A costureira e o cangaceiro, de Frances de Pontes Peebles

1 10 2010

 

O Cangaceiro, 1988

Aldemir Martins ( Brasil, 1922-2006)

Acrílica sobre tela, 55 x 46 cm

Este ano, pelas minhas contas, li 39 livros de ficção tanto brasileira quanto estrangeira, e acho que acabei de ler o melhor de 2010.  Se não for o melhor ficarei surpresa.  Isso me levará a considerar  o ano extraordinário pela riqueza de bons textos: significa que ainda vou ter surpresas mais espetaculares do que tive com o livro de Frances de Pontes Peebles, intitulado A Costureira e o Cangaceiro [Nova Fronteira: 2009].  Foram 616 páginas que virei com prazer, curiosidade, ansiedade pelo desfecho e ainda fiquei com o gosto de “quero-mais”.

Este é um romance enraizado no estado de Pernambuco, que segue a vida de duas irmãs nascidas no início do século XX numa pequena cidade do interior do estado.  Emília só pensa em sair dali.  Faz de tudo para o conseguir.  Luzia que, ainda criança sofreu um acidente que a deixou com uma deficiência física, se vê sem futuro.  Mas a vida traz surpresas para ambas.  Cada qual persegue e procura um sonho, uma maneira de se realizar.  Seus caminhos são muito diversos, mas mesmo assim há uma forte conexão entre elas, que sem se falarem conseguem se manter “em contato” uma com a outra.  Nesse ínterim, a história do Brasil,  que no início do século parecia uma simples continuação do século XIX, dá uma guinada e Vargas sobe ao poder.  A vida de cada uma é inesperadamente virada pelo avesso com essa mudança feita lá no sudeste do país, por um gaúcho.   Ao longo do caminho, aprendemos muito sobre o Brasil, sobre a política regional de Pernambuco, sobre a oligarquia brasileira.  Ao fechar o volume, compreendemos que além de seguirmos as peripécias dessas duas mulheres fortes e corajosas, seguimos também os caminhos do país e em particular do estado de Pernambuco.  Finalmente compreende-se  a duplicidade das vidas urbana e do sertão em Pernambuco, que como irmãs gêmeas xifópagas, não podem ou conseguem viver separadamente.

Raramente temos um romance brasileiro – um romance histórico – com a precisão de detalhes dados de forma interessante sobre um específico período.  O que Frances de Pontes Peebles faz, é criar duas personagens críveis, na base de “gente como a gente”, e colocá-las interagindo com a sociedade brasileira já estabelecida.  As duas irmãs encontram por si só os caminhos que as levam a viver e sobreviver num mundo que só tem horizontes muito limitados para cada uma delas.  E nessa luta, nessa garra de não sucumbir às demandas sociais, nessa ânsia que ambas demonstram de sair do patamar em que ficariam, caso permanecessem na pequenina Taquaritinga do Norte, aprendemos sobre o Brasil, sobre a sociedade brasileira de uma época em que mal se votava e que nem as mulheres tinham direito ao voto. 

O que faz esse romance tão especial?  São muitas as razões: a voz narrativa, forte, sedutora.  Mas há mais: personagens interessantes e complexos: não nos encontramos com os típicos estereótipos nordestinos quer nos personagens, quer na paisagem; cada detalhe descrito encontra sua razão de ser ao longo da narrativa, até mesmo os que parecem estar lá para dar uma ambientação; na falta de outra documentação, a reconstituição histórica é maravilhosamente baseada nos trajes de época—que marcam a vida da costureira e nos levam através das décadas em questão.  Não há excessos.  Os detalhes fazem a história e seus personagens tridimensionais, o roteiro se mostra bem amarrado, e parece incrível dizer-se isso de um romance de mais de 600 páginas: mas é sucinto.  Como uma boa costureira, Frances de Pontes Peebles não dá ponto sem nó. 

Frances de Pontes Peebles

É necessário ressaltar a excelente tradução de Maria Helena Rouanet, cujo texto em português é riquíssimo em vocabulário e flui com uma destreza de mestre.  Uma das melhores traduções que encontrei recentemente de romances estrangeiros.   Frances de Pontes Peebles nasceu no Brasil,  mas passou grande parte de sua vida nos Estados Unidos.  Filha de mãe brasileira e de pai americano ela se sente mais à vontade no uso da língua inglesa.  E antes deste romance – que é o seu primeiro,  já havia publicado contos nos Estados Unidos.  Hoje ela mora no Brasil e quem quiser pode seguir suas aventuras aqui: http://francesdepontespeebles.com/

Não perca essa leitura.  Você vai adorar!   O meu grupo de leitura aprovou este romance por unanimidade.  É realmente muito bom.





Filhotes fofos — Ursinho cinzento

1 10 2010

Aqui está BUBA, o ursinho bebê que nasceu em Janeiro de 2010, brinca com sua mamãe, URSINA, no Zoológico de Juraparc em Mont-d’Orzieres próximo a Vallorbe, na Suiça.





Terra e Vênus têm relâmpagos em comum

1 10 2010

Concepção artística mostra como seriam os relâmpagos que ocorrem em Vênus, similares aos da Terra, Foto: ESA

Uma equipe de cientistas vindos de diversas universidades descobriu que, mesmo com grandes diferenças entre suas atmosferas, Terra e Vênus possuem mecanismos de produção de relâmpagos bastante semelhantes.  A pesquisa foi apresentada esta semana no Congresso Europeu de Ciência Planetária.

Os cientistas declararam que esperam, com a descoberta, tornar possível entender a química, as dinâmicas e a evolução das atmosferas dos dois planetas. Os graus de descarga elétrica, a intensidade e a distribuição espacial são os principais pontos comparáveis.

Estudos anteriores indicavam que ondas magnéticas e óticas de Vênus poderiam ser produzidas por relâmpagos. A possibilidade foi confirmada por telescópios que capturaram imagens de relâmpagos no planeta.

Quando nuvens se formam, tanto na Terra como em Vênus, a energia que o Sol deposita no ar pode ser solta como uma poderosa descarga elétrica. Quando as partículas das nuvens colidem, a carga elétrica é transferida de grandes partículas para pequenas. A separação das cargas causa os relâmpagos.

O estudo apontou que a força dos relâmpagos também são similares. Foram analisados relâmpagos em Vênus por 3,5 anos terrestres. Comparando as ondas eletromagnéticas produzidas pelos dois planetas, foram encontrados fortes sinais magnéticos em Vênus, que fazem a produção ser comparável à da Terra.

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Fonte: Terra








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