Amo o Brasil, poesia de Bastos Tigre para a semana da pátria

31 08 2010

Mickey e Pateta vão ao Brasil, Ilustração Walt Disney.

 

Amo o Brasil

                                     Bastos Tigre

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Amo este céu constelado

Céu do Brasil — manto azul —

Sobre ele, em ouro bordado,

Vê-se o Cruzeiro do Sul.

Amo estas matas virentes

Verdes, de eterno verdor

Onde há frutos recendentes,

De delicioso sabor.

Amo esta água cristalina

Dos rios, viva, a correr,

Fazendo mato e campina

Serra e vale florescer.

As belas árvores amo,

Povoadas de passarinhos,

Onde a vida em cada ramo

Palpita em flores e ninhos.

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Água e mata, céu e terra

Flores do campo gentis,

Amo tudo quanto encerra

Meu grande e belo País.

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Amo as amáveis cantigas

Que ouvi, criancinha, a cantar,

 Em doces vozes amigas,

No berço me acalentar.

Amo a nossa gente boa

Feita só de coração,

Que, por vingança, perdoa

E esquece por compaixão.

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Amo os nomes bem-fadados,

Dos que lutaram por nós;

Dos nossos antepassados,

Avós dos nossos avós.

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Poetas, sábios e guerreiros

Que a história em seus livros traz,

Nobres heróis brasilleiros

Grandes na guerra e na paz.

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Em tudo que amo e bendigo

A minha pátria se vê.

Amo, porque amo!  Não digo

Nem que me perguntem por quê.

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Amo os meus pais.  Necessito

Dizer por que amo os meus pais?

Assim proclamo, assim grito:

Amo o Brasil!  Nada mais.

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Sinto-o em mim, no mais profundo

Da minh’alma juvenil.

Adoro a Deus; e no mundo

Amo, adoro o meu Brasil.

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Em: Antologia Poética, Rio de Janeiro, Ed. Francisco Alves: 1982

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Que lembranças você deixará para os seus sobreviventes?

30 08 2010

Gerânios em potes, ilustração sem nome do autor.

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Recentemente participei de uma reunião de família lembrando a data de aniversário de uma tia que se estivesse viva faria cem anos. Duas gerações se recordaram de momentos em que tia Maria-Emília havia tido um papel importante: por um gesto, uma palavra, uma série de atitudes; por seus quitutes – Quadradinhos Norma, de longe o favorito da família: certamente o meu, além de suas Barquetes de queijo. Depois de algumas semanas desse encontro, nem sei a razão, vim a me lembrar de outra faceta, outro aspecto de sua influência nas minhas memórias, que não cheguei a relatar naquela noite: o seu jardim, mais especificamente seus gerânios.

Essa foi a minha única tia que morava em casa com jardim. Cidadã urbana, crescendo no Rio de Janeiro, num edifício de apartamentos, jardins sempre foram, para mim, entidades de outro mundo, mantidas por jardineiros, mais ou menos capazes, que dobravam como porteiros, ou vice-versa. Sempre gostei de jardins, mas sua manutenção era algo altamente misterioso.

Um dos meus primeiros encontros com os mistérios do jardim de tia Maria-Emília foi quando, aluna da terceira série, tive como dever de casa levar uma plantinha para a sala de aula, colocá-la na janela e cuidar dela. Já tínhamos a essa altura, criado feijão em algodão molhado, e batatas doces em água, cujas folhas caíam felizes de vasos pendurados na parede da escola. Com o novo projeto em mente rumamos, mamãe e eu, à casa de titia. Lá, encantada com as avencas, plantinhas mimosas que cresciam na pedra úmida do morro por trás da casa, recebi das mãos de minha tia meu primeiro projeto de jardinagem. Foram na verdade três avencas levadas para a escola em sucessivos projetos de jardinagem frustrados. Consegui matar a todas três durante o ano letivo. Mamãe já estava sem graça de pedir mudas à minha tia… Paramos o projeto. Papai me arranjou um cacto que não cresceu nem morreu. Simplesmente existiu pelo resto do ano. Achei daí por diante que não tinha muita afinidade com jardins além de apreciar sua sombra, suas flores e seus perfumes. Isso eu sabia fazer!

