O Folies-Bergère, uma passagem de Guy de Maupassant

29 07 2010

Moulin Rouge, 1893

Louis Anquetin (França, 1861- 1932)

óleo sobre tela

Estou lendo Bel-Ami de Guy de Maupassant.  E as imagens dos quadros de pintores franceses do final do século XIX, não param de vir à minha mente.  Resolvi então, à medida que estas passagens aparecem durante a minha leitura, colocá-las aqui, lado a lado.  Uma ilustrando a outra e vice-versa.

 

A fumaça dos cigarros velava um pouco, como um nevoeiro muito fino, os lugares mais distante, o palco e o outro lado do teatro.  Elevando-se sem cessar, em pequenos filetes esbranquiçados,  de todos os charutos e de todos os cigarros que toda esta gente fumava, a bruma ligeira subia sempre, acumulavase no teto e formava em torno do lustre, sob a cúpula, acima da galeria do primeiro andar, cheia de espectadores, um céu enevoado de fumaça.

 

No vasto corredor de entrada que leva  ao passeio circular, onde vagueava a tribo bem vestida das prostitutas,  misturada à multidão sombria dos homens, um grupo de mulheres esperava os que chegavam, diante de um dos três balcões, onde dominavam, pintadas e gastas, três mercadoras de bebida e de amor.

 

Os altos espelhos, atrás delas, refletiam suas costas e os rostos dos passantes.

 

[Uma visita ao Folies-Bergère].

 

Em: Bel-Ami, de Guy de Maupassant, tradução de Clóvis Ramalhete, São Paulo, Editora Abril: 1981, página 16.


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