ” Porque olha muito ao vizinho”;

“Porque é má; porque é um anjinho”;

“Porque é vaidosa”; “porque…”

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E todo o mundo, a porfia,

Põe farpas na indiscreção…

E enquanto, ingênua e sadia,

Essa campônea alegria

Faz tumultuar o salão.

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Lá fora, alegre e gabola,

Nun terreiro de café,

Ao rude som da viola,

A caboclada rebola

Num tremendo bate-pé!

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A filha do Zé-Moreira

É o mimo deste São João;

À luz da rubra fogueira,

Requebra a guapa trigueira

Ao lado de Chico Peão.

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Candoca, a noiva do Jango,

Baila num passo taful;

É a flor que, nesse fandango,

Tem lábios cor de morango,

Vestido de chita azul.

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No sapateio se nota,

Aos risos dos que lá estão,

Nhô Lau, de esporas e bota.

Dançando junto à nhá Cota,

Viuva do Conceição….

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A voz do pinho que chora,

Por sob a paz do luar,

Fremindo vai, noite afora,

Essa alegria sonora

Da caboclada a bailar!

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E do salão, qua ainda brilha

Num faiscante esplendor,

Chegam os sons da quadrilha,

Que alguém ao piano dedilha

Com indomável furor.

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E no sarau campezino,

Nessa festa alegre e chã

Ruge a voz do Saturnino,

Que grita, esgalgado e fino:

Balancez!  Tour!  En avant...”

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Em: Alma cabocla, Paulo Setúbal, São Paulo, Ed. Carlos Pereira:s/d, 5ª edição [ Primeira edição foi em 1920]

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Paulo Setúbal

Paulo de Oliveira Leite Setúbal (São Paulo, 1893 — São Paulo, 1937), advogado, escritor brasileiro, trabalhou como colaborador do jornal O Estado de S. Paulo, deputado estadual de 1928 a 1930, renunciamdo ao mandato por ter agravada sua tuberculose.

Obras:

Alma cabocla, poesia, 1920

A marquesa de Santos, romance-histórico, 1925

O príncipe de Nassau, romance histórico, 1926

As maluquices do Imperador, contos-históricos, 1927

Nos bastidores da história, contos, 1928

O ouro de Cuiabá, história, 1933

Os irmãos Leme, romance, 1933

El-dourado, história, 1934

O romance da prata, história, 1935

O sonho das esmeraldas, 1935

Um sarau no Paço de São Cristóvão, 1936

A fé na formação da nacionalidade, ensaio, 1936

Confiteor, memórias, 1937








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