Das curiosidades marcantes do jardim de titia havia a abundância das flores azuis da Bela-Emília, arbustos que ladeavam a escada de entrada. Até hoje, quando passo pela praça Antero de Quental no Leblon e vejo Belas-Emílias florindo em profusão passa-me pela mente a casa de titia. Havia também uma grande bananeira na frente da casa – só decorativa: um leque gigante de plumagem verde, cujos frutos não eram comestíveis e um cantinho, numa jardineira alta, fazendo divisa com a casa ao lado, onde titia plantava gerânios: coloridas bolotas de flores vermelho alaranjadas. Como eu gostava daquelas flores e de seu perfume!

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Cartão Postal de felicidades, originário da Holanda

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Minha tia Maria-Emília visitou a Europa comigo. Não fisicamente. Mas esteve presente nos meus pensamentos quando passei pelos Alpes austríacos, onde, num início de primavera, muitas jardineiras, penduradas logo abaixo dos peitoris das janelas, apareciam cheias de gerânios. Essas flores arredondadas ajudavam a decorar as casas de madeira do Tirol, feitas já bastante alegres pelas pinturas de guirlandas coloridas em seus exteriores. Nessa mesma viajem, mais tarde, quando atravessei para a Itália, logo apareceu tia Maria-Emília, de novo, apreciando comigo os gerânios que cascateavam pelas paredes de estuque antigo, caindo das sacadas de Veneza.

Quando finalmente tive minha primeira casa com jardim, na época em que morei nos Estados Unidos, resolvi logo, logo, plantar gerânios em vasos de barro colocados em pontos de grande visibilidade na varanda de madeira — um deck – que arrematava os fundos da casa e de onde podíamos inspecionar o quintal. Gostaria naquele momento de ter tido o conselho de tia Maria-Emília. Principalmente depois que descobri ser alérgica ao gerânio. Alérgica ao óleo perfumado de suas folhas aveludadas. Alergia de contato, só. Facilmente resolvido com um par de luvas ou até mesmo, quando o desejo de tocar na maciez de suas folhas arredondadas e crespinhas na borda me tiravam do sério, com uma lavagem das mãos, rápida, com sabonete, imediatamente depois do toque sedutor. Mesmo assim, insisti nesse passatempo. Mas o gerânio não se dá bem durante o inverno americano. Deixado do lado de fora, morre com o frio. Trazido para dentro de casa, tampouco sobrevive, não recebe luz suficiente pelos meses de outono/inverno para permanecer saudável. Não tinha jeito.

Essas lembranças me assaltaram quando decidi, recentemente, no meio de uma noite mal dormida, com algumas horas em claro, na madrugada carioca, colocar alguns gerânios no peitoril da janela de meu quarto. Tenho certeza de que esta decisão me levará a lembrar daqueles ótimos momentos de uma infância feliz e despreocupada, e muitas vezes ainda me lembrarei de minha tia.

Nunca sabemos pelo que seremos lembrados depois de nossa morte. Nem se chegaremos a ser lembrados — bem ou mal —     pelas pessoas que nos conheceram.  Dizem que continuamos vivos enquanto somos lembrados pelos que aqui ainda se encontram. Às vezes achamos que seremos lembrados por alguns ditos, por nossos escritos, mas raramente imaginamos que nossos pequenos projetos sejam causa das recordações que deixamos para trás.  Mas acredito que é o que se faz com paixão, por puro prazer, aquilo que nos imortaliza, nem que seja por uma ou duas mais gerações.

©Ladyce West, Rio de Janeiro: 2010





Cantiga — poesia infantil de Maria de Sousa da Silveira

16 08 2010
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Cantiga

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                                                                Maria de Sousa da Silveira

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Ô peixe, peixinho,

Me ensina a nadar,

Quero ver belezas

Do fundo do mar.

Vem tu, passarinho,

As asas me dar

Para eu ir bem alto

A voar, voar.

Já estou enjoado

De na terra andar;

Novas aventuras

Eu quero tentar.

Não, não, ó peixinho,~

Não quero nadar;

Pesacdor malvado

Me pode matar.

Não, não passarinho,

Não quero voar;

Caçador malvado

Me pode matar.

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É melhor na terra

Eu querer ficar,

E com o que tenho

Eu me contentar.

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Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1968.

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Maria de Sousa da Silveira (`Petrópolis, RJ 1914).  Curso o Colégio Sion no Rio de Janeiro.  Poeta principalmente de poesias infantis.

Obras:

A Coelhinha Branca

O País Encantadoda Robustez e do Bom Humor

O casaco do vovôzinho

As quatro meninas

Um sonho extraordinário

A famílias rezende, prosa

Para gente miúda recitar, poesia

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Imagem de leitura — Gavin Glakas

15 08 2010

Na taberna Laurels, s/d

Gavin Glakas ( EUA, contemporâneo)

óleo sobre tela, 50 x 60 cm

Coleção Particular

www.gavinglakas.com

Gavin Glakas cresceu em Bethesda, Maryland na região metropolitana de Washington DC, capital dos Estados Unidos.  Foi aluno da Washington University, em St. Louis, Missouri e mais tarde da Escola de Belas Artes Slade em Londres.    Depois, trabalhou na Grécia como ilustrador.  Voltou aos EUA em dúvida sobre uma carreira em advocacia ou artes plásticas.  Decidiu-se pela última e não parou mais.  Continuou seus estudos com Robert Liberace e Danni Dawson em Alexandria, Va.  O pintor reside em Washington DC.





Reintroduzindo o castor nas florestas escocesas com sucesso!

14 08 2010
Ilustração Alice Pierce, 1953.

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Em maio de 2009, organizações de defesa da vida animal britânicas soltaram castores em uma antiga, inabitada floresta na península de Kintyre, na Escócia. Nesta sexta-feira, os pesquisadores anunciaram que, no mês passado, dois filhotes de pelo menos oito semanas foram avistados na Floresta Knapdale, em Argyll.  Seriam os primeiros bebês castores na vida selvagem, já que há 400 anos esses animais estavam extintos em solo da Grã-Bretanha

Os ambientalistas escoceses foram pioneiros no Reino Unido para a reintrodução do animal na natureza, após ele ser caçado por séculos por causa de sua pele e óleo e acabar extinto na região. Originalmente foram 11 castores, vindos da Noruega, que foram reintroduzidos na vida selvagem.  As organizações apresentaram imagens de apenas um dos filhotes, mas afirmam que outro também nasceu na região.  0 primeiro filhote foi visto por Christian Robstad, oficial de campo da Sociedade Zoológica Real da Escócia que disse: “Ele apareceu durante um ‘passeio em família’ com seus pais e a irmã mais velha próxima a ele para oferecer proteção. Chegou à beira do lago e chamou pela família por segurança enquanto começava a aprender a acumular comida“.

O experimento na Escócia é acompanhando por especialistas do sul da Inglaterra e do País de Gales, onde projetos de reintrodução de castores na natureza também são estudados. Contudo, o trabalho escocês teve seus problemas. Seis dos castores selvagens, que foram levados da Noruega até a ilha, morreram ou não puderam ser libertados.

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Os especialistas dizem que dos 11 animais iniciais, uma família com três membros desapareceu.  Isso trouxe de volta o medo da ação de caçadores. Um novo par de animais foi libertado em maio.   “Receber a confirmação da presença de pelo menos dois novos filhotes neste ano em Knapdale (região onde ocorre o projeto) é um fantástico passo, assim nós podemos começar a ver como uma pequena população reintroduzida começa naturalmente a estabelecer-se na vida selvagem“, diz Simon Jones, diretor do projeto.  “Todas as famílias construíram sua própria toca e uma família teve sucesso em construir sua própria represa para acessar melhores fontes de comida. Isto criou uma magnífica nova área de terra úmida, na qual a vida selvagem está florescendo“, disse o pesquisador.

A reintrodução é uma parceria entre a sociedade e a Sociedade Zoológica Real da Escócia. Scottish Beaver, gerente do projeto disse ter confiança no processo.  Ver os filhotes mostra que esta tentativa foi  “um passo fantástico à frente” para o projeto.  “Ambas as famílias de castores são verdadeiras histórias de sucesso nesse experimento, elas se estabeleceram muito bem em Knapdale.  Ambas construíram seus próprios abrigos e uma família teve sucesso na construção de uma barragem para ter maior e melhor acesso a fontes melhores de alimentoEsse novo dique criou uma magnífica área de pantanal, onde novas vidas selvagens florescem. Há uma chance de que ainda mais filhotes nasçam, ainda este anoEstaremos rastreando esses animais de perto e a esperança é de poder determinar, em breve, o número exato de filhotes nascidos como parte do projeto”.

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Castores nascem com habilidade de nadar em linha reta” disse a ministra do meio ambiente da Escócia, Roseanna Cunningham, “é emocionante ver estes castores se reproduzindo na Floresta Knapdale Floresta, logo após a sua reintrodução ao meio ambiente.  Tínhamos esperanças de que isso fosse acontecer e estou ansiosa para ver o andamento das famílias de castores, nos próximos anos.”

Os filhotes atuais estão do tamanho aproximado de um porquinho da Índia grande.  Os filhotinhos nascem com aproximadamente 450 gramas de peso, já nascem com a pelagem completa, com os olhos abertos e a capacidade de nadar imediatamente. 

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Fontes: Terra, BBC





Quadrinha infantil da galinha

14 08 2010

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Logo que bota seu ovo,

A galinha, que é a tal,

Para fazer propaganda

Arma um barulho infernal.

(Walter Nieble de Freitas)





Uma das mais belas declarações de amor…

13 08 2010

 

Escrevendo, s/d

Daniel F. Gerhartz ( EUA, contemporâneo)

Óleo sobre tela

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Uma das melhores declarações de amor que já li na literatura contemporânea encontrei no livro Eu a amava, cuja resenha já foi publicada nesse blog.  Como emprestei o meu livro para diversas amigas e só agora ele me voltou às mãos, vou postar aqui esta declaração que outras leitoras também acharam o ponto alto desse romance de Anna Gavalda.  A declaração em questão tem a forma de uma carta escrita por uma mulher:

…………

“—Por que você está me escrevendo?

“ – Oh, na verdade não estou escrevendo, escrevo o que tenho vontade de fazer com você…

“Havia folhas por toda parte.  Em volta dela, nos pés, na cama.  Peguei uma ao acaso:

“… fazer piquenique, fazer a sesta na beira de um rio, comer pêssegos, camarões, croissants, arroz de sushi, nadar, dançar, comprar sapatos para mim, lingerie, perfume, ler o jornal, olhar as vitrines, pegar o metrô, vigiar a hora, empurrá-lo quando você toma o espaço todo , estender a roupa, ir à Ópera, ao Beyruth, a Viena, às compras, ao supermercado, fazer churrasco, reclamar porque você esqueceu o carvão, escovar os dentes ao mesmo tempo que você, comprar cuecas para você, cortar a grama, ler o jornal por cima do seu ombro, não deixar você comer amendoim, visitar as caves do Loire, e as do Hunter Valley, dar uma de boba, matraquear, apresentar-lhe Martha e Tino, colher amoras, cozinhar, voltar ao Vietnã, vestir um sári, cuidar do jardim, acordá-lo de novo porque está roncando, ir ao zoológico, ao Mercado das Pulgas, a Paris, a Londres, a Melrose, a Picadilly, cantar para você, parar de fumar, pedir-lhe para me cortar as unhas, comprar louça, bobagens, coisas que não servem para nada, tomar sorvete, olhar as pessoas, ganhar de você no xadrez, escutar jazz, reggae, dançar mambo e chachachá, me entediar, ter caprichos, amarrar a cara, rir, ter você na palma da mão, procurar uma casa com vista para as vacas, encher carrinhos de supermercado até a boca, pintar o teto, fazer cortinas, ficar horas à mesa conversando com gente interessante, segurá-lo pelo laço, cortar os seus cabelos, arrancar o mato, lavar o carro, olhar o mar, rever filmes horrorosos, chamá-lo de novo, falar sem meias palavras, aprender a tricotar, tricotar uma echarpe para você, desfazer esse horror, recolher gatos, cães, papagaios, elefantes, alugar bicicletas, não usá-las, ficar numa rede, reler os Bicot* da minha avó, rever os vestidos de Suzy, beber margaritas na sombra, trapacear, aprender a usar um ferro de passar, jogar o ferro de passar pela janela, cantar debaixo da chuva, fugir dos turistas, me embebedar, lhe dizer toda a verdade, me lembrar de que nem toda verdade deve ser dita, escutá-lo, dar-lhe a mão, pegar de volta o ferro de passar, escutar as letras das músicas, pôr o despertador, esquecer as malas, parar de correr,esvaziar a lata de lixo,perguntar-lhe se ainda me ama,  conversar com a vizinha, contar-lhe minha infância em Bahrein, os anéis da minha babá, o cheiro de hena e os bolinhos de âmbar, molhar o pão no leite, fazer etiquetas para os potes de geléia…”

 

— E continuava assim durante páginas e páginas. Páginas e páginas… 

……………………

* Revista em quadrinhos dos anos 20 ( Nota do tradutor).

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Em: Eu a amava, Anna Gavalda, Rio de Janeiro, Record: 2004, tradução de Procópio Abreu, páginas 151-153.








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